Blogue de professora de didáctica das línguas, de análise do discurso dos média, de comunicação, de mediaculturas... com «aulas virtureais»... e alguns desabafos.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Fragmentos de Editorial 2 - Inteligência colectiva
E vou contribuir enquanto "cidadã participativa" na construção da inteligência colectiva de que fala Pierre Levy. Convido os meus alunos (a quem dedico este blogue) e a todos os outros cidadãos participativos a construir esta "Universidade". Se me enganar, digam-me. A velocidade das tecnologias nem é sempre compatível com o tempo da reflexão.
domingo, 25 de julho de 2010
Os Mestres, as referências...
Que falta me fazem também os mestres que me permitiram ser melhor. Uns passaram para o outro lado, outros afastaram-se, caíram no esquecimento..já nem são citados. Citam-se, por vezes, em trabalhos de mestrado, os colegas, os pares... e os mestres, os «clássicos» que ajudaram a construir os campos disciplinares, que contribuíram para o progresso científico, onde estão? É que «não é evidente que, lá porque uma pessoa faça o mesmo que nós, consigamos falar a mesma linguagem», diz ainda Langhoff.
A sociedade, a escola estão a promover os «pares«, o «trabalho colaborativo» e esquecem-se, muitas vezes que há trabalho colaborativo sem ser entre pares. E que «pares» sem orientação de mestres nem sempre são tão «criativos» como se defende.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Fragmentos de Editorial - Um blogue
Este aspecto paradoxal é sublinhado por De Kerckove que, em 2004, afirma o seguinte «não creio que (o blogue) seja uma forma de exibição do eu, mas antes de relação cpom os outros » (G. Granieri-2006- Geração Blogue. Lisboa:Presença). ou ainda « ponto de encontro entre redes sociais e tecnológicas, a blogosfera é uma rede de interacções intelectuais directas e navegáveis, resultado da contribuição gratuita, aberta e verificável das consciências e opiniões de muitas pessoas sobre assuntos de interesse geral e em tempo quase real. O funcionamento dos blogues baseia-se inteiramente nestas conexões. Tal como a inteligência, desenvolvem-se e crescem com o uso. Os blogues são um espaço de reflexão compartilhada» (pp11,12) e um espaço de relação.
Sobre os blogues ver o meu artigo, acabado de publicar, em
Eckert- Hoff, B. M, e Coracini,M.J. (2010) Escrit(ur)a de si e alteridade no espaço papel-tela. Campinas: Mercado de Letras.
http://www.mercado-de-letras.com.br/livro.php?id=000253
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Pasargada
Lá tenho os alunos (e os colegas) que quero
Na Escola que escolherei.
Sim quero uma Universidade em Pasárgada de Manuel Bandeira que seja também uma espécie de « là-bas» de Baudelaire.
Acabei de criar a minha Universidade nova. Uma Universidade nas minhas duas línguas. Aqui pretendo reencontrar todos os meus alunos de todas as Escolas por onde tenho andado e onde fui tão feliz por ensinar e por aprender tanto. Depois de ter aprendido a analisar blogues, criei o meu próprio blogue. Os meus alunos perguntavam-me, muitas vezes, por que não criava um blogue. Respondia que não tinha tempo. Hoje estou a avaliar possivelmente os meus últimos alunos na Escola onde até fui «feliz». Vai ser agora o momento. Quero dedicar-lhes o meu blogue e agradecer-lhes as palavras que me dirigiram e a atenção com que me ouviram. Hoje fico por aqui.
«Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei.
Vou-me embora pra PasárgadaVou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tiveE como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro bravo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90http://www.releituras.com/mbandeira_pasargada.asp
L'invitation au voyage
Mon enfant, ma soeur,
Songe à la douceur
D'aller là-bas vivre ensemble!
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble!
Les soleils mouillés
De ces ciels brouillés
Pour mon esprit ont les charmes
Si mystérieux
De tes traîtres yeux,
Brillant à travers leurs larmes.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Des meubles luisants,
Polis par les ans,
Décoreraient notre chambre;
Les plus rares fleurs
Mêlant leurs odeurs
Aux vagues senteurs de l'ambre,
Les riches plafonds,
Les miroirs profonds,
La splendeur orientale,
Tout y parlerait
À l'âme en secret
Sa douce langue natale.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Vois sur ces canaux
Dormir ces vaisseaux
Dont l'humeur est vagabonde;
C'est pour assouvir
Ton moindre désir
Qu'ils viennent du bout du monde.
— Les soleils couchants
Revêtent les champs,
Les canaux, la ville entière,
D'hyacinthe et d'or;
Le monde s'endort
Dans une chaude lumière.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
— Charles Baudelaire
http://fleursdumal.org/poem/148
Nonverbal communication (space) in classroom 1
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