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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investigação científica Nantes/Aveiro/Brasília. O programa está disponível. Os rascunhos da minha conferência estão neste Blogue.
https://universidadedepasargada.blogspot.com/2018/06/power-point-integrado-na-comunicacao.html
https://universidadedepasargada.blogspot.com/2018/08/conferencia-sobre-multimodalidade-no.html

Parte da bibliografia está comentada em diferentes post recentes e em
https://universidadedepasargada.blogspot.com/2018/04/

Ver também números 160,173,184 da Revista Études de Linguistique Appliquée que era uma revista de Didactologie des Langues-Cultures et de Lexiculturologie e que se transformou /voltou a ser de Linguística Aplicada. Há alguns poucos números que escapam!
https://www.cairn.info/revue-ela-2016-4.htm
https://www.cairn.info/revue-ela-2010-4.htm

quinta-feira, 14 de junho de 2018

A multimodalidade em discursos académicos- Congresso da SPCE

A multimodalidade em discursos académicos


Os últimos tópicos deveriam ser desenvolvido em comunicação a apresentar no Congresso da SPCE. Mas como, agora, os comunicadores pagam mais do que os não comunicadores, dado que as investigações são reconhecidas «ao peso». E como a inscrição era pesada, não vou. Escrevo aqui e tenho mais leitores! Até porque... ninguém assiste já a comunicações paralelas... Cada um vê a conferência inicial (quando vê!) «despacha» a sua comunicação e já está, já foi... Mais um artigo! E é preciso que não seja publicado em volume intitulado «Atas», porque esse não conta!
Aqui está o resumo que foi aceite



Resumo
Nesta comunicação, pretendemos  apresentar uma síntese de um  projeto de investigação desenvolvido sobre literacias académicas multimodais. Procuraremos, num primeiro tempo, definir os conceitos de literacia, de multimodalidade e de literacia multimodal. Num segundo momento, proporemos uma análise de exemplos de  discurso multimodal. Esses exemplos foram extraídos de dois tipos de corpora: um que é composto por  resumos e apresentações públicas de autores «reconhecidos» (apresentações em conferências TED, por exemplo); outro constituído por resumos de teses e registos de apresentações académicas.
A análise do  primeiro corpus permitiu-nos identificar  marcas  de operações discursivas e cognitivas, de natureza multimodal, como definir, parafrasear esquemas, introduzir outras vozes no interior de discursos académicos, resumir, concluir… e fazer o levantamento de processos adotados na «encenação» de discursos científicos e na sua divulgação, em relação com o enquadramento teórico convocado.  
O corpus constituído por trabalhos académicos colocou em evidência a dificuldade, por parte de muitos estudantes, na distinção entre a modalidade epistémica, a modalidade apreciativa e mesmo a modalidade deôntica. Colocou também em evidência a natureza, ainda pouco investigada dessas dificuldades, no caso das apresentações orais. O recurso a meios tecnológicos nas apresentações reforçou a heterogeneidade dos discursos o que implica um nível mais exigente de literacias académicas.
Considerando que, de acordo com o designado processo de Bolonha, com o  Decreto-Lei 74/2006, os estudantes dos diferentes graus  deveriam : «Ser capazes de comunicar as suas conclusões, e os conhecimentos e raciocínios a elas subjacentes, quer a especialistas, quer a não especialistas, de uma forma clara e sem ambiguidades», o que pressupõe a distinção das diferentes modalidades, este estudo revela que, em muitos casos, o desempenho dos estudantes manifesta algumas insuficiências.
Daí a necessidade, do nosso ponto de vista, da inclusão em planos de estudo de conteúdos e estratégias destinadas ao desenvolvimento de literacias multimodais.   
Palavras-Chave:  Didática das línguas-culturas, multimodalidade, as línguas nas outras matérias, literacia multimodal
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terça-feira, 15 de maio de 2018

Didática das línguas-culturas, supervisão e comunicação multimodal

Encontro sobre Supervisão e Avaliação na vida das Escolas

Vai decorrer na ESE de Castelo Branco , nos dias 8 e 9 de junho.

A organização  pediu-me para fazer  palestra sobre Didática das Línguas- Culturas.

Como uma das características da comunicação de hoje é a deslocalização, a palestra vai começar, aqui e agora, sob a forma de apontamentos, de acordo com definição de blogue.

Tendo realizado 3 comunicações em pouco tempo sobre assuntos próximos, convido o leitor  a consultar os tópicos seguintes:
https://universidadedepasargada.blogspot.pt/2018/04/didlang2018-coloquio-de-didatica-das.html
https://universidadedepasargada.blogspot.pt/2018/04/apedi-2018-conferencia-sobre.html

A bibliografia está parcialmente nesses outros tópicos.


RESUMO

Didática das línguas-culturas, supervisão e comunicação multimodal
«Ver para crer» ou… ver para  pensar, comunicar e agir



Retomando a expressão ou o provérbio «Ver para crer (como São Tomé)», em subtítulo, procurarei mostrar  como a  investigação em didática das línguas.-culturas   em comunicação multimodal é importante  para agir sobre o terreno, antecipar efeitos das inovações e propor formas de melhorar as aprendizagens e a relação pedagógica. Estas dimensões, também visadas em supervisão, estão interligadas, como decorre da própria definição de comunicação multimodal, entendida como «processo cognitivo, neurológico, relacional, empático que implica um conjunto de modos em
 interação,  envolvendo o corpo (corporização da verbalização e do pensamento)  e que se traduz na ação dos participantes na situação de comunicação (espaço e tempo)» (Ferrão Tavares, 2016).
 Apoiando-me  em exemplos extraídos de comunicações profissionais apresentadas em dispositivos públicos (como as conferências TED)  ou  registos de aula no formato « A minha tese em 3 minutos», distinguirei alguns elementos de coerência dos discursos multimodais, nomeadamente, metáforas e palimpsestos verbais e icónicos, marcas verbais e não verbais de operações cognitivas e discursivas comuns aos discursos das diferentes disciplinas escolares (definir, exemplificar, comparar, parafrasear, resumir, argumentar…). Colocarei em evidência a necessidade de observar interações entre o  corpo e os dispositivos tecnológicos, em articulação com meios icónicos e linguísticos, em  tempos e espaços  reais e virtuais.
Procurarei enfatizar a necessidade de adotar, em supervisão, dispositivos de videoformação que permitam que o professor aprenda a desempenhar diferentes papéis discursivos, como o de explicador, o de contador de histórias ou de crítico… papéis que são transversais às diferentes disciplinas escolares e que integram a competência comunicativa do professor.  
Em consonância com a definição de comunicação multimodal, a  preparação da comunicação é pública, podendo  ser seguida, em processo de construção, em
https://universidadedepasargada.blogspot.pt/2018/05/didatica-das-linguas-culturas.html




Formato narrativo justificado em
https://universidadedepasargada.blogspot.pt/2018/04/apedi-2018-conferencia-sobre_24.html


Poderia começar a minha comunicação de três  maneiras:
Mostrando o papel das diferentes disciplinas para o meu percurso profissional o que me levaria a  explicitar o enquadramento teórico : A   Didática das Línguas- Culturas nas suas relações com a literatura, a linguística, a pragmática,  as CE, nomeadamente a Supervisão… as NBIC.
Mostrando alguns paradoxos de hoje nomeadamente o aparente declínio da Didática, o fechamento da escola num mundo deslocalizado ou o exibicionismo nas redes sociais e o «pudor» em mostrar o que se passa na aula.  
Contando histórias a partir destes comentários:
«O meu professor  não sabe explicar, só passa power point e nós copiamos/dá-nos o power point».

«O meu professor passa power point de costas voltadas, apaga as luzes  e nós fazemos barulho».

«Está quieto e resolve o problema!»

Desta forma anunciaria o facto de esta comunicação se inscrever em didática das línguas-culturas, numa perspetiva de analisar para agir, para antecipar, para propor formas de melhorar as aprendizagens, interrogando, hoje, um domínio, por um lado, questionado por muita gente das ciências da educação, por outro, muito promissor: as NBIC, nomeadamente as neurociências. 
Ao falar de paradoxos refiro, por exemplo,  a grande dificuldade desta comunicação em termos metodológicos: precisava de registos de aulas atuais e não as encontro na Internet e as gravadas oficialmente não estão disponíveis.   
Com as histórias... entraria imediatamente no assunto, porque parece que o formato narrativo  se vê no cérebro. Depois porque formato narrativo está ao serviço da explicação e da argumentação.  E os professores de todas as disciplinas têm de saber explicar. E as línguas contribuem para o conhecimento sobre elas próprias, mas estão nas outras disciplinas, nomeadamente em Matemática (o espaço-tempo  desta comunicação no Encontro  é partilhado com a Matemática).  As línguas nas outras disciplinas é um eixo que irei desenvolver. O outro eixo a desenvolver é o da observação da comunicação multimodal.

Desenvolvo três tópicos, alguns desenvolvidos em comentários anteriores:
A comunicação é multimodal
As línguas estão nas outras disciplinas
A videoformação : uma metodologia de supervisão em Didática das Línguas-Culturas

Formulo as seguintes questões:

Nos planos de estudos de cursos de professores  e nas fichas curriculares
  • Como se vê a ação (os eventos da aula)? Quais as marcas da ação? Reflete-se sobre a ação ou sobre o que os agentes dizem sobre a ação?
  • A videoformação aparece?
  • Aparecem simulações globais ou simulações de sequências?
  • Quais os instrumentos de observação das interações?
  • Como se vê como o professor/aluno  comunica?
  • Quem ensina um professor a comunicar? 
Interrogo-me sobre a contradição entre o exibicionismo das práticas nas redes sociais e o  «pudor» em se mostrar o que se passa na aula o que implica que dimensões que são equacionadas na formação de outros profissionais não possam ser analisadas com os mesmos meios de registo de imagem. 

Apresento alguns exemplos da adoção da videoformação na formação de professores e mostro como à falta de «corpora» de aula, os investigadores em formação de professores têm de  ver outros profissionais que desempenham de forma pública os mesmos papéis, até em situação pedagógica como em «A minha tese em 3 minutos», dispositivos de Pechakucha ou conferências TED. Por exemplo:  





http://www.ccap.min-edu.pt/docs/Caderno_CCAP_2-Observacao.pdf

Dou exemplos do ciclo de vídeoformação como o desenvolvi nas minhas práticas de supervisora e apoiada em algumas práticas disponíveis em

http://chaire-unesco-formation.ens-lyon.fr/+-Videoformation-+

Bibliografia
Já apresentada em tópicos precedentes:

https://gerflint.fr/Base/Europe10/ferrao_tavares.pdf
https://dadospdf.com/download/abordagem-acional-e-competencia-comunicativa-multimodal-estaleiro-de-apresentaoes-de-trabalhos-academicos-_5a44a66eb7d7bc891f746ca3_pdf
https://journals.openedition.org/cediscor/587
https://www.decitre.fr/revues/etudes-de-linguistique-appliquee-n-153-janvier-mars-2009-approches-plurielles-et-multimodales-9782252036976.html






terça-feira, 24 de abril de 2018

APEDI 2018- Conferência sobre comunicação multimodal

Alguns tópicos    foram já desenvolvidos neste blogue.
https://universidadedepasargada.blogspot.pt/2018/04/apedi-2018-conferencia-sobre.html

Conferência quase pronta, com prolongamento aqui.

Sobre os eventuais efeitos do formato narrativo no cérebro e sem entrar nas polémicas atuais sobre as NBIC, deixo este diapositivo que me serve duplamente no âmbito desta conferência: pela questão do conteúdo e pelo dispositivo e estilo  multimodais de Uri Hasson.   




Sobre os riscos do «aplicacionismo»  das NSCC (neurociências cognitivas e comportamentales) à educação, há muitos artigos de jornais que estão a ser publicados depois da nomeação de neurocientista para comissão nacional de educação em França (Stanislas Dehaene), por exemplo:  «Overdose de neurosciences»

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Exposição «Labirintos e memórias», na Câmara Municipal de Arganil


Está a decorrer, de 3 a 30 de abril, na Galeria Guilherme Filipe da Câmara Municipal de Arganil,  a exposição «Labirintos e memórias» de Antígona.
Parece, á primeira vista que a atividade de pintora de Antígona não tem nada a ver com a temática deste blogue de Clara Ferrão, mas há uma relação entre as duas.

Antígona nasceu em Pombeiro da Beira, ao pintar cenários, decorar poemas, representar peças de teatro, nas festas organizadas pela sua professora Maria de Lourdes Ferrão (também mãe de Clara Ferrão). Deliciou-se, no terceiro ano do liceu, nas aulas do Professor- Pintor de Arganil, António Ventura. 
Frequentou as aulas de Clara Ferrão e aprendeu conceitos de comunicação, literacia multimodal, intercompreensão,  leitura, empatia, neurociências, mestiçagem entre mundos reais e virtuais … Estudou literatura e pintura. Aluna de escola de viagens, adorou “encontrar Picasso”em Antibes, com 19 anos. Acompanhou Clara Ferrão em trabalho a Paris, a Copenhaga, ao Rio de Janeiro, a São Petersburgo…, impondo-lhe a sua vontade de visitar museus. Antígona frequentou alguns ateliês e “explicações” de pintura, mas não gosta de horários… Aproveitou a Internet para reclamar maior protagonismo e partilha. Alegre, ousada, atrevida, conversadora impõe a sua vontade a Clara Ferrão e Clara Ferrão oferece-lhe os conteúdos para as suas pinturas.

E surge esta exposição depois de uma primeira, na Galeria do Café Santa Cruz em Coimbra, em julho de 2017.
Porquê «Labirintos e memórias»?
Para Flaubert, uma folha de papel constitui um labirinto. Na folha há caminhos que se abrem e outros que se vão fechando.  Para Antígona, cada tela constitui um labirinto. Labirinto, não num sentido místico ou filosófico, como local de opressão, mas como uma construção como um ambiente de experimentação. Labirinto que constitui um convite à desorientação, implicando o recurso à memória ou memórias convocadas para encontrar resoluções. Labirinto que apresenta desafios cognitivos, com falsas pistas, com «veredas que bifurcam» (como diz Borges) com modos diferentes de «ler» ou ver a vida, com possibilidade de escolhas de formas e cores, com erros, com correções. Constitui um desafio à imaginação, uma construção lúdica, uma viagem em que o viajante sente o prazer de se perder e de encontrar, e de se encontrar. Como em todas as histórias, nomeadamente, como no mito que motivou a palavra labirinto, «as personagens» de Antígona - pintora vencem obstáculos e conseguem ultrapassar o que consideravam ser os seus limites. Os labirintos de Antígona são felizes, como as cores das telas o revelam. Antígona constrói metáforas de conceitos e propõe narrativas ancoradas no passado, nas memórias, que deixam fios para iniciar novas histórias. Memórias de viagens, de aulas, de telas, de livros, de rostos, de emoções… Antígona caracteriza-se pela capacidade de sonhar, como Ícaro, de realizar o que aparentemente é impossível, de desafiar o desconhecido, de resolver os emaranhados ou melhor os novelos que se vão desfiando nas telas: há teias que se fazem e desfazem, há espirais, há puzzles, peças que as mãos reconstroem a partir de memórias dispersas, com persistência, com desobediência em relação a princípios e regras que Clara Ferrão até pode conhecer.

Alguns momentos de encontros e reencontros com amigos.  




Será que é Antígona ou Clara Ferrão com a mania de explicar  até ao Sr. Presidente da Câmara de Arganil!   

domingo, 19 de novembro de 2017

Orientação de teses realizadas por professores

Num momento em que se fala tanto da progressão de professores de todos os graus e disciplinas,  é necessário pensar-se nos cursos que frequentam, nos diplomas que lhes são atribuídos em provas públicas e nas implicações das problemáticas estudadas na melhoria da sua ação profissional.

Em teses  até muito boas interrogo-me  algumas vezes sobre as implicações dos estudos em causa até para o próprio candidato. Houve alturas, em que se acumulavam créditos  em formações sobre temáticas bem interessantes, mas muito pouco úteis em termos de educação.  Os cursos de longa duração têm necessidade de ser escolhidos com a finalidade de melhorar a ação profissional do candidato, contribuir para melhorias na instituição e contribuir para o progresso da disciplina científica, através da adoção de metodologias adequadas que, em áreas como a educação, não têm necessariamente de ser de tipo quantitativo. Em educação, nomeadamente, em Didática das Línguas-Culturas, é necessário desenvolver estudos sobre o que se faz e o que se diz (e como se diz) nas aulas.  

A minha última doutoranda, docente de uma Escola Superior de Hotelaria e Turismo,  veio propor-me uma tese já começada  sobre as representações dos empregadores sobre as línguas em hotelaria. Ficou estarrecida, quando lhe disse: «eu já sei as respostas».
E assim, esta «história» acabou e começou uma nova história, se dúvida,  com muitos mais obstáculos, mas também com mais adjuvantes (já que a candidata aceitou o desafio de ver com «eye tracking» o que se passava com os materiais pedagógicos que utilizava e...  eu era uma fraca adjuvante nesse domínio, apesar de, até em pintura, andar a estudar estudos com essa metodologia).      

E a história ficou terminada no dia 15 de novembro, com provas públicas! Alguns comentários extraídos da minha arguição,  em provas públicas, poderão, talvez, ajudar outros candidatos ou jovens orientadores: 

«A tese apresentada pela mestre Dulce Mendes Sarroeira à Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias  intitulada  Educação em-para-e pelas línguas de acção académica e profissional: para uma perspectiva acional e multimodal do ensino do Francês apoia-se, quer em termos temáticos quer metodológicos, em Didática das Línguas e das Culturas, partindo de uma  problematização em contexto profissional, tendo exigido à candidata a conceptualização prévia, com a construção de um enquadramento teórico sólido,  e a conceptualização posterior, decorrente do projecto de investigação-ação que desenvolveu. Trata-se, por isso, de uma tese com implicações na competência profissional da professora de uma escola de turismo e com implicações para outras  investigações e para  a prática de professores de línguas-culturas. (É uma feliz coincidência escrever este post no mesmo dia em que apresento, neste blogue, o número 4 da Revista Synergies Portugal, em homenagem a Robert Galisson). 
A tese  apresenta interesse conjuntural, dada a necessidade de se compreenderem os efeitos produzidos por ambientes e dispositivos tecnológicos nas aprendizagens dos alunos, através da identificação de marcas discursivas multimodais.
A candidata procedeu a uma revisão rigorosa da literatura quer em termos pedagógicos quer em termos investigativos, numa perspectiva diacrónica e sincrónica, perspetivando o ensino da língua francesa numa linha de estudos  sobre o papel das línguas na educação e, nomeadamente, das línguas nas outras disciplinas, orientação proposta pelos  trabalhos doConselho da Europa,  com a finalidade de  garantir a equidade na educação, em consonância com Recomendações Europeias.  A candidata procurou identificar o potencial de  aprendizagem decorrente de mudanças na sua ação didática (mudanças no espaço e tempo de aula,  nos  dispositivos tecnológicos e conversacionais  e na perspetiva didática).  Na  investigação-ação, afastou-se , assim, da linha das línguas «aplicadas» ao mundo empresarial  assente numa conceção funcional, centrada nos léxicos específicos (abordagem semasiológica), para adotar uma abordagem «acional», em consonância com os princípios dos estudos sobre as línguas, centrados no desenvolvimento de competências transversais que se traduzem em operações cognitivas e discursivas comuns a diferentes campos profissionais (abordagem onomasiológica). 
Na perspetiva investigativa (interligada com a ação) aprofundou o conceito de multimodalidade e procurou adotar metodologias que permitissem identificar marcas dos efeitos produzidos por dispositivos e suportes multimodais nas aprendizagens dos estudantes, sob os pontos de vista cognitivo, empático, relacional e discursivo. Adotou uma perspectiva etnográfica que lhe permitiu identificar alguns  desses efeitos. O recurso a questionários e entrevistas permitiu à candidata   identificar representações sobre os efeitos dos dispositivos tecnológicos utilizados e das mudanças didáticas adotadas.  Para identificar mudanças nos discursos orais e escritos da professora e dos estudantes, a candidata serviu-se dos «analíticos» da plataforma Moodle e de transcrição de registos áudio e vídeo.  Serviu-se igualmente da metodologia eye tracking para detetar mudanças decorrentes do uso de formatos diferentes dos mesmos materiais pedagógicos (...).

O facto de saber,  à partida, que a sua problemática  investigativa implicaria riscos e de ter consciência  que, em educação, é necessário encontrar técnicas e instrumentos tecnológicos que permitam identificar marcas de efeitos produzidos pelos instrumentos e dispositivos tecnológicos é revelador do perfil de investigadora da Dulce Mendes Sarroeira».

Poderia referir ainda neste post  o cuidado  na materialidade gráfica e o rigor na escrita. 

E, assim, a candidata passou a «doutora» e a orientadora ficou satisfeita. Também ficou satisfeita com a apresentação multimodal feita pela candidata e com a qualidade revelada nas provas.  Uma apresentação mais pormenorizada dos resultados do estudo poderá ser lida em  futuros artigos. 
A história continua.   

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Tempo, espaço e comunicação multimodal em cursos de formação de professores

Transformações, perenidades, inovações
 ESEC – 30 anos de Ensino de línguas/Formação de professores de línguas
Resumo ou tópicos organizados em férias no Algarve.  O  texto será publicado em Atas.

Tempo, espaço e comunicação multimodal  em cursos de formação de professores


Objetivo:  Identificar transformações, inovações, perenidades e até retrocessos na aula de língua e na formação de professores (Nestes tópicos só desenvolvo o plano da formação).
Contextualização e problematização:
Tendo a ESE do Algarve adotado a designação Escola Superior de Educação e Comunicação  da Universidade do Algarve importava compreender o lugar da comunicação nas práticas de ontem e hoje e na formação de professores de línguas. 

Com Bolonha os estudantes de todos os ciclos devem «ser capazes de comunicar as suas conclusões, e os conhecimentos e raciocínios a elas subjacentes, quer a especialistas, quer a não especialistas, de uma forma clara e sem ambiguidades».
Os professores devem ainda ser capazes de comunicar com crianças.

Podemos então formular a questão seguinte:
·         Nos planos de estudos de cursos de professores  e nas fichas curriculares
  • ·         Quais as metodologias adotadas para desenvolver as competências referidas?
  • ·         A videoformação aparece?
  • ·         Aparecem simulações globais ou simulações de sequências?
  • ·         Quais os instrumentos de observação das interações?
  • ·         Como se vê como o professor comunica?
  • ·         Quem ensina um professor a comunicar? 


Ora, nos planos de estudos de cursos de professores  (disponíveis on line) de instituições do ensino superior, quase não se vêem marcas desta competência declinada quer em termos de UC específica, quer na definição de  objectivos de UC, quer nos conteúdos, quer nas bibliografias.
A ESEC  é, de certo modo, uma exceção, formulando  o seguinte objectivo:
Mestrado em ensino de português  e inglês no segundo ciclo
«O desenvolvimento da capacidade de exposição oral e escrita em Português e em Inglês, inclusive dentro do registo académico». https://esec.ualg.pt/pt/curso/1483


Recuando no Tempo…
Como dizia o fundador da ESEC, Professor Cândido de Freitas, na conferência que precedeu esta e traçou o início da ESEC,  e a minha experiência numa ESE o confirmou, as ESE foram dotadas com espaços e recursos para a videoformação, para a observação de aulas, para a produção de vídeos.
Que aconteceu a estes espaços? E sobretudo que aconteceu às práticas de comunicação  que  neles decorriam (porque até nem haveria necessidade de espaço específico)?
Adotando o formato narrativo (no fim expliquei as razões), nos anos  80 do século passado,  mostrei imagens que  documentam um ciclo de formação de uma cadeira, como se dizia na época, que eu lecionava: Nessas imagens, vê-se  uma futura professora que contava uma história, seguidamente  os estudantes  viam registos vídeo de professores ou «comunicadores profissionais», como José Hermano Saraiva, a contar uma história,  observavam, com base num enquadramento teórico sobre a comunicação verbal e não verbal, vários registos em vídeo e analisavam essas «amostras» da comunicação, no plano das interacções verbais e não verbais. No final, a mesma estudante voltava a contar história e via-se a evolução. O mesmo  ciclo decorria  em relação a outros papéis que os professores desempenham sempre (explicadores, animadores, avaliadores…).
  
E hoje? Parece que  a comunicação desapareceu  em grande parte da formação  de futuros professores. Caso contrário, não veríamos nas defesas de provas e nas apresentações os vários casos que reuni num dispositivo caricatural:


Os alunos recorrem a  templates ou imagens de tipo ilustrativo ou metáforas  inadequadas
Apresentação de texto memorizado com  ausência de gestos de mise en corps  necessários à  mise en concept e mise en mots (dimensão neurológica da multimodalidade),
Ausência de conetores verbais e gestuais
Olhar  centrado no computador ou ecrã;
Projeção em modo de trabalho.
Leem texto;
Uso indiferenciado de caracteres,  pontuação…
Apagam  luzes
E os professores mandam apresentar   em
power point

Muitos estudantes não terão desenvolvido a competência definida já na alínea e) do Decreto –Lei 74/2006.
O que não é de estranhar porque  não aprenderam a comunicar.


No entanto há várias maneiras de aprender a comunicar e a videoformação é uma delas. A vídeoformação não morreu, como documenta a bibliografia apresentada em outro post, nomeadamente, nas referências apresentadas  no âmbito da  Cátedra Unesco para a formação de Professores no século XXI.



Macron aprendeu a comunicar para reagir a Trump. Rui Mergulhão, nos tribunais, procura marcas de emoções nos arguidos, nas empregas, sucedem-se cursos de comunicação, recorrendo até à PNL - Programação Neurolinguística (nos anos 80 frequentei um).
E que dizem as neurociências?
Que se vêem no cérebro marcas idênticas de quem pronuncia e de quem recebe discursos em formato narrativo (uma das razões para o formato narrativo adotado), que se vêem no cérebro marcas   dos gestos das mãos… daí eu ter precisado de mãos livres para improvisar ( apesar da preparação ) aula e não estar condicionada por gestos técnicos. Evidentemente em formato blogue… simplifico e caricaturo estudos!
Os nossos neurónios comunicam em espelho com os neurónios dos outros. Não são só as posturas de convergência interativa, as inclinações laterais da cabeça, os gestos e verbalizações de aprovação, os sorrisos… Os gestos antecipam a verbalização, convocam a memória e provocam fenómenos de alinhamento neuronal, cognitivo , relacional e empático. A comunicação é multimodal. 
Mas, como  poderemos nós  professores e investigadores ver… sem  recorrer a ressonâncias magnéticas (que aliás me levantam problemas, nestas situações)?

  • ·         Observar o que acontecia quando eu estava a contar esta «história» ou o que aconteceu, depois, quando alguns colegas estavam a contar, a explicar e a argumentar (alguns escondidos atrás de ramo de flores ou de ecrã de computador, outros de pé, com mãos e sem mãos  no computador).  

  • ·         Utilizar alguns dispositivos de eye tracking que se estão a desactualizar em algumas instituições sem que sejam utilizados em educação?
  •  
  • Para observar a comunicação que hoje é muito diferente em relação com o espaço, o tempo e as tecnologias.

 E, por isso, propus a observação de uma metáfora icónica do axioma da comunicação de Paul Watzlawick «não  podemos não comunicar», no qual são visíveis marcas que reenviam para o olhar, os gestos, as mão… As costas comunicam, as pernas de Sharon Stone comunicam, os espaços reais comunicam, o tempo comunica, as diferentes culturas religiosas, artísticas, literárias, científicas comunicam.  A tela revela as porosidades entre os diferentes planos. E a nossa memória convoca, em palimpsesto, «imagens», palavras que compõem os nossos discursos:


A «mestiçagem de culturas» de que falava Michel Serres, em «Le tiers instruit», para caracterizar o homem do futuro.
O tempo passou e…  esse futuro tornou-se presente.
E, nesse presente, entreguei simbolicamente à ESEC uma produção «mestiça» de Antígona, metáfora icónica da definição do homem do futuro que a ESEC terá de formar, em consonância com a missão do ensino superior.






sexta-feira, 12 de maio de 2017

Bibliographie sur le non verbal et la multimodalité

Préparation de conférence






        Regev, M., Honey, U., Hasson, U. (2013). Modality-selective and modality-invariant neural responses to spoken and written narratives. Journal of Neuroscience. Journal of Neuroscience 33(40):15978 –15988. Consultado em 12/5/2017
·         Schmälzle R., Häcker FE, Honey CJ, Hasson, U. (2015). Engaged listeners: shared neural processing of powerful political speeches. Social Cognition Affect Neuroscience. Consultado em 12/5/2017
file:///C:/Users/Admin/Downloads/Schmalzle_et_al_SCAN_2015_0.pdf


Hasson, U.  (2017) This is your brain on communication

http://ideas.ted.com/this-is-your-brain-on-communication/
Caroline Vincent (2012). Interactions p´edagogiques ”fortement multimodales” en ligne : le cas de tuteurs en formation.
Magali Barrière-Boizumault (2013) Les communications non verbales des enseignants d’Education Physique et Sportive : Formes et fonctions des CNV, croyances et r´ealisation effective des enseignants, ressenti des effets par les ´el`eves
Yoren Gaffary (2015). Communication kinesthésique des émotions dans un contexte d’interaction homme-machine. Interface homme-machine
https://tel.archives-ouvertes.fr/tel-01191502/document

Dortier, J-F coord. (2011) Le cerveau et la pensée.  Sciences Humaines Éditions,(1re éd. 1998)

https://www.decitre.fr/media/pdf/feuilletage/9/7/8/2/9/1/2/6/9782912601049.pdf


Sciences Humaines nº 293, juin 2017. L'empathie, jusqu'où se mettre à la place de l'autre ?

https://www.scienceshumaines.com/l-empathie-jusqu-ou-se-mettre-a-la-place-de-l-autre_fr_644.htm

Conferências TED
https://www.ted.com/talks/uri_hasson_this_is_your_brain_on_communication

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Perfil dos alunos do século XXI. Apontamentos para consulta pública

 O Perfil dos alunos do século XXI http://dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/perfil_do_aluno.pdf

encontra-se em consulta pública. Vou responder e vou preparar aqui os apontamentos para a minha resposta. 
Não vou desenvolver muito os tópicos... possivelmente não serão lidos, mas, pelo menos aqui terão alguma utilidade,

Princípios

Partilho os princípios e a visão nomeadamente a perspetiva «mestiça» ( Michel Serres) de culturas, artes e tecnologia proposta.
Concordo igualmente com os valores.

O capítulo das Competências levanta-me mais questões

Para a elaboração deste capítulo sugiro  que esteja presente a conceção plurilingue e pluricultural desenvolvida na
A platform of resources and references
for plurilingual and intercultural education

Nomeadamente o documento seguinte:
Beacco, J.- C., Coste, D. van de Ven, P., Vollmer H (2015) Langue et matières scolaires. Dimensions linguistiques de la construction des connaissances dans les curriculums. Recuperado em 12/6/2016, de http://www.coe.int/t/dg4/linguistic/Source/Handbook-Scol_final_FR.pdf

Só me pronuncio sobre 2 áreas, apesar de todas estarem interligadas.
·         Discordo da distinção de duas áreas  «Linguagens e textos» e «informação e comunicação »  e das próprias designações. Apesar de, no documento,  se referir que «Estas competências são complementares»,  a divisão entre  as áreas de  «Linguagens e textos» e «informação e comunicação»  parecem relevar de uma visão clássica dos problemas da língua.
·         A   conceção de «multimodalidade»  na formulação seguinte : «dominar capacidades nucleares de compreensão e de expressão nas modalidades oral, escrita, visual e multimodal» parece não ter em conta estudos sobre a multimodalidade, nomeadamente no âmbito das neurociências. A  situação de oralidade (e da escrita ) é multimodal. Toda a comunicação é multimodal  dado que  « não podemos não comunicar» (WatzlawicK). Todos os textos são multimodais.

Permito-me propor  uma definição de multimodalidade.
«Multimodalidade como um processo neurológico,  cognitivo, relacional, empático que implica um conjunto de modos em interação, implicando o corpo (corporização da verbalização e do pensamento)  e que se traduz na ação dos envolvidos na situação de comunicação (espaço e tempo). Com esta definição, (baseada em Cosnier, 2008) afastamo-nos de definições da multimodalidade como soma ou justaposição de mensagens, de suportes ou linguagens de natureza diferente que se pode designar de multicanalidade. A multicanalidade é uma das componentes da multimodalidade mas limita-se ao plano das linguagens e canais, enquanto o multimodalidade se constrói em relação aos sujeitos que partilham um espaço e um tempo de comunicação, envolvendo dimensões de natureza complexa nomeadamente  planos neurológicos que determinam ou são determinados pelo corpo e pela interacção deste com dispositivos  comunicativos diversos (Ferrão Tavares 2016, 2017).

Para a definição das relações da línguas com as outras matérias presente na formulação das competências seguintes

- utilizar de modo proficiente diferentes linguagens simbólicas associadas às línguas (língua materna e línguas estrangeiras), à literatura, à música, às artes, às tecnologias, à matemática e à ciência;
utilizar e dominar instrumentos diversificados para pesquisar, descrever, avaliar, validar e mobilizar informação de forma crítica e autónoma, verificando diferentes fontes documentais e a sua credibilidade;

talvez os descritores propostos para a matemática, as ciências, a história, a literatura ...  definidos nos documentos seguintes possa ser útil:
Eléments pour une description des compétences linguistiques en langue de scolarisation nécessaires à l’apprentissage/enseignement de l’histoire (fin de la scolarité obligatoire) Une démarche et des points de référence Jean-Claude Beacco
Eléments pour une description des compétences linguistiques en langue de scolarisation nécessaires à l’apprentissage/enseignement des sciences (fin de la scolarité obligatoire) Démarche et points de référence
Há versões em Francês e Inglês destes documentos.
Permito-me apresentar alguma bibliografia pessoal com reflexão sobre estes assuntos :

FERRÃO TAVARES, C. 2007. Didática do Português Língua Materna e não materna. Porto: Porto Editora
FERRÃO TAVARES, C., Barbeiro, L-C. 2011. Implicações das TIC para a aula de Língua. Lisboa : Ministério da Educação.
 Ferrão Tavares, C. (2007). Le temps, l'espace et les cultures. Etudes de Linguistique Appliquée, Revue de Didactologie des Langues nº 146. Paris: Didier Edition.
 Ferrao Tavares, C. (2011). Abordagem acional e competência comunicativa multimodal: estaleiro de apresentações de trabalhos académicos. Intercompreensão, 16, 85-118.
Ferrão Tavares,C. 2013. « D’hier à aujourd’hui (et demain ?) : un parcours de recherche en didactologie des langues-cultures sur la communication ». Synergies Portugal, nº 1, pp. 91-117.
Ferrão Tavares,C. 2016. L’intéressant et le démonstratif : à propos des zones de proximité des communications médiatiques et académiques. Hommage à Louis Porcher . Synergies Europe n° 10 - 2015 p. 121-139

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...