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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Literacias académicas e comunicação multimodal

Ou usos, abusos e maus usos do power point.

 Este tópico teria sido escrito de forma diferente, evidentemente mais cuidada e menos «achativa»,   para integrar comunicação a apresentar no Congresso da SPCE.

https://universidadedepasargada.blogspot.com/2018/06/a-multimodalidade-em-discursos.html
Como referi nos post anteriores


https://universidadedepasargada.blogspot.com/2010/11/power-point-instrumento-de-preguica.html
https://universidadedepasargada.blogspot.com/2018/06/power-point-integrado-na-comunicacao.html

Power point  pode ser  um «instrumento de tédio mortal»! Foi o título de crónica do público, há cerca de 10 anos,  ainda antes deste efeito de saturação que vou referir

E depois de ter assistido a dezenas de apresentações de monografias e teses e comunicações das mesmas eu acrescentaria de forma provocadora:

«Não se aguentam as apresentações em power point de teses de mestrado e doutoramento em colóquios!»

Vamos por partes, comecemos pelas teses: a estrutura de uma  tese nem sempre corresponde à cronologia do projeto de investigação que lhe deu origem. Ora, acontece que muitas teses  os estudantes reproduzem o tempo do projeto até porque não têm tempo ( tempo demasiado curto para o que se pretende)  de se distanciar para reformular as escritas que vão fazendo e construir um objeto coerente e coeso.

A cultura de investigação, hoje, adotou uma espécie de «template» para todas as investigações. Basta ler as fichas de avaliação de projetos e de artigos para se encontrar a seguinte estrutura (objetivos, questões, enquadramento teórico, metodologia, dados, discussão de dados, conclusões). As implicações ficam de fora quase sempre.... Ora as teses de professores que se inscrevem em programas de  educação, supervisão, didática têm de ter utilidade social. Se não servem para melhorar a Escola, o professor, os outros professores, as aprendizagens... para que servem? Não podem significar um preço alto das propinas que se traduz em mais uns pontos nas carreiras ou nas avaliações dos próprios e das instituições em relatórios nacionais e internacionais...  A obtenção de um grau também  não pode  implicar   menos atenção dos professores-  investigadores aos seus alunos durante o período da tese, o que ainda é mais grave.
Ora... estou farta de me perguntar para que teriam servido determinadas teses... por exemplo sobre as representações de professores, empregadores sobre as línguas ou usos de TIC... Não é preciso  «incomodar» um público com questionários e entrevistas para se saber que a língua mais valorizada é o inglês ou que toda a sociedade acha as TIC indispensáveis na vida dos cidadãos. Caricaturo de propósito...  
Aliás na formulação dos objetivos até se encontra o verbo «verificar»! 

Passando às apresentações, A estrutura é normalmente a que foi descrita, com mais ou menos cores, partes que se acrescentam ou se apagam, efeitos especiais vários. Ora... a cultura da universidade  francesa, onde fiz  o mestrado e dois doutoramentos, era bem diferente. Considerando que se trata de um exame e que o destinatário é o júri que vai avaliar um candidato não pode apresentar a estrutura da tese, o que seria sentido como um insulto ao júri que já leu a tese. Daí que o candidato a diploma fizesse um exercício diferente: uma leitura distanciada do seu projeto de investigação e da sua tese. Exercício difícil que exigia uma capacidade de metaanálise! Nos últimos júris em que participei, em Paris 3, a regra ainda era essa. O público ia reconstruindo a tese a partir das diferentes peças do puzzle que iam sendo discutidas, se fosse da área. Se não fosse, apercebia-se do ritual... Também se trata de exercício exigente que implicava uma enorme atenção. A tese não «lhe era dada» e como sabemos  « o que é dado não é apreciado».

Passando à divulgação de trabalhos académicos: também estes não podem ser «dados» todos da mesma forma ao público... Uma investigação tem de ser reformulada para ser divulgada ou  «vulgarizada» e é necessário que o seja para que a investigação tenha implicações junto dos outros investigadores e professores.

O investigador tem de fazer uma aprendizagem de como se divulga uma tese. Pode assistir , por exemplo, a algumas conferências TED. Verá que a estrutura referida quase nunca surge, a estrutura da comunicação   (não a da tese) é apresentada verbalmente  e  as imagens têm quase sempre uma função humorística ou complementar... são projetados 2 ou 3 esquemas...  O formato narrativo é normalmente privilegiado e as implicações são a parte mais importante de todo o percurso para apresentação num colóquio. Para o júri, o interesse pode estar na relação entre todas as dimensões, na metodologia, na análise dos dados... em pormenores... (Ver post anteriores e posteriores sobre comunicação multimodal ou literacias académicas)

Como nos colóquios o que é mais frequente é ir buscar o power point da defesa...
é isto que acontece: só se assiste à nossa própria apresentação ou simpaticamente às dos outros que apresentam na mesma sala (o que nem sempre acontece) ou, se o público quer aprender alguma coisa, como é sempre a minha perspetiva, chega-se ao seguinte comentário :« só vale a pena ir às conferências porque não se aguentam apresentações iguais durante dois dias! Que chatice!» 
Será por isso que  os professores  não vão hoje a colóquios e congressos?

terça-feira, 23 de junho de 2015

Blogues na aula! Relatório de estágio

Como é hábito, de vez em quando, quando participo em provas públicas muito boas, comento-as aqui (nem sempre tenho tempo!) . É a minha  maneira de rentabilizar o trabalho que tive na preparação da arguição e pode ser útil para outros candidatos.
  
O blogue na disciplina de Portugês Língua-Cultura Materna: um estudo de caso no Ensino Secundário Português, Relatório de Estágio de Cláudio Macedo, Universidade Católica

Sou  e hoje estou particularmente otimista! Ontem estive num júri  a arguir um excelente relatório de estágio de mestrado, em Didática das Línguas Culturas, com uma apresentação multimodal. 

Um «Relatório de Estágio» está a ser, muitas vezes, uma descrição factual de atividades desenvolvidas na aula. Os professores perguntam aos meninos se gostaram da aula (s) na qual foi introduzida uma inovação e os professores acham que foi muito «gratificante» e os estudantes também acharam a aula «muito motivadora» ou  «muito inovadora». Por vezes, depois do relatório factual, há um capítulo sobre as representações dos meninos ou dos pais ou de outros professores sobre a importância do Inglês, a importância do quadro interativo multimédia, os computadores, os média... Tudo muito «achativo»! Ou sobre um outro assunto que nada tem a ver com a prática realizada!

Ora não nos podemos esquecer das competências  a desenvolver com Bolonha, expressas no Decreto-Lei 74/2006.

No que diz respeito a Mestrado, artigo 15, os estudantes devem revelar:
« d) Ser capazes de comunicar as suas conclusões, e os conhecimentos e raciocínios a elas subjacentes, quer a especialistas, quer a não especialistas, de uma forma clara e sem ambiguidades». 

Logo, os candidatos têm de desenvolver capacidades «investigativas» que ponham em ação. Esta ação deverá ter implicações nas suas práticas e têm de ser capazes de  apresentar metodologia e conclusões a público de especialistas e não especialistas. 

Como as defesas se tornaram muito frequentes, os relatórios de estágio não justificam deslocações de arguentes externos. Não há dinheiro! E os arguentes têm mais que fazer do que participar nestas provas! Vão a doutoramentos e agregações!

E as provas de Mestrado estão, em muitos casos, «desqualificadas» pelo facto do trabalho final se intitular relatório!

Ontem, com dizia, e estou a falar de teses sobre blogues, num blogue... Fui arguir um relatório!
E  um relatório em consonância com a Didática das Línguas-Culturas! A partir da problematização em contexto de estágio. Implicou  a introdução de uma inovação tecnológica: o blogue. Uma situação problemática, um conteúdo foi eleito para a construção de uma «blogaula»: noção de herói em três escritores. O conceito foi definido, em relação a «edublogue». O enquadramento teórico implicou a contextualização didáctica das tecnologias ao serviço da  aprendizagem. Foi  explicitado o enquadramento metodológico decorrente da investigação em Didática das Línguas-Culturas. Foi desenvolvida intervenção em contexto de espaço «virtureal». As intervenções dos alunos (em estágio, em férias, à noite… depois da avaliação escolar estar concluída) foram analisadas através do levantamento de estratégias mobilizadas. Ficou demonstrada (com marcas de estratégias e de conteúdos linguísticos na produção escrita dos alunos)  a construção de um percurso de aprendizagem na blogaula. Os alunos expressaram as suas opiniões em articulação com as marcas de aprendizagem produzidas. Percurso completo: problematização em contexto, conceptualização externa, intervenção, conceptualização interna dos próprios dados (marcas e representações. Trata-se de um relatório de estágio com implicações de acordo com a finalidade da didáctica, para o estudante e para todos os outros professores que queiram introduzir o blogue. Apresentação multimodal!
Relatório bem articulado, bem estruturado, bem escrito,bem documentado. Apresentação multimodal, articulando o discurso oral com os esquemas muito claros.
Foram  visíveis as marcas de construção do relatório em «estaleiro» de discurso académico, no interior do seminário, com algumas partes redigidas em grupo- tudo devidamente identificado.

As implicações... a integração coerente do blogue  nas práticas do docente! Outros projetos de investigação-intervenção sobre blogues na sala de aula e depois da sala de aula! E se forem as outras redes sociais! 



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Defesa de tese de Mestrado, na Universidade Portucalense

Quando sou motivada pelas teses ou dissertações, escrevo no blogue -   em  escrita dialogal de blogue - para outros aprenderem e participarem nas discussões. Quando tenho tempo!  As outras, que se esquecem com mais facilidade, ficam sem comentários...

Pois é... dei o meu 3º dezanove e fui eu que o propus: o  primeiro à Fátima Estrela, o segundo à Dora  e agora, num Mestrado - que ainda tem nota -  à Manuela Alice Oliveira que defendeu a sua dissertação, na Universidade Portucalense, na semana passada.

A tese já «de Bolonha» - mas não parece! - com o título «A produção escrita em língua-cultura estrangeira: um estudo de caso na disciplina de Inglês no contexto Escolar Português»  foi  apresentada em «Supervisão e coordenação da Educação», sendo, também, uma uma tese em Didáctica- Didactologia das Línguas - Culturas. Implica uma contextualização, uma problematização no contexto profissional da professora. A  agora Mestre procede a uma conceptualização, analisa dados que foram desenvolvidos em outros trabalhos, intervém e analisa os resultados da sua intervenção. São, assim, claras as implicações do trabalho.
Professora numa escola que põe em causa as suas práticas e que quer inovar, reflectindo sobre essa prática, um dos princípios da supervisão!

Quanto ao interesse conjuntural: sem dúvida muito interesse, dado que todos os professores se queixam da fraca produção dos aluno em língua estrangeira- Inglês, e como a Isabel  mostra, nos exames (Relatório Gave) é grande a dificuldade dos alunos para escrever um texto coerente e coeso.

Quanto à estrutura, trata-se de  uma dissertação com título preciso, 3 capítulos, estrutura clássica. Introdução com a contextualização e problematização, 1º capítulo com o enquadramento teórico perfeitamente definido e adequado à problemática: a questão da escrita numa perspectiva diacrónica e sincrónica. 2º capítulo com enquadramento metodológico a partir da matriz conceptual da didáctica das línguas e das culturas, de Robert Galisson e o roteiro da investigação-intervenção. 3 ªcapítulo- Relato e análise de um corpus recolhido na investigação-intervenção. Conclusão em que relaciona os objectivos com os resultados - o que nem sempre acontece!

Materialidade gráfica- uma monografia tão bem apresentada, tão multimodal que apetece logo ler! Esquemas, trabalhos dos alunos, os questionários bem apresentados, anotados comentados- no plano didáctico e no plano investigativo. A apresentação multimodal em power point foi excelente! Nunca vi nenhuma assim, mesmo de profissionais da comunicação (função metafórica da imagem e dos efeitos) ! Aprendi imenso sobre  a prática do que defendo teoricamente e...  não sei fazer! 
Também exemplar a nível da coerência e coesão. Recorre a performativos discursivos, «apresentados os referenciais paradigmáticos e metodológicos da investigação deste estudo, impõe-se descrever e caracterizar os contextos…», diz-nos as razões de todas as opções. Guia os leitores. Situa os autores no tempo. Respeita as vozes. Exemplar a escrita, aqui e ali com alguma hipercorrecção, mas um nível de escrita muito bom e claro.


Enquadramento teórico- a justa medida: a abordagem accional situada na evolução metodológica em relação com programas de Inglês. Referências adequadas, rigor nas citações...

Metodologia -  Apresentação clarissima graças aos esquemas  com as fases de investigação, os objectivos mediadores e os procedimentos metodológicos.
Descreve as suas próprias práticas já inscritas numa abordagem accional - um projecto de intercâmbio por escrito, carta com escola Turca, mas não fica satisfeita ao nível das micro-actividades porque sente que estas não são estruturadas nem do ponto de vista discursivo nem do ponto de vista do processo. A professora centra-se nos produtos que analisa, os alunos escrevem frases, ensina-lhes a materialidade gráfica e a estrutura da carta, pede-lhes que façam o jogo do brasão nas camisolas… anda tudo à volta do macro-acto de fala descrição, mas não há a consciência por parte da prof e dos alunos dos invariantes discursivos da descrição. Alunos avaliam-se…

Então a professora resolve fazer um «estaleiro»,  a partir do filme Truman Show. Hei-de escrever sobre o «estaleiro»!

Sendo o estaleiro inscrito numa tarefa -abordagem accional - centrado no discurso, propõs  um «estaleiro» para ensinar os alunos  a   construir discurso argumentativo,  com escritas sucessivas de críticas do filme, com exposição a modelos da Internet de críticas… e integrando os diferentes fases do processo de escrita planificação, escrita, revisão por pares, revisão pela prof e reescrita. Integrou activadades de information gap,  debates, mapas conceptuais, exercícios lexicais e gramaticais em contexto... Os alunos leram  críticas de filmes (estruturaram os meios linguísticos adequados) e como fazer críticas e fizeram a crítica do seu filme preferido, que enviaram aos colegas turcos-  socialização do processo de escrita e integração das TIC e das redes, função pragmática da escrita - e fizeram apresentação multimédia que também enviaram e receberam, podendo comparar. E avaliaram-se. E foram avaliados pela Professora.

Portanto deixou-me pouca oportunidade para perguntas e para  comentários, mas como descobri dois parágrafos com o modelo linear da comunicação e que, já este ano, o encontrei em vários trabalhos... vou fazer um «zoom» sobre este modelo já que é linear e toda a prática da  investigação e da apresentação foi multimodal ou «orquestral»! Num novo post!
Também achei que pediu aos alunos que construissem um produto multimodal, tendo-os preparado somente para o texto escrito, sendo  a exposição a um espaço discursivo multimodal insuficiente para a construção de produto multimodal, interactivo...   

terça-feira, 14 de junho de 2011

Soutenance de thèse à l'Université de Salamanca 1

Une soutenance de thèse est toujours un moment d’apprentissage. Tout d’abord parce que le candidat est le spécialiste du domaine. Il a passé 3 ou 4 ans en train d’approfondir son sujet. J’ai appris ceci avec Robert Galisson. Quand j’étais toute tremblante parce que je devais soutenir ma première thèse sur le non verbal en situation pédagogique, avec l’humilité qui le caractérise face au savoir et aux autres, aux moins face à ses étudiants, me disait que les membres du jury avaient passé des heures ou des semaines avec des livres sur le sujet et moi...  j’avais passé des années.


Et ensuite, les différentes lectures que les membres d’un jury font du même objet sont très stimulantes.

C’est le cas de la thèse présentée par Isabel Rivero Villá, enseignante à  Carthage College, à Racine, aux  États Unis ( lieu de travail  curieux pour pour l'approche adoptée), à l’Université de Salamanca, intitulée: «L'interculturel à travers le multimédia dans l'enseignement du Français Langue Étrangère" qui a obtenu la mention «Sobresaliente cum laude».

La thèse présente un format hybride, intégrant un ouvrage de 684 pages, dont 52 d’annexes, et un produit multimédia. Son objet est de proposer et de justifier d’un point de vue théorique un produit multimédia en partant du cinéma et tout en adoptant une démarche interculturelle.

Dans le cadre de ce post, je ne vais pas évidemment proposer un rapport, mais continuer la discussion- on a si peu de temps et il y a toujours des choses à dire- en élargissant les thématiques pour que la discussion puisse intéresser d’autres collègues.

Puisque la thèse part du cinéma, je propose un premier zoom sur le cinéma.

Regardons ce film, ou plutôt l'annonce. Isabel propose des séquences de ce film et la fiche correspondante.







L'Auberge espagnole
Bande annonce vf publié par CineMovies.fr - Les sorties ciné en vidéo

Première question? Pourquoi ce film pour une approche interculturelle?

Isabelle Villá donne les réponses. Maintenant à vous de les donner. Je vais en donner aussi.

Les différents  regards dans la bande annonce donnent la première  définition.

Pour qui a vu le film la scène sur Barcelona, le grand plan sur Barcelona et puis les zooms, j’écris de mémoire me semble donner une métaphore parfaite de l'interculturelle : la rencontre, l'attention à l'autre, l'effort pour comprendre et aider l'autre, malgré les petites différences dans la gestion du frigo, même la connivence et l'humour... La caméra nous guide, les mouvements de caméra nous conduisent dans la ville. Le cinéma nous sert ainsi, dans sa spécificité, pour illustrer un concept.

En ce qui concerne le format, nous avons une histoire que nous pouvons raconter mais qui est racontée en termes de grammaire du cinéma ? Alors comment est-elle racontée, quels types de plan, de mouvements de caméra avec quelle finalité ?

Voilà quelques propositions personnelles que je n’ai pas eu le temps de faire à Isabelle et que je fais à tous les lecteurs.
Dans son site, Isabelle Villá propose une liste très intéressante de films francophones qui peuvent être utilisés dans des situations pédagogiques et les fiches correspondantes. Elle propose notamment des films avec des registres et des niveaux de langue différents.
À suivre...











terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Tese sobre a ansiedade em professores de língua estrangeira

Fui arguir a tese de Doutoramento de Mark Daubney subordinada ao título «Language anxiety in English teachers during their teaching practice», na Universidade de Aveiro, orientada pela Prof. Doutora  Helena Araújo e Sá. Dado tratar-se de trabalho defendido em provas públicas, vou partilhar, com os  inscritos que seguem os cursos da Universidade de Pasárgada,  algumas breves considerações sobre teses. A tese de Mark Daubney é uma excelente tese. E o que é uma boa tese?


Primeiro argumento: a relevância temática. Muitos trabalhos correspondem ao interesse imediato do investigador e não se  justifica  o investimento feito. Não é o caso. A ansiedade faz parte da «dimensão escondida da aula» e esta  é talvez tão importante como a face visível dessa mesma aula. Como é que a ansiedade de manifesta? Será «facilitadora» ou «debilitadora»? Na aula? Na formação de professores?

Em segundo lugar, e de acordo com a definição de Didáctica das Línguas-Culturas de R. Galisson, uma tese em Didáctica parte de uma problemática gerada num contexto. Foi o caso. Obriga à observação, à conceptualização. Foi o caso, também. E tem implicações. Trata-se claramente de uma investigação implicada.

Depois, exige-se um quadro teórico rigoroso que sustente a investigação a realizar nas diferentes fases e que vai sendo alargado nessas diferentes fases. O autor apresenta um ensaio sobre a ansiedade, as emoções, a comunicação notável - passagem obrigatória para todos os estudantes que se interessem por emoções.

Exige-se coerência metodológica -  entre o quadro teórico e o estudo empírico - neste caso.
 E que o estudo empírico adopte uma metodologia  que permita respeitar a natureza da problemática. O autor adoptou uma metodologia etnometodológica com permanência do local, durante muito tempo, e com diferentes tipos de dados: entrevistas, observação de aulas, de conversas, planificações... Horas e horas de transcrições.  Observações em stimulated recall protocols... Um corpus heterogéneo. Difícil.


Exige-se rigor na análise. As categorias que emergem na observação - neste tipo de metodologia - cruzam-se com as categorias de autores. A voz do autor dialoga  com as vozes convocadas no enquadramento teórico. O autor faz «falar os dados», relaciona-os, analisa-os.


Coerência e coesão são exigências de todos os trabalhos escritos. Os performativos discursivos (que dizem as operações cognitivas que realizou o autor e que  levam a operações de antecipação por parte do  leitor) são claramente expressas (Vamos em seguida sintetizar... desenvolveremos em seguida...), aos quadros seguem-se paráfrases, quadros claros, sínteses intermédias...

O aspecto documental está no quadro teórico e reflecte-se na bibliografia que deve ter os «clássicos» e referências actuais.

Foram alguns dos aspectos que salientei na tese. Com mais tempo, haveria a possibilidade de convocar mais autores ouvidos na primeira parte no estudo... mas essa é a continuação deste trabalho com publicações em revistas, apresentações em colóquios para que a formação de professores, os professores, os alunos, a aula de língua estrangeira ou outra sejam beneficiários do estudo desenvolvido com tanto empenho e dedicação.
Um exemplo a seguir...

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...