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sábado, 17 de novembro de 2012

Investigação sobre comunicação em educação


A primeira grande dificuldade de um investigador prende-se com a questão de investigação. Antes de ir para França, fui  falar com o Senhor Professor Doutor Albano Estrela. Como sempre, recebeu-me com o entusiasmo, o carinho, a compreensão com que recebia todos os estudantes e perguntou-me qual era  a minha questão. Aí respondi com o atrevimento de principiante: «a autonomia». «Bom, isso é o tema!». Depois perguntou-me qual a metodologia: e respondi: «vou fazer uns questionários para saber as representações dos professores». «Ora, minha filha, essas são as respostas de todos os principiantes!»

O que me preocupa é que, hoje, não são só principiantes que dão respostas destas! Até em provas!

São por vezes temas engraçados, às vezes mesmo interessantes, mas muito pouco demonstrativos!

Então vamos lá conversar um pouco:

Uma investigação em Didatologia- Didática das Línguas culturas, como em Educação, em geral, passa por uma fase de problematização, num contexto, implica conceptualização e tem implicações.
Numa fase em que tantos professores fazem tantos sacrifícios para frequentarem mestrados e doutoramentos é obrigação dos orientadores terem presente a coerência entre as diferentes componentes e a existência de implicações «une thèse qui n'est pas utile est futile». Tem que  contribuir para melhorar algo.  

Não se investiga um tema, mas uma questão que surge num contexto. Uma vez formulada a questão, definem-se objetivos  (e não o contrário).  O enquadramento teórico permite definir conceitos-chave e construir uma grelha (não é a história da televisão ou das TIC, muito menos políticas... a não ser que o estudo seja sobre história ou políticas).

Para o enquadramento metodológico, não se faz também a história toda dos métodos qualitativos e quantitativos.  Justificam-se as opções tomadas.

Se  nos interessa saber
  •  o que pensam x das TIC- análise das representações
  •  o Quê? O que dizem fazem... - análise de conteúdo
  •  Como - análise do discurso


Mas será que um estudo de um professor sobre representações tem implicações? Contribui para a melhoria de alguma coisa?

Saber o que pensam as pessoas dos políticos é importante para os jornalistas, o público e para os políticos. Sempre se podem comparar representações, em diferentes momentos, de muitas pessoas, através de técnicas de amostragem.Trata-se de estudos com valor sociológico. Agora... saber o que pensam 30 pais sobre o ensino do Francês ou do Inglês, ou 20 alunos do ensino das Ciências ou das TIC? Quais as implicações? Confesso que não vejo o interesse de estudos (os mais frequentes) que ficam por esta questão das representações em educação.

Mas interessa saber quais as marcas que uma inovação (por exemplo o quadro interativo multimédia) provocou nas práticas do professor, nas aprendizagens... Nessa altura, não será necessário (e possível no tempo em que desenvolvem os projetos, nos diplomas em Bolonha ) observar, transcrever, analisar um «corpus» - e não se fala de amostra - composto  com dados de muitos agentes,  mas recolher dados de alguns casos que  permitam tirar conclusões  que sirvam ao próprio e aos colegas (leitores de artigos) para melhorarem as suas práticas e contribuírem para a melhoria das aprendizagens. Até pode ser interessante, neste momento, saber o que pensam os professores ou alunos de para compreender os dados, mas trata-se  de dados complementares.

O investigador recolhe  dados que lhe permitam identificar marcas que traduzam as mudanças: cadernos de alunos, print de quadros, diários, testes, fichas, notas de observações... regista aulas em vídeo, momentos em que os alunos estão no computador, nos quadros.... em função sempre da questão- chave.  
Procura «cartografar sistematicamente» uma determinada situação, utilizando durante o tempo máximo que lhe permita chegar à conclusão que esgotou, naquela fase, a recolha do «corpus». Utilizou uma metodologia etnográfica.  Kozinets fala de metodologia netnográfica  quando se trata de investigar a questão de saber «o que se faz com a internet?». Identificar marcas de aprendizagem na Internet sobre um assunto, num determinado momento, identificar marcas de utilização de plataformas... passa por metodologias netnográficas que recorrem a testes de usabilidade (não confundir com fichas heurísticas de sites) que permitem responder a questões do tipo: «que fazem os sujeitos, durante x tempo, quando resolvem um problema a partir de um site?».  Como é fácil encontrar na net, não cito.

E agora há os métodos de traçado dos percursos. Já referi  o susto que apanhei quando vi o meu traçado no Facebook. Há um ano, quando apresentei «o meu museu» , na minha homenagem em Faro, achei muita piada, mas este tratamento estatístico com  http://www.wolframalpha.com...assustou-me, mas  é uma ferramenta indispensável para todos os investigadores que queiram trabalhar sobre estas questões.

Ao trabalho! Simplifiquei o que não é fácil simplificar, correndo os riscos das simplificações!

  Para quem quiser aprofundar este tema, sugiro a leitura da obra coordenada por Carmen Guillén e publicada pelo Ministerio de Educación e Ed Graó. No meu artigo desenvolvo os tópicos aqui apresentados.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Eye tracking, usabilidade e investigação em Educação

Os meus alunos sabem que não oriento teses sobre representações. Talvez por ter acompanhado a evolução do Ensino das Línguas sou defensora de uma abordagem accional. Estou um bocadinho farta de ver teses, monografias, projectos, relatórios sobre o que «as crianças pensam do Francês, do Inglês...», «Representação de pais, empresários...», «Representações sobre TIC, Quadros Interactivos Multimédia, Televisão, Moodle, Redes sociais...».
Já é tempo dos nossos estudantes em Educação centrarem a investigação na questão: «Que fazemos nós (adultos, crianças, adolescentes...) com os Média, com ...». »Quais as marcas de aprendizagem... com o dispositivo comunicativo x..».

Estive na 6ª feira numa demonstração dos equipamentos de Eye Tracking integrada no ETVCE 2010 - 1st International Conference on Eye Tracking, Visual Cognition and Emotion, na Universidade Lusófona.

E... se já estava convencida pelas leituras feitas, ainda mais convencida fiquei pela acção desenvolvida. Assim, verifiquei a facilidade com que com este dispositivo se podem fazer investigações para responder às seguintes perguntas:
« Que lê num texto escrito um leitor adulto (no caso)...Quanto tempo demora a ler uma frase, texto, página, em formato escrito...a resolver uma pergunta de um teste de usabilidade sobre um sítio Web...Que vê quando olha para rostos (olhos, boca). Lê o primeiro ou o 4ª rosto? Ou o 3º?

E que fizeram os outros 45 indivíduos submetidos ao mesmo teste minutos antes? E que fazem na China, na Austrália outros 45 indivíduos de outras equipas?

E que fazem crianças boas leitoras e más leitoras?

Para estas questões surgem de imediato todos os dados registados.


Mas interessa responder ao porquê?
Por que não soube responder à pergunta «quem construiu o Coliseu de Roma?» cuja resposta se encontrava num texto de 4 linhas? Por que saltei essa linha? E não saltei linhas no texto anterior?

É, nessa altura, que revindo as respostas e o meu traçado do olhar verbalizo( se souber) as minhas justificações (thinking aloud). E o registo do meu traçado do olhar e das minhas verbalizações continua a ser feito. E são mais dados que são recolhidos? E por que não «li» o primeiro rosto e fui primeiro ao 4º. Porque fui atraída pela alegria do rosto que estava no canto direito da «página». E posso, assim, continuar a minha investigação sobre «comportamentos não verbais» que iniciei no meu doutoramento com outras bases.

E posso comparar as diferentes verbalizações de x sujeitos submetidos a n testes na minha Escola, país no Mundo. Fazer estudos com variáveis como a idade, o sexo, a cultura... a partir da «leitura» de textos, de sites (por que razão sites tão «apelativos,amigáveis, interactivos» não são lidos/vistos?),de blogues, de imagens, de homens, de mulheres, de crianças (detectar pela expressão do rosto quando uma criança «tropeça» numa palavra, ver que não a fixa e eventualmente que não a verbaliza ou não), da televisão, da publicidade, de situações (intriga-me por exemplo como é feita a recepção de apresentações em power point, por exemplo, num auditório, mas isso fica para outro dia.

Enquanto procuro maneira de adquirir/ alugar equipamento (caro!) PROCURO equipa para integrar!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Olhares

Os estudos do Poynter Institute foram os primeiros estudos de usabilidade que conheci. Analisei com os estudantes a metodologia de captar e estudar o olhar (estudos de eye track). Vários estudos de eye tracking foram feitos sobre a maneira como lemos jornais, em papel e on line, sobre a maneira como usamos um sítio (cf.Anacom, para dar um exemplo português), como nos deslocamos e olhamos para diferentes produtos num supermercado ou como utilizamos o iPad, videojogos ... Apesar das implicações pedagógicas deste dispositivo, tenho tido dificuldade em encontrar estudos em educação e nomeadamente em elearning. Encontrei hoje esta referência que quero partilhar com os meus estudantes reais e com os que forem aparecendo.

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...