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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Cantar de emigração ... jovem

Este parte
Aquele parte
E todos todos se vão
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão...
....

Quando nos anos 60 ouvia, no Jardim da Associação Académica, ou no Gil Vicente, ou ... , Adriano Correia de Oliveira cantar este lindissimo poema de Rosalía de Castro sobre a emigração na Galiza, transposto para a realidade portuguesa por José Niza, sentia uma enorme emoção e revolta. Muitos de nós partiram! O estrangeiro tão longe e tão desejado...  a França país de liberdade! Depois foi Abril...

E, agora, são os jovens que vão e não vão voltar  (nem haverá remessas de emigrantes, Senhor Primeiro Ministro). Foram embora porque o Senhor os convidou a sair, porque não encontravam emprego, porque perderam a esperança de o encontrar, mas agora... começam a ir porque os «melhores» precisam de sair. Como nós, como eu saí, como os meus amigos saíram...   Mas o país tinha mudado e voltaram, cheios de esperança para contribuir para que o nosso país tivesse boas escolas, bons hospitais..., com o dinheiro que tinham poupado!

Agora o nosso país é para velhos... e não é para velhos porque nos tiram as reformas que nós pagámos. Nós colocámos o nosso dinheiro, como as nossas esperanças,  nas mãos  do governo para ele o gerir... e que aconteceu?  

Nem simbolicamente retiram uma percentagem aos vossos salários, às ajudas de custo, às despesas de representação! Significa pouco... mas ao menos isso!

Pagámos a educação desses jovens... quanto se gastou na educação deles? Digam-nos por favor! Quanto  custaram as maternidades,  as vacinas, as escolas... Gostam tanto de números...digam-nos por favor, nós queremos saber.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Dia Europeu das Línguas- Manifesto da FNAPLV


Neste dia, começo por cumprimentar todos os meus colegas professores, formadores, didatas das línguas-culturas! O nosso entusiasmo aliada aos nossos saberes e competências têm contribuído, durante anos para «as línguas na educação e para a educação». Estamos de parabéns!  Não podemos perder a militância, apesar do contexto desfavorável!  Sem acreditarmos e colocarmos paixão no que fazemos não há ensino, nem aprendizagem... Até podem invocar muitas razões apoiadas em muitas estatísticas, muitos relatórios, mas não dá...

É por isso que, neste dia, não podia ficar calada. Já fiz  uma conferência ,  em outras circunstâncias, na semana passada, no Colóquio da APEF e da  APHELE. Podem seguir-me neste blog. Mas... aqui há mais emoção... 

Dia Europeu das Línguas... seria um dia para estarmos contentes. No entanto, quem está contente neste país, qual o professor contente, qual o professor de línguas-culturas contente?

Por muitas críticas que possam ser feitas às orientações da União Europeia sobre as línguas (visão economicista, centrada sobre o emprego), ou sobre os documentos  das equipas do Conselho da Europa      ( pouca representatividade dessas equipas  mas estas têm  uma visão mais humanista... necessidade de viver com os outros) há uma perspetiva de abordagem plurilingue e pluricultural que foi acordada pelos membros da União Europeia.

«Le plurilinguisme est moins cher que les guerres» (reproduzo de memória a intervenção de Jean Claude Beacco no ultimo Colóquio da Federação Nacional das Associações de Línguas Vivas).

É por isso que não podemos calar-nos!

Na Plataforma do Conselho da Europa

LANGUAGES IN EDUCATION, LANGUAGES FOR EDUCATION

(versão em Inglês para que todos possam ler!)  as equipas do Senhor Ministro da Educação poderão informar-se sobre  alguns compromissos assumidos (não são só os compromissos com a Troica que serão para seguir!).

Poderão encontrar nomeadamente o documento   From linguistic diversity to plurilingual education: Guide for the development of language education policies in Europe  com todas as referências em matéria de recomendações europeias. Nem todas são recomendações...


E depois há necessidade de ouvir quem sabe, quem quem estudou, quem agiu durante  anos sobre o Ensino das Línguas e das Culturas e sobre a formação de professores. Ouçam a nossa Federação de Associações:

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Desabafo sobre reforma de políticos


Acabei de receber um mail com esta preciosidade em português, mas fui buscá-la ao francês. Depois falarei das reformas dos políticos. 

Extrait d’une conversation entre Colbert et Mazarin sous LOUIS XIV
Nos gouvernants n’ont rien inventé, même méthode que sous l’ancien régime
Colbert : Pour trouver de l’argent, il arrive un moment où tripoter ne suffit plus. J’aimerais que Monsieur le Surintendant m’explique comment on s’y prend pour dépenser encore quand on est déjà endetté jusqu’au cou…
Mazarin : Quand on est un simple mortel, bien sûr, et qu’on est couvert de dettes, on va en prison. Mais l’Etat… L’Etat, lui, c’est différent. On ne peut pas jeter l’Etat en prison. Alors, il continue, il creuse la dette ! Tous les Etats font ça.
Colbert : Ah oui ? Vous croyez ? Cependant, il nous faut de l’argent. Et comment en trouver quand on a déjà créé tous les impôts imaginables ?
Mazarin : On en crée d’autres.
Colbert : Nous ne pouvons pas taxer les pauvres plus qu’ils ne le sont déjà.
Mazarin : Oui, c’est impossible.
Colbert : Alors, les riches ?
Mazarin : Les riches, non plus. Ils ne dépenseraient plus. Un riche qui dépense fait vivre des centaines de pauvres.
Colbert : Alors, comment fait-on ?
Mazarin : Colbert, tu raisonnes comme un fromage (comme un pot de chambre sous le derrière d’un malade) ! il y a quantité de gens qui sont entre les deux, ni pauvres, ni riches… Des Français qui travaillent, rêvant d’être riches et redoutant d’être pauvres ! C’est ceux-là que nous devons taxer, encore plus, toujours plus ! Ceux là ! Plus tu leur prends, plus ils travaillent pour compenser…
C’est un réservoir
inépuisable.
Extrait du « Diable Rouge » de Antoine Rault

Alguns reformados cometeram um pecado! Nasceram, trabalharam muitos anos, como foram bons alunos e não reprovaram, começaram cedo a trabalhar, descontaram muitos anos, aposentaram-se com penalização ou não... continuam a trabalhar pro bono, quando convém às instituições...  E atribuem-lhes culpas pelos gastos excessivos!  Mas há outros, os políticos (e bem me incomoda como democrata falar nisto!), mas, em todos os partidos, os políticos trabalharam poucos anos, descontaram poucos anos e recebem reformas muitos anos. Como é isto possível Senhora Presidente da Assembleia?  Como é isto possível Senhores Ministros, Deputados? Em outros países, como o sublinhava uma candidata aos Açores, os ministros deram o exemplo, reduziram-se salários, despesas de deslocação, ajudas de custo? Poderá ser até simbólico, mas os símbolos estão em todo o lado! No nosso caso, não houve problema em mudar as regras e no caso dos senhores deputados, ministros,presidentes de câmaras... que o foram há muitos, muitos anos ou até há poucos, as regras não se podem mudar? 
  

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Os portugueses e as línguas

Não é muito fácil aceitar os dados do Eurobarómetro. «Apenas 13% dos portugueses fala correctamente duas línguas estrangeiras, uma quebra de dez pontos percentuais, face à anterior avaliação, em 2006»! Portugal é  tradicionalmente um país plurilingue! As 2 línguas obrigatórias fazem parte da nossa estrutura curricular do Ensino Básico e digo bem BÁSICO desde o século XIX.   Depois   a segunda língua passou a facultativa, depois foi suprimida... No Secundário  havia uma  segunda língua obrigatória (Revisão Curricular, 1999-2001). Depois passou a opcional. ... Enfim  assistimos à morte da segunda língua  para  «diminuir o insucesso». «As línguas são elitistas», como me disseram há uns anos ... «E o melhor... é ficar pelo Inglês... sempre fica mais barato!» e «toda a gente fala inglês!», «Quando muito... faz-se uma concessão ao Castelhano, está aqui tão perto e reciclam-se professores!»

E, no entanto, não deveríamos ter seguido a Recommandation nº R (98) ?
Não subscrevemos o Livro Branco sobre a Educação e a Formação em 1995?
Pour une Europe de la Connaissance (COM 97) 563?
Politique linguistique pour une Europe multilangue et multiculturelle, 1998?
O QECR é o documento de referência, obrigatório para todos os países, não?
A Estratégia de Lisboa tinha metas para as 2 línguas, em que ponto estamos?
...
Como cidadã europeia sinto que os responsáveis políticos portugueses me envergonham  quando leio os resultados do Eurobarómetro. Como professora de línguas e de Francês sinto-me indignada!   Como mãe, tive sorte... o meu filho aprendeu Inglês, Francês e Alemão no sistema educativo! Quanto às outras... «inscrevam os filhos em centros particulares! O estado-social acabou!». Como cidadã portuguesa, que vergonha!

Jean Claude Béacco autor de documentos de poliítica linguística  do Conselho da Europa dizia recentemente que o plurilinguismo (pluriculturalismo)   sai mais barato que a guerra civil!

Por favor, Senhor Ministro da Educação de Portugal ouça o apelo dos que ficam envergonhados pela situação a que o país chegou e olhe que os professores têm poucas culpas. Há quem tenha muito mais! Se não nos quer ouvir, ouça a Comissária Europeia Androulla Vassiliou.

«Androulla Vassiliou, comissária europeia responsável pela Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude, alerta que o domínio de outras línguas é crucial pois “expande os horizontes e abre portas, aumenta a empregabilidade e, no caso das empresas, pode criar mais oportunidades no mercado único” Publico.

sábado, 15 de outubro de 2011

A lógica de comer na cozinha e... as auto-estradas…e...

Sempre embirrei com as pessoas que comiam na cozinha para poupar ou não sujar a sala…e que dizer dos que construíam uma cozinha no quintal para não sujar a casa!!!

Passando na A 13, na semana passada, fiquei a pensar no futuro das auto-estradas que temos! Pois, cruzei-me com 3 automóveis… e os automóveis habituais na auto-estrada para o Algarve?… passaram-se para a estrada antiga… E assim ficamos com as «salas» limpas! Também vou passar a não sujar a circular de Tomar…

Creio que o senhor Ministro das Finanças e o Senhor Ministro da Economia não nos conhecem…

Creio que este é um problema grave. E começa logo com a recusa de Passos Coelho em mudar-se para a residência oficial. Trata-se de uma recusa do espaço simbólico do poder… Pois… será que não estava preparado para o poder? Por mais simpático que possa ser morar em Massamá, esta atitude não é apreciada.

Sempre defendi que os professores devem ficar no espaço simbólico do poder (delimitado durante séculos pela secretária, quadro negro, substituído por quadros interactivos, com recurso por vezes ao estrado!) quando estão a explicar, dar instruções, ler em voz alta um texto. É um espaço que reforça o poder e que facilita a comunicação, pois implica que os alunos os vejam, condição necessária para prestarem atenção.

As distâncias marcam-se pela legitimidade, pelo reconhecimento dos nossos saberes, mas pequenas coisas contribuem para o seu reforço!

A questão da gravata…faz parte do ritual. Marca também ela o poder… O sr. Ministro não gosta de ser ministro? Parece! E os títulos em português fazem parte das normas sociolinguísticas (como ensinou um jornalista ao sr. Ministro da Economia, recentemente,…e não havia necessidade!).


Como podem os meninos da pré-primária ou do ensino básico aprender a utilizar a segunda pessoa do plural dos verbos (ou título mais 3ª pessoa) se, em casa, tratam os pais por tu e as senhoras professoras deixam utilizar a segunda pessoa do singular, também!

Um governante não pode fazer declarações oficiais, na praia, em fato de banho,do mesmo modo que a neta do Sr. Presidente da República não pode sentar-se, ao seu lado, na primeira fila, em comemorações oficiais… de havaianas!

O espaço, as roupas, os títulos, as formas de tratamento desempenham funções comunicativas e simbólicas, quer queiramos quer não.

«Não somos apenas governados por incompetentes. Esta gente é estúpida. E está a destruir o nosso futuro.»

Daniel Oliveira termina assim o seu artigo, no Expresso, de hoje.

Aliás… ao ler o Expresso, creio que estamos todos de acordo. Até Manuela Ferreira Leite parece não discordar.

Vejamos com exemplos caseiros… Pertencia, há 2 anos, ao grupo dos contribuintes no último escalão de IRS. Professora Coordenadora com Agregação, embora sem estar no escalão correspondente… escalão congelado desde 2002!!! Pois já nessa altura o congelamento era transitório! Com um pequeno cargo dirigente! Como sempre fui poupada e comecei a trabalhar aos 18 anos, enquanto fazia o ensino superior e o meu filho fez o mesmo, poupava… como os meus pais pouparam e… comprei apartamentos que alugava e declarava  (e declaro) ao fisco.

No ano passado, pedi a reforma antes da penalização de reforma antecipada passar de 4,5 para 6% e motivada por questões de saúde.

E é assim… perdi quase metade do meu salário. As minhas ex-alunas, professoras do 1ª ciclo do Ensino Básico,  aposentaram-se com 52 anos e ficaram com reformas muito superiores (Tinham monodocência, ficaram muito cansadas de trabalhar com meninos... não fizeram nem mestrados, nem doutoramentos, nem agregação...também não precisaram de fazer investigação, nem de publicar (algumas até o fizeram!)!

As rendas baixaram e os apartamentos estão muito tempo à espera de inquilino…

E como tal… Sr. Ministro das Finanças, vai ter um contribuinte que (apesar de  fazer parte dos que têm «o papo cheio» como o dizia Alberta Marques Fernandes numa «crónica» inimaginável na televisão pública!)  paga menos impostos, que vai deixar de circular nas auto-estradas, que vai comprar menos roupas, que deixará de tomar coca-cola, que irá menos a restaurantes…

Se tivesse netos, não iria querer que o explicador passasse recibos. E se o Sr. Dr. não me quiser passar recibos da consulta…agradeço! Para não falar do cabeleireiro, do canalizador ou do pintor!

E como é que o país estará melhor em 2013? Quem são os «ricos» neste país?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Governo, os homens apressados e as «medidinhas»...

Bem queria confiar, mas pelo que tenho lido... um ministro a gabar-se de ter apresentado uma situação financeira do meu país em 180 segundos aos parceiros europeus! O formato Pechakucha é útil para apresentarmos comunicações em colóquios... mas... O que o Senhor Dr. Teixeira dos Santos demorou tanto tempo a explicar seria afinal assim tão simples?

E já agora a questão de um 1º Ministro que não quer residir na Residência Oficial. Será que este acto significa medo de assumir as responsabilidades? Não faço esta interpretação, até porque não sou psicanalista, mas faço outra baseada nos meus estudos que, por acaso,  levam muito tempo. O espaço  desempenha um papel simbólico  de poder que é bom que os governantes exerçam com competência. Um primeiro ministro deve respeitar esse lugar simbólico! Da mesma maneira que tem direitos pelo facto de desempenhar este cargo.  Prescindir de alguns pode ser útil para o país, mas, por exemplo, pelo que li... viajar em 2ª na TAP significa ocupar um lugar dos que eventualmente  seriam vendidos, quando, de todas as maneiras,  não pagaria em 1ª classe, lugar que possivelmente não seria vendido!

Quanto a Massamá, local que não conheço, mas já que adquiriu valor simbólico, será que não seria boa ideia o Senhor Ministro da Educação e o Senhor Ministro da Saúde fazerem  um pequeno - já não digo grande - de 2 ou 3 dias nos respectivos serviços nesta zona da periferia de Lisboa?

Sugestão de professora que conhece bem as escolas e até serviços de saúde!


A «bota não bate com a perdigota»... sublinho que o 1º Ministro parece utilizar menos expressões figurativas, nos últimos tempos. Anunciam-se medidas ridículas a embrulhar medidas tão dolorosas para tanta gente! Se, ao menos nós pudéssemos acreditar ... mas Senhores ministros, em termos comunicacionais, como os vossos assessores lhes devem dizer, estas medidas (polulistas num primeiro tempo) estão a «desqualificar» a comunicação dos assuntos sérios!   

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O ministro Conde de Abranhos

Tenho esperado para ver... Mas como não gosto do que estou a ver e  a ler sobre o novo Governo... Permitam-me que comece com a entrevista de Miguel Relvas (por exemplo, anteontem a passear-se em Tomar) ao jornal Templário  e que depois me centre no Ministro Conde de Abranhos.

Devo dizer que gostaria de não fazer estas associações, mas... por favor ...  Senhores Ministros ... já que a preparação  e experiência de alguns  parece não ser grande ... estudem dossiers! Fiquem em casa a estudar antes de falar! É um pedido sincero  e bem intencionado, recorrendo ao humor de Eça de Queirós.

Templário-  «Quais as expectativas em relação a este elenco governativo que acusam de ser tecnocrático?»


José Relvas -« As melhores possíveis. É um Governo dinâmico, de gente sã e muito bem preparada, que tem pela frente uma das mais difíceis tarefas de que há memória no Portugal moderno. É um Governo que vai devolver aos portugueses o futuro, não tenho dúvidas».

E passando  aos tempos de Eça de Queirós... conheçamos o Ministro Conde de Abranhos:
 
«Portugal sabe bem que o Ministério Nacional durou dois anos e o que foi a administração do Conde d'Abranhos nos negócios da Marinha e Ultramar.

Dois serviços que se completam e vivem um pelo outro – as Colónias e a Armada – constituem esse ministério, e, em ambos eles, Alípio Abranhos deixou os esplêndidos vestígios do seu génio administrativo. E notai que o Conde não era, como vulgarmente se diz, um homem do ofício. Até à idade de vinte e um anos – em que, nas. férias do ponto, fez uma visita à praia pitoresca de Buarcos – nunca tinha visto o mar. E esse formidável elemento, que cobre as quatro quintas partes do globo – mundo de trevas e de mistério, juncado de destroços, asfixiador, hostil ao homem – deu-lhe uma impressão que, segundo ele me disse, com aquele vigor pitoresco da sua frase, lhe fizera eriçar todos os cabelos do corpo.

Sempre detestou o mar, e se alguma vez passou a estação calmosa em Cascais, foi unicamente em respeito aos deveres sociais da sua posição no País, ou para comprazer com D. Virgínia, e depois com sua segunda mulher, a respeitável Condessa d'Abranhos. Tal era esta repugnância, que o Conde d'Abranhos nunca visitou a Inglaterra, porque, sendo esse

grande país dos Pitts e dos Chaucers infelizmente uma ilha, não lhe seria possível visitá-lo sem embarcar: e o horror do Conde aos navios era invencível.

Era mesmo um sacrifício grave, quando as suas altas funções o forçavam a visitar algum navio de guerra. De resto, a mesma paisagem marítima – essa infinidade de água azul – causava-lhe,como ele dizia, «um peso estúpido na cabeça», e é portanto mais para admirar que, com esta antipatia pelo mar e por tudo que dele vive ou nele trabalha, dirigisse as repartições da
Marinha com tão grande brilho.

Outra circunstância que torna mais admiráveis esses serviços, é o facto do Conde – tendo dado todo o seu tempo ao estudo das questões sociais – jamais se ter ocupado do conhecimento subalterno da geografia. Segundo ele dizia, nunca pudera reter todos esses nomes esquisitos e bárbaros de rios, cordilheiras, vulcões, cabos, istmos! Assim, por exemplo, nunca compreendeu, confessou-mo muitas vezes, esses cálculos estranhos degraus, latitudes e longitudes, nem dava grande crédito à ciência da navegação. E mais nos admiramos ainda dos serviços que prestou, quando sabemos que o seu conhecimento das nossas colónias não era detalhado. Disse-se, por exemplo, que só.depois de dezoito meses de ministro é que soube, por acaso, onde ficava Timor! Dezoito meses é um exagero pérfido de oposição mesquinha. Mas, aceitemos mesmo que só adquirisse essa insignificante informação depois de alguns meses de gerência dos negócios coloniais: – o queprova isso, senão que a sua vasta inteligência, toda voltada para os altos problemas políticos, não dava valor a essas pequenas ciências de exactidão local?

Uma ocasião, na Câmara, ele falava de Moçambique como se considerasse essa nossa possessão na costa ocidental da África. Alguns deputados mais miudamente instruídos dessesdetalhes, gritaram-lhe com furor.

– Moçambique é na costa oriental, Sr. Ministro da Marinha!

A réplica do Conde é genial:

– Que fique na costa ocidental ou na costa oriental, nada tira a que seja verdadeira a doutrina que estabeleço. Os regulamentos não mudam com as latitudes!

Esta réplica vem mais uma vez provar que o Conde se ocupava sobretudo de ideias gerais,dignas do seu grande espírito, e não se demorava nessa verificação microscópica de detalhes práticos, que preocupam os espíritos subalternos.

Não me compete, porém, nestas reminiscências íntimas do Conde d'Abranhos, fazer a história política da sua administração nos negócios da Marinha. Essa missão gloriosa pertence aos Herculanos e aos Rebelos do século XX.

Eu desejei somente, sem invadir o solo pomposo e difícil da História, deixar aqui consignado que, na minha opinião, de todos esses estadistas, esses poetas ardentes, esses moços de  largo sopro lírico, esses estimáveis cavalheiros que em Portugal, desde a outorga da Carta,têm dirigido os negócios da Marinha e Ultramar, nenhum, como Alípio Abranhos, compreendeu tão patrioticamente o espírito de que deve inspirar-se a nossa política colonial.»


As páginas do deputado Alípio Abranhos sobre educação ou reforma administrativa são uma delícia... Tudo é delicioso e há tantas semelhanças!






















quarta-feira, 25 de maio de 2011

Novo governo... e os ministros são...

Vou escrever um artigo «achativo».  O futuro governo PSD - CDS terá  10 ministros, portanto  já se conhece quase  meio governo...

Mas deveriam ter  definido primeiro  um perfil... é assim que se faz habitualmente.

Então  qual é o perfil de Primeiro Ministro?

Um «mestiço» de culturas (humanística, artística, científica, tecnológica...), para utilizar a expressão de Michel Serres. Há muito tempo que não temos nenhum, mas...
Com experiência profissional na gestão de...
Licenciatura em...
Com bom senso, capacidade de reflectir antes de falar, que ouça os outros e «digira» a informação, que comunique bem, mas não de mais. Com competências relacionais...

Nem sempre se pode ter tudo... mas pelo menos algumas destas qualidades.

Passos Coelho não é um mestiço de culturas, não tem experiência profissional, nem de gestão... licenciou-se em quantos anos?... e  havia  «as oportunidades» dos estudantes dirigentes estudantis! Sei que o Primeiro Ministro actual não foi um bom exemplo, neste campo!
Bom senso, capacidade de reflectir e digerir   a informação...é isto que me está sobretudo a preocupar... Passos Coelho ouve  e não contextualiza, não relaciona (estou a escrever sobre este assunto  um texto demonstrativo a propósito de trabalhos dos meus alunos). Ouviu o Professor Santana Castilho (Professor  que muito aprecio mas  de quem, por vezes, discordo)  dar um exemplo de alunos do programa «Novas Oportunidades», num livro interessante sobre Educação (cf O Público de hoje) e  faz um afirmação com modalidade apreciativa, generalizando.  O Professor Santana Castilho sabe, como eu, que alguns dos nossos melhores alunos do Ensino Superior vieram dos maiores de 23 anos e, alguns, das «Novas Oportunidades», mas também ... os piores.... Aliás sabe que para que os alunos do Ensino Superior paguem propinas e não desistam ou não vão para outro estabelecimento,  alguns professores   são desviados para outros cursos... os alunos empurrados para cursos nocturnos ... reprovar alunos mesmo que não saibam ler nem  escrever vira-se contra o professor!  Depois o empregador diz «o senhor até pode saber engenharia, mas, como não sabe escrever, nem acabei de ler o seu currículo!». Um entre muitos exemplos  do meio empresarial! Portanto para quê falar das «novas oportunidades», onde para além de casos  maus (também não vão longe nos empregos!) tanta gente  de valor se conseguiu realizar.

Depois há os outros casos: um dia ouve um futuro ministro das Finanças e sem tempo para pensar e ouvir outras vozes fala,  descontextualiza, é corrigido!

 Comunica bem, mas sempre na modalidade apreciativa (discurso « achativo»), como tenho vindo a analisar!
Tem competências relacionais... a experiência  de dirigente estudantil serviu e...  talvez vá servir para ganhar eleições!

Para a  Cultura

Não há ministério, mas exige-se  um  nível mais elevado de «mestiço» de culturas, um homem ou uma mulher das artes, com experiência de vida variada, em Portugal  e no estrangeiro... experiência de gestão. Que leia, que veja exposições, espectáculos...esqueci-me da lista de livros que levou para férias no ano passado, mas fiquei mal impressionada quando ouvi, li, vi...? em cima da mesa!
Um ministro da Cultura  tem de ter  um discurso demonstrativo... Não pode achar muito giro... ou outros adjectivos avaliativos do tipo!

Passos Coelho saberá quem é o Conde de Abranhos (teimo em colocar esta questão aqui) ou Pina Bausch... viu os »Primitivos»? Acha que cantar uma ária ou tirar uma fotografia no Claustro do Convento de Cristo em Tomar chega para fazer «boa  figura» na cultura?  Parece estar  muito preocupado com isso ( Jornal das 8 TVi de ontem)!

Para  Ministro da Presidência- Miguel Relvas... figura de tomarense muito «venerada» e  criticada nos cafés da terra. Mau aluno, gostava de impressionar os professores, demorou anos a tirar  a Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais.  Diz-se, na terra,  que foi no Brasil, mas nem na PUC, nem na UNICAMP, nem  em outras conhecidas. Na página do Parlamento não encontrei essa referência.
Licenciatura adequada  aos muitos cargos políticos que exerceu e nem precisou do título!  Perfil igual ao do candidato a Primeiro Ministro. Onde está a  competência referencial?  Fala de tudo, «acha» sobre tudo. Como líder do PSD não me incomoda, mas como ministro! Terá lido o Conde de Abranhos!

Finanças... desconfio de quem utiliza linguagem tão baixa... vou parafrasear o empregador referido: Eduardo Catroga até pode saber muito de Finanças, mas desconfio de quem não sabe, ou não quer, construir um discurso argumentativo. Até porque já esteve no governo e não consta que tenha resolvido o problema das finanças públicas, nessa altura! Os Portugueses merecem respeito! No Brasil ... não há o risco de falar!

E um desabafo: que  tristeza! Depois de uma figura como a do Dr . Teixeira dos Santos: com um perfil de Ministro (sobre Finanças não me pronuncio, mas tenho confiança nele) aqui  e a defender interesses nacionais nos Estados Unidos, como no início da semana! Muito mal tratado por muita gente!

Ministro da Defesa, Negócios Estrangeiros... Paulo Portas... Como  me poderão explicar a nossa necessidade de submarinos?  Discurso demonstrativo, competência comunicativa, relacional... Até é um «mestiço» de culturas, mas não me inspira confiança...

Um pedido aos políticos que ganhem ou percam eleições. Entendam-se e escolham os competentes, os perfis certos  para cada cargo. Estamos todos à espera disso. No passado, todos cometemos erros... Vamos ver se cometemos menos...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O discurso dos políticos

Ainda não encontrei discursos de políticos do mesmo dia. Mas, ao ouvi-los de forma ocasional, tenho a sensação de que Paulo Portas assume-se como «Eu», utiliza a modalidade deôntica (discuso prescritivo) e predominam verbos de acção, muitos no futuro; noção de quantificação, com numerais. Sócrates está a utilizar muito o discurso narrativo, muitos verbos de acção, mas demasiados tempos do passado, noção de quantificação. Passos Coelho anda enredado na modalidade apreciativa, muitos substantivos abstractos para a qualificação... e assumiu o «eu» de forma curiosa... em relação ao seu futuro ministro «Eu é que decido!» E que está na memória de todos nós... que figura de humorista? E onde estão os argumentos com substantivos concretos, números... as novas oportunidades são más, mas... com que argumentos justifica essa sua avaliação? E, na cultura, qual é a sua formação? Não encontrei nada na página do sítio do partido. Gostaria de saber. Discurso líquido ainda!

Não estou a gostar. O país continua com poucas expectativas em relação a futuros ministros com competências culturais (quem é o Conde de Abranhos, quem é ?), científicas, técnicas, relacionais - de todos os partidos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Precisam-se bons economistas, engenheiros... e não jotas

Desabafo de professora e de cidadã!

Em 1975,  tive uma turma com  32 alunos, os melhores e os piores alunos da minha vida profissional: juventudes MRPP, PC, PS, PSD, CDS... e outros de cujas siglas já nem me lembro.    Os bons alunos tinham, uma cultura espantosa,  liam tudo o que era proposto, e mais...,  para poderem  fundamentar as respostas.  Os outros...  limitavam-se a copiá-los.  Os bons iam sempre às aulas... era um prazer!  Mas, tinha de eliminar as respostas com  que alguns, teimosamente, concluiam  os testes: «e viva a classe operária!»  e outros slogans do mesmo tipo. Depois,  fui tendo  «jotas» mais moderados, mas ... com um  grande problema: fazem obstáculo epistemológico. Estão tão cheios de certezas que não ouvem  e não percebem factos e saberes.  Falta-lhes, na maioria, capacidade de se distanciarem.  Não são capazes de distinguir o interessante do demonstrativo. Como não vão, muitas vezes  às aulas ... colam os conhecimentos à pressa na memória. E, como tal, os resultados não são brilhantes. Como, normalmente, até são dirigentes associativos- e devo reconhecer  a importãncia destes cargos no desenvolvimento de competências relacionais e comunicativas - têm direito a épocas especiais, em função dos diferentes regulamentos das instituições e vão fazendo exames...  repetem, repetem ... até que saem licenciados...

Ora tanto  quanto sei - o mundo dos professores é pequeno! - há por aí muitos maus alunos a  «candidatar-se» a lugares de ministros.  Que fizeram na vida? Foram alunos medíocres, poucos saberes adquiriram, não são especialistas de nada,  ocuparam lugares na política quando andavam de fraldas, também não tiveram tempo para aprofundar nada...

Por favor,  nesta altura os competentes têm obrigação de aceitar lugares!   Sigam o conselho do Senhor Cardeal Patrirca!



 

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...