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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Encontro APEDI 2018 ( Associação de Professores para a Educação Intercultural)

A   Associação de Professores para a Educação Intercultural vai realizar, em 27 e 28 de abril, o seu   Encontro  2018  que tem como título "Sentidos Interculturais - Palavra, Imagem, Corpo".

Este é o resumo da conferência de abertura: 

«Não podemos não comunicar»
Para desenvolvimento de conteúdos ver também
https://universidadedepasargada.blogspot.pt/2018/04/apedi-2018-conferencia-sobre.html


Devo o título desta comunicação a Paul Watzlawick  que,  nos anos 60 do século XX, definia, deste modo, o primeiro axioma  da sua lógica da comunicação.  Hoje são as neurociências e a bioquímica que, recorrendo a outros tipos de metodologias, nomeadamente através de Tomografia por Emissão de Positrões, vêm confirmar esta afirmação, demonstrando o carácter multimodal da comunicação.

Procurarei mostrar implicações destas investigações em Educação, nomeadamente na formação de professores e na gestão da aula, caracterizando a comunicação multimodal como um processo cognitivo, relacional, empático que engloba um conjunto de modos em interação, implicando o corpo (corporização da verbalização e do pensamento) e que se traduz na ação dos envolvidos na situação de comunicação (espaço e tempo).
Colocarei em evidência interações entre o  corpo e os dispositivos tecnológicos em articulação com meios icónicos e linguísticos, em  tempos e espaços  reais e virtuais.  Com  base numa metáfora visual (ver imagem) e apoiando-me  em exemplos extraídos de comunicações profissionais apresentadas em dispositivos públicos (como as conferências TED) e extratos de aula disponíveis na Internet, distinguirei alguns elementos de coerência dos discursos multimodais, nomeadamente, metáforas e palimpsestos verbais e icónicos, marcas verbais e não verbais de operações cognitivas e discursivas comuns aos discursos das diferentes disciplinas escolares (definir, comparar, parafrasear, resumir, argumentar…).

Mostrarei a importância desta conceção da comunicação na organização de espaços de «flexibilidade curricular»,  nomeadamente, na gestão de projectos interdisciplinares.

«Não podemos não comunicar» é o título deste trabalho de Antígona que ilustra temática da conferência.







terça-feira, 30 de maio de 2017

Exposição Palimpsestos Coloridos, na Galeria do Café Santa Cruz em Coimbra

Palimpsestos Coloridos podem ser vistos na Galeria do Café Santa Cruz, em Coimbra, de 3 a 17 de junho, 2017. Exposição de Antígona que é «comentada» por  Clara Ferrão.




Palimpsesto era um manuscrito em pergaminho que os copistas da Idade Média apagavam para dar lugar a nova escrita, mas esta nova escrita não escondia totalmente a anterior. Antígona recorda-se de apagar, no «pergaminho», inscrições - frases, imagens e cores - que estão na sua memória, ou na de Clara Ferrão, para as substituir por pinceladas e manchas suas, deixando, no entanto, transparecer vestígios de inscrições anteriores; levando a diferentes leituras, convocando recordações comuns nos outros com quem quer partilhar os novos «textos» que «escreveu».
Clara Ferrão teria gostado de intitular esta exposição «One cannot not communicate», axioma da comunicação, título da tela aqui reproduzida. Pelo menos, teria gostado de “palimpsestos icónicos”? Antígona até aceitou palimpsestos. Mas icónicos! «Parece que estás nas aulas, Clara Ferrão! Antes coloridos» - decidiu.
Os títulos dados por Clara Ferrão, umas vezes antes, outras durante ou mesmo depois da pintura estão frequentemente incorporados nas telas de Antígona. As pinceladas e as manchas de cor de Antígona, por sua vez, fizeram emergir outras imagens em Clara Ferrão.
Olhares cruzados que procuram cruzar-se com o público.

«Rosebud» é o título da tela seguinte, em palimpsesto. 


Palimpsesto era um manuscrito em pergaminho que os copistas da Idade Média apagavam para dar lugar a nova escrita, mas esta nova escrita não escondia totalmente a anterior. Antígona recorda-se de apagar, no «pergaminho», inscrições - frases, imagens e cores - que estão na sua memória, ou na de Clara Ferrão, para as substituir por pinceladas e manchas suas, deixando, no entanto, transparecer vestígios de inscrições anteriores; levando a diferentes leituras, convocando recordações comuns nos outros com quem quer partilhar os novos «textos» que «escreveu».
Clara Ferrão teria gostado de intitular esta exposição «One cannot not communicate», axioma da comunicação, título da tela aqui reproduzida. Pelo menos, teria gostado de “palimpsestos icónicos”? Antígona até aceitou palimpsestos. Mas icónicos! «Parece que estás nas aulas, Clara Ferrão! Antes coloridos» - decidiu.
Os títulos dados por Clara Ferrão, umas vezes antes, outras durante ou mesmo depois da pintura estão frequentemente incorporados nas telas de Antígona. As pinceladas e as manchas de cor de Antígona, por sua vez, fizeram emergir outras imagens em Clara Ferrão.
Olhares cruzados que procuram cruzar-se com o público.

Clara Ferrão
Licenciada em Filologia Românica, mestre em Linguística, doutorada em Didática das Línguas, agregada em Educação. Foi Vice-Presidente do Instituto Politécnico de Santarém. É professora coordenadora com agregação aposentada da Escola Superior de Educação deste  Instituto. Colaborou em programas de doutoramento da Universidade de Sorbonne Nouvelle, Salamanca, Valladolid e Campinas. Movimenta-se entre a educação, a comunicação e os média.

Antígona

Antígona nasceu em Pombeiro da Beira, ao pintar cenários, decorar poemas, representar peças de teatro.
Frequentou as aulas de Clara Ferrão e aprendeu conceitos de comunicação, multimodalidade, mestiçagens de culturas, porosidades entre mundos reais e virtuais, ou mesmo virtureais…
Estudou literatura e pintura. Aluna de escola de viagens, adorou “encontrar Picasso” em Antibes, com 19 anos. Acompanhou Clara Ferrão em trabalho a Paris, a Figueras, a Copenhaga, ao Rio de Janeiro, a São Petersburgo…, impondo-lhe a sua vontade de visitar museus. Antígona frequentou alguns ateliers e “explicações” de pintura, mas não gosta de horários… Aproveitou a Internet para reclamar maior protagonismo e partilha.
Alegre, ousada, atrevida, conversadora impõe a sua vontade a Clara Ferrão. Esta exposição é o resultado da sua vontade.     


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Congresso Língua e Cultura Portuguesas- Universidade Lusófona

Congresso Língua e Cultura Portuguesas- Universidade Lusófona
Dias 18 e 19 de novembro 


O "interessante e o demonstrativo" nos discursos académicos multimodais
Ferrão Tavares
Instituto Politécnico de Santarém
GERFLINT-Groupe d’études et recherchespour le français langue international
Synergies Portugal
ferrao.claragmail.com
Resumo
A apresentação de trabalhos escolares com recurso a power point ou outro dispositivo multimédia é uma prática corrente, tanto nos ensinos básico e secundário, como no ensino superior. No entanto, nem todos  os estudantes, mesmo de mestrado, dominam eficazmente a competência prevista na alínea d) do Decreto-Lei 74/2006: «Ser capazes de comunicar as suas conclusões, e os conhecimentos e raciocínios a elas subjacentes, quer a especialistas, quer a não especialistas, de uma forma clara e sem ambiguidades», recorrendo, quase sempre, a esses dispositivos multimodais.
Essa dificuldade deriva, especialmente, do facto dos estudantes não distinguirem o “interessante” do “demonstrativo”  e de não se aperceberem (porque este conteúdo é raramente objeto de ensino) da multimodalidade  das situações escolares (e de outras) e dos discursos, também eles multimodais, produzidos nessas situações.
A constatação destas dificuldades e a necessidade de desenvolver investigação com implicações na resolução destes problemas que encontravamos no âmbito da nossa atividade de professora e de orientadora ou de membro de júris de provas públicas, levaram-nos à coordenação de  vários projetos de investigação, de tipo etnográfico, sobre a problemática da multimodalidade em contextos académicos e mediáticos e sobre as “zonas de proximidade” entre os dois contextos.
Não vamos, no âmbito desta  comunicação, apresentar esses projetos de investigação, que foram aliás objeto de publicação ( Ferrão Tavares, 2007, 2009, 2013, por exemplo). Vamos, antes, fazer uma síntese resultante dessas investigações,  no sentido de evidenciar as componentes de uma «sintaxe multimodal». 
Estes dois problemas registados nas práticas académicas constituem o objeto das duas primeiras partes desta comunicação. Numa primeira parte,  propomos uma explicitação do título desta comunicação que é efetivamente uma paráfrase, num  contexto diferente, do título de um artigo de Louis Porcher, de 1985,  ,«L’intéressant et le démonstratif : à propos du statut de la didactique des langues et des cultures», publicado na revista Études de Linguistique Appliquée nº60. Num segundo momento,  procederemos  a uma  caracterização do conceito de multimodalidade, para mostrar as interações entre corpo, dispositivo tecnológico, meios icónicos e linguísticos.  Distinguiremos alguns elementos de coerência dos discursos multimodais, nomeadamente, metáforas e palimpsestos verbais e ícónicos, marcas verbais e não verbais de operações cognitivas e discursivas (definir, comparar, parafrasear, criticar…). Mostraremos como o corpo se integra no dispositivo multimodal, interagindo com as componentes icónicas e linguisticas, num tempo e num espaço determinados.  Procuraremos   mostrar como as tarefas de comunicação académicas e  profissionais,  com (ou sem)  recurso às tecnologias,  geram efeitos neurológicos, cognitivos, afectivos, relacionais, empáticos…  ou seja multimodais que, nem sempre,  são equacionados na aula de Português». Analisaremos alguns exemplos extraídos de comunicações profissionais apresentadas em dispositivos públicos (como as conferências TED) e de apresentações escolares disponíveis na Internet. Na sequência  da nossa abordagem, procuraremos,por fim,  mostrar como as línguas interagem com as outras disciplinas escolares, na linha proposta pelos estudos promovidos pelo Conselho da Europa,  no sentido de uma educação plurilingue e pluricultural (Beacco et al. 2010).

Esta comunicação situa-se no prolongamento do artigo:

http://gerflint.fr/Base/Europe10/ferrao_tavares.pdf


domingo, 13 de outubro de 2013

Multimodalidade: Aula em formato multimodal

Há cerca de 10 anos, quando dei aulas a distância na Universidade Aberta, gravei  uns vídeos. Nessa altura, levei semanas a fazer os guiões, a discuti-los com a coautora e  com os técnicos da UA. Para a gravação, foi preciso o estúdio, o teleponto e até maquilhagem...
Com a Web 2.0, temos um iPad, tomamos a decisão em 5 minutos, aproveitamos a disposição e disponibilidade  do «técnico» que podem não demorar muito, arrumamos uma mesa, em casa. E não há tempo de preparação... já está. Gravação durante 15 minutos, montagem em 1 hora. E o vídeo com a aula tem ordem para sair de casa... Pelo caminho, ficaram esquecimentos, Matisse para a metáfora da realidade aumentada, algumas confusões, imprecisões, mas trata-se de um
Rascunho, como todos os post colocados nas redes.       http://youtu.be/rTjm-1vpxzQ

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A brincar aos pintores «structurellistes»...

Structurellisme poderá ser um novo movimento pictórico fundado por  Pierre  Beaudier   Trata-se de um «mot-valise» composto de estruturalismo e surrealismo. Vai  decorrer uma exposição em Paris dos pintores «structurellistes», no Grand Palais,de 27 novembro a 2 de dezembro.



Resolvi brincar aos pintores deste movimento, começando a pintar pelo centro a partir de uma tela de Munch: «O Sol». Como adoro o sol, adotei as minhas cores: é o meu sol!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cultura partilhada - Culture partagée

Dans le numéro des 146  des  ELA     que je dirige  avec Jacques da Silva, nous établissons des relations entre les cultures  et  les médias.
Cette désignation  de culture  partagée est  de Robert Galisson et pour comprendre les médiascultures (Magret et Macé)  elle nous semble essentielle. De même pour l'organistation de la classe de FLE aujourd'hui. 

No blog,  Aula de português (et) de Français  propomos a exploração pedagógica de um dos exemplos publicitários que consideramos mais bonitos: O Peageot... e  «Le baiser de l'Hotel de Ville» de Doisneau.

Ferrão Tavares.  Escola e televisão: olhares cruzados, Plátano Editora

«Subscrevemos facilmente a seguinte afirmação de L. Porcher : «Les cultures sont toutes par définition, métissées, produites par un mélange, résultat d’une mixité» (1994: 180). Deste modo, uma cultura é um conjunto de culturas e cada geração adopta práticas culturais diferentes. Pode falar-se de cultura dos jovens, culturas profissionais, culturas religiosas, mediáticas, tecnológicas, científicas, humanísticas, de culturas correntes, etnográficas ou partilhadas...
A cultura é o resultado de uma síntese. E esta síntese implica a memória. Factos do quotidiano ou dos media refrescam a nossa memória.

 Já em 1962, E. Morin sublinhava esta síntese provocada pelos media, referindo que «la culture de masse est le seul terrain de communication des classes sociales». Quem viaja de táxi frequentemente sabe muito bem como esta afirmação corresponde à realidade.

Para melhor compreender o conceito  de cultura e as suas implicações pedagógicas, parece-nos importante tecer algumas considerações sobre a noção de competência cultural, pois permite compreender não só os media, mas também a diversidade cultural da escola e da sociedade. O conceito é definido por G. Zarate como «un savoir faire interprétatif» e por L. Porcher como  «la maîtrise d’un système de classement». A aquisição da competência cultural não passa, pois, apenas pela acumulação de conhecimentos. A competência implica certamente conhecimento, mas também a capacidade de classificar, de compreender, de interpretar as diferentes culturas, as ditas «eruditas» e as culturas antropológicas em geral, as práticas sociais, as mentalidades, os sistemas de valores. Ora, a televisão tem um papel importante no desenvolvimento desta competência, fornecendo muitas vezes instrumentos de descodificação da cultura erudita.
Estas definições de cultura, de competência cultural, levam-nos a interrogar-nos sobre a seguinte questão: de que modo a televisão pode ajudar a escola e a sociedade a desenvolver estas competências?
A Televisão apresenta o fragmento, o mosaico. A Escola insiste muitas vezes na acumulação. Se as duas se encontrarem, a televisão pode fornecer instrumentos que reavivem a memória, que permitam a compreensão, o encontro. A escola pode fornecer instrumentos de contextualização, de estruturação desta cultura mosaico».  

E agora, os exemplos  estão na Internet! Vejam-se os palimpsestos na construção de publicidades, artigos...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Construção de sítios, power point, trabalhos e … palimpsestos verbais e icónicos

Um palimpsesto é um «papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi rasgado para dar lugar a outro» (Dicionário Houaiss). Robert Galisson utiliza este termo para mostrar como a cultura impregna a língua, já que, por detrás de um enunciado se encontram muitas vezes outros enunciados, como «un train peu en cacher un autre».
A redacção de slogans e de títulos de jornais está cheia de palimpsestos. Veja-se, por exemplo, o título de uma peça sobre a necessidade de reduzir nos gastos dos casamentos na Índia por causa de escassez de alimentos: «Casamentos debaixo de fogo». O leitor reconhece facilmente «debaixo» deste título o título do filme«Casamento debaixo de chuva» Quem viu o filme associa os gastos exagerados nos casamentos à miséria circundante
Um dos palimpsestos mais frequente prende-se com o retomar do título do filme «E tudo o vento levou» quando acontecem tragédias. O «levou» transforma-se em «arrastou, varreu…» Este processo contribui , evidentemente, para acrescentar dados culturais implícitos. Por exemplo, não foi só uma questão de estilo a utilização repetida deste palimpsesto. durante o temporal de Nova Orleães. A alusão ao Sul dos Estados Unidos e à morte de muitos negros poderia ter sido lida «em palimpsesto».
O título do livro de Kundera «A insustentável leveza do ser» é frequentemente declinado em diferentes contextos.



Um dos palimpsestos mais interessantes para reforçar a questão da perda de identidade nas operações plásticas foi publicado há uns anos no jornal Público..Por esse motivo, resolvi mostrá-lo aqui. Nenhum dos meus alunos conseguiu, na altura, identificar «Les amants» de Magritte em palimpsesto,. no entanto foram vários, não todos, a relacionar o imaginário das histórias infantis na ilustração da peça «A moda dos programas de cirurgia plástica chega a Portugal».




Como tenho referido as mediaculturas caracterizam-se pela «mestiçagem» de culturas. A cultura erudita é mediatizada ou é introduzida em palimpsesto. Colocar uma imagem num texto não é um processo simples de justaposição. O conceito da imagem tem de reforçar (entrar em contradição) com o conceito do texto. Construir um site, um dossiê de imprensa, um power point implica identificar primeiro conceitos, para depois ajustar as metáforas icónicas às linguísticas.

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...