Mostrar mensagens com a etiqueta CE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CE. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um e-livro para o Português nas outras disciplinas. Convite!

Quando estou zangada (e estou tão zangada, magoada, incomodada, furiosa, irritada ... com os  governantes que procuro canalizar a minha revolta  para propostas.

E trata-se de uma proposta que faço. Poderia até ser um plano nacional, mas conduzido por que ministério? E até sou aposentada!

Então, com os meus recursos, não vou escrever um livro tradicional... Não vou pagar mais impostos! Vou dar o livro, ou melhor o e-livro, que vai nascer aqui antes de emigrar para os novos formatos.

Este livro resulta da minha experiência, neste caso de professora  de Línguas-Culturas,    que ao longo dos anos foi ouvindo os colegas «pois se eles não sabem Português como hão-de ler e escrever em História, Geografia, Matemática (é opcional, escrevo com maiúsculas)…».

Este comentário, glosado em muitas circunstâncias por vários atores, nos diferentes ciclos e níveis de ensino, aparece recentemente declinado no Relatório do Gave  sobre as provas do Ensino Secundário relativas a 2011 (já aparecia em relatórios anteriores). A incapacidade de muitos alunos para compreender enunciados, cronologias, mapas... ou redigir uma resposta mais elaborada é apontada em quase todos os capítulos.

Mas este comentário não é exclusivo do nosso sistema de ensino e tem merecido diferentes respostas nos diferentes países.

O grupo de peritos do Conselho da Europa, depois de ter centrado a sua ação no ensino das línguas estrangeiras, durante anos com implicações em  referenciais e programas para o Inglês, Francês, Espanhol, Alemão…, analisa hoje as questões das línguas numa perspetiva mais abrangente (integrando a língua materna), propondo a 

Plateforme de ressources et de références
pour l’éducation plurilingue et interculturelle

«La Plateforme a notamment pour objet de proposer des instruments de référence pour analyser et construire des programmes relatifs aux langues de scolarisation qui sont
  • enseignées comme matière, comme par exemple le polonais en Pologne, le suédois en Suède, l’allemand dans les écoles de la minorité allemande au Danemark...)
  • et utilisées pour l’enseignement des autres matières (mathématiques, biologie, histoire géographie...), comme le suédois en Suède, etc. ou comme les langues régionales ou minoritaires dans certains systèmes éducatifs...».

Nesta Plataforma estão muitos documentos que  poderão orientar ministros da educação, secretários de estado, diretores, autores de programas, de manuais, de provas de exame...

Porque a carga horária de Português aumentou, para quê? «Mais do mesmo»! E como ensinar hoje Francês ou Alemão... com as categorias da Terminologia Linguística que não é seguida nos outros países e... «un pronom démonstratif c'est quoi en portugais? Et les compléments? »

E estão explicadas as minhas motivações:   

Vou  refletir sobre as dimensões comunicativas da «construção de conhecimentos» nos curricula, neste blogue e no Facebook antes de chegar (ou ao mesmo tempo) ao e ou i- book (parece que terei de comprar um MAC!).    

Mas... e se fosse um projeto coletivo com colegas das Línguas e  também da Matemática, das Ciências, das Artes...? Há tantos colegas aposentados com conhecimentos, competências, experiências...

Procurem na Plataforma  (em Francês ou Inglês os « Éléments pour une description... en Sciences, Histoire, Maths,Littérature...  e os  descritores para  todas as  disciplinas...  

Aqui fica o convite... Aguardo respostas aqui...(é tão fácil comentar!) ou no Facebook




   


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Literacias multimodais: « Eles não sabem escrever!»
















O número 16 da revista Intercompreensão   tem como tema« Literacias académicas Multimodais». «Com a coordenação de Clara Ferrão Tavares e de Luísa Álvares Pereira, procura centrar-se numa problemática actual e relevante do ponto de vista das transformações por que está a passar o Ensino Superior em Portugal - as Literacias Académicas Multimodais. E desta forma, pretende contribuir para a tematização de um campo que não tem sido objecto de grande reflexão entre nós, apesar da sua tradição em outros países.
Na realidade, quer nos Estados Unidos – Composition Studies –, quer em Inglaterra – Academic Literacies –, esta temática tem já ampla produção de conhecimentos, procurando-se, em alguns países europeus, dialogar com estes dois campos, no sentido de potenciar o conhecimento e  de contribuir para uma reflexão mais rigorosa e mais fecunda  do ponto de vista da Leitura e da Escrita no Ensino Superior. Em França, têm sido organizados vários colóquios sobre esta temática e a Revue de Linguistique et Didactique das Langues (LIDIL), publicada pela Universidade de Grenoble  também tem dedicado largo espaço a esta temática.
Uma nova perspetiva de abordagem das literacias numa ótica de educação plurilingue e pluricultural  tem-se vindo a desenvolver nos últimos anos. Na Platformof resources and references for plurilingual and intercultural education do Conselho da Europa, figuram, na actualidade, vários estudos que questionam as línguas-culturas em relação com outras matérias curriculares. Entre os estudos disponibilizados nesta plataforma, os de Jean-Claude Beacco, Daniel Coste e Piet-Hein van de Vem e Helmut Vollmer põem em evidência a necessidade de desenvolver nos estudantes uma competência plurilingue e pluricultural que, além de permitir transferências entre as línguas-culturas, torne possível ao sujeito movimentar-se nas linguagens que veiculam saberes nas áreas das Ciências Sociais, das Ciências da Natureza e da Matemática.
No caso de Portugal, e tendo em conta que, com o Processo de Bolonha, se reforça a autonomia do estudante na realização de trabalhos académicos, a reflexão em torno das literacias académicas multimodais tem emergido a partir, sobretudo, da dificuldade diagnosticada nos alunos, por parte dos professores, em dominar a leitura e a escrita de géneros académicos a que estão expostos neste contexto. Com efeito, além dos aspectos referenciais dos géneros, estes requerem a gestão e a proficiência em técnicas socioculturais, discursivas e sociolinguísticas, que os estudantes nem sempre dominam. Construir uma tese, uma dissertação, uma monografia, um relatório, um projeto… implica caracterizar, num primeiro tempo, os géneros discursivos que enformam cada tipo de trabalho. Por estas razões, compreende-se quer a dificuldade dos estudantes na aculturação a géneros académicos quer a própria dificuldade dos professores na orientação de todo este processo. Assim, a tematização em torno das literacias académicas tem permitido, antes de mais – mas não só –, questionar a forma como podem ser interpretadas as dificuldades dos estudantes na leitura e na escrita, deslocando o foco da análise para a relação com os contextos nos quais os estudantes escrevem e, logo, para a forma como estes são capazes de entrar nos universos linguístico-culturais exigidas pelas diferentes unidades curriculares. Considerando-se que muitas práticas académicas implicam o recurso a linguagens híbridas declinadas em diferentes meios tecnológicos e em diferentes dispositivos de criação e de partilha de conteúdos, a dimensão multimodal não pode deixar de ser objecto de integração nas designadas literacias académicas.
Conceber os escritos no Ensino Superior como géneros discursivos pressupõe, portanto, uma focalização nos usos reais da língua-cultura em contexto, passando, também, por uma reflexão sobre os diversos eixos temáticos inscritos no universo das próprias literacias. As Literacias Académicas Multimodais podem, por conseguinte, ser entendidas como práticas de cultura a que estão associadas diversas capacidades de agir  no que diz respeito ao tratamento de diferentes textos e linguagens, em diferentes canais, suportes e espaços,  e em condições temporais e  em situações contextuais plurais e, consequentemente, distintos.
Partindo destes pressupostos e das exigências em matéria de Literacia Académica Multimodal, a habitual prática em centrar a intervenção docente no domínio de conteúdos disciplinares específicos tem-se revelado insuficiente face às dificuldades de vária ordem, decorrentes não só da componente linguística (ortográfica, lexical, morfológica, sintática…), como também, sobretudo, da competência referencial, em articulação com a área de especialização,  em que os estudantes se situam, e das competências discursiva e pragmática (em relação com o contexto e com a cultura académica), entendidas numa dimensão plurisemiótica. Atendendo a toda esta realidade, constata-se a necessidade evidente quer de um ensino mais sistemático das especificidades linguística, discursiva e multimodal dos géneros académicos quer de um questionamento dos próprios moldes em que este ensino pode ser feito e do tipo de instâncias das instituições de Ensino Superior em que deve ser proposto.
No contexto Português, e em virtude do aumento de cursos de pós-graduação (de Mestrado e de Doutoramento), esta temática começa, finalmente, a ser contemplada em muitos Seminários e em tantos outros Cursos de escrita científica. Por outro lado, a esta temática aglutinam-se outras que com ela fazem transfronteira e que nos remetem para uma melhor compreensão do universo cultural dos estudantes do Ensino Superior e das suas eventuais dificuldades em se integrarem na língua-cultura da escrita deste nível de ensino. É claro que muitas das questões que se colocam hoje, entre nós, não se centram em torno de um núcleo duro de temáticas. Núcleo este, aliás, próprio de quem já fez caminho e definiu um campo e uma problemática mais específicos para tratamento das Literacias Académicas Multimodais.
(...) 

Os artigos reunidos neste número  permitem, em síntese,  por um lado, levantar questões diversas relacionadas com a problemática das literacias multimodais e, por outro lado, propor pistas para o próprio desenvolvimento destas mesmas vias no Ensino Superior, sem, no entanto, descurarem a continuidade que a aprendizagem das diferentes linguagens implica no processo de desenvolvimento linguístico e cultural do indivíduo».  
Fragmento da Apresentação no número  assinada pelas duas coordenadoras deste número. 




quinta-feira, 21 de abril de 2011

Todos os professores são professores de Português

Consideramos geralmente que os trabalhos do Conselho da Europa se destinam às línguas línguas estrangeira. Ora   La Platforme de ressources et de références pour une éducation plurilingue et interculturelle  tem materiais importantíssimos não só como para línguas estrangeiras, segundas, minoritárias, mas também para a língua materna enquanto disciplina escolar e língua materna nas outras disciplinas escolares. Chamo  a atenção para  os artigos sobre os discursos de  História  e Ciências experimentais de Jean Claude Beacco e  Helmut Vollmer respectivamente.

O quadro geral é traçado neste texto:

Langue et matières scolaires Dimensions linguistiques de la construction des connaissances dans les curriculums
Jean-Claude Beacco, Daniel Coste, Piet-Hein van de Ven et
Helmut Vollmer
Document préparé pour le Forum politique Le droit des apprenants à la qualité et l’équité en éducation
– Le rôle des compétences linguistiques et interculturelles
Genève, Suisse, 2-4 novembre 2010
Division des  Politiques linguistiques.

Neste documento, a questão das línguas é vista numa perspectiva geral de educação plurilingue e pluricultural, como se pode ler:

«on pose donc que la construction des connaissances dans les différentes matières dépend largement d’une meilleure maîtrise des discours scientifiques, artistiques et techniques produits dans la langue de scolarisation. Or, souvent, soit cette langue est réputée commune et supposée transparente, soit la spécificité des discours scientifiques est ramenée au seul lexique spécialisé. Nombre d’élèves – et tout
particulièrement une bonne part de ceux issus de milieux défavorisés - rencontrent des difficultés d’apprentissage qui tiennent non seulement au fait que leurs savoirs spontanés se trouvent en décalage avec les connaissances à acquérir, mais aussi à ce que leur répertoire discursif (les genres qu’ils connaissent et pratiquent) ne comporte pas - ou ne comporte que peu - de genres relevant des discours scientifiques (...)Valoriser et élargir les répertoires langagiers des apprenants et accroître leur maîtrise de nouveaux genres de discours est une des finalités de l’éducation plurilingue et interculturelle».
Como se pode ler no relatório do Gave já referido neste blogue, muitas dificuldades dos alunos do ensino secundário nas provas de Geologia ou de Matemática estão no domínio da língua materna.  Para não falar  de dificuldades de alunos do Ensino Superior!!!

É por isso que  me parece que estes textos são de leitura obrigatória para todos os professores do Secundário. E   talvez do Superior...

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...