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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Didática de Português; Contributos para Projeto de Formação de Professores: O PNEP

Universidade de Pasárgada: Contributos para Projeto de Formação de Professore...: Antes de pensar numa nova formação é conveniente refletir sobre os projetos de formação em que estive envolvida, nomeadamente, o   PNEP. Em vez de propor o levantamento de  documentos oficiais e materiais deste Projeto aos colegas da Cátedra Eugénio Tavares da Universidade de Cabo Verde, torno  pública esta preparação .

O PNEP foi criado pelo Despacho 546/2007 

http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Legislacao/despacho546_2007.pdf

Em 2008 foi regulamentado e nomeada comissão de acompanhamento
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Legislacao/4678946790.pdf

Foram elaboradas as seguintes brochuras que, curiosamente, são ignoradas  em cursos de  muitas instituições do ensino superior que formam professores.

As Implicações das TIC no Ensino da Língua

http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/implicacoes_tic_pnep.pdf

O Conhecimento da Língua: Desenvolver a Consciência Lexical
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/des_consc_lexical.pdf

O Conhecimento da Língua: Percursos de Desenvolvimento
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/conhec_lingua.pdf

O Ensino da Escrita: Dimensões Gráfica e Ortográfica
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/ensino_escrita_net.pdf

O Ensino da Leitura: A Compreensão de Textos
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/ensino_leitura_compreensao_textos.pdf
O Ensino da Escrita: A Dimensão Textual

http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/ensino_escrita_net.pdf

O Conhecimento da Língua: Desenvolver a Consciência Fonológica
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/o_conhecimento_da_lingua_desenv_consciencia_fonologica.pdf
O Conhecimento da Língua: Desenvolver a Consciência Linguística
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/o_conhecimento_da_lingua_desenv_consciencia_linguistica.pdf
O Ensino da Leitura: A Decifração
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/ensino_leitura_decifracao.pdf
O Ensino da Leitura: A Avaliação 
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/ensino_leitura_avaliacao.pdf

O Ministério da Educação anterior esqueceu-se completamente deste Programa que esteve, durante  anos em site descontinuado  da DGIDC, e elaborou documentação que pode ser lida neste site.   Algumas brochuras ou cadernos relativos ao ensino da leitura, da gramática, do texto literário, podem igualmente ser consultadas neste site.

http://www.dge.mec.pt/portugues

Espero que as Metas sejam revistas, mas, como em todos os projetos há muito trabalho feito, considero que é importante que este não seja atirado fora sem ser devidamente analisado e reaproveitado. 


O Ministério disponibiliza também materiais destinados a falantes de outras línguas em
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/portugues_falantes_outras_linguas_sugestoes_atividades1.pdf

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ir à escola para aprender a ler, escrever e googlar

Ir à escola para aprender a ler, escrever e googlar é o título da peça assinada por  João Pedro Pereira, Maria João Lopes, Samuel Silva e  publicada  no P 2  A Escola num  Ecrã, suplemento do jornal Público, do dia 30 de março de 2014.

Mais uma vez o Público interessa-se pelas «zonas de proximidade entre a Escola e os média» tema sobre o qual me tenho debruçado durante muitos dias da minha vida. Tema com actualidade conjuntural, educacional, social (e política)!  
Não posso, no entanto,  deixar de constatar a falta de memória do Ministério da Educação. E como fui paga pelo Ministério da Educação para, integrada numa equipa,  construir um modelo de formação e dinamizar formação de professores, no sentido de estes utilizarem as tecnologias para  levarem os alunos a aprender a ler e a escrever  ou para aprender «googlando», para parafrasear o título da peça, pretendo  contribuir com este post  (e intencionalmente escrito sob a forma de post a enviar por email  também ao ME , à Fundação Gulbenkian e à  direção do jornal Público)  para um melhor conhecimento do «património» do Ministério da Educação.
«Será que existem conteúdos que cobrem todas as áreas e níveis de ensino?» questiona o responsável pelos Recursos e Tecnologias Educativas da Direção- Geral da Educação, José Moura Carvalho, na referida peça.
«Já não houve dinheiro para fazer mais formação» (no Plano Tecnológico da Educação), refere o mesmo responsável.
E aqui permito-me responder que há conteúdos  e houve formação (pelo menos em Português, embora não no PNE)  e, como o Português está nas outras matérias, nomeadamente quando se recorre às tecnologias, como sublinham estudos internacionais e como revelam análises de provas de exame do ME,  a resposta é, por isso, afirmativa.   

Houve um programa que  foi criado pelo Despacho nº 546/2007. Tratou-se e trata-se do PNEP (porque ainda há professores «pnepianos», como eles próprios se designavam e designam, que estão nas escolas). No âmbito do ponto 15 deste Despacho,  pode ler-se que o Ministério assegurava: «A manutenção de um sítio na Internet para disponibilização de conteúdos produzidos no âmbito do Programa, em articulação com a Comissão Nacional de Coordenação e Acompanhamento» (CNA). No ponto 18, competia à CNA «e) construir e divulgar brochuras, em suporte de papel e on line que funcion(assem) como como organizadores de formação para os domínios necessários à implementação do Programa;», e ainda (neste âmbito das tecnologias) «i) desenvolver e alimentar uma plataforma de comunicação(…) j)construir e divulgar materiais didácticos, em suporte papel e on line…».
Pelo mesmo despacho, fui nomeada para  integrar a CNA do PNEP  e, dada alguma experiência em dispositivos de blearning associados à formação em Didática das Línguas- Culturas, passei a ser  (juntamente com Luís Filipe Barbeiro) responsável, no PNEP, pela formação no domínio das tecnologias.  

A CNA foi coordenada por Inês Sim-Sim, Professora Coordenadora do Instituto Politécnico de Lisboa. Como se pode ler  na sua obra Desenvolvimento Profissional no ensino da língua. Contribuições do Programa Nacional do Ensino do Português, obra publicada em 2012 pelas Edições Colibri/Instituto Politécnico de  Lisboa (e, claro nos Relatóros do PNEP entregues no ME), este programa abrangeu 8333 professores do 1º Ciclo, sendo que 468 se tornaram «formadores residentes» (bolsa de formadores nos agrupamentos) (p. 37).  Formadores e formando dinamizaram os agrupamentos, tendo o PNEP produzido efeitos no pré-escolar e no 2º Ciclos. Em 2009 - 2010, terminou oficialmente o programa.

Do programa  do PNEP constava o conteúdo seguinte: «(iv) A utilização do computador como recurso de aprendizagem da língua por adultos e por crianças, contemplando as seguintes dimensões: dispositivos tecnológicos e comunicativos (páginas pedagógicas, blogues, enciclopédias,…) Arquitectura do hipertexto (processos de coerência discursiva) e operações cognitivas. Usos dos suportes e linguagens pelas crianças e aprendizagens colaterais. Exploração dos recursos da rede. Produção de materiais em formato electrónico» (Sim -Sim:  23).

Passando aos produtos ou às marcas visíveis deste programa,
A  primeira marca é  a brochura publicada pelo ME, Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, em  2011 . As implicações das TIC no Ensino da Língua, já depois do encerramento do programa. A brochura, sob formato provisório, ficou acessível on line em  2007-2008.  
Autores
Clara Ferrão Tavares e Luís Filipe Barbeiro
A brochura está disponível num site  descontinuado  da DGIDC (e portanto desqualificada, como todas as outras e o próprio Programa) do Ministério da Educação. No  ME está no «Histórico» em «Outros projetos».

Nela podem ler-se as seguintes palavras do  Director-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, em 2011, Fernando Egídio Reis:
«As Implicações das TIC no Ensino da Língua apresenta as questões fundamentais relativas à implicação das tecnologias na comunicação e na aprendizagem, no ensino da leitura e no ensino da escrita.
Para além de propor uma reflexão sobre a forma de potenciar o uso das tecnologias de informação e comunicação no 1.o ciclo, a brochura apresenta actividades quetêm como objectivo a melhoria do desempenho dos alunos na comunicação, na leitura e na escrita.»


A brochura começa por justificar as tecnologias no âmbito do PNEP, podendo ler-se na introdução:

«As tecnologias estão hoje presentes no nosso quotidiano contribuindo para o desenvolvimento das sociedades. Os discursos sobre as relações entre a escola e as tecnologias são, no entanto, contraditórios. Se, por um lado, se responsabilizam as tecnologias (e os media) pela perda de hábitos de leitura e de trabalho das crianças, por outro lado, considera-se que basta equipar todas as escolas com computadores e acesso à Internet para que as crianças aprendam. Para uns, ainda, as tecnologias são uma moda e a proposta de um módulo sobre tecnologias num programa sobre ensino da língua materna desvia-se das prioridades que a Escola deve estabelecer: « ensinar a ler e escrever ». Outros, pelo contrário, deixam-se fascinar pela novidade e pelo carácter ludo-educativo de determinados jogos informáticos ou de determinadas páginas Web. E outros, finalmente, consideram inútil integrar as tecnologias na Escola já que as crianças as dominam com mais facilidade do que os pais ou os professores.
Ora, se as tecnologias colocaram a informação à disposição de todos os cidadãos, nem todos os cidadãos exploram as potencialidades das ferramentas e dos dispositivos tecnológicos. Por esse motivo, a Escola deverá mediar o processo de transformação da informação em conhecimento. Com efeito, o acesso na Escola aos computadores e à Internet pode atenuar os efeitos das diferenças de meios de acesso derivadas de factores sociais, culturais e geográficos.
Os computadores – e sobretudo a Internet – abriram a Escola a outros espaços. As crianças podem «sair da sala» e visitar bibliotecas, museus, jardins, cidades, aldeias, em Portugal, na Europa, no Mundo. As crianças podem, assim, ser como «Magalhães» e ir bem mais longe no seu desenvolvimento…
(…)
Pretende-se, com a brochura e a formação que esteve na sua origem responder à seguinte questão:
“ Como utilizar as tecnologias para desenvolver competências em Língua Portuguesa – nas crianças?
Para poderem desenvolver essas competências nas crianças, considera-se necessário que os professores:
·        Utilizem instrumentos de referência e materiais on-line para a planificação das suas aulas;
·        Integrem hipertextos nas actividades a propor;
·        Acompanhem as crianças nos seus processos de pesquisa, construindo itinerários de pesquisa;
·        Seleccionem sítios informáticos destinados a crianças em função de projectos pedagógicos;
·        Construam actividades pedagógicas adequadas ao desenvolvimento das cinco competências referidas no Currículo Nacional, servindo-se dos recursos disponibilizados pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
Embora esta brochura vise desenvolver nos formandos competências de natureza instrumental (a capacidade de explorar as potencialidades pedagógicas da utilização do computador), não se centra em competências e conhecimentos de natureza tecnológica; não é um módulo de informática (…)»

E depois … a brochura procura que as crianças leiam, escrevam, partilhem o que leram e o escrevam, viagem no conhecimento para adquirir mais  conhecimento…



O segundo plano em que o PNEP  teve implicações  na formação em tecnologias  foi visível  através da criação da plataforma da DGIDC  e 4 plataformas em  4 ESE  (Coimbra, Lisboa, Porto e Santarém) em 2006-2007. Essas plataformas foram geridas pelo Ministério e dinamizadas pelos membros da CNA.
Nos anos seguintes, todas as instituições de ensino superior envolvidas, os agrupamentos e as escolas acabaram por criar também plataformas.
Paralelamente os blogues, as webquest, os wiki , vídeos desenvolveram-se de forma absolutamente espantosa. Alguns artigos foram produzidos  sobre o número e qualidade dos blogues. Hoje, ainda, qualquer pesquisa num motor de pesquisa revela a relevância das ferramentas e dispositivos que os formandos aprenderam a dominar.
O «encerramento» do PNEP deu mesmo origem a campanhas de alunos e professores. Um exemplo no Facebook: Volta PNEP

A referência PNEP pode ter-se perdido em muitos casos, mas se se consultarem, hoje, actividades realizadas por  alunos e professores, as marcas do PNEP, estão lá.

 Um terceiro plano em que as marcas são visíveis pode ver-se na produção científica e nos traballhos académicos. Por exemplo,
Célia Lopes, Maria Manuel Santos, Ricardo Antunes   A criação de blogues no âmbito do
INTERNET LATENT CORPUS JOURNAL
VOL. 2 N. 2 (2012) ISSN 1647-7308



E por último,... é preciso dar a palavra às crianças:




Ou ainda

PNEPAR é...
Aprender coisas novas
Estudar a brincar
Decorar lengalengas
Melhorar a ortografia
Ler a brincar
«Pnepar» é
Aprender a rimar
Brincar com os livros
Dar asas à imaginação
Gostar de ler e escrever
Falar de forma formal
Descobrir coisas novas
Ouvir histórias
«pnepar» é 
Brincar com as palavras
Sonhar com as letras
Viajar com os livros...
Correr o Mundo...
Os Pnepianos Juniores (3º e 4ºanos)
EB1 de Tentúgal.

A articulação entre conteúdos e formatos «tradicionais» e digitais é bem visível nestes exemplos simples de quem gosta da Escola.

Houve  Planos politicamente mais visíveis, como os referidos na peça, mas já agora… Se o Ministério da Educação e a Gulbenkian estão a preparar projectos-piloto, por favor… não ignorem o que foi feito! 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Blogues, escrita e educação

Escreve-se muito nos blogues. E presta-se atenção ao que se escreve o que nos ajuda a pensar. (Mesmo com alguma trapalhice, sabendo-se que um post é um rascunho e que podemos sempre corrigir).
É este o ponto de vista de Clive Thompson.
WE WRITE THE EQUIVALENT OF SOME 36 MILLION BOOKS EVERY DAY ON SOCIAL MEDIA AND EMAIL.
Chama-se a esta forma de pensar e comunicar «efeito de audiência». Quer os adolescentes quer as crianças produzem textos melhores quando estes têm destinatários.
Este livro vai no sentido que tanto defendo: os blogues na Escola (como no caso PNEP).  A abordagem acional proposta nos documentos do Conselho da Europa ganha sentido, e torna-se sobretudo possível, com os dispostivos da WEB 2.0 que permitem aos alunos sair da sala, partilhar, ser lidos, obter a avaliação. A ação social defendida pelas abordagens  para a ação ganha sentido nos dispositivos multimodais. De que esperam os professores para levarem os alunos a escrever em blogues?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Resultados de estudos internacionais- PIRLS


O Ministério da Educação é pobre e mal agradecido. E os jornais preferem ver o copo vazio. Assim fez o Público com o título «Maioria dos alunos portugueses do 4º ano não vai além do nível intermédio».


 Como se pode ler no  jornal Público «O desempenho em leitura foi avaliado pelo estudo Progress in International Reading Literacy Study (PIRLS), em que Portugal participou pela primeira vez, tendo também aqui ficado em 19.º lugar. Ambos os estudos são realizados pela International Association for the Evaluation of Educational Achievement (IEA)»(...)

«O Ministério da Educação e Ciência atribui a melhoria à “pressão por uma maior exigência por parte da sociedade civil, a introdução de uma avaliação continuada, através de provas de aferição no primeiro ciclo, e um maior controlo sobre os manuais escolares”. Em comunicado, o MEC destaca, contudo, que nos três estudos “mais de metade dos alunos portugueses não conseguem ultrapassar o nível intermédio, o segundo mais baixo em quatro níveis”.


Pois é...  Mas não ficámos assim tão mal no retrato. A Suécia, a França, a Espanha, a Áustria e a Holanda estão depois de nós. E, pelos vistos, não são só os alunos portugueses mas os de todo o Mundo.

E as crianças portuguesas fizeram um esforço notável para ter melhores resultados nos testes internacionais .

E fizemos progressos. E a quem se devem estes progressos? Não não é «à pressão da  sociedade civil», nem «ao controlo dos manuais escolares»...  Mas  aos alunos,  aos professores e talvez a programas do Ministério, não?

Lembro que, no que diz respeito ao Português, houve, no governo anterior, 3 programas. Dois  mais «fluidos» (num sentido positivo) que tinham como finalidade «incentivar a leitura» (Bibliotecas Escolares e PNL) e um outro, o PNEP,  com a finalidade de ENSINAR  A  OUVIR, FALAR, LER E ESCREVER (discursos multimodais). Foi,  aliás, já este Ministério que publicou algumas das brochuras de apoio ao Programa, por exemplo a das Implicações das TIC

Foi através da formação de professores que se procuraram mudar as  práticas pedagógicas. Felizmente muitos professores do PNEP ainda estão nas escolas. Faça-se justiça! Houve formadores e  professores que dedicaram muitas horas, muito esforço para serem melhores professores! Alguns aposentaram-se, outros nem sequer são colocados, mas há muitos que contribuem para que os resultados sejam melhores, apesar das condições serem muito piores!  Não fica mal ao Ministério reconhecer trabalho feito!





sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ler palavras por minuto

Espanta-me a necessidade de quantificar o que não é quantificável! Pretender que todas as criancinhas no 1º ano leiam 55 palavras por minuto (ver recentes metas do ME) assusta-me. O meu filho até talvez tivesse sido capaz, como certamente os filhos,sobrinhos, netos de quem teve tal ideia. Mas há investigação sobre leitura em Portugal!  Inês Sim-Sim, Maria João Freitas, Leopoldina Viana, por exemplo, que estiveram envolvidas no PNEP (Programa com implicações nas aprendizagens do Português -  não, não foi só o Plano Nacional de Leitura!) Não quero dizer que os autores do documento não sejam investigadores, mas... já deram aulas ou  assistiram ao que se passa nas escolas, no 1º ciclo,  hoje ?   No jornal  Público, é apresentada uma investigação de Dulce Gonçalves que põe em evidência as diferenças entre crianças na velocidade de leitura.  Já viram a pressão sobre os pais... e sobre as crianças...e então os professores! Já pensaram em enviar cronómetros para as escolas! É evidente que todas as crianças têm de aprender a ler para compreender e depressa... a minha avó e a  minha  mãe ensinaram muitas! Mas felizmente não contaram as palavras que eu lia, nem as que  os outros meninos liam!  Metas são necessárias (até já estavam  bem feitas!), há descritores de desempenho que podem ajudar como referência, mas isto é «terrorismo dos números» (Expressão de Bachelard transposta para a leitura!)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Evidence-based practices in writing

Estive em Coimbra, numa conferência com este  título proferida pelo Professor Steve Graham. Colocando a ênfase no processo de escrita,  o Professor mostrou dados de investigação que confirmam que actividades centradas nas diferentes fases do processo de escrita levam a melhorias nos produtos.

Para uma assembleia de  uma centena de  estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, a conferência foi acompanhada de tradução.

Onde andaram estes estudantes que não são capazes de seguir uma conferência em Inglês? Quantos anos tiveram de Inglês?

A tradução, feita com boa vontade,  certamente por professora native speaker, para além de ter perturbado o ritmo da conferência, revelou algumas imprecisões: o conceito de consciência fonológica foi interpretado como ensino da ortografia, o processo de escrita como atividades de escrita, o ditado ao adulto como  ensino da ortografia... 

Mais uma vez ficou demonstrada a necessidade de  incluir a intercompreensão em  unidades (ou no pré-escolar, ou ... até ao ensino universitário). 

Quanto a este assunto, os professores interessados encontrarão um desenvolvimento  nos trabalhos deste investigador  e, em Portugal, nas brochuras do PNEP disponibilizadas pelo Ministério da Educação e Ciência, da autoria de Luís Barbeiro e Luísa Álvares Pereira, por exemplo .

quarta-feira, 7 de março de 2012

PNEP- Brochura «As implicações das TIC no Ensino da Língua»

 
Acaba de ser publicada  pelo Ministério de Educação e Ciência esta brochura organizada no âmbito das atividades do PNEP. Foi começada em 2006, mas apesar de os anos terem passado, procurámos fazer algumas atualizações. Esperemos que seja útil. Trata-se de uma brochura sobre a WEB 2.0 e, por isso, tem continuidade neste blogue. Fico à espera das reações!  

Agradeço ao co-autor, Doutor Luís Barbeiro, pela  possibilidade de partilha de alguns saberes, de práticas, de emoções (mesmo a «fúria» pela demora na publicação),  aos colegas e alunos  «PNEPianos», assim como aos estudantes da ESE de Santarém, que me ajudaram a construir a «inteligência coletiva» que transportei para esta brochura. 

sexta-feira, 25 de março de 2011

TIC , «Magalhães» e aula de língua materna e estrangeira

Texto retirado da Brochura «Implicações das TIC na aula de língua» de Ferrão Tavares e Barbeiro, elaborada no âmbito do PNEP. M.E. DGIDC (no prelo há muito, muito tempo).
O tempo e o espaço

As tecnologias alteraram as nossas relações com o tempo e o espaço e têm implicações nos perfis cognitivos e comunicativos das crianças e na organização da sala de aula.
L. Porcher referia, em 1994, que as crianças que frequentam as nossas escolas são «crianças dos ecrãs», ou «crianças pronetárias», se adoptarmos a expressão de Joel de Rosnay (2006). São crianças que passaram rapidamente do concreto, dos objectos e brinquedos reais para o mundo do virtual e do simbólico. Substituíram, muitas vezes, os companheiros de jogos por jogadores também eles virtuais. Muitas crianças, aparentemente incapazes de se sentar, ficam, por exemplo, horas em frente ao ecrã a criar cidades. Estas crianças são, também, capazes de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, passando facilmente de uma página web para outra, de um programa de televisão para outro, lendo um ecrã que apresenta em simultâneo várias programações, várias janelas, compreendendo facilmente os princípios de construção do hipermédia. Fazem os trabalhos escolares em frente ao ecrã, ouvem e ainda falam ao mesmo tempo. E pedem colaboração a outros pela Internet, ou por SMS. São crianças “polícronas”, saltando de um ecrã para outro, navegando, movimentando-se, talvez, em espaços mais virtuais do que reais (Jonhson (2005). O tempo para brincar na rua e nos jardins foi, por vezes, substituído pelo tempo em casa, no quarto, em frente ao ecrã.
A Escola tem procedido a uma gestão linear do tempo. Mesmo quando recorre às novas tecnologias, limita-as ao seu tempo. Como tem sido sublinhado por vários autores, o ritmo da Escola não pode ser, na era da comunicação por satélite, o mesmo do da Idade Média. As tecnologias entraram numa sala “normal”, com a disposição do espaço tradicional e no tempo escolar. Embora seja importante que o computador e outros equipamentos entrem na sala de aula habitual – e não só em salas específicas – convirá fazer a gestão do tempo e do espaço em função das potencialidades dos dispositivos comunicativos que criaram. Encontrar tempos e espaços diferentes é possivelmente um dos desafios que a entrada dos computadores coloca. A Internet permite a todas as crianças viajar e encontrar outros espaços até em outros países e em outras línguas.
Assim, as crianças têm a possibilidade de conhecer, na Internet, outros países, outros espaços… e de encontrar tipos de imagem diferentes das imagens dos manuais: imagens do quotidiano, imagens com função estética, com função humorística, com função simbólica – imagens que elas nem sempre têm a oportunidade de “ler” no espaço escolar ou familiar.
O uso da Internet pode iluminar uma situação comum de aula: imagine-se a trabalhar a noção de passado (conectores temporais, verbos no pretérito perfeito e imperfeito do indicativo). Inventarie as vantagens pedagógicas que retiraria de um convite às crianças para uma “deslocação ao Egipto”.
http://museu.gulbenkian.pt/serv_edu/navegar_no_antigo_egipto/egipto.html

Voltando à sala de aula… Como referimos, os próprios produtos multimédia são construídos segundo uma lógica de contracção do tempo. Se a contracção e a fragmentação são características dos suportes tecnológicos, um dos papéis da Escola não consistirá precisamente em levar o aluno a estruturar a multiplicidade, a fragmentação, “o mosaico” dos dados apresentados?
No que diz respeito ao espaço, ao chegar à escola, as crianças descobrem muitas vezes um espaço onde não se sabem organizar, um espaço, também ele, raramente adaptado às actividades que vão desempenhar. A Escola “tradicional” centrada na escrita privilegiava o espaço individual através de carteiras pesadas que impunham distância entre os alunos. O estrado permitia ao professor, que tinha a função de explicar, fosse visto por todos. Esse mobiliário foi substituído por carteiras mais leves, muitas vezes juntas. A nova distribuição favorece efectivamente o convívio e o trabalho de grupo. Mas como nem todas as actividades são feitas em grupo, torna-se difícil que o professor ou um aluno possa explicar, possa ler um texto, dar instruções, sendo ouvido por todos os alunos (se alguns estão de costas voltadas para o professor e para outros colegas, como é que podem ver os gestos que acompanham os enunciados dos seus interlocutores?). Por outro lado, se a distância entre os alunos é reduzida, é difícil que resistam à tentação de ocupar o espaço das outras crianças, gerando-se situações de falta de atenção e de indisciplina . Assim, a localização dos computadores nas salas pode facilitar ou dificultar ainda mais a comunicação na aula.
Concluindo, dado que as relações que a criança estabelece com o espaço e o tempo já foram modificadas pelas tecnologias (como se procurou mostrar nos exemplos apresentados da comunicação em chat e em blogue) a Escola terá de encontrar tempos e espaços adequados às diferentes actividades; às funções pedagógicas; às tecnologias e aos equipamentos que for introduzindo.

Vejamos, então, como organizar o espaço da aula com um computador, com vários computadores, com projector e sem projector. Sabemos que as situações das escolas são hoje muito diferentes: existem escolas com quadros interactivos, outras com vários computadores em rede, escolas com ligação à Internet e escolas sem computadores.
Nas escolas com quadros interactivos e videoprojectores, o dispositivo comunicativo é centralizado. Todos os participantes, alunos e professor, têm a possibilidade de visualizar a informação, dado que a podem modificar e construir em conjunto, tendo o estrado sido reintroduzido no espaço escolar. Neste caso, parece justificar-se, quase sempre, uma disposição do espaço dita “tradicional” ou em V, para que todos os alunos vejam o suporte e o agente que está a fazer uma apresentação.

Poderá encontrar informação sobre quadros interactivos, em
http://moodle.crie.min-edu.pt/course/view.php?id=396
e encontrar algumas actividades em
http://nonio.eses.pt/qi/index.htm

Pode, ainda, encontrar «cenários pedagógicos» para a leitura e escrita, na perspectiva defendida nesta brochura, em
http://primtice.education.fr/
http://tice-ia21.ac-dijon.fr/departement/tbi/scenarios/scenario03.htm

Quanto à disposição das salas “tradicionais”, quando estas dispõem de um único computador situado num canto, impõe-se que sejam adoptados dispositivos de mobilidade para que todos os alunos possam tirar partido dos recursos. Sobretudo pensando nestes casos, nas propostas de actividades insistimos no dispositivo comunicativo, designado como «lacunas de informação ». Neste dispositivo, todos os alunos têm de realizar a mesma tarefa a partir de informação diferente. Por exemplo, se têm de preencher um esquema, a uns é disponibilizada informação em livros ou em fotocópias, enquanto outros devem partir de informação pesquisada na Internet. As funções nos trabalhos serão rotativas para todos tirarem partido da multimodalidade da informação consultada.

No que diz respeito ao tempo, há que pensar nas diferentes actividades que desempenhamos no dia-a-dia para estabelecermos o tempo das várias actividades pedagógicas. Assim, uma pesquisa sobre a hora de abertura de um museu implica certamente tempos distintos da de uma recolha de informação sobre um determinado tema. Para ficarmos com uma ideia de um sítio, para descrevermos, em traços gerais, uma fotografia que se encontra no sítio de um jornal procedemos a uma leitura rápida. Já a pesquisa sobre a biografia de um escritor exige mais tempo. É, por isso, importante que, nas instruções sobre as tarefas a desenvolver, seja explicado aos alunos o tempo de que dispõem para a realização das mesmas.

Para ficarmos com uma ideia de um sítio, para descrevermos, em traços gerais, uma fotografia que se encontra no sítio de um jornal procedemos a uma leitura rápida. Já a pesquisa sobre a biografia de um escritor exige mais tempo.
Os concursos permitem jogar com o tempo e levar os alunos a geri-lo em função de constrangimentos. Por exemplo, cada grupo terá de conseguir obter uma informação na primeira página de um jornal. Outro grupo terá de procurar a mesma informação na página web do mesmo jornal. Quantas informações poderão obter sobre um determinado assunto num período curto (por exemplo, 5 ou 15 minutos)?

Outros exemplos serão apresentados na secção seguinte. Consideramos, no entanto, que, antes de propormos actividades para os alunos, é importante que os professores se interroguem sobre as suas próprias utilizações do computador. Propomos-lhe, então, as seguintes simulações:
1. Os seus alunos têm dúvidas sobre as concordâncias com o verbo haver. Será que podem dizer « haviam muitos alunos interessados na viagem de estudo? » Procure a resposta em:
http://ciberduvidas.sapo.pt
http://www.publico.clix.pt/linguistica/

Encontrou a resposta nas duas páginas? Quanto tempo demorou a realizar esta tarefa?


2. Quer saber o sentido dos termos « literacias » e « inteligência colectiva », termos que encontrou neste módulo. Onde vai procurar as respostas? Sugerimos:
http://pt.wikipedia.org/
http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
http://www.porteditora.pt/doc/default.asp


Quanto tempo demorou a sua pesquisa? Encontrou as definições que queria? Como procedeu?

3. Quer procurar a obra A Língua Materna na Educação Básica. Como faz? Colocou o título entre aspas no motor de pesquisa Google?

http:// www.dgidc.min-edu.pt/fichdown/linguama.pdf

4. Que autores conhece que tenham feito estudos sobre a literacia? Procure num motor de pesquisa nomes de autores que conhece.
Quanto tempo demorou a sua pesquisa? Que fez para pesquisar (encontrou várias referências, como fez a selecção? Relacionou com o que sabia? Verificou as datas dos artigos encontrados? Os locais de publicação? Tirou notas?)? Coloque as definições encontradas no Glossário da sua Plataforma.

5. Quer saber quantos alunos de Português Língua Não Materna frequentam as escolas do 1º Ciclo? Como pode encontrar a informação? Será que esta informação está no Documento Orientador? Ou no Despacho Normativo nº 7/2006?

Se quiser aprofundar os seus conhecimentos sobre Português Língua Não Materna poderá consultar a revista Idiomático em http://www.instituto-camoes.pt/cvc/idiomatico/06/02.html
Poderá ainda consultar documentação produzida no âmbito do Projecto Diversidade Linguística na Escola Portuguesa, do ILTEC e da Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.iltec.pt/projectos/em_curso/divling.html

Como efectuou a sua pesquisa? Qual foi o seu percurso? Quanto tempo demorou a pesquisa?

6. Sabe onde existe um Museu de Língua Portuguesa?
http://www.estacaodaluz.org.br/

Procura informação sobre consciência fonológica. Procure em

http://time4learning.com/readingpyramid/awareness.htm

7. Quer construir um dado (forma de visualizar a estrutura de um texto narrativo) que lhe permita construir histórias com os seus alunos. Procure imagens que poderá colar nas diferentes faces do dado. Para a localização no espaço, poderá procurar com os seus alunos paisagens.
http://images.google.pt/images?q=paisagens+pintura&gbv=2&hl=pt-PT&start=20&sa=N&ndsp=20

Em seguida, poderão procurar imagens para os «heróis» ou para os «adjuvantes», por exemplo.
http://images.google.com/images?um=1&hl=pt-PT&rls=RNWE%2CRNWE%3A2006-34%2CRNWE%3Aen&q=fadas+pintura&btnG=Procurar+imagens

Encontra certamente imagens que lhe permitirão construir um dado para os inimigos ou obstáculos.

Como sabe, se quiser utilizar imagens em trabalhos a publicar, essas imagens podem ter de ser pagas. Poderá procurar páginas que disponibilizem imagens grátis, por exemplo em : http://www.free-pictures-photos.com/flowers/flower-12.jpg

7. Quer conhecer actividades feitas em outras escolas, francesas, inglesas… Procure, por exemplo em
http://nonio.eses.pt/eusei/passa/professores.asp
http://edutice.archives-ouvertes.fr/EPI
http://www.takatrouver.net/
http://www.sitespourenfants.com/ecartes/
http://www.espace-ecoles.com/recherche/
http://www.mrjennings.co.uk/teacher/literacy_rf/litrf.html
http://www.literacytrust.org.uk/Pubs/palmer2.html
http://www.ac-nice.fr/ia83/ia83/vareducation/varecole/tbi/textepuzzle.htm
http://primtice.education.fr/
http://www.time4learning.com/readingpyramid/index.htm

As sugestões de páginas podem ter sido alteradas. Não as testei.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Língua Portuguesa no 1º Ciclo

Estive à procura de trabalhos feitos no âmbito do PNEP em «slideshare» e fiquei espantada com a quantidade e qualidade de alguns materiais de professores e alunos.

Veja-se este por exemplo.Apesar de se dispensarem os «recortes» na apresentação gráfica os trabalhos, as propostas mostram a apropriação contextualizada de actividades das brochuras do PNEP (e também do meu livro de Didáctica).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Estive hoje no MOMA! Implicações pedagógicas.

Sim graças ao Google Art Project estive a passear no Moma e a ver mais em pormenor alguns quadros de Gauguin. Acabei de ler «O paraíso na outra esquina» de Mario Vargas Llosa sobre o pintor e a avó do pintor. Gostei muito e desejei que houvesse versão em ebook (já estou a ficar convencida...). Assim, tinha um livro de pintura aberto ao mesmo tempo que lia!

Que maravilha das tecnologias! Cada dia em seu Museu! E que sorte para os nossos alunos que podem sair dos muros das escolas das suas (aldeias...até já não há muitas, mas é outra história...) e passear-se na Tate, em Versailles... E podem verbalizar emoções, comentar quadros, descrever telas, em várias línguas. Estão a verbalizar noções de qualificação, de espaço, de tempo, a utilizar adjectivos, advérbios de lugar, preposições.Podem dar instruções aos colegas para se deslocaram nas diferentes salas, empregando imperativos ou a expressão de condição (se carregares...). Sem que estas categorias sejam necessariamente explicitadas. Podem inventar a história ligada ao quadro. Podem pintar «à maneira de...» e verbalizar as acções, comentar os desenhos que fizeram, ditar o desenho ao colega (Picasso dictation). Podem encontrar diferenças entre o seu desenho e o vizinho (information gap).

Estas actividades podem ser encontradas em «Didáctica do Português no Ensino Básico» (Porto Editora). Publicidade gratuita da autora. Um exemplo dado neste livro, a partir do quarto de Van Gogh foi posto em prática numa escola integrada no PNEP
E tornam-se «mestiços de culturas (c. Michel Serres).

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Escrever no papel e no teclado

Baseada nas minhas leituras sobre sugestopedia e depois sobre neurociências, sempre «achei» que a escrita à mão implicaria activações diferentes de zonas do cérebro, explicação bem naïve. Até tinha uma prática bem apreciada pelos meus alunos (adoravam!!!). Fazer um «auto-prontuário» com os erros dados nos testes corrigidos, escritos várias vezes (não as cem) de forma criativa, com a representação do sentido. E, assim, em aulas com alunos da Licenciatura em Artes Plásticas(davam imensos erros ortográficos) surgiram cartazes surpreendentes!

Numa brochura do Ministério da Educação sobre as implicações das TIC na aula de Português feita no âmbito do PNEP(ainda não publicada), insurgi-me contra os professores que declaravam que os meninos ficavam motivados porque não precisavam de escrever à mão, tinha os computadores (sic.)

Vem esta reflexão a propósito de um recente estudo sobre a utilização do teclado.Este estudo de Anne Mangen e Jean-Luc Velay disponível na Internet mostra entre outras coisas (vou ler melhor) que o movimento da mão ajuda o processo de memorização.

Anne Mangen and Jean-Luc Velay (2010). Digitizing Literacy: Reflections on the Haptics of Writing, Advances in Haptics, Mehrdad Hosseini Zadeh (Ed.), ISBN: 978-953-307-093-3, InTech, Available from: http://www.intechopen.com/articles/show/title/digitizing-literacy-reflections-on-the-haptics-of-writing

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Relatório do Gave 3... e o PNEP

O Programa Nacional para o Ensino do Português
«iniciado no ano lectivo 2006/07, procurou responder ao desafio e à necessidade de melhorar o ensino da língua portuguesa no primeiro ciclo da educação básica, particularmente nos níveis de compreensão de leitura e de expressão oral e escrita». Terminou em 2009-2010. As práticas dos pnepianos  mantêm-se e evoluem, por isso o Programa não acabou, mas... 

Com este programa  pretendia-se mudar as práticas dos professores e dos alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico. Pretendia-se que os professores ensinassem os alunos a ler e a escrever- e digo ensinar porque foi esse o termo que sempre foi utilizado, fugindo-se a alguns chavões pedagógicos. Não basta, efectivamente, dar livros aos meninos e dizer-lhes que leiam ou que escrevam o que quiserem ... «já que são muito criativos»... é verdade que é um passo, mas um pequeno passo.

As crianças abrangidas por esse Programa ainda não chegaram ao fim do 9º ano. Portanto não foram ainda avaliadas. Será que estas crianças terão menos problemas de leitura e de escrita?

Acredito que sim. Pelo que vi nas Escolas e  na Internet acredito  que muito mudou e estará a mudar. Os materiais (alguns) estão disponíveis na página da DGIDC: (O ensino da leitura, o ensino da escrita, o ensino do conhecimento da língua). Outros estão disponíveis em versão impressa e outros, ainda, aguardam publicação... É o caso da brochura de que sou co-autora: Implicações das TIC na aula de Língua Portuguesa. Uma versão condensada pode ser encontrada em artigo publicado na Revista Intercompreensão.

Como tudo neste país o Programa acabou... vamos ter de aguardar alguns anos  para ver se os alunos do 9º ano têm melhores resultados nas provas intermédias.  Nas  provas de aferição parece haver melhorias. Mas, como todos sabemos, exigia-se continuidade para poder colher frutos! E avaliação!


As brochuras PNEP ficaram, os professores habituaram-se  a utilizar plataformas de ensino a distância, os blogues entraram e alguns continuam  nas Escolas, levando as crianças a sair destas. As crianças mostram  os textos que produzem a partir de leituras...

Em algumas instituições o PNEP mantém-se, apesar, da limitação de meios. Fazendo hoje uma pesquisa encontrei  o blogue de Penacova, por exemplo, outros deixaram de adoptar a sigla PNEP e, por isso, são  mais difíceis de encontrar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

« A Internet está a mudar-nos o cérebro»

Andava preocupada: não ando a conseguir ler como habitualmente. Deixo livros por acabar, passo dias sem ler o mesmo livro... salto de livro em livro...retomo páginas porque já não sei se as li. É verdade que criei um blogue, entrei nas redes, tenho disciplinas on line...

Maryanne Wolf, cientista americana que estuda o cérebro, refere, segundo Clara Barata, na peça «Como a rápida Internet está a conquistar o cérebro aos vagarosos livros» , Pública do dia 31/10/10 : «A minha necessidade de velocidade, fomentada nos últimos anos pela Internet, tornava-me impossível desacelerar e concentrar-me», confessou». Clara Barata cita, também, um jornalista de tecnologia norte-americano Nicholas Carr que confessa: «A leitura aprofundada que antes me vinha naturalmente tornou-se agora numa luta».

Portanto parece que estou acompanhada. Será que o meu cérebro também está a mudar? O cérebro parece que muda efectivamente. No meu caso, não será grave, o cérebro é suficientemente adaptável, para retomar as funções da leitura aprofundada, desde que eu decida mandar o computador e o telemóvel de férias - o que faço facilmente. Mas os nativos digitais são móveis, incapazes de tomar esta atitude...e depois ... será que terão treinado o cérebro para leitura profunda? Retomando CM Wolf (citada em A Pública- jornal Público de Domingo passado) « O receio é que a rede, que traz até nós todo o conhecimento humano que pode ser posto online, esteja afinal, a transformar-nos em 'leitores superficiais»?

Mas não sejamos pessimistas. Segundo outros estudos «usar a Internet activa mais áreas do cérebro do que simplesmente ler. A Internet pode ser uma forma de exercício para a mente» (id.). Mas também pode exigir tanto exercício que esta pode cansar-se e deixar de guardar informação, levando à superficialidade na compreensão, dificuldade de concentração da atenção, dispersão...dificuldade de relação com os outros, perda da capacidade de empatia. O Professor Castro Caldas, citado no mesmo artigo, é felizmente mais optimista. Para este neurocirurgião, « a Internet é um produto do pensamento humano, adaptada ao pensamento humano» e os riscos dependem da situação.

Esta discussão leva-me a reler a brochura sobre «As implicações das TIC na aula de Língua» (em publicação DGIDC- ME) e alguns artigos feitos no âmbito do Programa Nacional para o Ensino do Português. As propostas feitas por mim e por Luís Filipe Barbeiro, há 5 ou 6 anos, sobre a necessidade de ensinar a ler no ecrã e na rede- a par do papel- parece fazerem ainda algum sentido.Até quando? Espero que a publicação da brochura não se atrase muito!

domingo, 3 de outubro de 2010

Metas de aprendizagem, blogues e PNEP

Os jornais enfatizavam, hoje,  a presença dos blogues nas metas de aprendizagem do 1º Ciclo do Ensino Básico. Estive a ler rapidamente  as metas de aprendizagem de Língua Portuguesa e TIC. Gostaria de ver maior articulação entre as duas «disciplinas». Com efeito, sou grande defensora dos blogues, como ainda argumentei no artigo anterior, como das TIC em geral. Mas para que utilizamos as TIC? Não basta criar blogues. Importa que as crianças preparem com leituras e com pesquisas os textos que vão escrever, que os planifiquem, que os escrevam, que os reescrevam (ou partes dos mesmos), que os  avaliem ( e que o professor os  ensine  a ler e escrever)  antes de os poderem partilhar e comentar. Mesmo os comentários têm de resultar  da leitura e escrita de textos argumentativos. Caso contrário,  a Escola corre o risco de ter de proceder ao mesmo que os jornais: Depois do Libération e outros jornais ou jornalistas, temos o Público a separar o que vale a pena ser lido do lixo e do insulto.

Crónica do Provedor da edição de 3 de Outubro de 2010

O PÚBLICO vai alterar o modelo de gestão dos comentários às notícias publicadas na sua edição na Internet. Segundo a directora do jornal, Bárbara Reis, uma equipa constituída para o efeito irá passar a assegurar, a curto prazo, a leitura e aprovação (ou não) desses textos. 

O «cidadão participativo» tem de se formar desde pequeno e a orientação do professor é necessária, como está sublinhado nas «Metas». As TIC podem contribuir para o desenvolvimento da literacia e integram elas próprias a literacia como o tenho defendido.  Enquanto não é publicada a brochura do PNEP- ME- DGIDC, de Ferrão Tavares e Barbeiro, as nossas propostas podem ser lidas em «Atrium Linguarum» 

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...