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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Tempo, espaço e comunicação multimodal  em cursos de formação de professores. Episódio 1 


ESEC – 30 anos de Ensino de línguas/Formação de professores de línguas: 1986/1987 – 2016/2017


Episódio 1

Primeira nota preliminar: Não vou disponibilizar apresentação on line, não vou apresentar nem slide com plano, nem com  objetivos,  enquadramento teórico, metodologia, resultados ou  conclusões. Não digo que investigadores e estudantes não o devam fazer mas... com a minha idade, tenho legitimidade para inovar...

Também não vou ser eu a passar os diapositivos, não que não o saiba fazer e que  não o tenha feito, desde o formato tradicional ao formato Power Point ou mesmo Prezzi... por exemplo, nas minhas aulas.  Mas tenho justificações que ... só estarão no episódio de fecho desta conferência.

Segunda nota preliminar: já que o título remete para a história e para o tempo e o espaço ( 30 anos de Ensino das Línguas, na ESEC), vou adotar o formato narrativo.  Já o fazia nas minhas aulas, em 1986 ou mesmo desde 1973. Até  sou co-autora de uma gramática intitulada . «Era uma vez... uma gramática em histórias»...
Mas, agora, faço-o com justificações nas ciências cognitivas e neurociências, justificações que surgirão ao longo da minha história...

Quem quiser descobrir os motivos destas opções, poderá descobri-los na bibliografia que fui construindo, na fase de  preparação, e que consta de post anteriores.







quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Perfil dos alunos do século XXI. Apontamentos para consulta pública

 O Perfil dos alunos do século XXI http://dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/perfil_do_aluno.pdf

encontra-se em consulta pública. Vou responder e vou preparar aqui os apontamentos para a minha resposta. 
Não vou desenvolver muito os tópicos... possivelmente não serão lidos, mas, pelo menos aqui terão alguma utilidade,

Princípios

Partilho os princípios e a visão nomeadamente a perspetiva «mestiça» ( Michel Serres) de culturas, artes e tecnologia proposta.
Concordo igualmente com os valores.

O capítulo das Competências levanta-me mais questões

Para a elaboração deste capítulo sugiro  que esteja presente a conceção plurilingue e pluricultural desenvolvida na
A platform of resources and references
for plurilingual and intercultural education

Nomeadamente o documento seguinte:
Beacco, J.- C., Coste, D. van de Ven, P., Vollmer H (2015) Langue et matières scolaires. Dimensions linguistiques de la construction des connaissances dans les curriculums. Recuperado em 12/6/2016, de http://www.coe.int/t/dg4/linguistic/Source/Handbook-Scol_final_FR.pdf

Só me pronuncio sobre 2 áreas, apesar de todas estarem interligadas.
·         Discordo da distinção de duas áreas  «Linguagens e textos» e «informação e comunicação »  e das próprias designações. Apesar de, no documento,  se referir que «Estas competências são complementares»,  a divisão entre  as áreas de  «Linguagens e textos» e «informação e comunicação»  parecem relevar de uma visão clássica dos problemas da língua.
·         A   conceção de «multimodalidade»  na formulação seguinte : «dominar capacidades nucleares de compreensão e de expressão nas modalidades oral, escrita, visual e multimodal» parece não ter em conta estudos sobre a multimodalidade, nomeadamente no âmbito das neurociências. A  situação de oralidade (e da escrita ) é multimodal. Toda a comunicação é multimodal  dado que  « não podemos não comunicar» (WatzlawicK). Todos os textos são multimodais.

Permito-me propor  uma definição de multimodalidade.
«Multimodalidade como um processo neurológico,  cognitivo, relacional, empático que implica um conjunto de modos em interação, implicando o corpo (corporização da verbalização e do pensamento)  e que se traduz na ação dos envolvidos na situação de comunicação (espaço e tempo). Com esta definição, (baseada em Cosnier, 2008) afastamo-nos de definições da multimodalidade como soma ou justaposição de mensagens, de suportes ou linguagens de natureza diferente que se pode designar de multicanalidade. A multicanalidade é uma das componentes da multimodalidade mas limita-se ao plano das linguagens e canais, enquanto o multimodalidade se constrói em relação aos sujeitos que partilham um espaço e um tempo de comunicação, envolvendo dimensões de natureza complexa nomeadamente  planos neurológicos que determinam ou são determinados pelo corpo e pela interacção deste com dispositivos  comunicativos diversos (Ferrão Tavares 2016, 2017).

Para a definição das relações da línguas com as outras matérias presente na formulação das competências seguintes

- utilizar de modo proficiente diferentes linguagens simbólicas associadas às línguas (língua materna e línguas estrangeiras), à literatura, à música, às artes, às tecnologias, à matemática e à ciência;
utilizar e dominar instrumentos diversificados para pesquisar, descrever, avaliar, validar e mobilizar informação de forma crítica e autónoma, verificando diferentes fontes documentais e a sua credibilidade;

talvez os descritores propostos para a matemática, as ciências, a história, a literatura ...  definidos nos documentos seguintes possa ser útil:
Eléments pour une description des compétences linguistiques en langue de scolarisation nécessaires à l’apprentissage/enseignement de l’histoire (fin de la scolarité obligatoire) Une démarche et des points de référence Jean-Claude Beacco
Eléments pour une description des compétences linguistiques en langue de scolarisation nécessaires à l’apprentissage/enseignement des sciences (fin de la scolarité obligatoire) Démarche et points de référence
Há versões em Francês e Inglês destes documentos.
Permito-me apresentar alguma bibliografia pessoal com reflexão sobre estes assuntos :

FERRÃO TAVARES, C. 2007. Didática do Português Língua Materna e não materna. Porto: Porto Editora
FERRÃO TAVARES, C., Barbeiro, L-C. 2011. Implicações das TIC para a aula de Língua. Lisboa : Ministério da Educação.
 Ferrão Tavares, C. (2007). Le temps, l'espace et les cultures. Etudes de Linguistique Appliquée, Revue de Didactologie des Langues nº 146. Paris: Didier Edition.
 Ferrao Tavares, C. (2011). Abordagem acional e competência comunicativa multimodal: estaleiro de apresentações de trabalhos académicos. Intercompreensão, 16, 85-118.
Ferrão Tavares,C. 2013. « D’hier à aujourd’hui (et demain ?) : un parcours de recherche en didactologie des langues-cultures sur la communication ». Synergies Portugal, nº 1, pp. 91-117.
Ferrão Tavares,C. 2016. L’intéressant et le démonstratif : à propos des zones de proximité des communications médiatiques et académiques. Hommage à Louis Porcher . Synergies Europe n° 10 - 2015 p. 121-139

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Comunicação em saúde

Antes de desenvolver este tópico, gostaria de referir quatro situações:
-Há uns 15 anos, foi introduzida nos cursos de medicina, no 1º ano, uma cadeira de comunicação. Perguntava-me então um amigo meu professor catedrático de medicina qual seria a vantagem. Respondi-lhe que esta se destinava a que os médicos obtivessem uma formação  sobre aquilo que ele tinha aprendido, desde o berço, com o pai que era um médico: a relacionar-se com os doentes. A comunicação é informação e relação e não basta formar profissionais com informação.
-Quando exerci funções de vice-presidente do IPS, coordenei o grupo de trabalho que propôs a criação de uma Escola de Saúde e, nessa altura, insisti com os colegas para a necessidade de incluir, nos cursos desta área,  UC de comunicação e de telemedicina.
-Na formação de professores há uns anos, em muitas instituições foram desenvolvidos projetos de micro-ensino e depois de videoformação, fazendo as questões de comunicação objeto de estudo e observação por parte dos professores e supervisores de práticas. Não vejo, hoje, conteúdos de comunicação em muitos programas de didática e de práticas em cursos de formação de professores. Com o regresso em força da linguística... não sei se há espaço para estas questões , apesar de tanto se falar em empatia!  E interrogo-me sobre esta ausência. Mas deixo o desenvolvimento deste tópico para mais tarde.
-A minha investigação sobre comunicação e mais precisamente sobre comunicação não verbal e , posteriormente, multimodalidade  teve origem em práticas de observação de aulas enquanto orientadora. Grande parte da bibliografia existente, ainda agora, sobre o assunto diz respeito à investigação  sobre comunicação em saúde.

E começo aqui o «relatório» do meu «projeto de investigação etnográfica» conduzido durante um mês em 5 hospitais e vários consultórios. O meu «corpus» inclui as intervenções de 7 médicos, umas 10 enfermeiras, estagiárias de uma escola de saúde de um  IP  e assistentes operacionais, creio que é assim que são designados.

O contexto de urgências de hospitais públicos é um inferno o que talvez explique parte das intervenções dos profissionais de saúde. Doentes sempre a entrar, quase sempre idosos com muitas dificuldades respiratórias que mal começavam a recuperar eram enviados para casa. Esta prática de mandar para casa doentes para não figurarem nas estatísticas já a conhecia  pelo facto de a ter vivido com a minha mãe, em Coimbra. Mas, não explica tudo.

O hospital de Tomar é um não- lugar onde se espera por ambulância que transporte o  doente para Abrantes. Se for aneurisma .... todos sabemos o que se passou nas mesmas datas, a partir de Santarém! Em Abrantes, os serviços de observação compreendem 3 ou 4 salas com «currais» onde se acumulam os doentes que  têm a sorte de não ficar nos corredores. Os  pés de um doente podem estar em cima da maca do doente seguinte. O espaço é limitado, com muitos muitos doentes.Como os profissionais  deveriam observar  todos... a sensação não pode ser pior. A proxémica explica possivelmente parte das agressões verbais dos doentes aos profissionais. Tratamento por tu dos doentes às enfermeiras e palavrões são recorrentes...  As enfermeiras, aliás, utilizam também o tratamento por tu em relação a muitos doentes de meios sociais mais desfavorecidos. Acabada de acordar, foi-me dito  «Já não vai ter mais visitas, já que o seu marido lhe veio trazer exames». Desatei a chorar o que talvez não fosse o mais aconselhado, dada as situação e, também eu fui malcriada «quero ser transferida já para a CUF».

Muitas intervenções de solidariedade e de simpatia vieram do pessoal auxiliar e de algumas enfermeiras. Mas para algumas enfermeiras, para alguns dos médicos de serviço (e tão novinhos!!!)  e estagiárias, os doentes são não-pessoas, para utilizar a designação de E. Hall. Quando se trata de atender o doente correspondente seguem os procedimentos adequados, caso contrário não observam o doente (apesar deste estar num serviço de observação), passando da posição de 3/4,  para não deixarem que o doente olhe para eles e portanto para não terem de falar ou de olhar para o doente, mesmo que este se esteja a dirigir  a eles. «E só à hora X que volto a observar e a falar com o doente Y, por isso ele que não aborreça». Será que quando há um problema neurológico não há necessidade de falar com o doente? O ar de profundo aborrecimento de estagiárias, o facto de tão novinhas terem adotado a postura de 3/4 ou olhando para os caderninhos de notas, deixou-me preocupada. Como é que estarão a ser seguidas estas alunas? Como serão avaliadas? Que profissionais estão a ser formadas? Deixo esta perguntas para colegas de Escolas de Saúde.

Não posso dizer que o tratamento tenha sido incorreto, que não tenha sido submetida aos exames adequados, que o médico me tenha parecido inseguro, mas um doente precisa de mais!

Ainda um caso de jovem  médico na Idealmed em Coimbra que me perguntava : «que quer que lhe faça?» e me mostrava na internet o estado em que eu deveria estar, mas não estava, pelo que« se resolvia a questão com Benuron». No dia seguinte, o colega mais velho, em Tomar, não só detetou o problema como  telefonou  a especialistas de diferentes áreas para que fosse vista e me telefonou várias vezes ao longo do dia e semana. Telefonemas e marcações especiais também da parte de neurologista e cardiologista da CUF. Os doentes para estes eram pessoas, como ouvi um deles a dizer ao telefone!  

Estas observações não me podem levar a concluir que da parte dos mais velhos há um cuidado com a relação que não existe na comunicação com os mais novos, também não poderei concluir que o privado é melhor do que o público. Mas não posso deixar de insistir na necessidade dos profissionais de saúde aprenderem não só conteúdos, procedimentos, protocolos mas também soft competências. Estas estão a ser valorizadas nas empresas, por que não na formação destes profissionais?
Nos últimos anos, a rentabilidade é a medida de tudo. Para não haver «insucesso» recusam-se os doentes em situação de risco!  A um doente correspondem X minutos. Se o médico atender mais doentes recebe um bónus... Nas escolas, quanto mais alunos...melhor. E se forem alunos com explicações, e de classes sociais favorecidas... ficam bem numa escola! O «sucesso»  e a posição nos rankings é assegurada!
E com Bolonha... há que privilegiar os conhecimentos técnicos! Não há espaço para questões de comunicação, de línguas ou humanidades. Não há tempo para conversar!
Fico muito preocupada com esta visão funcional quer seja em educação ou em saúde!

  


 

    

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Curso intensivo para operadores de telemarketing...

Calculo que não sejam empregos fáceis! Mas há regras básicas que me parece que não estão a ser seguidas! 
Não tratar pelo nome!
Não tratar por tu ( até recebi uma carta de uma empresa de ótica a tratar- me por tu! Não aceitei o convite para mudar de óculos! E na rádio também acontece!)
Não tratar por você! Tratar por você implica que o interlocutor tem uma posição mais " baixa" na hierarquia social! ( Ela existe! O cliente tem sempre  razão  e ...não compra! ). Significava desprezo! "Você é estrebaria" ! Diria a minha avó que era professora! Claro...  há o " vôcê" com as vogais fechadas e um ritmo sincopado de algumas pessoas " de Cascais" , como se costuma dizer, mas nem todas as pessoas falam assim!  No Brasil é a forma habitual! Com a televisão, o uso em Portugal tornou- se mais frequente, mas .... !
Não tratar por " Senhora Clara" ou  "Senhora Tavares"!
Não tratar por " D. Clara"!

Sr.a D. Clara é a forma neutra mais correta! Quando as pessoas não têm título, é assim que as trato. 
Como em Portugal todos são doutores, na dúvida é melhor dizer Dr! 
Também se aceita "Setor", forma oral abreviada de Sr. Dr., o  que muitos alunos ignoram!
Depois há os senhores Professores e os Senhores Prof. Doutor ou só Doutor ( na escrita, por extenso) para os destinatários que têm doutoramento!

O Sr. António também não responde a telefonemas, ainda o disse na semana passada, na televisão, quero dizer o Sr. Doutor Bagão Félix ( na dúvida, escrevo Doutor por extenso)! 

Já sabem... Ainda há dias, fui abordada, no Centro Comercial Vasco da Gama. Ia com pressa e só ouvi " você!" E a andar murmurei " a tratar por você não vai longe!" Duas pessoas voltaram - se para trás com sorriso e gesto de aprovação. Eu sei que não é bonito falar sozinha em voz alta! Mas às vezes não resisto! 
E houve entendimento! 

Para estrangeiros, este assunto é muito difícil. Mas também para muitos portugueses!
Temos "tu"- segunda pessoa do singular.
Temos "vós" em Trás- os-Montes, por exemplo e no discurso religioso. Segunda pessoa do plural.
Temos "você" " ( uso problemático ) vocês" ( uso menos problemático) terceira pessoa do singular e plural.

E depois temos " a senhora Professora, a Clara, o Manuel, os meus alunos, os senhores professores, os colegas... E terceira pessoa do singular ou plural!
Conjugando o verbo: 

Eu digo, tu dizes, ele, o senhor professor, o Manuel, a Maria, o colega diz ( e pode ser uma terceira pessoa mas podemos estar a falar diretamente com estes interlocutores)! 

E ainda temos "tu dissestes", "tu fizestes", "tu comestes"... Este zumbido de vespa no final é mortal para qualquer candidato a emprego! Digam:  Tu disseste, tu fizeste! 
E já agora : eles hão-de , tu hás-de...
E o verbo haver  com sentido de " existir" só se usa no singular. Assim " existiam muitos alunos matriculados... " ou  " havia muitos alunos"  é a forma correta. Como auxiliar, conjuga- se " eles haviam corrigido os exercícios".



Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...