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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ensino Superior... «áreas de coordenação», agrupamentos, fusões...

Em dia de grande confusão no ensino secundário e para marcar a «minha adesão» à greve, aqui vão algumas perguntas sobre o ensino superior:

Quantas universidades haverá neste momento? Sou eu que estou enganada ou...  há 9? Vejo toda a gente tão sossegada depois da proposta de vagas que fico espantada! Porque, ou me engano muito ou, nas «áreas de coordenação», há sempre uma instituição maior que vai «agrupar» e ficar com os «serviços centrais» de cada «agrupamento». Depois... se as vagas são distribuídas por «áreas», faz todo o sentido distribuir o financiamento  e será que se justifica ter um presidente/diretor em todas as instituições? E secretarias? E bibliotecas? E serviços sociais, e...e...
E os  professores poderão deslocar-se. Nem é necessário pagar-lhes... fazem serviço na mesma «área»! (era preciso um termo diferente de «agrupamento», isso é no básico e secundário!)... E como fazer a «requalificação» se os professores estão no topo das qualificações? Será que ainda se poderá falar de «requalificação» ou haverá necessidade de outro termo para evitar falar de  «despedimento»?  E assim, através das vagas, (um assunto tão pouco importante)  se fundem e se extinguem instituições e sem barulho!

Antes do governo tomar posse eu analisava o discurso «líquido» do candidato a primeiro ministro, mas, afinal ...

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Multimodalidade,discurso político,os meninos do governo e Miguel Gonçalves...

Marques Mendes comentava a falta de experiência e ignorância dos ministros, mas, como o gesto antecede a verbalização da ideia, teve tempo de corrigir o gesto de falta de juízo (com o indicador   na direção da testa) com uma formulação menos insultuosa, mas estava lá.

E, no mesmo dia,  via um «menino» do turismo  a falar e  pensava neste gesto e nas palavras... e em outros «meninos» do governo (parece que até há assessores com 21 aninhos!  Será?). Confiando muito nos jovens, sem isso não seria professora, não será um bocadinho cedo de mais? Não será preciso ler,  estudar, viajar, conhecer pessoas, culturas... para desempenhar   cargos que têm implicações na vida de todos?

E depois Miguel Relvas (a quem já não chamo Conde de Abranhos, porque seria um insulto para a personagem de Eça de Queirós) adivinhem quem foi buscar para «vender» o seu programa... pois o menino de quem falei no último post: Miguel Gonçalves!

Miguel! Pare um bocadinho para viver. Gaste uma parte das suas energias para aprender! Caso contrário, gasta as suas energias a falar só...  na necessidade das pessoas terem energia  (ou,  dado o contexto da intervenção de ontem, não será «chico-esperteza»)!  

segunda-feira, 4 de março de 2013

Manifestação de gente triste e amargurada!

Em 17 de Abril de 1969 e nos anos seguintes estava revoltada, com muita esperança. No 1 de Maio de 1974 estava  feliz e com esperança. No dia 2 de Março ... estava triste, angustiada, ao ver as caras dos meus colegas de manifestação. Revolta, muita! Esperança, pouca! Toda a gente PROFUNDAMENTE TRISTE! Nos cartazes não era ironia, não era humor ... era «dérision», era amargura ! Por isso, partidos preparem-se para o novo partido dos «cravos indignados» ou das «pedras da calçada» ou outro nome com ou sem «estrelas»!  Nem o Bloco de Esquerda se salva! Não tenho dúvida! Depois de estar na manifestação: quem vai ganhar eleições também não sabe e até não quer governar... pelo que há que fazer um apelo coletivo ao bom senso e à competência!     

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Refundação pelos obreiros do nada!

Quando ouvi «refundação», na minha cabeça, surgiram os termos «fundação da nacionalidade, D  Afonso Henriques, D. Dinis, D.Manuel, Descobrimentos, D. João IV , o Marquês de Pombal, Duarte Pacheco...
Depois... na fundação lembrei-me de alicerces, profundidade, suporte,consistência, construção...

Depois destes  2 brain stormings ficou-me uma (?) dúvida e novo brainstorming:

Obreiro
25 de Abril  - militares
Construção do SNS- PS
Construção de estradas, pontes, hospitais, escolas, centros desportivos - Ferreira do Amaral, Sócrates

É um brainstorming... a minha memória não se lembra de tudo!

E depois há os obreiros do «nada» (que fui buscar o «nada» a Marcelo Rebelo de Sousa, mas poderia ser eu a dizer) :

Pescas- Cavaco Silva, Alemanha, França... pescadores que receberam subsídios
Agricultura- idem
Indústria-Sócrates (as fábricas poluem era melhor autorizar centros comerciais), Passos Coelho e, ainda assim, há um ministro mal amado, mas esforçado na economia!
Comércio- Passos Coelho
Restauração - Passos Coelho
Segurança Social- Passos Coelho?
SNS- Passos Coelho?
Escolas- Passos Coelho?
Serviços- Passos Coelho?
Contribuintes, pessoas- Passos Coelho.

Então... só ficam os ministros e deputados... a fazer o quê já que o país ficará reduzido a «nada»? E é possível refundar o «nada»? Os maoístas assim pensaram,  mas hoje a China  ( Ver  Revista Pública desta Semana- o retrato não é bonito!)...

E nós... perdemos tudo?



Antes das eleições falei do «discurso líquido» do candidato a primeiro ministro. Haverá discurso mais líquido do que a «refundação do nada»?


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Relvas: «Burriculum vitae»

Já estamos a perder a vontade de rir ao ler artigos ou anedotas sobre «Alípio Abranhos» (a personagem de Eça de Queirós até se tinha formado na Universidade de Coimbra, era ministro do mar, não sabendo onde ficava Moçambique, tinha uns discursos fabulosos... mas ... não igualava o nosso ministro!).

Mas o artigo do Publico de 29 de outubro, escrito por Rui Tavares, é uma peça satírica imperdível.

Vejamos: «A sua carreira começou muito jovem, na área de propedêutica da juventude partidária, com as disciplinas de seguidística aplicada, favorometria elementar e sociopragmática da cunha, na qual revelou aptidões invulgares. Os melhores alunos desta fase passaram para o exercício da chamada chapeladística psefológica, ou alquimia eleitoral. Daqui é um pulo até aos estudos de eclesiologia partidária, logo depois de etnografia parlamentar,e finalmente de ontogenése do mundo empresarial, com especialização em lusotroplicalismo...»

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Cantar de emigração ... jovem

Este parte
Aquele parte
E todos todos se vão
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão...
....

Quando nos anos 60 ouvia, no Jardim da Associação Académica, ou no Gil Vicente, ou ... , Adriano Correia de Oliveira cantar este lindissimo poema de Rosalía de Castro sobre a emigração na Galiza, transposto para a realidade portuguesa por José Niza, sentia uma enorme emoção e revolta. Muitos de nós partiram! O estrangeiro tão longe e tão desejado...  a França país de liberdade! Depois foi Abril...

E, agora, são os jovens que vão e não vão voltar  (nem haverá remessas de emigrantes, Senhor Primeiro Ministro). Foram embora porque o Senhor os convidou a sair, porque não encontravam emprego, porque perderam a esperança de o encontrar, mas agora... começam a ir porque os «melhores» precisam de sair. Como nós, como eu saí, como os meus amigos saíram...   Mas o país tinha mudado e voltaram, cheios de esperança para contribuir para que o nosso país tivesse boas escolas, bons hospitais..., com o dinheiro que tinham poupado!

Agora o nosso país é para velhos... e não é para velhos porque nos tiram as reformas que nós pagámos. Nós colocámos o nosso dinheiro, como as nossas esperanças,  nas mãos  do governo para ele o gerir... e que aconteceu?  

Nem simbolicamente retiram uma percentagem aos vossos salários, às ajudas de custo, às despesas de representação! Significa pouco... mas ao menos isso!

Pagámos a educação desses jovens... quanto se gastou na educação deles? Digam-nos por favor! Quanto  custaram as maternidades,  as vacinas, as escolas... Gostam tanto de números...digam-nos por favor, nós queremos saber.


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Comportamentos paradoxais... país doente!

Costuma falar-se de «comportamentos paradoxais» ou de «double bind» quando um dos progenitores diz «não» a uma criança e o outro diz «sim» ou se ri de forma trocista.  A criança não sabe quem tem razão.

As imagens de ontem da Assembleia da República não deixam dúvidas: Temos Paulo Portas- que não aprecio particularmente  -  a ser criticado. E que faz o Primeiro Ministro para não falar do Conde de Abranhos, perdão, enganei-me José Relvas? Riem-se. Que mensagem estão a «desqualificar» para utilizar o termo técnico, o colega de governo Paulo Portas ou o responsável pelas finanças, também ele sério? Ou estarão a rir-se de nós?

O país precisa de saber a resposta a esta questão. Se  não tiveram  família ou escola que os ensinasse a ter o mínimo  de boas maneiras- pelos vistos quando andaram na escola não eram muito apreciados, apesar de tentativas para agradar a professores (cf opiniões, na terra, sobre Relvas) e  frequentaram-na  pouco -  ao menos podiam pedir a empresa de consultores opinião sobre regras de bom comportamento. Já agora, parece que uma dessas empresas (amiga) será contratada pela RTP, não chegam os da casa! Outra mensagem  de «double bind»! Afinal temos de poupar ou podemos gastar com os amigos (cf Expresso de hoje)!

Onde andam os políticos educados? E com bom senso, respeitadores... 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Desabafo sobre reforma de políticos


Acabei de receber um mail com esta preciosidade em português, mas fui buscá-la ao francês. Depois falarei das reformas dos políticos. 

Extrait d’une conversation entre Colbert et Mazarin sous LOUIS XIV
Nos gouvernants n’ont rien inventé, même méthode que sous l’ancien régime
Colbert : Pour trouver de l’argent, il arrive un moment où tripoter ne suffit plus. J’aimerais que Monsieur le Surintendant m’explique comment on s’y prend pour dépenser encore quand on est déjà endetté jusqu’au cou…
Mazarin : Quand on est un simple mortel, bien sûr, et qu’on est couvert de dettes, on va en prison. Mais l’Etat… L’Etat, lui, c’est différent. On ne peut pas jeter l’Etat en prison. Alors, il continue, il creuse la dette ! Tous les Etats font ça.
Colbert : Ah oui ? Vous croyez ? Cependant, il nous faut de l’argent. Et comment en trouver quand on a déjà créé tous les impôts imaginables ?
Mazarin : On en crée d’autres.
Colbert : Nous ne pouvons pas taxer les pauvres plus qu’ils ne le sont déjà.
Mazarin : Oui, c’est impossible.
Colbert : Alors, les riches ?
Mazarin : Les riches, non plus. Ils ne dépenseraient plus. Un riche qui dépense fait vivre des centaines de pauvres.
Colbert : Alors, comment fait-on ?
Mazarin : Colbert, tu raisonnes comme un fromage (comme un pot de chambre sous le derrière d’un malade) ! il y a quantité de gens qui sont entre les deux, ni pauvres, ni riches… Des Français qui travaillent, rêvant d’être riches et redoutant d’être pauvres ! C’est ceux-là que nous devons taxer, encore plus, toujours plus ! Ceux là ! Plus tu leur prends, plus ils travaillent pour compenser…
C’est un réservoir
inépuisable.
Extrait du « Diable Rouge » de Antoine Rault

Alguns reformados cometeram um pecado! Nasceram, trabalharam muitos anos, como foram bons alunos e não reprovaram, começaram cedo a trabalhar, descontaram muitos anos, aposentaram-se com penalização ou não... continuam a trabalhar pro bono, quando convém às instituições...  E atribuem-lhes culpas pelos gastos excessivos!  Mas há outros, os políticos (e bem me incomoda como democrata falar nisto!), mas, em todos os partidos, os políticos trabalharam poucos anos, descontaram poucos anos e recebem reformas muitos anos. Como é isto possível Senhora Presidente da Assembleia?  Como é isto possível Senhores Ministros, Deputados? Em outros países, como o sublinhava uma candidata aos Açores, os ministros deram o exemplo, reduziram-se salários, despesas de deslocação, ajudas de custo? Poderá ser até simbólico, mas os símbolos estão em todo o lado! No nosso caso, não houve problema em mudar as regras e no caso dos senhores deputados, ministros,presidentes de câmaras... que o foram há muitos, muitos anos ou até há poucos, as regras não se podem mudar? 
  

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Agnotologia

Pois... é o estudo da construção da ignorância. Veja-se a crónica de Manuel Maria Carrilho hoje no jornal Diário de Notícias!  Fala  desta «recente disciplina criada por Robert N. Proctor, da Universidade de Stanford, para estudar a ignorância, entendida esta não como algo destinado a ser superado, mas  como algo de intencionalmente fabricado, produzido com a devotada colaboração de diversas formas de informação e de conhecimento».  Dá o exemplo de «conversa de papagaios amestrados em economês/financês».

Numa altura em que saímos bem no retrato sobre a literacia (vou comentar os resultados do Relatório que acabou de sair em outro momento), pois é...  há quem tenha problemas de iliteracia, numérica, quem desconheça como as famílias fazem contas, quem não saiba o número de alunos, quem não saiba ler a cara dos portugueses, ou não o queira fazer!  

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Engenheiro Sócrates e Dr . Relvas

As comparações às vezes irritam-me!
O Senhor Engenheiro Sócrates que foi primeiro ministro, à data da sua nomeação, era  Engenheiro Técnico, um curso superior curto, feito no Instituto Politécnico de Coimbra, mas salvo erro com 4 anos. Cerca de 40 cadeiras. Este curso (e ele próprio)   foi reconhecido pela Ordem,  o que não acontece hoje a muitos cursos em Engenharia em funcionamento.

Teve a triste ideia de se matricular numa universidade para completar habilitações antes de Bolonha (depois... teria sido licenciado)  e foi a confusão que conhecemos... E não foi bonito!

Apesar de ser grande defensora da creditação da experiência profissional, como se pode comparar algo de incomparável?

Dr Relvas, aluno suficiente no secundário, faz tentativas de exames com resultados que se leram ontem no jornal «Público», faz  4 cadeiras,   apesar da  «longevidade» nos cargos. Não podemos falar da sua longevidade  dado que ainda é novo e ... nos cargos, não se pode falar de «longevidade», porque o termo só se aplica a pessoas, mas...   neste caso... nem sequer de longa duração...

Que competências adquiriu?

E isto numa Universidade com  bons professores, bons equipamentos, boas publicações, bons colóquios, rigor na apreciação de teses de mestrado (já estive em júris)... Como se poderá explicar isto? Como poderão os professores que conheço e que dão aulas nesta Universidade responder aos alunos?

E... as «novas oportunidades» eram más? Os exames de maiores de 23 anos também? Tenho pena dos bons alunos que tive e que beneficiaram destas medidas. Ficam envergonhados sem razão. Porque, no caso deles, tiveram a oportunidade que mereciam. Os maus ficaram pelo caminho...



Miguel Relvas ... «queirosiano» ou...

personagem de Eça! Não resisto... tenho de mostrar esta entrevista. Os professores  que teve no secundário ficaram espantados! Não se tinham dado conta de que o Dr Miguel Relvas era «queirosiano»!  Mas é queirosiano ... e muito «rigoroso... quando pega num dossier estuda-o a fundo», «vai até ao fim»!


Que tal ler «O Conde de Abranhos»? Já tinha feito esta proposta antes da constituição do Governo, mas não há tempo para ler...

Como  perguntava um professor, ontem, na televisão, como poderemos nós professores exigir rigor aos nossos alunos? O exemplo vem de cima como diz o senhor Ministro nesta entrevista!

sábado, 31 de março de 2012

TIC, power point e... papel... e neurociências 3

Dizia eu que as apresentações dos estudantes se sucediam (como as de professores e investigadores em muitos colóquios) todas iguais... templates diferentes, efeitos, cores e caracteres diferentes... mas faltava o que Tatiana Slama Cazacu designava, antes das apresentações multimédia, de «sintaxe mista». Faltava a multimodalidade. Muitas vezes me levantei das últimas filas para obrigar os estudantes a sairem da frente da projeção,  a olharem para o público, a levantarem-se, deixarem os papéis em paz, tirarem as mãos dos bolsos... e a verbalizarem os conectores  temporais e lógicos (agora,  a seguir, mas, no entanto)... e a fazerem os gestos discursivos correspondentes... Insistia  na função de antecipação do gesto (também da imagem projetada).

Mas eu própria tornei-me preguiçosa... e passei também a suprimir conectores verbais e icónicos e, não foi por acaso, que uma colega especialista em comunicação multimédia  me dizia que  «das minhas conferências e comunicações  a que tinha assistido, a «oração de sapiência» (pouca acrescentaria eu)  tinha sido a  que  mais lhe agradara apesar de, na mesma, eu ter seguido as normas de ausência de tecnologias...».

E que prazer ouvir e ver Jean Claude Beacco, no  Colóquio da FNAPLV referido, sem power point...!

A banalização  mata qualquer suporte, mas há mais...

Tinha explicado aos meus alunos a função comunicativa dos gestos. Tinha referido Goodwin que fala da integração do olhar na estrutura interativa do enunciado. Se o olhar dos estudantes está preso ao ecrã dos respetivos computadores, como é que o estudante que está a fazer uma apresentação pode regular a comunicação?

Tinha insistido sobre as funções discursivas, ilustrativas,  reguladoras e afetivas dos gestos. Mas  não  me tinha apercebido das funções cognitivas dos gestos. E insistia no conceito de multimodalidade junto dos meus alunos.
Ver:

FERRÃO TAVARES, Clara, SILVA, Jacques & SILVA E SILVA, Marlène (2011). La formation actionnelle (et) multimodale des enseignants de langues-cultures. Actes du Colloque FICEL – DILTEC : Formation et professionnalisation des enseignants de langues – Évolution des contextes, des besoins et des dispositifs, Université de la Sorbonne Nouvelle – Paris III, 3-4 novembre 2011 (No prelo).


Também me tinha apercebido da minha dificuldade em resolver um problema técnico no meio de uma apresentação tão simples como avançar ou recuar  um diapositivo quando estava a falar... justificava essa dificuldade, de forma simplista, pensando  que era um desfasamento entre o hemisfério esquerdo da verbalização e o direito do movimento... talvez não seja assim tão diferente...

Depois havia a minha incapacidade de recuperar  apresentações de uma aula para a outra... e a interrupção de uma apresentação com o recurso ao quadro tradicional... Fico espantada quando vejo professores, ou melhor «passadores de diapositivos», a apresentarem sempre os mesmos diapositivos!

E havia a total incapacidade para depois de ter aprendido usar o  QIM.  Pensava que  a  minha temporalidade  e a do QIM eram incompatíveis... Também não andaria muito longe.

Vou escrever dois artigos que vou propor a Synérgies -FranceSynérgies -Portugal e aí... voltei ao meu tema de doutoramento nunca abandonado... a comunicação não verbal agora integrado  na multimodalidade, mas o tempo não era muito e, agora,  estou  a estudar a função cognitiva do gesto. Este surgirá numa fase  de conceptualização anterior à verbalização. De forma simplista, se o meu gesto que levaria à conceptualização é modificado pelo facto de manipular o computador ou o comando, não há semantização... logo não há verbalização (cf Robert Krauss, por exemplo).

Na utilização do quadro tradicional e de papel há um reforço da semantização com a escrita, a verbalização e o gesto que se mantém apesar da manipulação do marcador.

Mas ainda estou a aprofundar o assunto.

Este post  continua com as referências bibliográficas em outros momentos e nos artigos referidos...


TIC, power point e... papel... neurociências 2

«Art Gallery»  foi a designação que Bernd Rüschoff da Universidade de Duisburg-Essen, e co-autor de relatório  sobre tecnologias,  deu a uma  prática pedagógica que apresentou recentemente no Colóquio da Federação Portuguesa de Associações de Línguas Vivas.  Se não me engano,  foi essa uma prática que os meus alunos conheceram durante anos. O resumo de monografias  ou  a elaboração de um projeto de investigação eram preparados em folhas de papel e postit. Assim,  os estudantes de cada grupo  colavam e escreviam a sua planificação, recorrendo a postit que iam mudando de sítio, substituindo, à medida que iam adquirindo mais conhecimentos sobre o assunto. Num  dia determinado, havia a primeira exposição de posters. Nessa altura, havia uma visita acompanhada da professora de todos os alunos aos posters afixados nas tais placas velhas de corticite. E aí, o professor e os outros estudantes colocavam questões que levavam muitas vezes a que os postit  mudasssem de sítio, que as formulações de objetivos fossem reformuladas... setas mudavam de direção... Um estudante colava outro postit com uma referência que achava que poderia ser útil... Esses posters  iam sendo reformulados até ao dia da simulação de colóquio. Aí, na fase final, os estudantes apresentavam uma comunicação oral  e o poster, desta vez já não com postit,  feito,  por vezes, até em tipografias,  apresentava uma declinação escrita do conteúdo  verbalizado.  

E assim,  poderei dizer que a realização destes trabalhos contribuia para o processo  de autonomia dos estudantes, levava-os a adquirir competências necessárias à realização de um projeto de investigação, levava-os a desenvolver espírito crítico, a argumentar, a fundamentar as suas opções, a comunicar a pares ou  outros intervenientes (no caso professores e alunos de outras turmas que vinham assistir às sessões de posters).   Era assim o espírito de Bolonha antes de Bolonha!

Com o fim dos rolos de papel e das placas de corticite, ainda   comprei cartolinas...  e colocando os posters em cima de mesas, procedíamos ao mesmo trabalho... mas já não ficam afixados...  Perdia-se o efeito «Art Gallery».  Perdia-se parte do «trabalho colaborativo» tão apregoado!

Depois cansei-me de andar com as cartolinas e os postit de sala em sala .. e  entretanto surgiu o power point... Como novidade que era... entusiasmei-me também. Os estudantes adotaram também  formatos TED, Pecha-Kucha...  Mas não ficava satisfeita... Então as sessões de apresentação de trabalhos eram desastrosas... Um grupo apresentava, eu e os outros grupos fazíamos comentários... seguia-se outro...«o seguinte»... Entretanto, sobretudo no Mestrado com estudantes- professores, tinha de mandar fechar computadores pessoais, explicando o conceito de «sintaxe mista» de Slama Cazacu (que será explicado no post 3).

Não gravei, creio, nenhuma sessão de posters, porque neste caso poderia comparar a qualidade da comunicação nos dispositivos Art Gallery e apresentação em power point. Poderia analisar a comunicação - o número e tipo de atos de fala e interativos que o professor cada aluno teria realizado - e teria como enquadramento teórico, também, os estudos que estou agora a ler... continua...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A falta de estudo, a superficialidade ... e os políticos...

Paulo Trigo Pereira interroga-se sobre a seguinte pergunta «Onde estão as gorduras?», no jornal Público, de 18 de Outubro. E conclui « Este OE prova o que muitos já sabíamos. Nos partidos, primeiro, no Governo depois, não se estuda,age-se. E o resultado está à vista». António Correi da Campos fala de «Impreparação» e muitos outros nos jornais desta semana declinam o mesmo tema.
O país precisa de estudo!

domingo, 11 de setembro de 2011

Discurso político: o «gasparês»

Não, não fui eu que criei o neologismo (vinha no Expresso), mas apesar do pouco tempo que tenho neste momento, não posso deixar de reflectir sobre as «configurações sociófugas» - designação que proponho a partir da distinção de E. Hall entre espaços sociófugos e sociópetas - do Senhor Ministro das Finanças. Afasta-se dos espectadores, embora o olhar esteja na câmara (cf axe Y-Y Yeux- Yeux, nos trabalhos de E. Véron), mas o olhar frio não ajuda nada. Tronco hirto, inclinado para trás, braços cruzados, quase ausência de sorriso, movimentos dos braços rígidos... Se nos referirmos aos conteúdos então... não dá para ter confiança em quem não quer nada connosco(cf comportamentos de double bind e comunicação paradoxal). Como poderemos confiar? Até gostava! Acabou de sair mais um livro sobre o discurso político. Ainda não li, mas vou ler com tempo e voltar a este assunto.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Portugal e Grécia... Nas «Farpas» de Eça de Queirós!

Temos ministros como o Conde de Abranhos e

«Nós estamos num estado comparável à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se a par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.

Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'



quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Governo, os homens apressados e as «medidinhas»...

Bem queria confiar, mas pelo que tenho lido... um ministro a gabar-se de ter apresentado uma situação financeira do meu país em 180 segundos aos parceiros europeus! O formato Pechakucha é útil para apresentarmos comunicações em colóquios... mas... O que o Senhor Dr. Teixeira dos Santos demorou tanto tempo a explicar seria afinal assim tão simples?

E já agora a questão de um 1º Ministro que não quer residir na Residência Oficial. Será que este acto significa medo de assumir as responsabilidades? Não faço esta interpretação, até porque não sou psicanalista, mas faço outra baseada nos meus estudos que, por acaso,  levam muito tempo. O espaço  desempenha um papel simbólico  de poder que é bom que os governantes exerçam com competência. Um primeiro ministro deve respeitar esse lugar simbólico! Da mesma maneira que tem direitos pelo facto de desempenhar este cargo.  Prescindir de alguns pode ser útil para o país, mas, por exemplo, pelo que li... viajar em 2ª na TAP significa ocupar um lugar dos que eventualmente  seriam vendidos, quando, de todas as maneiras,  não pagaria em 1ª classe, lugar que possivelmente não seria vendido!

Quanto a Massamá, local que não conheço, mas já que adquiriu valor simbólico, será que não seria boa ideia o Senhor Ministro da Educação e o Senhor Ministro da Saúde fazerem  um pequeno - já não digo grande - de 2 ou 3 dias nos respectivos serviços nesta zona da periferia de Lisboa?

Sugestão de professora que conhece bem as escolas e até serviços de saúde!


A «bota não bate com a perdigota»... sublinho que o 1º Ministro parece utilizar menos expressões figurativas, nos últimos tempos. Anunciam-se medidas ridículas a embrulhar medidas tão dolorosas para tanta gente! Se, ao menos nós pudéssemos acreditar ... mas Senhores ministros, em termos comunicacionais, como os vossos assessores lhes devem dizer, estas medidas (polulistas num primeiro tempo) estão a «desqualificar» a comunicação dos assuntos sérios!   

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O discurso do Eng José Sócrates

Saíu com muita dignidade e fez um dos melhores discursos de todos os políticos que perdem eleições. Foi muito bonito! Obrigada sr. Primeiro Ministro! Foi muito esforçado, persistente, lutou muito... mas esqueceu-se de dizer algumas coisas ou nem sempre disse o que deveria ter dito. Creio que foi isso que os portugueses não perdoaram. E depois há que dar a possibilidade a um Governo de governar.  É disso que estamos  todos à espera!

E agora...

Esperemos que  Passos Coelho estude,  vá buscar pessoas competentes para o Governo, que os competententes aceitem, que não pense no Governo com 10 ministros ... é só pensar nas leis orgânicas e até no papel a imprimir..! Que vá viver para a residência oficial ...  o espaço desempenha uma função simbólica... Se aceitou, tem de aceitar tudo!  E já agora beber chá de casca de cebola...  não fica bem a um primeiro ministro! Pense duas vezes antes de falar, mesmo de coisas caseiras!

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...