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quinta-feira, 14 de junho de 2018

A multimodalidade em discursos académicos- Congresso da SPCE

A multimodalidade em discursos académicos


Os últimos tópicos deveriam ser desenvolvido em comunicação a apresentar no Congresso da SPCE. Mas como, agora, os comunicadores pagam mais do que os não comunicadores, dado que as investigações são reconhecidas «ao peso». E como a inscrição era pesada, não vou. Escrevo aqui e tenho mais leitores! Até porque... ninguém assiste já a comunicações paralelas... Cada um vê a conferência inicial (quando vê!) «despacha» a sua comunicação e já está, já foi... Mais um artigo! E é preciso que não seja publicado em volume intitulado «Atas», porque esse não conta!
Aqui está o resumo que foi aceite



Resumo
Nesta comunicação, pretendemos  apresentar uma síntese de um  projeto de investigação desenvolvido sobre literacias académicas multimodais. Procuraremos, num primeiro tempo, definir os conceitos de literacia, de multimodalidade e de literacia multimodal. Num segundo momento, proporemos uma análise de exemplos de  discurso multimodal. Esses exemplos foram extraídos de dois tipos de corpora: um que é composto por  resumos e apresentações públicas de autores «reconhecidos» (apresentações em conferências TED, por exemplo); outro constituído por resumos de teses e registos de apresentações académicas.
A análise do  primeiro corpus permitiu-nos identificar  marcas  de operações discursivas e cognitivas, de natureza multimodal, como definir, parafrasear esquemas, introduzir outras vozes no interior de discursos académicos, resumir, concluir… e fazer o levantamento de processos adotados na «encenação» de discursos científicos e na sua divulgação, em relação com o enquadramento teórico convocado.  
O corpus constituído por trabalhos académicos colocou em evidência a dificuldade, por parte de muitos estudantes, na distinção entre a modalidade epistémica, a modalidade apreciativa e mesmo a modalidade deôntica. Colocou também em evidência a natureza, ainda pouco investigada dessas dificuldades, no caso das apresentações orais. O recurso a meios tecnológicos nas apresentações reforçou a heterogeneidade dos discursos o que implica um nível mais exigente de literacias académicas.
Considerando que, de acordo com o designado processo de Bolonha, com o  Decreto-Lei 74/2006, os estudantes dos diferentes graus  deveriam : «Ser capazes de comunicar as suas conclusões, e os conhecimentos e raciocínios a elas subjacentes, quer a especialistas, quer a não especialistas, de uma forma clara e sem ambiguidades», o que pressupõe a distinção das diferentes modalidades, este estudo revela que, em muitos casos, o desempenho dos estudantes manifesta algumas insuficiências.
Daí a necessidade, do nosso ponto de vista, da inclusão em planos de estudo de conteúdos e estratégias destinadas ao desenvolvimento de literacias multimodais.   
Palavras-Chave:  Didática das línguas-culturas, multimodalidade, as línguas nas outras matérias, literacia multimodal
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Encontro APEDI 2018 ( Associação de Professores para a Educação Intercultural)

A   Associação de Professores para a Educação Intercultural vai realizar, em 27 e 28 de abril, o seu   Encontro  2018  que tem como título "Sentidos Interculturais - Palavra, Imagem, Corpo".

Este é o resumo da conferência de abertura: 

«Não podemos não comunicar»
Para desenvolvimento de conteúdos ver também
https://universidadedepasargada.blogspot.pt/2018/04/apedi-2018-conferencia-sobre.html


Devo o título desta comunicação a Paul Watzlawick  que,  nos anos 60 do século XX, definia, deste modo, o primeiro axioma  da sua lógica da comunicação.  Hoje são as neurociências e a bioquímica que, recorrendo a outros tipos de metodologias, nomeadamente através de Tomografia por Emissão de Positrões, vêm confirmar esta afirmação, demonstrando o carácter multimodal da comunicação.

Procurarei mostrar implicações destas investigações em Educação, nomeadamente na formação de professores e na gestão da aula, caracterizando a comunicação multimodal como um processo cognitivo, relacional, empático que engloba um conjunto de modos em interação, implicando o corpo (corporização da verbalização e do pensamento) e que se traduz na ação dos envolvidos na situação de comunicação (espaço e tempo).
Colocarei em evidência interações entre o  corpo e os dispositivos tecnológicos em articulação com meios icónicos e linguísticos, em  tempos e espaços  reais e virtuais.  Com  base numa metáfora visual (ver imagem) e apoiando-me  em exemplos extraídos de comunicações profissionais apresentadas em dispositivos públicos (como as conferências TED) e extratos de aula disponíveis na Internet, distinguirei alguns elementos de coerência dos discursos multimodais, nomeadamente, metáforas e palimpsestos verbais e icónicos, marcas verbais e não verbais de operações cognitivas e discursivas comuns aos discursos das diferentes disciplinas escolares (definir, comparar, parafrasear, resumir, argumentar…).

Mostrarei a importância desta conceção da comunicação na organização de espaços de «flexibilidade curricular»,  nomeadamente, na gestão de projectos interdisciplinares.

«Não podemos não comunicar» é o título deste trabalho de Antígona que ilustra temática da conferência.







quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Perfil dos alunos do século XXI. Apontamentos para consulta pública

 O Perfil dos alunos do século XXI http://dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/perfil_do_aluno.pdf

encontra-se em consulta pública. Vou responder e vou preparar aqui os apontamentos para a minha resposta. 
Não vou desenvolver muito os tópicos... possivelmente não serão lidos, mas, pelo menos aqui terão alguma utilidade,

Princípios

Partilho os princípios e a visão nomeadamente a perspetiva «mestiça» ( Michel Serres) de culturas, artes e tecnologia proposta.
Concordo igualmente com os valores.

O capítulo das Competências levanta-me mais questões

Para a elaboração deste capítulo sugiro  que esteja presente a conceção plurilingue e pluricultural desenvolvida na
A platform of resources and references
for plurilingual and intercultural education

Nomeadamente o documento seguinte:
Beacco, J.- C., Coste, D. van de Ven, P., Vollmer H (2015) Langue et matières scolaires. Dimensions linguistiques de la construction des connaissances dans les curriculums. Recuperado em 12/6/2016, de http://www.coe.int/t/dg4/linguistic/Source/Handbook-Scol_final_FR.pdf

Só me pronuncio sobre 2 áreas, apesar de todas estarem interligadas.
·         Discordo da distinção de duas áreas  «Linguagens e textos» e «informação e comunicação »  e das próprias designações. Apesar de, no documento,  se referir que «Estas competências são complementares»,  a divisão entre  as áreas de  «Linguagens e textos» e «informação e comunicação»  parecem relevar de uma visão clássica dos problemas da língua.
·         A   conceção de «multimodalidade»  na formulação seguinte : «dominar capacidades nucleares de compreensão e de expressão nas modalidades oral, escrita, visual e multimodal» parece não ter em conta estudos sobre a multimodalidade, nomeadamente no âmbito das neurociências. A  situação de oralidade (e da escrita ) é multimodal. Toda a comunicação é multimodal  dado que  « não podemos não comunicar» (WatzlawicK). Todos os textos são multimodais.

Permito-me propor  uma definição de multimodalidade.
«Multimodalidade como um processo neurológico,  cognitivo, relacional, empático que implica um conjunto de modos em interação, implicando o corpo (corporização da verbalização e do pensamento)  e que se traduz na ação dos envolvidos na situação de comunicação (espaço e tempo). Com esta definição, (baseada em Cosnier, 2008) afastamo-nos de definições da multimodalidade como soma ou justaposição de mensagens, de suportes ou linguagens de natureza diferente que se pode designar de multicanalidade. A multicanalidade é uma das componentes da multimodalidade mas limita-se ao plano das linguagens e canais, enquanto o multimodalidade se constrói em relação aos sujeitos que partilham um espaço e um tempo de comunicação, envolvendo dimensões de natureza complexa nomeadamente  planos neurológicos que determinam ou são determinados pelo corpo e pela interacção deste com dispositivos  comunicativos diversos (Ferrão Tavares 2016, 2017).

Para a definição das relações da línguas com as outras matérias presente na formulação das competências seguintes

- utilizar de modo proficiente diferentes linguagens simbólicas associadas às línguas (língua materna e línguas estrangeiras), à literatura, à música, às artes, às tecnologias, à matemática e à ciência;
utilizar e dominar instrumentos diversificados para pesquisar, descrever, avaliar, validar e mobilizar informação de forma crítica e autónoma, verificando diferentes fontes documentais e a sua credibilidade;

talvez os descritores propostos para a matemática, as ciências, a história, a literatura ...  definidos nos documentos seguintes possa ser útil:
Eléments pour une description des compétences linguistiques en langue de scolarisation nécessaires à l’apprentissage/enseignement de l’histoire (fin de la scolarité obligatoire) Une démarche et des points de référence Jean-Claude Beacco
Eléments pour une description des compétences linguistiques en langue de scolarisation nécessaires à l’apprentissage/enseignement des sciences (fin de la scolarité obligatoire) Démarche et points de référence
Há versões em Francês e Inglês destes documentos.
Permito-me apresentar alguma bibliografia pessoal com reflexão sobre estes assuntos :

FERRÃO TAVARES, C. 2007. Didática do Português Língua Materna e não materna. Porto: Porto Editora
FERRÃO TAVARES, C., Barbeiro, L-C. 2011. Implicações das TIC para a aula de Língua. Lisboa : Ministério da Educação.
 Ferrão Tavares, C. (2007). Le temps, l'espace et les cultures. Etudes de Linguistique Appliquée, Revue de Didactologie des Langues nº 146. Paris: Didier Edition.
 Ferrao Tavares, C. (2011). Abordagem acional e competência comunicativa multimodal: estaleiro de apresentações de trabalhos académicos. Intercompreensão, 16, 85-118.
Ferrão Tavares,C. 2013. « D’hier à aujourd’hui (et demain ?) : un parcours de recherche en didactologie des langues-cultures sur la communication ». Synergies Portugal, nº 1, pp. 91-117.
Ferrão Tavares,C. 2016. L’intéressant et le démonstratif : à propos des zones de proximité des communications médiatiques et académiques. Hommage à Louis Porcher . Synergies Europe n° 10 - 2015 p. 121-139

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Congresso Língua e Cultura Portuguesas Memória, inovação e diversidade. Dias 18 e 19 de novembro Congresso Língua e Cultura Portuguesas Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Neste Congresso vou apresentar, a convite da organização, uma comunicação intitulada: O "interessante e o demonstrativo" nos discursos académicos multimodais. Na linha de  «aulas ao contrário», convidam-se os participantes a ler  L’intéressant et le démonstratif : à propos des zones de proximité des communications médiatiques et académiques, em Synergies Europe, nº10, em homenagem a Louis Porcher.

Vou preparar aqui esta comunicação. Trata-se de um rascunho, característica das  mensagens dos blogues.


Plano:

1. Definição de conceitos: literacia (operações cognitivas e discursivas, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica),  multimodalidade, literacias multimodais;
2.Reflexão sobre o perfil de licenciado, de mestre e de doutor (Decreto- Lei 74-2006) a partir de corpus multimodal. 

Desenvolvimento:

1. Definição de conceitos: literacia (operações cognitivas e discursivas, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica),  multimodalidade, literacias multimodais


Literacia como capacidade de ler o mundo e de agir em conformidade


Plateforme de ressources et de références pour l’éducation plurilingue et interculturelle
Les langues dans les autres matières
http://www.coe.int/t/dg4/linguistic/langeduc/BoxD2-OtherSub_fr.asp





Modalidade
Ver programas do 12ª Ano 

http://www.analyse-du-discours.com/les-modalisateurs





Aula sobre multimodalidade

O cérebro é multimodal: neurónios espelho e fenómenos de eco

Huc,P. Vincent-Smith,B. (2012). Neurodidactique des langues étrangères/secondes : Incidences et perspectives pédagogiques. Congrès Mondial de Sciences de l’Education. Reims


Cosnier, J. (2008). La communication, état des savoirs. Editions Sciences Humaines. Recuperado em 6 de julho, 2016, de http://icar.univ-lyon2.fr/membres/jcosnier/articles/VI-8_EmpathieinEtats%20Savoirs2008.pdf


 2.Reflexão sobre o perfil de licenciado, de mestre e de doutor (Decreto- Lei 74-2006) a partir de corpus multimodal 



Mestrado
O grau de mestre é conferido aos que demonstrem:
Possuir conhecimentos e capacidade de compreensão a um nível que (…) permitam e constituam a base de desenvolvimentos e ou aplicações originais, em muitos casos em contexto de investigação (…)
Capacidade para integrar conhecimentos, lidar com questões complexas, desenvolver soluções ou emitir juízos em situações de informação limitada ou incompleta (…);

d) Ser capazes de comunicar as suas conclusões, e os conhecimentos e raciocínios a elas subjacentes, quer a especialistas, quer a não especialistas, de uma forma clara e sem ambiguidades»


E então? Como se explicam estes casos?

(modalidades inadequadas, citações descontextualizadas...)

a)      Os gestos dos professores são muito importantes na aula de língua, por isso  desenvolvemos este projecto porque os professores devem fazer muitos gestos…
b)      Dada a importância das  tecnologias, achamos/ acreditamos/ pensamos que devem ser utilizadas na sala de aula. O nosso projecto pretende mostrar que os alunos aprendem melhor com o uso do quadro interactivo multimédia.
c)       Neste aspeto, o caso francês é diferente do inglês. Enquanto em Inglaterra a ascendência cultural provoca o respeito desusado pela privacidade, em França produz efeitos distintos. As pessoas estão muito mais ligadas umas às outras, quer devido à densidade populacional , quer pela relação que têm com o espaço (cfr Fast, 2001: 36-42) 
d)      Os autores X e Y colocam a hipótese do quadro interactivo multimédia contribuir para o desenvolvimento da competência comunicativa. Assim, nós vamos provar que os alunos descobrem com muito mais facilidade as regras de funcionamento da língua com esta tecnologia (…)  Como conclusão do nosso estudo (…) os professores devem utilizar quadros interactivos multimédia.
e)      António Damásio considera que a emoção está ligada à razão, daí que o jogo seja a actividade mais adequada para a aprendizagem.
f)       Na sequência de Galisson, Coste  (1976), define-se a competência comunicativa como «o conhecimento de regras  psicológicas, culturais e sociais que regulam a utilização da fala num contexto social». Sendo a sala se aula um contexto social, deve-se desenvolver a competência comunicativa dos alunos. Como as crianças gostam de jogos, com a nossa tese vamos apurar/mostrar como utilizar jogos para o desenvolvimento da competência comunicativa das crianças.   
g)      Cada ser humano tem que aprender o significado do silêncio dos outros, cada professor deve «criar silêncio» para conhecer ou tentar interpretar as atitudes dos alunos (…) Torna-se, então, evidente que as linguagens não verbais, bem como a habilidade de emitir ou receber sinais não verbais, estão intimamente relacionadas com a actuação do professor e dos alunos no contexto educacional, mais especificamente dos professores de línguas uma vez que, segundo Ferrão Tavares (1991:6) «la dimension non verbale semble jouer un rôle plus déterminant que dans d’autres disciplines, puisque l’objectif este st de faire développer chez les apprenants une compétence de communication».
h)      As linguagens não verbais, assumem por isso, uma grande relevância na medida em que contribuem para uma maior percepção do estado dos nossos interlocutores. É  bom  não olvidar que as palavras desempenham um pensamento central no desenvolvimento do pensamento e na evolução histórica     da consciência. A este propósito Vigotsky salienta que «uma palavra é um microcosmos da consciência humana« (1996:60)
i)        A postura física de uma pessoa ecoa noutra com ma frequência espantosa. A forma como nos posicionamos transmite aos outros o nosso interesse em estabelecer contacto e em saber ou não o que eles têm para dizer. Por vezes, as posturas que tomamos são bastante relevantes, ao ponto de levar o interlocutor a afastar-se de nós, pelo simples facto de estarmos a dizer uma coisa por meio de palavras e deixar transparecer outra pela linguagem gestual (cf…) 
j)      Piaget não tem razão quando descreve as fases do desenvolvimento (Ferrão Tavares…)
l)      Vigotsky refere que a televisão contribui para o desenvolvimento da zona potencial de aprendizagem (Ferrão Tavares...) 

Ou os problemas seguintes nas apresentações

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Ver outros exemplos com estudos de eye tracking  aqui

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

VI SIMELP SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA

Vai realizar-se na Escola Superior de Educação de Santarém  o VI  SIMELP  (SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA)

Escola Superior de Educação Instituto Politécnico de Santarém 24-28 de outubro de 2017

Chamada de artigos para o  SIMPÓSIO 30 – LITERACIAS ACADÉMICAS MULTIMODAIS  
http://simelp.ese.ipsantarem.pt/simposio-30/

Resumo do Simpósio

LITERACIAS ACADÉMICAS MULTIMODAIS


Coordenadora:
Clara Ferrão Tavares | Instituto Politécnico de Santarém GERFLINT (Groupe d’études et de recherches pour le français langue internationale) | ferrao.clara@gmail.com

Resumo:
A multimodalidade é uma das características da ação e da comunicação sobre a ação e na ação. Pensamos e falamos com o corpo. O gesto precede a verbalização e, quando nos «falta» um vocábulo, as nossas mãos e o nosso corpo «vão à sua procura», na memória, através de gestos de natureza ilustrativa e metafórica, sem que, frequentemente, tenhamos consciência desse processo multimodal. A diversidade de modos de processar a informação e comunicar, nos nossos dias, implica uma complexificação desse processo.
As tarefas de comunicação académicas e profissionais que implicam a interação dos indivíduos com as tecnologias geram efeitos neurológicos, cognitivos, afectivos, relacionais, empáticos… que, nem sempre, estarão a ser equacionados na formação de professores e outros profissionais da comunicação. As alterações no tempo e no espaço que se estão a produzir modificam as condições de enunciação dos discursos multimodais que se desenrolam, frequentemente em simultâneo, sob forma contraída e deslocalizada, sem que a Escola se tenha adaptado a essas mudanças e antecipado os efeitos por elas produzidos, também de natureza multimodal, nos novos públicos.
Com efeito, o termo «multimodalidade», aparece raramente em programas de unidades curriculares do ensino superior. No entanto, os estudantes devem adquirir «competências que lhes permitam comunicar informação, ideias, problemas e soluções, tanto a públicos constituídos por especialistas como por não especialistas» (Decreto-Lei 74/2006) ou, por outras palavras, desenvolver uma literacia multimodal. Em situações de defesa ou de apresentação pública de trabalhos académicos, nem sempre há sinais evidentes de que os estudantes tenham desenvolvido suficientemente essas competências. Além disso, nas situações de procura de emprego, os estudantes revelam dificuldades na adoção de formatos multimodais exigidos pelos empregadores.
Neste Simpósio, procurar-se-á responder às questões seguintes:
  • em que consiste a multimodalidade?
  • quais as marcas de multimodalidade nos discursos académicos?
  • como desenvolver a literacia multimodal dos estudantes do ensino superior?
Convidamos os interessados a submeter, até ao dia 15 de novembro de 2016, propostas de trabalhos, na modalidade de comunicação oral ou de poster. As normas vão estar disponíveis no site do Simpósio.


terça-feira, 23 de junho de 2015

As línguas nas outras disciplinas curriculares.

As línguas nas outras disciplinas curriculares. As línguas nas práticas académicas
Texto de preparação para eventual seminário

As línguas são disciplinas que atravessam todas as disciplinas e, por isso, explicam muitas vezes o insucesso nestas. Apesar de se considerar que «todos os professores são professores de língua materna», por um lado, nem todos os professores querem intervir quando se fala da competência comunicativa dos alunos/ estudantes, por outro, nem todos os professores sabem intervir, mesmo os professores de língua materna, quando se trata de outros domínios disciplinares. Ora a dificuldade nem sempre está na especificidade das outras matérias, residindo, muitas vezes, na incapacidade de mobilizar as operações cognitivas  adequadas e de as verbalizar. Estudos conduzidos por equipas pluridisciplinares do Conselho da Europa têm levado à publicação de referenciais que podem ser adotados na formação de professores, nomeadamente documentos integrados na rubrica Langue(s) des autres matières da  Plataforma


Plateforme de ressources et de références
pour l’éducation plurilingue et interculturelle

http://www.coe.int/t/dg4/linguistic/langeduc/BoxD2-OtherSub_fr.asp#s1
O Relatório de 2012 do EU HIGH LEVEL GROUP OF EXPERTS ON LITERACYdesenvolve um conceito que  pressupõe  uma competência plurilingue e pluricultural: o conceito de literacia multimodal 

Neste Relatório defende-se  a necessidade de desenvolver   nos alunos/estudantes e sobretudo professores  uma «MULTIPLE LITERACY» que é definida como:
Multiple literacy: the ability to use reading and writing skills in order to produce, understand, interpret and critically evaluate multimodal texts».
Neste relatório é apresentada a seguinte sugestão «MAKE EVERY TEACHER A TEACHER OF LITERACY».

Em todos os ciclos do  Ensino Superior é, assim, necessário desenvolver a literacia multimodal, mas é  nos outros ciclos que as competências subjacentes à literacia multimodal devem começar a ser desenvolvidas, na linha do que é ainda referido no Relatório que teve como relator Roberto Carneiro:
«Mainstreaming reading literacy across the curriculum, addressing reading aspects in the subject curricula throughout secondary education, whether in academic or vocational routes. Curricula need to integrate more reading and comprehension aspects in other subject areas besides the national language, such as mathematics, science and technology».
Passando ao contexto Português e interrogando-nos sobre a competência comunicativa dos alunos espelhada (parcialmente, claro!)  nos resultados dos exames, não nos surpreende que muitas dificuldades estejam nas «línguas nas outras matérias».


ENSINO BÁSICO E ENSINO SECUNDÁRIO
   Nas  Provas Finais — 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico, Relatório Nacional: 2010-2014, do Iave 2015 (http://iave.pt/np4/file/182/Relat_EB_2015_LV.pdf),  pode ler-se:
«As dificuldades significativas verificadas na resolução de problemas e nas situações que implicam comunicação e raciocínio matemáticos requerem a resolução sistemática de problemas que impliquem a identificação da informação relevante IAVE — Relatório Nacional do 2.º e 3.º CEB — 2010/2014 55/58 (leitura e interpretação do enunciado), a utilização de contextos e de estratégias diversificadas, a verificação dos resultados alcançados e a discussão das estratégias utilizadas e dos resultados obtidos».

Já em 2012, as Conclusões do Relatório do Gave PROVAS FINAIS DE CICLO E EXAMES FINAIS NACIONAIS 2012 apontavam para dificuldades do mesmo tipo:
http://iave.pt/np4/file/111/RelExames_2012_23jul.pdf
«Podemos, pois, concluir que se deve continuar a insistir na necessidade de assegurar a melhoria de desempenho ao nível dos processos de leitura e de escrita. As fragilidades, a este nível, são recorrentemente diagnosticadas na análise dos resultados da generalidade das disciplinas, sobretudo na de Português, mas com igual relevo nas áreas da Matemática, das Ciências Naturais e das Ciências Sociais e Humanas, em qualquer dos níveis de ensino em causa. A dimensão da leitura reflete-se na capacidade para entender os enunciados e os suportes que constituem cada prova (o que implica desde logo a plena compreensão do significado dos verbos de comando dos itens)5 . Quando a qualidade da leitura apresenta fragilidades, esta reflete-se também na qualidade das repostas a qualquer dos tipos de itens (seja nos de resposta de seleção, seja nos de resposta construída), tendo consequências nos resultados finais alcançados.                                                            4    Os resultados de vários anos de aplicação de Provas de Aferição e, mais recentemente, dos Testes Intermédios do 2.º ano de escolaridade (2011 e 2012) nas disciplinas de Português e de Matemática confirmam esta evidência. 5 Ser capaz de fazer a distinção entre o que se exige de uma resposta cujos verbos de comando sejam «refere», «identifica», descreve», «carateriza» e de outras em que o comando seja «explica», «relaciona», «demonstra» é condição essencial para não ver limitada a oportunidade de apresentar respostas cuja classificação evidencie um bom desempenho. As dificuldades ao nível da leitura, quando no plano concreto da leitura inferencial, condicionam ainda a utilização adequada da informação contida nos suportes que acompanham muitos dos itens da generalidade das provas - como textos, tabelas, gráficos, mapas, entre outros. Já no que se refere à produção escrita, as dificuldades evidenciadas na redação de um texto bem estruturado e coerente, quer no plano formal quer no plano do conteúdo (onde não se devem ignorar fragilidades genéricas no que se refere ao uso de terminologia específica de cada disciplina), refletem-se, em particular, em piores desempenhos nos itens de resposta construída extensa, cujo peso relativo na distribuição da cotação de muitas provas é significativo. Em contextos disciplinares mais específicos, para além das capacidades e limitações no uso das ferramentas linguísticas atrás elencadas, os resultados continuam a mostrar que, em termos médios, são persistentes as dificuldades em várias vertentes, de que se destacam as capacidades para: · estabelecer adequadamente conexões entre os vários tópicos de uma mesma disciplina; · desenhar estratégias de resposta que impliquem duas ou mais etapas na sua construção; · explicitar relações causa-efeito; · desenvolver raciocínios lógico-dedutivos, bem como raciocínios demonstrativos; · resolver problemas». P.136-137

ENSINO SUPERIOR
No Ensino Superior, o Decreto-Lei 74/2006 (alterado e republicado em 7 de agosto de 2013) define as competências que os estudantes dos três ciclos devem revelar no final do seu percurso,  prendendo-se algumas destas competências com o domínio das línguas nas outras matérias ou, por outros termos com a competência plurilingue e pluricultural dos estudantes.
Assim , no que diz respeito a Licenciatura, artigo 5, os estudantes devem revelar:
d) Capacidade de recolher, selecionar e interpretar a informação relevante, particularmente na sua área de formação, que os habilite a fundamentarem as soluções que preconizam e os juízos que emitem, incluindo na análise os aspetos sociais, científicos e éticos relevantes;
 e) Competências que lhes permitam comunicar informa- ção, ideias, problemas e soluções, tanto a públicos constituídos por especialistas como por não especialistas;
No que diz respeito a Mestrado, artigo 15, os estudantes devem revelar:
c) Capacidade para integrar conhecimentos, lidar com questões complexas, desenvolver soluções ou emitir juízos em situações de informação limitada ou incompleta, incluindo reflexões sobre as implicações e responsabilidades éticas e sociais que resultem dessas soluções e desses juízos ou os condicionem; d) Ser capazes de comunicar as suas conclusões, e os conhecimentos e raciocínios a elas subjacentes, quer a especialistas, quer a não especialistas, de uma forma clara e sem ambiguidades;
No que diz respeito a Doutoramento, artigo 28, os estudantes devem revelar:
d) Ter realizado um conjunto significativo de trabalhos de investigação original que tenha contribuído para o alargamento das fronteiras do conhecimento, parte do qual mereça a divulgação nacional ou internacional em publicações com comité de seleção;
 e) Ser capazes de analisar criticamente, avaliar e sintetizar ideias novas e complexas;
 f) Ser capazes de comunicar com os seus pares, a restante comunidade académica e a sociedade em geral sobre a área em que são especializados».


Ora, basta assistir a defesas públicas ou a apresentação de investigações em colóquios para nos apercebermos das dificuldades sentidas pelos estudantes  e  mesmo por muitos professores.
Os estudantes revelam, muitas vezes, dificuldades ao nível da conceção de tipo de trabalho de escrita académica, da estrutura da mesma,  confundem «o demonstrativo e o interessante» (cf Porcher), utilizando marcas de modalização apreciativa logo no início de teses, dissertações ou relatórios («eu acho, evidentemente… «e se já sabia a resposta não precisava de investigar!». Essas marcas são, ainda, mais frequentes  na elaboração de relatórios que se revelam «muito gratificantes«, correspondendo a «experiências» no terreno que os estudantes consideraram «muito inovadoras» e «muito motivadoras»! Os «enquadramentos teóricos», são frequentemente  parágrafos inteiros sobre generalidades e banalidades, com colagens,  transcrições descontextualizadas no tempo (Vigotsky, por exemplo legitima com frequência  o uso dos computadores, embora se compreenda que estes têm «potencialidades» para o desenvolvimento da criança ou até do adulto, como outros dispositivos no futuro!). Em outros casos, os estudantes  fazem dizer aos autores o que eles nunca teriam dito. Até pelo uso dos conectores que são utilizados e pela ausência generalizada de introdutores de citação. Introdutores de capítulo, referências ao já dito, anafóricos… não são necessário porque… pertencem a ficheiros diferentes! Pelo mesmo motivo, os conceitos que deveriam surgir no enquadramento teórico para serem retomados nas categorias de análise e nas conclusões ficam a «dormir» no 1º capítulo do enquadramento!  Ou então cola-se o mesmo parágrafo em várias secções. Como se lê no ecrã e se enviam os textos cada vez mais por via digital aos membros dos júris… ! Para as apresentações orais , podem ler-se comentários em outro post. 

Com dezenas ou centenas de mestrado, que fazem   os orientadores? Começam a surgir seminários de escrita académica integrados ou não nas formações (Nos países anglófonos e francófonos já existem há muito tempo!). 


Nunca falei da minha experiência de Perita da A3ES no blogue, mas creio que poderei dizer que, nas recomendações, insisto para a inclusão de conteúdos, nas UC ou em UC - Seminário específico,  que desenvolvam as competências dos artigos referidos do  Decreto-Lei 74/2006.  Também posso referir que aconselho como bibliografia  os trabalhos do Conselho da Europa  para as «Línguas nas outras Matérias» (Língua em História, Língua em Matemática, Língua em CiênciasNaturais, Língua em Literatura).  Muitos  CE de 2º Ciclo combinam, no perfil de docente, o Português, com o Inglês, com a História e Geografia, com as Ciências e a Matemática…

Os estudantes de Bolonha têm de comunicar para encontrar trabalho! Os professores sempre foram comunicadores! 
A situação exige formação dos professores! Há muitos anos adotei a videoformação, metodologia de formação que combinei com diferentes tecnologias. Adotei formatos contraídos para apresentações multimodais. Segundo os jornais da semana passada, foi apresentada uma tese em 7 minutos (Pechakucha) ! Um acontecimento jornalístico! Os meus alunos já o fizeram há alguns anos, numa fase intermédia. Na fase final? O tempo também é necessário para a organização e comunicação do pensamento! 
Em alguns casos, as hiperligações não funcionam, daí a explicitação do endereço!



terça-feira, 1 de abril de 2014

Ir à escola para aprender a ler, escrever e googlar

Ir à escola para aprender a ler, escrever e googlar é o título da peça assinada por  João Pedro Pereira, Maria João Lopes, Samuel Silva e  publicada  no P 2  A Escola num  Ecrã, suplemento do jornal Público, do dia 30 de março de 2014.

Mais uma vez o Público interessa-se pelas «zonas de proximidade entre a Escola e os média» tema sobre o qual me tenho debruçado durante muitos dias da minha vida. Tema com actualidade conjuntural, educacional, social (e política)!  
Não posso, no entanto,  deixar de constatar a falta de memória do Ministério da Educação. E como fui paga pelo Ministério da Educação para, integrada numa equipa,  construir um modelo de formação e dinamizar formação de professores, no sentido de estes utilizarem as tecnologias para  levarem os alunos a aprender a ler e a escrever  ou para aprender «googlando», para parafrasear o título da peça, pretendo  contribuir com este post  (e intencionalmente escrito sob a forma de post a enviar por email  também ao ME , à Fundação Gulbenkian e à  direção do jornal Público)  para um melhor conhecimento do «património» do Ministério da Educação.
«Será que existem conteúdos que cobrem todas as áreas e níveis de ensino?» questiona o responsável pelos Recursos e Tecnologias Educativas da Direção- Geral da Educação, José Moura Carvalho, na referida peça.
«Já não houve dinheiro para fazer mais formação» (no Plano Tecnológico da Educação), refere o mesmo responsável.
E aqui permito-me responder que há conteúdos  e houve formação (pelo menos em Português, embora não no PNE)  e, como o Português está nas outras matérias, nomeadamente quando se recorre às tecnologias, como sublinham estudos internacionais e como revelam análises de provas de exame do ME,  a resposta é, por isso, afirmativa.   

Houve um programa que  foi criado pelo Despacho nº 546/2007. Tratou-se e trata-se do PNEP (porque ainda há professores «pnepianos», como eles próprios se designavam e designam, que estão nas escolas). No âmbito do ponto 15 deste Despacho,  pode ler-se que o Ministério assegurava: «A manutenção de um sítio na Internet para disponibilização de conteúdos produzidos no âmbito do Programa, em articulação com a Comissão Nacional de Coordenação e Acompanhamento» (CNA). No ponto 18, competia à CNA «e) construir e divulgar brochuras, em suporte de papel e on line que funcion(assem) como como organizadores de formação para os domínios necessários à implementação do Programa;», e ainda (neste âmbito das tecnologias) «i) desenvolver e alimentar uma plataforma de comunicação(…) j)construir e divulgar materiais didácticos, em suporte papel e on line…».
Pelo mesmo despacho, fui nomeada para  integrar a CNA do PNEP  e, dada alguma experiência em dispositivos de blearning associados à formação em Didática das Línguas- Culturas, passei a ser  (juntamente com Luís Filipe Barbeiro) responsável, no PNEP, pela formação no domínio das tecnologias.  

A CNA foi coordenada por Inês Sim-Sim, Professora Coordenadora do Instituto Politécnico de Lisboa. Como se pode ler  na sua obra Desenvolvimento Profissional no ensino da língua. Contribuições do Programa Nacional do Ensino do Português, obra publicada em 2012 pelas Edições Colibri/Instituto Politécnico de  Lisboa (e, claro nos Relatóros do PNEP entregues no ME), este programa abrangeu 8333 professores do 1º Ciclo, sendo que 468 se tornaram «formadores residentes» (bolsa de formadores nos agrupamentos) (p. 37).  Formadores e formando dinamizaram os agrupamentos, tendo o PNEP produzido efeitos no pré-escolar e no 2º Ciclos. Em 2009 - 2010, terminou oficialmente o programa.

Do programa  do PNEP constava o conteúdo seguinte: «(iv) A utilização do computador como recurso de aprendizagem da língua por adultos e por crianças, contemplando as seguintes dimensões: dispositivos tecnológicos e comunicativos (páginas pedagógicas, blogues, enciclopédias,…) Arquitectura do hipertexto (processos de coerência discursiva) e operações cognitivas. Usos dos suportes e linguagens pelas crianças e aprendizagens colaterais. Exploração dos recursos da rede. Produção de materiais em formato electrónico» (Sim -Sim:  23).

Passando aos produtos ou às marcas visíveis deste programa,
A  primeira marca é  a brochura publicada pelo ME, Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, em  2011 . As implicações das TIC no Ensino da Língua, já depois do encerramento do programa. A brochura, sob formato provisório, ficou acessível on line em  2007-2008.  
Autores
Clara Ferrão Tavares e Luís Filipe Barbeiro
A brochura está disponível num site  descontinuado  da DGIDC (e portanto desqualificada, como todas as outras e o próprio Programa) do Ministério da Educação. No  ME está no «Histórico» em «Outros projetos».

Nela podem ler-se as seguintes palavras do  Director-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, em 2011, Fernando Egídio Reis:
«As Implicações das TIC no Ensino da Língua apresenta as questões fundamentais relativas à implicação das tecnologias na comunicação e na aprendizagem, no ensino da leitura e no ensino da escrita.
Para além de propor uma reflexão sobre a forma de potenciar o uso das tecnologias de informação e comunicação no 1.o ciclo, a brochura apresenta actividades quetêm como objectivo a melhoria do desempenho dos alunos na comunicação, na leitura e na escrita.»


A brochura começa por justificar as tecnologias no âmbito do PNEP, podendo ler-se na introdução:

«As tecnologias estão hoje presentes no nosso quotidiano contribuindo para o desenvolvimento das sociedades. Os discursos sobre as relações entre a escola e as tecnologias são, no entanto, contraditórios. Se, por um lado, se responsabilizam as tecnologias (e os media) pela perda de hábitos de leitura e de trabalho das crianças, por outro lado, considera-se que basta equipar todas as escolas com computadores e acesso à Internet para que as crianças aprendam. Para uns, ainda, as tecnologias são uma moda e a proposta de um módulo sobre tecnologias num programa sobre ensino da língua materna desvia-se das prioridades que a Escola deve estabelecer: « ensinar a ler e escrever ». Outros, pelo contrário, deixam-se fascinar pela novidade e pelo carácter ludo-educativo de determinados jogos informáticos ou de determinadas páginas Web. E outros, finalmente, consideram inútil integrar as tecnologias na Escola já que as crianças as dominam com mais facilidade do que os pais ou os professores.
Ora, se as tecnologias colocaram a informação à disposição de todos os cidadãos, nem todos os cidadãos exploram as potencialidades das ferramentas e dos dispositivos tecnológicos. Por esse motivo, a Escola deverá mediar o processo de transformação da informação em conhecimento. Com efeito, o acesso na Escola aos computadores e à Internet pode atenuar os efeitos das diferenças de meios de acesso derivadas de factores sociais, culturais e geográficos.
Os computadores – e sobretudo a Internet – abriram a Escola a outros espaços. As crianças podem «sair da sala» e visitar bibliotecas, museus, jardins, cidades, aldeias, em Portugal, na Europa, no Mundo. As crianças podem, assim, ser como «Magalhães» e ir bem mais longe no seu desenvolvimento…
(…)
Pretende-se, com a brochura e a formação que esteve na sua origem responder à seguinte questão:
“ Como utilizar as tecnologias para desenvolver competências em Língua Portuguesa – nas crianças?
Para poderem desenvolver essas competências nas crianças, considera-se necessário que os professores:
·        Utilizem instrumentos de referência e materiais on-line para a planificação das suas aulas;
·        Integrem hipertextos nas actividades a propor;
·        Acompanhem as crianças nos seus processos de pesquisa, construindo itinerários de pesquisa;
·        Seleccionem sítios informáticos destinados a crianças em função de projectos pedagógicos;
·        Construam actividades pedagógicas adequadas ao desenvolvimento das cinco competências referidas no Currículo Nacional, servindo-se dos recursos disponibilizados pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
Embora esta brochura vise desenvolver nos formandos competências de natureza instrumental (a capacidade de explorar as potencialidades pedagógicas da utilização do computador), não se centra em competências e conhecimentos de natureza tecnológica; não é um módulo de informática (…)»

E depois … a brochura procura que as crianças leiam, escrevam, partilhem o que leram e o escrevam, viagem no conhecimento para adquirir mais  conhecimento…



O segundo plano em que o PNEP  teve implicações  na formação em tecnologias  foi visível  através da criação da plataforma da DGIDC  e 4 plataformas em  4 ESE  (Coimbra, Lisboa, Porto e Santarém) em 2006-2007. Essas plataformas foram geridas pelo Ministério e dinamizadas pelos membros da CNA.
Nos anos seguintes, todas as instituições de ensino superior envolvidas, os agrupamentos e as escolas acabaram por criar também plataformas.
Paralelamente os blogues, as webquest, os wiki , vídeos desenvolveram-se de forma absolutamente espantosa. Alguns artigos foram produzidos  sobre o número e qualidade dos blogues. Hoje, ainda, qualquer pesquisa num motor de pesquisa revela a relevância das ferramentas e dispositivos que os formandos aprenderam a dominar.
O «encerramento» do PNEP deu mesmo origem a campanhas de alunos e professores. Um exemplo no Facebook: Volta PNEP

A referência PNEP pode ter-se perdido em muitos casos, mas se se consultarem, hoje, actividades realizadas por  alunos e professores, as marcas do PNEP, estão lá.

 Um terceiro plano em que as marcas são visíveis pode ver-se na produção científica e nos traballhos académicos. Por exemplo,
Célia Lopes, Maria Manuel Santos, Ricardo Antunes   A criação de blogues no âmbito do
INTERNET LATENT CORPUS JOURNAL
VOL. 2 N. 2 (2012) ISSN 1647-7308



E por último,... é preciso dar a palavra às crianças:




Ou ainda

PNEPAR é...
Aprender coisas novas
Estudar a brincar
Decorar lengalengas
Melhorar a ortografia
Ler a brincar
«Pnepar» é
Aprender a rimar
Brincar com os livros
Dar asas à imaginação
Gostar de ler e escrever
Falar de forma formal
Descobrir coisas novas
Ouvir histórias
«pnepar» é 
Brincar com as palavras
Sonhar com as letras
Viajar com os livros...
Correr o Mundo...
Os Pnepianos Juniores (3º e 4ºanos)
EB1 de Tentúgal.

A articulação entre conteúdos e formatos «tradicionais» e digitais é bem visível nestes exemplos simples de quem gosta da Escola.

Houve  Planos politicamente mais visíveis, como os referidos na peça, mas já agora… Se o Ministério da Educação e a Gulbenkian estão a preparar projectos-piloto, por favor… não ignorem o que foi feito! 

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...