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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Exposição «Labirintos e memórias», na Câmara Municipal de Arganil


Está a decorrer, de 3 a 30 de abril, na Galeria Guilherme Filipe da Câmara Municipal de Arganil,  a exposição «Labirintos e memórias» de Antígona.
Parece, á primeira vista que a atividade de pintora de Antígona não tem nada a ver com a temática deste blogue de Clara Ferrão, mas há uma relação entre as duas.

Antígona nasceu em Pombeiro da Beira, ao pintar cenários, decorar poemas, representar peças de teatro, nas festas organizadas pela sua professora Maria de Lourdes Ferrão (também mãe de Clara Ferrão). Deliciou-se, no terceiro ano do liceu, nas aulas do Professor- Pintor de Arganil, António Ventura. 
Frequentou as aulas de Clara Ferrão e aprendeu conceitos de comunicação, literacia multimodal, intercompreensão,  leitura, empatia, neurociências, mestiçagem entre mundos reais e virtuais … Estudou literatura e pintura. Aluna de escola de viagens, adorou “encontrar Picasso”em Antibes, com 19 anos. Acompanhou Clara Ferrão em trabalho a Paris, a Copenhaga, ao Rio de Janeiro, a São Petersburgo…, impondo-lhe a sua vontade de visitar museus. Antígona frequentou alguns ateliês e “explicações” de pintura, mas não gosta de horários… Aproveitou a Internet para reclamar maior protagonismo e partilha. Alegre, ousada, atrevida, conversadora impõe a sua vontade a Clara Ferrão e Clara Ferrão oferece-lhe os conteúdos para as suas pinturas.

E surge esta exposição depois de uma primeira, na Galeria do Café Santa Cruz em Coimbra, em julho de 2017.
Porquê «Labirintos e memórias»?
Para Flaubert, uma folha de papel constitui um labirinto. Na folha há caminhos que se abrem e outros que se vão fechando.  Para Antígona, cada tela constitui um labirinto. Labirinto, não num sentido místico ou filosófico, como local de opressão, mas como uma construção como um ambiente de experimentação. Labirinto que constitui um convite à desorientação, implicando o recurso à memória ou memórias convocadas para encontrar resoluções. Labirinto que apresenta desafios cognitivos, com falsas pistas, com «veredas que bifurcam» (como diz Borges) com modos diferentes de «ler» ou ver a vida, com possibilidade de escolhas de formas e cores, com erros, com correções. Constitui um desafio à imaginação, uma construção lúdica, uma viagem em que o viajante sente o prazer de se perder e de encontrar, e de se encontrar. Como em todas as histórias, nomeadamente, como no mito que motivou a palavra labirinto, «as personagens» de Antígona - pintora vencem obstáculos e conseguem ultrapassar o que consideravam ser os seus limites. Os labirintos de Antígona são felizes, como as cores das telas o revelam. Antígona constrói metáforas de conceitos e propõe narrativas ancoradas no passado, nas memórias, que deixam fios para iniciar novas histórias. Memórias de viagens, de aulas, de telas, de livros, de rostos, de emoções… Antígona caracteriza-se pela capacidade de sonhar, como Ícaro, de realizar o que aparentemente é impossível, de desafiar o desconhecido, de resolver os emaranhados ou melhor os novelos que se vão desfiando nas telas: há teias que se fazem e desfazem, há espirais, há puzzles, peças que as mãos reconstroem a partir de memórias dispersas, com persistência, com desobediência em relação a princípios e regras que Clara Ferrão até pode conhecer.

Alguns momentos de encontros e reencontros com amigos.  




Será que é Antígona ou Clara Ferrão com a mania de explicar  até ao Sr. Presidente da Câmara de Arganil!   

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ir à escola para aprender a ler, escrever e googlar

Ir à escola para aprender a ler, escrever e googlar é o título da peça assinada por  João Pedro Pereira, Maria João Lopes, Samuel Silva e  publicada  no P 2  A Escola num  Ecrã, suplemento do jornal Público, do dia 30 de março de 2014.

Mais uma vez o Público interessa-se pelas «zonas de proximidade entre a Escola e os média» tema sobre o qual me tenho debruçado durante muitos dias da minha vida. Tema com actualidade conjuntural, educacional, social (e política)!  
Não posso, no entanto,  deixar de constatar a falta de memória do Ministério da Educação. E como fui paga pelo Ministério da Educação para, integrada numa equipa,  construir um modelo de formação e dinamizar formação de professores, no sentido de estes utilizarem as tecnologias para  levarem os alunos a aprender a ler e a escrever  ou para aprender «googlando», para parafrasear o título da peça, pretendo  contribuir com este post  (e intencionalmente escrito sob a forma de post a enviar por email  também ao ME , à Fundação Gulbenkian e à  direção do jornal Público)  para um melhor conhecimento do «património» do Ministério da Educação.
«Será que existem conteúdos que cobrem todas as áreas e níveis de ensino?» questiona o responsável pelos Recursos e Tecnologias Educativas da Direção- Geral da Educação, José Moura Carvalho, na referida peça.
«Já não houve dinheiro para fazer mais formação» (no Plano Tecnológico da Educação), refere o mesmo responsável.
E aqui permito-me responder que há conteúdos  e houve formação (pelo menos em Português, embora não no PNE)  e, como o Português está nas outras matérias, nomeadamente quando se recorre às tecnologias, como sublinham estudos internacionais e como revelam análises de provas de exame do ME,  a resposta é, por isso, afirmativa.   

Houve um programa que  foi criado pelo Despacho nº 546/2007. Tratou-se e trata-se do PNEP (porque ainda há professores «pnepianos», como eles próprios se designavam e designam, que estão nas escolas). No âmbito do ponto 15 deste Despacho,  pode ler-se que o Ministério assegurava: «A manutenção de um sítio na Internet para disponibilização de conteúdos produzidos no âmbito do Programa, em articulação com a Comissão Nacional de Coordenação e Acompanhamento» (CNA). No ponto 18, competia à CNA «e) construir e divulgar brochuras, em suporte de papel e on line que funcion(assem) como como organizadores de formação para os domínios necessários à implementação do Programa;», e ainda (neste âmbito das tecnologias) «i) desenvolver e alimentar uma plataforma de comunicação(…) j)construir e divulgar materiais didácticos, em suporte papel e on line…».
Pelo mesmo despacho, fui nomeada para  integrar a CNA do PNEP  e, dada alguma experiência em dispositivos de blearning associados à formação em Didática das Línguas- Culturas, passei a ser  (juntamente com Luís Filipe Barbeiro) responsável, no PNEP, pela formação no domínio das tecnologias.  

A CNA foi coordenada por Inês Sim-Sim, Professora Coordenadora do Instituto Politécnico de Lisboa. Como se pode ler  na sua obra Desenvolvimento Profissional no ensino da língua. Contribuições do Programa Nacional do Ensino do Português, obra publicada em 2012 pelas Edições Colibri/Instituto Politécnico de  Lisboa (e, claro nos Relatóros do PNEP entregues no ME), este programa abrangeu 8333 professores do 1º Ciclo, sendo que 468 se tornaram «formadores residentes» (bolsa de formadores nos agrupamentos) (p. 37).  Formadores e formando dinamizaram os agrupamentos, tendo o PNEP produzido efeitos no pré-escolar e no 2º Ciclos. Em 2009 - 2010, terminou oficialmente o programa.

Do programa  do PNEP constava o conteúdo seguinte: «(iv) A utilização do computador como recurso de aprendizagem da língua por adultos e por crianças, contemplando as seguintes dimensões: dispositivos tecnológicos e comunicativos (páginas pedagógicas, blogues, enciclopédias,…) Arquitectura do hipertexto (processos de coerência discursiva) e operações cognitivas. Usos dos suportes e linguagens pelas crianças e aprendizagens colaterais. Exploração dos recursos da rede. Produção de materiais em formato electrónico» (Sim -Sim:  23).

Passando aos produtos ou às marcas visíveis deste programa,
A  primeira marca é  a brochura publicada pelo ME, Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, em  2011 . As implicações das TIC no Ensino da Língua, já depois do encerramento do programa. A brochura, sob formato provisório, ficou acessível on line em  2007-2008.  
Autores
Clara Ferrão Tavares e Luís Filipe Barbeiro
A brochura está disponível num site  descontinuado  da DGIDC (e portanto desqualificada, como todas as outras e o próprio Programa) do Ministério da Educação. No  ME está no «Histórico» em «Outros projetos».

Nela podem ler-se as seguintes palavras do  Director-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, em 2011, Fernando Egídio Reis:
«As Implicações das TIC no Ensino da Língua apresenta as questões fundamentais relativas à implicação das tecnologias na comunicação e na aprendizagem, no ensino da leitura e no ensino da escrita.
Para além de propor uma reflexão sobre a forma de potenciar o uso das tecnologias de informação e comunicação no 1.o ciclo, a brochura apresenta actividades quetêm como objectivo a melhoria do desempenho dos alunos na comunicação, na leitura e na escrita.»


A brochura começa por justificar as tecnologias no âmbito do PNEP, podendo ler-se na introdução:

«As tecnologias estão hoje presentes no nosso quotidiano contribuindo para o desenvolvimento das sociedades. Os discursos sobre as relações entre a escola e as tecnologias são, no entanto, contraditórios. Se, por um lado, se responsabilizam as tecnologias (e os media) pela perda de hábitos de leitura e de trabalho das crianças, por outro lado, considera-se que basta equipar todas as escolas com computadores e acesso à Internet para que as crianças aprendam. Para uns, ainda, as tecnologias são uma moda e a proposta de um módulo sobre tecnologias num programa sobre ensino da língua materna desvia-se das prioridades que a Escola deve estabelecer: « ensinar a ler e escrever ». Outros, pelo contrário, deixam-se fascinar pela novidade e pelo carácter ludo-educativo de determinados jogos informáticos ou de determinadas páginas Web. E outros, finalmente, consideram inútil integrar as tecnologias na Escola já que as crianças as dominam com mais facilidade do que os pais ou os professores.
Ora, se as tecnologias colocaram a informação à disposição de todos os cidadãos, nem todos os cidadãos exploram as potencialidades das ferramentas e dos dispositivos tecnológicos. Por esse motivo, a Escola deverá mediar o processo de transformação da informação em conhecimento. Com efeito, o acesso na Escola aos computadores e à Internet pode atenuar os efeitos das diferenças de meios de acesso derivadas de factores sociais, culturais e geográficos.
Os computadores – e sobretudo a Internet – abriram a Escola a outros espaços. As crianças podem «sair da sala» e visitar bibliotecas, museus, jardins, cidades, aldeias, em Portugal, na Europa, no Mundo. As crianças podem, assim, ser como «Magalhães» e ir bem mais longe no seu desenvolvimento…
(…)
Pretende-se, com a brochura e a formação que esteve na sua origem responder à seguinte questão:
“ Como utilizar as tecnologias para desenvolver competências em Língua Portuguesa – nas crianças?
Para poderem desenvolver essas competências nas crianças, considera-se necessário que os professores:
·        Utilizem instrumentos de referência e materiais on-line para a planificação das suas aulas;
·        Integrem hipertextos nas actividades a propor;
·        Acompanhem as crianças nos seus processos de pesquisa, construindo itinerários de pesquisa;
·        Seleccionem sítios informáticos destinados a crianças em função de projectos pedagógicos;
·        Construam actividades pedagógicas adequadas ao desenvolvimento das cinco competências referidas no Currículo Nacional, servindo-se dos recursos disponibilizados pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
Embora esta brochura vise desenvolver nos formandos competências de natureza instrumental (a capacidade de explorar as potencialidades pedagógicas da utilização do computador), não se centra em competências e conhecimentos de natureza tecnológica; não é um módulo de informática (…)»

E depois … a brochura procura que as crianças leiam, escrevam, partilhem o que leram e o escrevam, viagem no conhecimento para adquirir mais  conhecimento…



O segundo plano em que o PNEP  teve implicações  na formação em tecnologias  foi visível  através da criação da plataforma da DGIDC  e 4 plataformas em  4 ESE  (Coimbra, Lisboa, Porto e Santarém) em 2006-2007. Essas plataformas foram geridas pelo Ministério e dinamizadas pelos membros da CNA.
Nos anos seguintes, todas as instituições de ensino superior envolvidas, os agrupamentos e as escolas acabaram por criar também plataformas.
Paralelamente os blogues, as webquest, os wiki , vídeos desenvolveram-se de forma absolutamente espantosa. Alguns artigos foram produzidos  sobre o número e qualidade dos blogues. Hoje, ainda, qualquer pesquisa num motor de pesquisa revela a relevância das ferramentas e dispositivos que os formandos aprenderam a dominar.
O «encerramento» do PNEP deu mesmo origem a campanhas de alunos e professores. Um exemplo no Facebook: Volta PNEP

A referência PNEP pode ter-se perdido em muitos casos, mas se se consultarem, hoje, actividades realizadas por  alunos e professores, as marcas do PNEP, estão lá.

 Um terceiro plano em que as marcas são visíveis pode ver-se na produção científica e nos traballhos académicos. Por exemplo,
Célia Lopes, Maria Manuel Santos, Ricardo Antunes   A criação de blogues no âmbito do
INTERNET LATENT CORPUS JOURNAL
VOL. 2 N. 2 (2012) ISSN 1647-7308



E por último,... é preciso dar a palavra às crianças:




Ou ainda

PNEPAR é...
Aprender coisas novas
Estudar a brincar
Decorar lengalengas
Melhorar a ortografia
Ler a brincar
«Pnepar» é
Aprender a rimar
Brincar com os livros
Dar asas à imaginação
Gostar de ler e escrever
Falar de forma formal
Descobrir coisas novas
Ouvir histórias
«pnepar» é 
Brincar com as palavras
Sonhar com as letras
Viajar com os livros...
Correr o Mundo...
Os Pnepianos Juniores (3º e 4ºanos)
EB1 de Tentúgal.

A articulação entre conteúdos e formatos «tradicionais» e digitais é bem visível nestes exemplos simples de quem gosta da Escola.

Houve  Planos politicamente mais visíveis, como os referidos na peça, mas já agora… Se o Ministério da Educação e a Gulbenkian estão a preparar projectos-piloto, por favor… não ignorem o que foi feito! 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Resultados de estudos internacionais- PIRLS


O Ministério da Educação é pobre e mal agradecido. E os jornais preferem ver o copo vazio. Assim fez o Público com o título «Maioria dos alunos portugueses do 4º ano não vai além do nível intermédio».


 Como se pode ler no  jornal Público «O desempenho em leitura foi avaliado pelo estudo Progress in International Reading Literacy Study (PIRLS), em que Portugal participou pela primeira vez, tendo também aqui ficado em 19.º lugar. Ambos os estudos são realizados pela International Association for the Evaluation of Educational Achievement (IEA)»(...)

«O Ministério da Educação e Ciência atribui a melhoria à “pressão por uma maior exigência por parte da sociedade civil, a introdução de uma avaliação continuada, através de provas de aferição no primeiro ciclo, e um maior controlo sobre os manuais escolares”. Em comunicado, o MEC destaca, contudo, que nos três estudos “mais de metade dos alunos portugueses não conseguem ultrapassar o nível intermédio, o segundo mais baixo em quatro níveis”.


Pois é...  Mas não ficámos assim tão mal no retrato. A Suécia, a França, a Espanha, a Áustria e a Holanda estão depois de nós. E, pelos vistos, não são só os alunos portugueses mas os de todo o Mundo.

E as crianças portuguesas fizeram um esforço notável para ter melhores resultados nos testes internacionais .

E fizemos progressos. E a quem se devem estes progressos? Não não é «à pressão da  sociedade civil», nem «ao controlo dos manuais escolares»...  Mas  aos alunos,  aos professores e talvez a programas do Ministério, não?

Lembro que, no que diz respeito ao Português, houve, no governo anterior, 3 programas. Dois  mais «fluidos» (num sentido positivo) que tinham como finalidade «incentivar a leitura» (Bibliotecas Escolares e PNL) e um outro, o PNEP,  com a finalidade de ENSINAR  A  OUVIR, FALAR, LER E ESCREVER (discursos multimodais). Foi,  aliás, já este Ministério que publicou algumas das brochuras de apoio ao Programa, por exemplo a das Implicações das TIC

Foi através da formação de professores que se procuraram mudar as  práticas pedagógicas. Felizmente muitos professores do PNEP ainda estão nas escolas. Faça-se justiça! Houve formadores e  professores que dedicaram muitas horas, muito esforço para serem melhores professores! Alguns aposentaram-se, outros nem sequer são colocados, mas há muitos que contribuem para que os resultados sejam melhores, apesar das condições serem muito piores!  Não fica mal ao Ministério reconhecer trabalho feito!





segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Internet... textos longos ou textos curtos

Depois da fase dos textos curtos, parece que estamos a chegar à fase da leitura de textos longos, graças aos tablets e smartphones. Pelo menos é o que podemos ler neste artigo «Leia este artigo mais tarde» de João Pedro Pereira. Há uns meses,  não me apercebi deste artigo. Interrogando-me sobre o que está a mudar na minha atividade de leitora... não sei se volto mais tarde aos artigos que percorro agora e aqui!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ler palavras por minuto

Espanta-me a necessidade de quantificar o que não é quantificável! Pretender que todas as criancinhas no 1º ano leiam 55 palavras por minuto (ver recentes metas do ME) assusta-me. O meu filho até talvez tivesse sido capaz, como certamente os filhos,sobrinhos, netos de quem teve tal ideia. Mas há investigação sobre leitura em Portugal!  Inês Sim-Sim, Maria João Freitas, Leopoldina Viana, por exemplo, que estiveram envolvidas no PNEP (Programa com implicações nas aprendizagens do Português -  não, não foi só o Plano Nacional de Leitura!) Não quero dizer que os autores do documento não sejam investigadores, mas... já deram aulas ou  assistiram ao que se passa nas escolas, no 1º ciclo,  hoje ?   No jornal  Público, é apresentada uma investigação de Dulce Gonçalves que põe em evidência as diferenças entre crianças na velocidade de leitura.  Já viram a pressão sobre os pais... e sobre as crianças...e então os professores! Já pensaram em enviar cronómetros para as escolas! É evidente que todas as crianças têm de aprender a ler para compreender e depressa... a minha avó e a  minha  mãe ensinaram muitas! Mas felizmente não contaram as palavras que eu lia, nem as que  os outros meninos liam!  Metas são necessárias (até já estavam  bem feitas!), há descritores de desempenho que podem ajudar como referência, mas isto é «terrorismo dos números» (Expressão de Bachelard transposta para a leitura!)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Leituras de férias e palavras bonitas ou feias

Nas férias no estrangeiro, mudo de língua-cultura.  Como nunca  estive no Perú, nas  Canárias, fui acompanhada por Mári Vargas Llosa (em Português), e li alguns livros em castelhano.  Em  Os cadernos de Don Rigoberto, encontrei esta afirmação sobre palavras: « Toda a pessoa que escreve «nuclear-se», «postura»,«visualizar»,«societal» e sobretudo «telúrico» é um filho (uma filha) da puta. Também o são os que usam palitos em público...».

Não indo tão longe na escolha dos termos (até porque já devo ter escrito «visualizar»), também não  gosto de palavras, apesar de recorrer a alguns neologismos.

 A mais repelente  é... «mais valias». Já tiveram por acaso de pagar «mais-valias»? E gostaram, onde estava a vantagem (o Estado... e todos nós coletivamente gostamos, mas nós individualmente... )? Pois é «mais-valias» é aquele imposto que, pelo facto de os nossos pais terem trabalhado muito ou nós próprios termos trabalhado muito para valorizar o nosso património,... pronto... lá temos de pagar!

Depois haveria o «implementar», o «elencar», o «gratificante», o «propiciar», as «valências»...

quarta-feira, 7 de março de 2012

PNEP- Brochura «As implicações das TIC no Ensino da Língua»

 
Acaba de ser publicada  pelo Ministério de Educação e Ciência esta brochura organizada no âmbito das atividades do PNEP. Foi começada em 2006, mas apesar de os anos terem passado, procurámos fazer algumas atualizações. Esperemos que seja útil. Trata-se de uma brochura sobre a WEB 2.0 e, por isso, tem continuidade neste blogue. Fico à espera das reações!  

Agradeço ao co-autor, Doutor Luís Barbeiro, pela  possibilidade de partilha de alguns saberes, de práticas, de emoções (mesmo a «fúria» pela demora na publicação),  aos colegas e alunos  «PNEPianos», assim como aos estudantes da ESE de Santarém, que me ajudaram a construir a «inteligência coletiva» que transportei para esta brochura. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

O «Público» e o «I» e a leitura

Tentei ler o «I»  várias vezes. Sei que recebeu prémios pelo grafismo, mas... desisti e  mantive-me fiel ao «Público» e, por vezes, ao Diário de Notícias - ou aos dois. Não tenho muito tempo. Como muitos leitores de jornais sou preguiçosa, gosto de rotinas, gosto de folhear e de encontrar o que sei que está em páginas fixas.

Não gostei do grafismo do Público hoje. Raramente vejo jornais on line, vejo  títulos no telemóvel,  gosto de ler o jornal no café. Gosto de comentar as leituras com os meus parceiros de mesa. Gosto de estar sentada sem fazer nada! Para as peças maiores, para os comentários, tenho o fim de semana! Percorro os jornais no café e releio ou leio em casa.

Por isso, não gosto deste formato híbrido do Público, não é jornal nem Revista! Felizmente ainda há o Diário de Notícias!

Espero que seja só uma reação de imigrante digital, porque se houver muitos leitores como eu... Adeus Público!

Há estudos sobre a maneira como estamos a ler jornais em papel, no computador, em tablets, recorrendo a técnicas de eye tracking, como os do Poynter Institute.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Realidade aumentada e virtu-realidade

Em 2010,  analisei com os meus  alunos de ECM o impacto da realidade aumentada na educação- não  teria podido ser antes. Agora, começam a ver-se efeitos, sobretudo na georeferenciação em cidades como Londres ou Paris.
Aqui está um exemplo no  ensino da leitura, não sei se é muito inovador pedagogicamente,  mas que os meninos se divertem  parece, pelo menos, enquanto é novidade!

terça-feira, 12 de abril de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Escrever no papel e no teclado

Baseada nas minhas leituras sobre sugestopedia e depois sobre neurociências, sempre «achei» que a escrita à mão implicaria activações diferentes de zonas do cérebro, explicação bem naïve. Até tinha uma prática bem apreciada pelos meus alunos (adoravam!!!). Fazer um «auto-prontuário» com os erros dados nos testes corrigidos, escritos várias vezes (não as cem) de forma criativa, com a representação do sentido. E, assim, em aulas com alunos da Licenciatura em Artes Plásticas(davam imensos erros ortográficos) surgiram cartazes surpreendentes!

Numa brochura do Ministério da Educação sobre as implicações das TIC na aula de Português feita no âmbito do PNEP(ainda não publicada), insurgi-me contra os professores que declaravam que os meninos ficavam motivados porque não precisavam de escrever à mão, tinha os computadores (sic.)

Vem esta reflexão a propósito de um recente estudo sobre a utilização do teclado.Este estudo de Anne Mangen e Jean-Luc Velay disponível na Internet mostra entre outras coisas (vou ler melhor) que o movimento da mão ajuda o processo de memorização.

Anne Mangen and Jean-Luc Velay (2010). Digitizing Literacy: Reflections on the Haptics of Writing, Advances in Haptics, Mehrdad Hosseini Zadeh (Ed.), ISBN: 978-953-307-093-3, InTech, Available from: http://www.intechopen.com/articles/show/title/digitizing-literacy-reflections-on-the-haptics-of-writing

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Relatório do Gave 3... e o PNEP

O Programa Nacional para o Ensino do Português
«iniciado no ano lectivo 2006/07, procurou responder ao desafio e à necessidade de melhorar o ensino da língua portuguesa no primeiro ciclo da educação básica, particularmente nos níveis de compreensão de leitura e de expressão oral e escrita». Terminou em 2009-2010. As práticas dos pnepianos  mantêm-se e evoluem, por isso o Programa não acabou, mas... 

Com este programa  pretendia-se mudar as práticas dos professores e dos alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico. Pretendia-se que os professores ensinassem os alunos a ler e a escrever- e digo ensinar porque foi esse o termo que sempre foi utilizado, fugindo-se a alguns chavões pedagógicos. Não basta, efectivamente, dar livros aos meninos e dizer-lhes que leiam ou que escrevam o que quiserem ... «já que são muito criativos»... é verdade que é um passo, mas um pequeno passo.

As crianças abrangidas por esse Programa ainda não chegaram ao fim do 9º ano. Portanto não foram ainda avaliadas. Será que estas crianças terão menos problemas de leitura e de escrita?

Acredito que sim. Pelo que vi nas Escolas e  na Internet acredito  que muito mudou e estará a mudar. Os materiais (alguns) estão disponíveis na página da DGIDC: (O ensino da leitura, o ensino da escrita, o ensino do conhecimento da língua). Outros estão disponíveis em versão impressa e outros, ainda, aguardam publicação... É o caso da brochura de que sou co-autora: Implicações das TIC na aula de Língua Portuguesa. Uma versão condensada pode ser encontrada em artigo publicado na Revista Intercompreensão.

Como tudo neste país o Programa acabou... vamos ter de aguardar alguns anos  para ver se os alunos do 9º ano têm melhores resultados nas provas intermédias.  Nas  provas de aferição parece haver melhorias. Mas, como todos sabemos, exigia-se continuidade para poder colher frutos! E avaliação!


As brochuras PNEP ficaram, os professores habituaram-se  a utilizar plataformas de ensino a distância, os blogues entraram e alguns continuam  nas Escolas, levando as crianças a sair destas. As crianças mostram  os textos que produzem a partir de leituras...

Em algumas instituições o PNEP mantém-se, apesar, da limitação de meios. Fazendo hoje uma pesquisa encontrei  o blogue de Penacova, por exemplo, outros deixaram de adoptar a sigla PNEP e, por isso, são  mais difíceis de encontrar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Revista Intercompreensão nº 16 - Literacias académicas multimodais


INTERCOMPRENSÃO 16
   A revista Intercompreensão, «clássica», tem  a partir deste número 16, uma nova vida pautada por uma edição renovada - da responsabilidade da Unidade de Investigação do Instituto Politécnico de Santarém – e pela existência de uma “publicação irmã” – Intercompreensão - REDINTER. Às mudanças institucionais que decorrem da criação de uma Unidade centrada na Investigação, acresce o interesse em alargar o âmbito e o público da revista.
Este primeiro número, desta nova série, coordenado por Clara Ferrão Tavares e Luísa Álvares Pereira,  ao centrar-se numa problemática muito actual e muito relevante do ponto de vista das transformações por que está a passar o Ensino Superior em Portugal – as Literacias Académicas Multimodais -, procura, assim, contribuir para a tematização de um campo que não tem sido objecto de grande reflexão entre nós, apesar da sua tradição em outros países.
Na realidade, quer nos Estados Unidos – Composition Studies -, quer em Inglaterra - Academic Literacies -, esta temática tem já ampla produção de conhecimentos, procurando-se em alguns países europeus dialogar com estes dois campos, no sentido de potenciar o conhecimento e contribuir, assim, para uma reflexão mais rigorosa e mais produtiva do ponto de vista da Leitura e da Escrita no Ensino Superior.
  No caso de Portugal, e tendo em conta que, com Bolonha, se reforça a autonomia do estudante, que realiza mais trabalhos académicos, a reflexão em torno das Literacias Académicas Multimodais tem emergido sobretudo motivada pela dificuldade que os professores diagnosticam nos seus estudantes em dominar a leitura e escrita de géneros académicos a que estão expostos neste contexto. Com efeito, para além dos aspectos referenciais dos géneros, estes requerem a gestão e proficiência em técnicas socioculturais, discursivas e linguísticas que os estudantes nem sempre dominam. Construir uma tese, uma monografia, um relatório, um projecto implica caracterizar, num primeiro tempo, os géneros discursivos que enformam esses tipos de trabalhos. Por estas razões se compreende que tanto se tem revelado difícil para os estudantes a aculturação a géneros académicos como também para os professores a orientação de todo este processo. Assim, a tematização em torno das Literacias Académicas tem permitido, antes de mais - mas não só - questionar a forma como podem ser interpretadas as dificuldades dos alunos na leitura e na escrita, deslocando o foco da análise para a relação com os contextos nos quais os estudantes escrevem e, logo, para a forma como estes são capazes de entrar nos universos culturais que as diferentes disciplinas exigem.
Conceber os escritos no Ensino Superior como géneros discursivos pressupõe, portanto, uma focalização nos usos reais da língua em contexto e passa por uma reflexão sobre muitos eixos temáticos que se inscrevem no universo das Literacias. As literacias académicas multimodais podem, assim, ser entendidas como práticas de cultura a que estão associadas capacidades de proceder ao tratamento de diferentes textos, de diferentes linguagens em diferentes suportes, em diferentes espaços, em condições temporais diversificadas, em diferentes situações.
Partindo destes pressupostos e das exigências em matéria de literacia académica, a prática habitual de centrar a intervenção docente no domínio de conteúdos disciplinares específicos tem-se revelado insuficiente face a dificuldades de vária ordem – derivadas não só da componente linguística (ortográfica, lexical, morfológica, sintáctica…), mas, sobretudo, da competência referencial em articulação com a área de especialidade em que os estudantes se situam e das competências discursiva e pragmática (em relação com o contexto e com a cultura académica), entendidas numa dimensão plurisemiótica. Do que foi dito se constata a necessidade evidente de um ensino mais sistemático da especificidade linguística e discursiva dos géneros – como também o questionamento dos moldes em que este ensino pode ser feito e em que instâncias das instituições de Ensino Superior.
   No contexto Português, e em virtude do aumento de cursos de pós-graduação (Mestrados e Doutoramentos), esta temática tem sido contemplada em muitos Seminários e outros Cursos.
    Neste sentido, importa, por um lado, partilhar e divulgar os estudos e as práticas que têm sido mobilizados, no sentido de descrever as dificuldades dos estudantes e de identificar tanto os pontos críticos como a forma positiva de os analisar. Assim, serão bem recebidos artigos que contemplem uma problematização e/ou estudos empíricos sobre:
·        As diferenças entre as práticas de escrita dos alunos e as exigências da escrita académica;
·         A descrição de géneros discursivos mais comuns no Ensino Superior (teses, monografias, relatórios, projectos…);
·        A análise de determinadas práticas discursivas a que os alunos são expostos (portefólios, apresentações multimédia, reflexões…);
·        As características discursivas do discurso científico (polifonia, citação de vozes de autores, construção da sua voz no interior dos textos, reformulações, resumos, paráfrases, paráfrases de esquemas…);
·        Análise de produções dos alunos, sempre enquadrada pela contextualização;
·        Outros que se revelem interessantes do ponto de vista, quer da conceptualização do campo das Literacias Académicas Multimodais, quer da emergência de metodologias de ensino e de análise dos (géneros de) textos académicos.

Prazos- Entrega de propostas- 1 de Julho de 2011
Informação  sobre aceitação de artigos- 15 de Julho de 2011

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

« A Internet está a mudar-nos o cérebro»

Andava preocupada: não ando a conseguir ler como habitualmente. Deixo livros por acabar, passo dias sem ler o mesmo livro... salto de livro em livro...retomo páginas porque já não sei se as li. É verdade que criei um blogue, entrei nas redes, tenho disciplinas on line...

Maryanne Wolf, cientista americana que estuda o cérebro, refere, segundo Clara Barata, na peça «Como a rápida Internet está a conquistar o cérebro aos vagarosos livros» , Pública do dia 31/10/10 : «A minha necessidade de velocidade, fomentada nos últimos anos pela Internet, tornava-me impossível desacelerar e concentrar-me», confessou». Clara Barata cita, também, um jornalista de tecnologia norte-americano Nicholas Carr que confessa: «A leitura aprofundada que antes me vinha naturalmente tornou-se agora numa luta».

Portanto parece que estou acompanhada. Será que o meu cérebro também está a mudar? O cérebro parece que muda efectivamente. No meu caso, não será grave, o cérebro é suficientemente adaptável, para retomar as funções da leitura aprofundada, desde que eu decida mandar o computador e o telemóvel de férias - o que faço facilmente. Mas os nativos digitais são móveis, incapazes de tomar esta atitude...e depois ... será que terão treinado o cérebro para leitura profunda? Retomando CM Wolf (citada em A Pública- jornal Público de Domingo passado) « O receio é que a rede, que traz até nós todo o conhecimento humano que pode ser posto online, esteja afinal, a transformar-nos em 'leitores superficiais»?

Mas não sejamos pessimistas. Segundo outros estudos «usar a Internet activa mais áreas do cérebro do que simplesmente ler. A Internet pode ser uma forma de exercício para a mente» (id.). Mas também pode exigir tanto exercício que esta pode cansar-se e deixar de guardar informação, levando à superficialidade na compreensão, dificuldade de concentração da atenção, dispersão...dificuldade de relação com os outros, perda da capacidade de empatia. O Professor Castro Caldas, citado no mesmo artigo, é felizmente mais optimista. Para este neurocirurgião, « a Internet é um produto do pensamento humano, adaptada ao pensamento humano» e os riscos dependem da situação.

Esta discussão leva-me a reler a brochura sobre «As implicações das TIC na aula de Língua» (em publicação DGIDC- ME) e alguns artigos feitos no âmbito do Programa Nacional para o Ensino do Português. As propostas feitas por mim e por Luís Filipe Barbeiro, há 5 ou 6 anos, sobre a necessidade de ensinar a ler no ecrã e na rede- a par do papel- parece fazerem ainda algum sentido.Até quando? Espero que a publicação da brochura não se atrase muito!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

iPad: «A Relíquia» em formato ibook

Com o novo brinquedo digital iPad do qual desconfiava muito- ainda desconfio- fui ler, ou melhor, reler, «A relíquia» de Eça de Queirós. Na estante fui buscar um livro caído no domínio público, e por isso gratuito, graças a um projecto bem intencionado: Projecto Gutenberg.

Situação experiencial: uma esplanada, uma cadeira, um café e com o iPad na mão. Comecei a ler o ibook como quem lê um livro... pude aumentar a letra para não necessitar de óculos, folheei-o. Por vezes, passava várias páginas quando só queria passar 2 ou 3, mas a barra para passarem páginas situa-se no espaço em que eu habitualmente folheio o objecto-livro. Depois ...comecei a ler e- devo dizer- sem estranhar muito o objecto iPad (a não ser a versão de «A relíquia» em causa: tradução completamente adulterada, construção frásica sem ter a ver com a do Mestre, falta de acentos...). Como não existe dicionário em Português, fiquei em dúvida sobre o sentido de algumas palavras e carreguei em «nota». Imediatamente ficou afixada, ao lado da dúvida, uma nota com a data. Gostei. Mais simples do que dobrar a folha! Mais uma dúvida, mais uma nota. E fiquei cheia de dúvidas, interrogando-me se, na minha edição- que tinha em casa- apareceriam alguns vocábulos. Como os meus dedos são de imigrante digital nem sempre carregava na nota e abria-se uma hiperligação, ida ao Google e à Wikipédia, outras vezes passava mais uma vez 2 ou 3 páginas sem querer. Falta de hábito, voltava atrás! Espantada com a versão... resolvi copiar, num ficheiro, algumas frases. Também gostei!

Segunda situação- Dois dias depois, uma esplanada, um café e a edição de «Livros do Brasil», anotada por Helena Cidade Moura. Apesar do meu filho, nativo digital, garantir que não poderia ler mais depressa... só precisei de 7 minutos, em vez de 20, para ler o mesmo número de páginas- talvez o facto se deva à versão do ibook. Também já as tinha lido... mas, mesmo assim. Tenho de confessar... Deu-me outro prazer... e vou terminar este artigo e dedicar-me , agora em casa, a procurar «a camisa de dormir da Mary». Nova «experiência» dentro de dias...

Colóquio «Educação e mobilidades: línguas, culturas,discursos e sujeitos»

Vai ter lugar na universidade de Aveiro Colóquio subordinado a este título. Organizado pela REDE PICNAB- Projeto internacional de investig...