Blogue de professora de didáctica das línguas, de análise do discurso dos média, de comunicação, de mediaculturas... com «aulas virtureais»... e alguns desabafos.
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
Eduardo Lourenço em Tomar
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Boas Festas com postal interactivo... e intercompreensão
Basta percorrer o postal com o rato...cuidado o gelo escorrega... e é um mau princípio de Ano 2012. Boas FESTAS
sábado, 15 de outubro de 2011
A lógica de comer na cozinha e... as auto-estradas…e...
Sempre embirrei com as pessoas que comiam na cozinha para poupar ou não sujar a sala…e que dizer dos que construíam uma cozinha no quintal para não sujar a casa!!!
Passando na A 13, na semana passada, fiquei a pensar no futuro das auto-estradas que temos! Pois, cruzei-me com 3 automóveis… e os automóveis habituais na auto-estrada para o Algarve?… passaram-se para a estrada antiga… E assim ficamos com as «salas» limpas! Também vou passar a não sujar a circular de Tomar…
Creio que o senhor Ministro das Finanças e o Senhor Ministro da Economia não nos conhecem…
Creio que este é um problema grave. E começa logo com a recusa de Passos Coelho em mudar-se para a residência oficial. Trata-se de uma recusa do espaço simbólico do poder… Pois… será que não estava preparado para o poder? Por mais simpático que possa ser morar em Massamá, esta atitude não é apreciada.
Sempre defendi que os professores devem ficar no espaço simbólico do poder (delimitado durante séculos pela secretária, quadro negro, substituído por quadros interactivos, com recurso por vezes ao estrado!) quando estão a explicar, dar instruções, ler em voz alta um texto. É um espaço que reforça o poder e que facilita a comunicação, pois implica que os alunos os vejam, condição necessária para prestarem atenção.
As distâncias marcam-se pela legitimidade, pelo reconhecimento dos nossos saberes, mas pequenas coisas contribuem para o seu reforço!
A questão da gravata…faz parte do ritual. Marca também ela o poder… O sr. Ministro não gosta de ser ministro? Parece! E os títulos em português fazem parte das normas sociolinguísticas (como ensinou um jornalista ao sr. Ministro da Economia, recentemente,…e não havia necessidade!).
Como podem os meninos da pré-primária ou do ensino básico aprender a utilizar a segunda pessoa do plural dos verbos (ou título mais 3ª pessoa) se, em casa, tratam os pais por tu e as senhoras professoras deixam utilizar a segunda pessoa do singular, também!
Um governante não pode fazer declarações oficiais, na praia, em fato de banho,do mesmo modo que a neta do Sr. Presidente da República não pode sentar-se, ao seu lado, na primeira fila, em comemorações oficiais… de havaianas!
O espaço, as roupas, os títulos, as formas de tratamento desempenham funções comunicativas e simbólicas, quer queiramos quer não.
Passando na A 13, na semana passada, fiquei a pensar no futuro das auto-estradas que temos! Pois, cruzei-me com 3 automóveis… e os automóveis habituais na auto-estrada para o Algarve?… passaram-se para a estrada antiga… E assim ficamos com as «salas» limpas! Também vou passar a não sujar a circular de Tomar…
Creio que o senhor Ministro das Finanças e o Senhor Ministro da Economia não nos conhecem…
Creio que este é um problema grave. E começa logo com a recusa de Passos Coelho em mudar-se para a residência oficial. Trata-se de uma recusa do espaço simbólico do poder… Pois… será que não estava preparado para o poder? Por mais simpático que possa ser morar em Massamá, esta atitude não é apreciada.
Sempre defendi que os professores devem ficar no espaço simbólico do poder (delimitado durante séculos pela secretária, quadro negro, substituído por quadros interactivos, com recurso por vezes ao estrado!) quando estão a explicar, dar instruções, ler em voz alta um texto. É um espaço que reforça o poder e que facilita a comunicação, pois implica que os alunos os vejam, condição necessária para prestarem atenção.
As distâncias marcam-se pela legitimidade, pelo reconhecimento dos nossos saberes, mas pequenas coisas contribuem para o seu reforço!
A questão da gravata…faz parte do ritual. Marca também ela o poder… O sr. Ministro não gosta de ser ministro? Parece! E os títulos em português fazem parte das normas sociolinguísticas (como ensinou um jornalista ao sr. Ministro da Economia, recentemente,…e não havia necessidade!).
Como podem os meninos da pré-primária ou do ensino básico aprender a utilizar a segunda pessoa do plural dos verbos (ou título mais 3ª pessoa) se, em casa, tratam os pais por tu e as senhoras professoras deixam utilizar a segunda pessoa do singular, também!
Um governante não pode fazer declarações oficiais, na praia, em fato de banho,do mesmo modo que a neta do Sr. Presidente da República não pode sentar-se, ao seu lado, na primeira fila, em comemorações oficiais… de havaianas!
O espaço, as roupas, os títulos, as formas de tratamento desempenham funções comunicativas e simbólicas, quer queiramos quer não.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Michel Serres et ... «Petite Poucette»
Michel Serres, comme toujours, vient de faire une analyse stimulante des changements qui sont en train de ce produire dans nos sociétés. Il y a quelques années, il parlait du citoyen du futur qui serait un «métis» de cultures, humaines, artistiques, scientifiques, technologiques... Je ne crois pas que ce citoyen soit le même que Petit Poucet et Petite Poucette qu'il vient de décrire. Hélas... (même les politiciens de la génération des 30-40 connait peu de métis! mais il ne semble pas le regretter.
Je transcris ...
«Ils sont formatés par les médias, diffusés par des adultes qui ont méticuleusement détruit leur faculté d’attention en réduisant la durée des images à sept secondes et le temps des réponses aux questions à quinze secondes, chiffres officiels ; dont le mot le plus répété est « mort » et l’image la plus reprise celle des cadavres. Dès l’âge de douze ans, ces adultes-là les forcèrent à voir plus de vingt mille meurtres...
Ils habitent donc le virtuel. Les sciences cognitives montrent que l’usage de la toile, lecture ou écriture au pouce des messages, consultation de Wikipedia ou de Facebook, n’excitent pas les mêmes neurones ni les mêmes zones corticales que l’usage du livre, de l’ardoise ou du cahier. Ils peuvent manipuler plusieurs informations à la fois. Ils ne connaissent ni n’intègrent ni ne synthétisent comme leurs ascendants».
Ils n’ont plus la même tête.»
E termina o filósofo
«Je souhaite que la vie me laisse assez de temps pour y travailler encore, en compagnie de ces Petits, auxquels j’ai voué ma vie, parce que je les ai toujours respectueusement aimés.».
Precisamos efectivamente de filósofos, de «mestiços de culturas» que nos ajudem a compreender o Mundo e as mudanças.
A tradução aparece automaticamente... vantagem das mudanças! para quem não quiser fazer o esforço de intercompreensão, mas perde-se o encanto da palavra de Michel Serres.
Je transcris ...
«Ils sont formatés par les médias, diffusés par des adultes qui ont méticuleusement détruit leur faculté d’attention en réduisant la durée des images à sept secondes et le temps des réponses aux questions à quinze secondes, chiffres officiels ; dont le mot le plus répété est « mort » et l’image la plus reprise celle des cadavres. Dès l’âge de douze ans, ces adultes-là les forcèrent à voir plus de vingt mille meurtres...
Ils habitent donc le virtuel. Les sciences cognitives montrent que l’usage de la toile, lecture ou écriture au pouce des messages, consultation de Wikipedia ou de Facebook, n’excitent pas les mêmes neurones ni les mêmes zones corticales que l’usage du livre, de l’ardoise ou du cahier. Ils peuvent manipuler plusieurs informations à la fois. Ils ne connaissent ni n’intègrent ni ne synthétisent comme leurs ascendants».
Ils n’ont plus la même tête.»
E termina o filósofo
«Je souhaite que la vie me laisse assez de temps pour y travailler encore, en compagnie de ces Petits, auxquels j’ai voué ma vie, parce que je les ai toujours respectueusement aimés.».
Precisamos efectivamente de filósofos, de «mestiços de culturas» que nos ajudem a compreender o Mundo e as mudanças.
A tradução aparece automaticamente... vantagem das mudanças! para quem não quiser fazer o esforço de intercompreensão, mas perde-se o encanto da palavra de Michel Serres.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
DSK... o meu Presidente para a França e para a Europa
Sinto-me triste. Tinha tanta esperança num Presidente novo que estou desapontada. Portugal acaba de precisar dele, a Grécia... todos nós iríamos precisar dele como presidente da França!
Mas dificilmente se provará que não cometeu nenhum crime. Primeiro porque os media encontraram o que queriam e recorreram às regras mais básicas de encenação. A revelação: revelaram que estava detido em horas, minutos, depois serviram-se da cenarização: a queda dos poderosos; a esquematização: o mundo divide-se entre os bons e os maus: O FMI é o mau para muita gente... DSK estava a transformá-lo em bom (para alguns pelo menos, como se pode ler nos artigos que precederam a queda: era melhor do que a Europa)...mas representa os ricos,os poderosos, o luxo... e por isso é desejado e odiado; e vamos às regras básicas: a narrativização, o testemunho pessoal e a anedotização: um ataque de um homem com fama de sedutor... uma funcionária num hotel de luxo, negra... uma juíza, um advogado importante...e seguem-se todas as «vítimas» reais, virtuais e outras que todos os dias irão aparecer, nas vias tornadas possíveis pelo jornalismo-cidadão... blogues...e revistas de sociedade!
Que vingança!
Ainda não se sabe se é culpado ou não. Mas foi tratado em minutos como tal... a guilhotina para um francês em formato moderno: a televisão! Acho o cenário demasiado tosco. E depois, no mesmo dia da prisão, estive a ver uma das minhas séries preferidas «Lie to me»! Para convencer jurados não há nada melhor que mulheres, jovens, negras, jornalistas... a queixarem-se de homens. Não aceito a justiça lenta, que põe em liberdade um médico que confessou aproveitar-se de doente, mas não lhe bateu( por acaso grávida)! Mas também tenho dificuldade em compreender a justiça demasiado rápida... baseada, muitas vezes, em emoções ou em estereótipos (era um sedutor poderoso... daí a cair em assédios a subordinas... nada mais linear)! (Por acaso viram o filme «2 dias em Paris- deu ontem na FOX... o que surpreendia o americano... não era o lado sedutor dos franceses soixante-huitards!)
Strauss Kahn já confessou? E está a ser tão bom para a extrema-direita francesa, para o centro-direita e ... para a esquerda, não? E nos EU e no FMI também há gente satisfeita! Até já há candidatos!
Mas já deve ter perdido as eleições. Que pena! Se for culpado, estragou num momento uma carreira, os valores são fundamentais num presidente, não bastam as competências! Se não for... quem vai acreditar?
Mas dificilmente se provará que não cometeu nenhum crime. Primeiro porque os media encontraram o que queriam e recorreram às regras mais básicas de encenação. A revelação: revelaram que estava detido em horas, minutos, depois serviram-se da cenarização: a queda dos poderosos; a esquematização: o mundo divide-se entre os bons e os maus: O FMI é o mau para muita gente... DSK estava a transformá-lo em bom (para alguns pelo menos, como se pode ler nos artigos que precederam a queda: era melhor do que a Europa)...mas representa os ricos,os poderosos, o luxo... e por isso é desejado e odiado; e vamos às regras básicas: a narrativização, o testemunho pessoal e a anedotização: um ataque de um homem com fama de sedutor... uma funcionária num hotel de luxo, negra... uma juíza, um advogado importante...e seguem-se todas as «vítimas» reais, virtuais e outras que todos os dias irão aparecer, nas vias tornadas possíveis pelo jornalismo-cidadão... blogues...e revistas de sociedade!
Que vingança!
Ainda não se sabe se é culpado ou não. Mas foi tratado em minutos como tal... a guilhotina para um francês em formato moderno: a televisão! Acho o cenário demasiado tosco. E depois, no mesmo dia da prisão, estive a ver uma das minhas séries preferidas «Lie to me»! Para convencer jurados não há nada melhor que mulheres, jovens, negras, jornalistas... a queixarem-se de homens. Não aceito a justiça lenta, que põe em liberdade um médico que confessou aproveitar-se de doente, mas não lhe bateu( por acaso grávida)! Mas também tenho dificuldade em compreender a justiça demasiado rápida... baseada, muitas vezes, em emoções ou em estereótipos (era um sedutor poderoso... daí a cair em assédios a subordinas... nada mais linear)! (Por acaso viram o filme «2 dias em Paris- deu ontem na FOX... o que surpreendia o americano... não era o lado sedutor dos franceses soixante-huitards!)
Strauss Kahn já confessou? E está a ser tão bom para a extrema-direita francesa, para o centro-direita e ... para a esquerda, não? E nos EU e no FMI também há gente satisfeita! Até já há candidatos!
Mas já deve ter perdido as eleições. Que pena! Se for culpado, estragou num momento uma carreira, os valores são fundamentais num presidente, não bastam as competências! Se não for... quem vai acreditar?
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Campanha das flores e campanha da simpatia
Não sou muito de campanhas! Compro produtos portugueses, mas, de vez em quando, um estrangeiro. Imaginem o que aconteceria se todos os países fizessem o mesmo e elegessem os produtos nacionais ! E as nossas exportações!
Evito caixas sem funcionárias, compras online... porque são lugares que se suprimem, mas nas tecnologias também há empregos que se criam!
Mas acho que uma campanha de simpatia se impõe. Catarina Carvalho, no Notícias Magazine- Diário de Notícias, de 15 de Maio, refere que prefere as compras online para evitar a antipatia de funcionárias e dá exemplos de uma viagem aos Açores. Também tenho vontade de contar a minha ida ao Carnaval no Coliseu Micaelense. Para já foram - me colocados todos os obstáculos possíveis para a compra de bilhetes. As meninas não me queriam vender bilhetes. Indo do Continente só ao balcão... mas se o voo era quase à hora do baile e se os bilhetes se esgotam... Depois, sendo dois, não tivemos direito a mesa e, como tal, levar o farnel! Sim leva-se vestido comprido e smoking, mas levam-se os rissóis e os croquetes... Havendo só dois continentais ao lado das mesas familiares, seria nomal que alguém oferecesse um copinho alto de vinho- com todos os requintes... já não digo as favinhas apetitosas... Pois não, tivemos de ir buscar ao bar uma cerveja ... sem que os colegas do lado se dignassem oferecer-nos as ditas favinhas!
Mesmo assim, mereceu a pena. Dos bailes mais divertidos a que fui!
Podia dar exemplos de bom atendimento nos Açores ou de mau atendimento no continente...acontece com tanta frequência!
Ora a simpatia não se paga, não custa nada. Não custa nada cumprimentar os clientes, os empregados... Se somos tão simpáticos no facebook, por que não nas relações directas?
Sempre disse que quando entrava numa aula ficava com ar feliz... Tenho a sorte de contar pelos dedos de uma mão as vezes em que me zanguei num aula... Questões de saber ou falta de saber...tráto-as, normalmente, em tom de brincadeira (atenuadores verbais e não verbais)! Atitudes menos correctas comigo , com os outros, com os colegas ... aí sim... zango-me... até choro... mas indiferente, enjoada na profissão...! Creio que nunca o fui! E sempre barafustei com estudantes com ar enjoado!
Não custa nada um sorriso e não é só pôr : !
E já agora ...vamos às flores...
Uma figura da moda lançou uma campanha de flores... (tb no Diário de Notícias). Gosto tanto das flores em Cap Breton e Hossegor (e até rego as flores da casa que alugo!), das flores na Áustria, na Alemanha... Reconheço que os vasinhos são um bocadinho pirosos... mas são um sinal de alegria. Antigamente as estações de comboio tinham flores... hoje é melhor não passar junto ao Turismo da Praia da Rocha... por exemplo. Um mau exemplo visto ontem de quem deveria dar o exemplo!
Então... também podemos regar flores...
Enquanto ganho coragem para escrever sobre discurso político!
Evito caixas sem funcionárias, compras online... porque são lugares que se suprimem, mas nas tecnologias também há empregos que se criam!
Mas acho que uma campanha de simpatia se impõe. Catarina Carvalho, no Notícias Magazine- Diário de Notícias, de 15 de Maio, refere que prefere as compras online para evitar a antipatia de funcionárias e dá exemplos de uma viagem aos Açores. Também tenho vontade de contar a minha ida ao Carnaval no Coliseu Micaelense. Para já foram - me colocados todos os obstáculos possíveis para a compra de bilhetes. As meninas não me queriam vender bilhetes. Indo do Continente só ao balcão... mas se o voo era quase à hora do baile e se os bilhetes se esgotam... Depois, sendo dois, não tivemos direito a mesa e, como tal, levar o farnel! Sim leva-se vestido comprido e smoking, mas levam-se os rissóis e os croquetes... Havendo só dois continentais ao lado das mesas familiares, seria nomal que alguém oferecesse um copinho alto de vinho- com todos os requintes... já não digo as favinhas apetitosas... Pois não, tivemos de ir buscar ao bar uma cerveja ... sem que os colegas do lado se dignassem oferecer-nos as ditas favinhas!
Mesmo assim, mereceu a pena. Dos bailes mais divertidos a que fui!
Podia dar exemplos de bom atendimento nos Açores ou de mau atendimento no continente...acontece com tanta frequência!
Ora a simpatia não se paga, não custa nada. Não custa nada cumprimentar os clientes, os empregados... Se somos tão simpáticos no facebook, por que não nas relações directas?
Sempre disse que quando entrava numa aula ficava com ar feliz... Tenho a sorte de contar pelos dedos de uma mão as vezes em que me zanguei num aula... Questões de saber ou falta de saber...tráto-as, normalmente, em tom de brincadeira (atenuadores verbais e não verbais)! Atitudes menos correctas comigo , com os outros, com os colegas ... aí sim... zango-me... até choro... mas indiferente, enjoada na profissão...! Creio que nunca o fui! E sempre barafustei com estudantes com ar enjoado!
Não custa nada um sorriso e não é só pôr : !
E já agora ...vamos às flores...
Uma figura da moda lançou uma campanha de flores... (tb no Diário de Notícias). Gosto tanto das flores em Cap Breton e Hossegor (e até rego as flores da casa que alugo!), das flores na Áustria, na Alemanha... Reconheço que os vasinhos são um bocadinho pirosos... mas são um sinal de alegria. Antigamente as estações de comboio tinham flores... hoje é melhor não passar junto ao Turismo da Praia da Rocha... por exemplo. Um mau exemplo visto ontem de quem deveria dar o exemplo!
Então... também podemos regar flores...
Enquanto ganho coragem para escrever sobre discurso político!
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Antes e depois do 25 de Abril... a memória é curta e a ignorância atrevida!
Filha e neta de professores sou privilegiada.
Mas, não me posso esquecer de,em menina, ser acordada por pessoas que batiam à minha porta, com outros meninos nos braços, para o meu pai os ir levar ao hospital, a Arganil - só havia dois automóveis, na aldeia. Desidratados , como agora se diz, com meningites, febres altas... No dia seguinte, tocavam os sinos e eu ficava encolhida e triste! Mais uns números para a mortalidade infantil!
Na escola, os meninos comiam sofregamente as sandes de queijo da Cáritas (que eu achava horrível), a marmelada e bebiam o leite (também da Cáritas). A minha mãe (a professora), a Sr. Dª. Arminda e o Sr. Lopes fundaram uma cantina. Mas a minha mãe geria a cantina. Vinham os cestos de couves lá de casa, as batatas, o azeite..., a minha mãe organizava festas escolares e cortejos de oferendas (e as pessoas davam o que podiam) e... assim passou a haver sopa na Cantina. Os meninos passaram a ter uma sopa com carne e feijões que devoravam. Pelo menos... comiam uma vez por dia!
Era assim o papel do Estado! E, no entanto, pagavam-se impostos.
Os meus colegas de escola, bons alunos, queriam estudar, mas não podiam ... e então a professora falava para o seminário e lá tentava encaminhar os meninos que queriam - nem todos saíam padres, mas continuavam os estudos. Com alguma conversa com o Director do Colégio de Arganil...lá conseguia encaminhar outros...
Alguns avançaram, mas foram muitos os que foram ficando pelos vários patamares.
Era assim a escolaridade «obrigatória» que o estado proporcionava!
Conheci a crise académica de 68. Vi carros com arame farpado, carros com gases...colegas presos!
Como cedo quis ir a França(no 2ºano da universidade) frequentar um curso de férias - com a ajuda dos pais e dinheiro obtido em explicações - passei meio dia na PIDE para obter um passaporte!
O meu marido entrou na Marinha, no dia a seguir ao nosso casamento. Foi mobilizado para a Guiné. Fui à Guiné visitar marido na guerra.
Era a guerra!
Só um pequeno testemunho para avivar memórias ou dar a conhecer memórias de outros tempos!
Mas, não me posso esquecer de,em menina, ser acordada por pessoas que batiam à minha porta, com outros meninos nos braços, para o meu pai os ir levar ao hospital, a Arganil - só havia dois automóveis, na aldeia. Desidratados , como agora se diz, com meningites, febres altas... No dia seguinte, tocavam os sinos e eu ficava encolhida e triste! Mais uns números para a mortalidade infantil!
Na escola, os meninos comiam sofregamente as sandes de queijo da Cáritas (que eu achava horrível), a marmelada e bebiam o leite (também da Cáritas). A minha mãe (a professora), a Sr. Dª. Arminda e o Sr. Lopes fundaram uma cantina. Mas a minha mãe geria a cantina. Vinham os cestos de couves lá de casa, as batatas, o azeite..., a minha mãe organizava festas escolares e cortejos de oferendas (e as pessoas davam o que podiam) e... assim passou a haver sopa na Cantina. Os meninos passaram a ter uma sopa com carne e feijões que devoravam. Pelo menos... comiam uma vez por dia!
Era assim o papel do Estado! E, no entanto, pagavam-se impostos.
Os meus colegas de escola, bons alunos, queriam estudar, mas não podiam ... e então a professora falava para o seminário e lá tentava encaminhar os meninos que queriam - nem todos saíam padres, mas continuavam os estudos. Com alguma conversa com o Director do Colégio de Arganil...lá conseguia encaminhar outros...
Alguns avançaram, mas foram muitos os que foram ficando pelos vários patamares.
Era assim a escolaridade «obrigatória» que o estado proporcionava!
Conheci a crise académica de 68. Vi carros com arame farpado, carros com gases...colegas presos!
Como cedo quis ir a França(no 2ºano da universidade) frequentar um curso de férias - com a ajuda dos pais e dinheiro obtido em explicações - passei meio dia na PIDE para obter um passaporte!
O meu marido entrou na Marinha, no dia a seguir ao nosso casamento. Foi mobilizado para a Guiné. Fui à Guiné visitar marido na guerra.
Era a guerra!
Só um pequeno testemunho para avivar memórias ou dar a conhecer memórias de outros tempos!
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Mega-agrupamentos, hospitais, serviços e comunicação não-verbal
Escolas grandes substituem escolas pequenas. Ecrãs de computador surgem nas aulas, nas mesas de cada aluno... Janta-se em frente à televisão. E o olhar? O olhar faz parte da estrutura da sequência interactiva. Muitas vezes não completamos uma frase sem antes termos obtido o olhar do nosso interlocutor. Começa-se a dizer: «A comunicação resulta de um processo.... » gesto ilustrativo de uma bola... e depois do olhar do interlocutor, vem a palavra «global ». O olhar integra o que Slama Cazacu designa como «sintaxe mista». Desempenha uma função reguladora da comunicação, mostra que quem nos olha nos está a ouvir, ou ainda a nossa vontade de intervir... Desempenha além disso uma função afectiva.
Com um Magalhães à frente, a criança deixa de nos ouvir, deixa de ouvir o professor, os colegas... e deixa de saber olhar e de interromper e de completar um enunciado do adulto. Nas escolas pequenas ... ainda se vai cruzando nos corredores e vai olhando... se os pais não o ensinaram desde pequenino a «não olhar para estranhos»... Também não brinca e não olha para os outros meninos, quando joga à bola, na rua, porque já não se brinca na rua.
À hora de jantar, há grande possibilidade, em muitas casas, de não se sentar à mesa, porque até come antes qualquer coisa ou ... com um tabuleiro à frente... a ver televisão.
Cresce sem ver os outros. Na faculdade tem à frente o computador, o iPod, o iPad , consulta o email, Twitta... vê distraidamente a apresentação projectada. Ignora o professor e os colegas...
Vai chegar ao mercado do trabalho e exigem-lhe competências sociais, competências comunicativas... Como vai fazer então para as adquirir?
Não adquire e isto explica talvez a maneira como se é atendido em serviços vários e até num Hospital, para falar de uma experiência recente e dolorosa.
A culpa não está nas tecnologias mas nos usos que estamos a fazer delas.
Se não podemos não comunicar (Watzawick) será que estamos a criar uma sociedade que comunica a vontade de não comunicar. Que sociedade será esta!
Com um Magalhães à frente, a criança deixa de nos ouvir, deixa de ouvir o professor, os colegas... e deixa de saber olhar e de interromper e de completar um enunciado do adulto. Nas escolas pequenas ... ainda se vai cruzando nos corredores e vai olhando... se os pais não o ensinaram desde pequenino a «não olhar para estranhos»... Também não brinca e não olha para os outros meninos, quando joga à bola, na rua, porque já não se brinca na rua.
À hora de jantar, há grande possibilidade, em muitas casas, de não se sentar à mesa, porque até come antes qualquer coisa ou ... com um tabuleiro à frente... a ver televisão.
Cresce sem ver os outros. Na faculdade tem à frente o computador, o iPod, o iPad , consulta o email, Twitta... vê distraidamente a apresentação projectada. Ignora o professor e os colegas...
Vai chegar ao mercado do trabalho e exigem-lhe competências sociais, competências comunicativas... Como vai fazer então para as adquirir?
Não adquire e isto explica talvez a maneira como se é atendido em serviços vários e até num Hospital, para falar de uma experiência recente e dolorosa.
A culpa não está nas tecnologias mas nos usos que estamos a fazer delas.
Se não podemos não comunicar (Watzawick) será que estamos a criar uma sociedade que comunica a vontade de não comunicar. Que sociedade será esta!
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