domingo, 1 de março de 2020

Décès de Robert Galisson: «Quand il est mort le poète» ...

Pour annoncer le décès de Robert Galisson, le 1er février 2020, en tant que son étudiante, j'ai cherché, dans « Des mots pour communiquer»  et dans «Dictionnaire de compréhension et de production des expressions imagées», des  expressions  moins douloureuses. Malheureusement, parmi les 13 expressions que Galisson propose, je n'en ai trouvé aucune.

Mais pendant deux jours, je n'ai laissé de chantonner «Quand il est mort le poète». Et finalement,  voilà un mot que ma mémoire m'a imposée  et qui définit, pour moi, Robert Galisson: un poète, même si j'ignore s'il a écrit des poèmes. Il savait lire ses textes comme s'il lisait  de la poèsie. En effet, il déclinait la dimension démonstrative de sa pensée didactologique dans une prose fort poétique. Et avoir eu l'occasion de l'entendre lire, sur fond de Mozart ses textes, dans un temps où il s'est laissé séduire par la suggestopédie, ou même,  dans la dernère rencontre didactique, où j'ai cru comprendre (ou plutôt craindre) que c'était la dernière fois que j'entendais sa voix, a été un énorme privilège.
     Il avait la sensibilité d'un artiste, d'un poète et il savait éveiller chez ses disciples cette envie d'être créatifs et de courir des risques. Francis Yaiche manifeste le sentiment de peine de le voir partir, parlant de la façon dont Galisson l'a incentivé à faire une thèse sur les simulations globales. Moi... quel directeur de recherche aurait accepté que je m'engage sur deux projets de thèse sur la communication non verbale? Aujourd'hui, il y a déjà des thèses dans notre domaine  qui s'intéressent à la multimodalité, mais à l'époque qui oserait s'engager sur cette «dimension» souvent «cachée» de la communication? Et bien un maître de la communication verbale, de «l'information»,  mais aussi un maître de la «relation». 

En  2002, dans le  numéro 10 de la Revue  Intercompreensão, à la suite d'un Colloque  en son hommage,  j'écrivais:

«Sa réflexion et son action sur le statut de la discipline «Didactologie des langues cultures», sa sensibilité à l'articulation entre langues-cultures, en s'interrogeant sur les différentes formes de culture qui contribuent à l'universalité de la culture des hommes, son côté militant contre toute forme d'intolérance, son acceptation de l'innovation, son enthousiasme généreux dans les relations humaines, son respect vis-à-vis  des autres, son extrème lucidité et modéstie font de Robert Galisson l'exemple du maître  que les étudiants aiment suivre. Et l'ami que l'on aime avoir».





En 2016, avec Jacques Cortès et d'autres auteurs, la revue Synergies Portugal a voulu rendre hommage à Robert Galisson. J'ai voulu montrer dans mon article ce que la formation des enseignants de français ( FLE) au Portugal  ou plutôt  des langues (D-DL-C) doit à Robert Galisson.


«Adieu Monsieur le Professeur»! On ne vous oubliera jamais puisque vos ouvrages seront dans  nos bibliographies et l'image de votre cape (comme disait Teresa Sousa qui souhaitait qu'elle vous protège) nous accompagne. À suivre une bibliographie sélective  de Robert Galisson,  destinée à la formation des   enseignants portugais (et autres).

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Publicação de Synergies Portugal 6 Interactions culturelles et transversalité : le Portugal et les francophonies

Entretida com a pintura, fui deixando, na lista de livros e revistas para ler, o número 6 de Synergies Portugal, disponível desde maio 2019,  o que é imperdoável. Primeiro, porque a criação  e a responsabilidade editorial da revista Synergies Portugal,  constituiram  enormes desafios que preencheram perto de 6 anos da minha vida, acompanhada por uma grande equipa. Ao aceitar o convite do Professor Jacques Cortès de estender a rede de revistas do GERFLINT a Portugal, tive a oportunidade  de integrar uma nova rede, reunindo colegas e amigos que me acompanharam ao longo de muitos anos, vindos de muitas áreas geográficas e disciplinares. Em segundo lugar, porque, desta rede de amigos saiu a nova responsável editorial, a professora Ana Clara Santos, tendo saído também grande parte das comissões. E até sou co-presidente a partir do número 5, uma honra! E estou  acompanhada pelo Professor Robert Galisson!
É com grande admiração e muita alegria  (que não posso deixar de sentir e exprimir) que dou os parabéns à amiga Ana Clara Santos por ter dado continuidade a um projeto meu. Muito bonito, os meus agradecimentos e os meus parabéns! Como é evidente, a mudança editorial, a partir do número 5 (eu tinha aceitado o desafio de 4 números, tendo «fechado a minha atividade» com um número em homenagem ao Professor Robert Galisson)   implicou  uma mudança «disciplinar». A  didatologia das línguas culturas, disciplina de que se reclamava a revista (mas que promovia o diálogo com outras disciplinas), passou a ser uma sub-área, alargando-se o âmbito da Revista, sem que se perdesse «la finalité suprême la défense de l’humanisme et du dialogue des langues et des cultures».  Portanto, não posso deixar de me congratular com a continuidade do projeto.      

 Parabéns, também, por este número da revista, coordenado pelas Professoras Ana Clara Santos e Cristina Robalo Cordeiro,  subordinado ao título  Interactions culturelles et transversalité : le Portugal et les francophonies. Número muito interessante que nos permite  compreender o passado das interações culturais, para se poder olhar para o futuro, mantendo a visão humanista que a nossa sociedade deveria preservar. Convido os leitores  a percorrer o caminho que nos é traçado. Terão algumas surpresas! Eu, entre outras, descobri, através do «compte-rendu» de José de Faria Costa, que a Cristina Robalo Cordeiro é autora do livro

«Fuga marroquina», publicado em 2016. Coimbra: edições Minerva »
«Fugue marrocaine», publicado em 2017.Coimbra: PMP.

Aceitei, imediatamente, o convite para a leitura. Só me falta ir à livraria.   

   


         

domingo, 17 de novembro de 2019

Escrever tese ou artigo científico: modalização ou «modalidade»


Nesta mensagem, ou melhor, neste «rascunho » ( o carácter provisório é,  aliás, uma característica da escrita em blogues) apresento reflexão que descobri nos meus ficheiros e que foi objeto de  partilha numa das minhas aulas (texto não publicado).   
A  escrita  de  artigos e comunicações é uma prática corrente no ensino superior. No entanto, nem todos os estudantes de licenciatura e mestrado revelam ter desenvolvido as competências previstas no Decreto-Lei 74/2006, nomeadamente a competência seguinte: «Ser capazes de comunicar as suas conclusões, e os conhecimentos e raciocínios a elas subjacentes, quer a especialistas, quer a não especialistas, de uma forma clara e sem ambiguidades». Esta competência transversal às diferentes disciplinas escolares e académicas implica ser capaz de realizar, entre outras, as seguintes operações cognitivas e discursivas:
      Relatar (uma experiência)
      Classificar (objetos, fenómenos, processos)
      Definir (elemento, reação, noção)
      Representar dados textuais ou materiais
      Interpretar
      Colocar em paralelo ou em oposição
      Deduzir interpretações ou conclusões a partir de dados
      Justificar
      Integrar observações
      Argumentar.
Ora, a leitura de muitos trabalhos académicos revela a utilização do termo «argumentar» no sentido  de dar uma opinião sobre um assunto sem que esta seja sustentada em argumentos sólidos, traduzindo-se em «variações» à volta de «eu acho». Destas considerações iniciais decorre a justificação para a distinção entre «interessante e demonstrativo» que figura no título e que desenvolv i em artigo publicado.

Esta distinção  é declinada num artigo de Louis Porcher, de 1985, «L’intéressant et le démonstratif : à propos du statut de la didactique des langues et des cultures», publicado na revista Études de Linguistique Appliquée nº60. Nesse artigo, L. Porcher sublinhava os perigos que correria a Didática das Línguas se enveredasse por uma via de simplificação, privilegiando a opinião, «o interessante», em vez de um discurso assente na investigação de natureza «demonstrativa». A leitura deste texto de Louis Porcher questionava-me enquanto didata- jovem investigadora, no sentido de construir um discurso demonstrativo em Didática das Línguas Culturas, mas também enquanto docente, já que uma das grandes dificuldades dos estudantes, mesmo no doutoramento, consiste no modo como se situam em relação a estes dois «tipos» de discurso veiculados por formas de modalidade diferentes. 
Esta distinção relaciona-se  com a categoria discursiva designada como modalização ou categoria de «modalidade» . Em termos pouco especializados, pode definir-se «modalização»  como a maneira como o sujeito se «aproxima» ou «distancia» dos discursos que produz e dos seus interlocutores. Para distinguir os tipos de modalidade, apoiei-me, na altura deste «rascunho», em 2014, em documento  do Ministério da Educação e Ciência, intitulado Programa e Metas para o ensino secundário. Os autores deste documento apresentam três categorias de modalidade, retomando, possivelmente, a tipologia de Culioli: «modalidade epistémica (valor de probabilidade ou de certeza), deôntica (valor de permissão ou de obrigação) e apreciativa» ( p. 28) .
Clarificando estes três tipos de modalização, para ler e escrever um discurso explicativo há necessidade de utilizar formas da modalidade epistémica. Para dar uma opinião, poder-se-á recorrer a formas de modalidade apreciativa com maior ou menor implicação do sujeito que a veicula e com diferentes graus entre a certeza e a dúvida expressa, por exemplo, pelos tempos dos verbos no indicativo ou no conjuntivo em relação com os conetores lógicos e modalizada por formas adverbiais ou adjectivais. Os regulamentos implicam muitas vezes a modalidade deôntica. Pode emitir-se uma hipótese ou dar uma certeza baseada no consenso na «comunidade científica», citando fontes ou em estudos ou opinião do sujeito que a emite, o que implica a modalidade apreciativa.  Para dar um exemplo, a autora deste artigo poderia dizer: «Louis Porcher distingue o discurso interessante do demonstrativo», situando-se, assim, numa modalidade de tipo epistémico, dado que não é ela que estabelece a distinção. Se quisesse utilizar uma modalidade apreciativa, poderia dizer «eu acho o artigo de L.Porcher  muito interessante». A autora poderia, também, afirmar, embora não devesse, dado que estaria a desvirtuar o pensamento do autor (apesar do interesse que os média lhe despertavam, Louis Porcher não teria utilizado uma modalidade deôntica) : «na sequência de Louis Porcher, devem utilizar-se os média na aula». 
Para  compreender a importância da modalidade em trabalhos académicos, recorro a cinco exemplos extraídos de «corpus»  com  enunciados extraídos de trabalhos académicos, não identificados por razões óbvias: 
a) «Neste aspeto, o caso francês é diferente do inglês. Enquanto em Inglaterra a ascendência cultural provoca o respeito desusado pela privacidade, em França produz efeitos distintos. As pessoas estão muito mais ligadas umas às outras, quer devido à densidade populacional, quer pela relação que têm com o espaço (cf. Fast, 2001)».  

Neste excerto, o estudante convocou uma  publicação de vulgarização sobre o não verbal (Fast, 2001), como autoridade para trabalho científico que estava a apresentar. Ora um trabalho de vulgarização não legitima trabalho de investigação científica, o que não quer dizer que não possa ser utilizado, mas desde que o autor o contextualize. Além disso, retoma a modalidade apreciativa do texto «fonte», baseada em grande parte no que se designa de «senso comum».

b) «Cada ser humano tem que aprender o significado do silêncio dos outros, cada professor deve «criar silêncio» para conhecer ou tentar interpretar as atitudes dos alunos (…) Torna-se, então, evidente que as linguagens não verbais, bem como a habilidade de emitir ou receber sinais não verbais, estão intimamente relacionadas com a actuação do professor e dos alunos no contexto educacional, mais especificamente dos professores de línguas uma vez que, segundo Ferrão Tavares (1991:6) «la dimension non verbale semble jouer un rôle plus déterminant que dans d’autres disciplines, puisque l’objectif est  de faire développer chez les apprenants une compétence de communication». 

Neste exemplo, o estudante começa com a modalidade deôntica, recorrendo aos verbos «ter de» e «dever» e apoiando-se no «senso comum». A seguir a modalidade apreciativa de certeza é dada pelas formas «Torna-se, então, evidente», seguido de verbo no presente do indicativo, não estando, neste caso, identificada a voz que declara a «evidência».  Mas, o estudante passa imediatamente da voz indeterminada à voz de  Ferrão Tavares, atribuindo-lhe  a responsabilidade pela afirmação que faz ao utilizar «uma vez que», descontextualizando a citação e alterando a forma de modalização adotada pela  autora que exprime a dúvida através de emprego do verbo «sembler». 

c) «As linguagens não verbais, assumem, por isso, uma grande relevância na medida em que contribuem para uma maior percepção do estado dos nossos interlocutores. É bom não olvidar que as palavras desempenham um pensamento central no desenvolvimento do pensamento e na evolução histórica   da consciência. A este propósito Vigotsky salienta que «uma palavra é um microcosmos da consciência humana» (1996:60)». 

Neste exemplo, o estudante não só expressa as modalidades apreciativa e deôntica, como convoca Vigosky, fazendo dizer ao autor, através da expressão «a este propósito», o que, possivelmente, este não diria, pelo menos do mesmo modo, referindo uma data da edição lida ou citada «em segunda ou terceira mão»  que não corresponde às datas da primeira  publicação e da vida do autor. 

d) «Na sequência de Galisson, Coste (1976), define-se a competência comunicativa como «o conhecimento de regras psicológicas, culturais e sociais que regulam a utilização da fala num contexto social». Sendo a sala se aula um contexto social, deve-se desenvolver a competência comunicativa dos alunos. Como as crianças gostam de jogos, com a nossa tese, vamos apurar como utilizar jogos para o desenvolvimento da competência comunicativa das crianças».

Neste caso, a estudante começa por utilizar a citação de forma correta, mas passa imediatamente à modalidade deôntica, para, em seguida, partir de uma conclusão de «senso comum» como justificação do projeto que vai realizar. Sendo o parágrafo constituído pelos três períodos com modalidade diferente, o estudante utiliza de forma incorreta o argumento de autoridade da citação.

e) «Os estudos de Vigotsky são muito interessantes para compreender a televisão. Vigotsky refere que a televisão contribui para o desenvolvimento da zona potencial de aprendizagem (Ferrão Tavares, 2016)».
   
Neste caso, a autora utiliza incorretamente uma modalidade apreciativa, cometendo um erro  grave ao citar a autora Ferrão Tavares que não poderia ter feito nunca esta afirmação.   Vigotsky morreu em 1934,  sendo que a televisão terá sido vista por um público muito restrito antes da década de  40. A estudante poderia possivelmente ter afirmado algo do tipo «interpretando o pensamento de Vigostky no contexto actual, a televisão poderá ter integrado a «zona próxima ou potencial de aprendizagem» das crianças». Este exemplo de descontextualização, com anacronismo em relação ao pensamento de autores citados, é frequente em trabalhos que leio, tendo selecionado, propositadamente, um exemplo de uma citação que me foi atribuída. O facto dos estudantes terem acesso  a edições ou traduções de textos recentes,  em formato digital , muito possivelmente, explica que autores do passado sejam convocados a propósito de factos recentes sem que sejam tidas em conta as  condições de produção dos enunciados citados,  nomeadamente, as dimensões temporais dos mesmos. 
Uma das explicações para que os estudantes cheguem ao superior (e saiam do superior por vezes) confundindo os planos do demonstrativo e do interessante poderá dever-se, por um lado, ao facto de programas e práticas de aula enfatizarem a  necessidade de  «dar voz aos aprendentes» ou destes construírem «apreciação crítica»,  frequentemente, sem  a necessária preparação sob o ponto de vista discursivo. A escola continua a privilegiar uma abordagem semasiológica e a fazer a preparação de trabalhos insistindo nos léxicos específicos relacionados com as diferentes disciplinas e ignora, em muitos casos, a perspetiva onomasiológica  centrada nas noções (comparação, quantificação, qualificação...) ou operações transversais às diferentes disciplinas (resumir, definir, parafrasear...). Mesmo as práticas e projetos interdisciplinares  são concebidos numa perspetiva temática, descurando, frequentemente, aspetos discursivos. Refira-se que, nas Metas do Ensino Secundário, pretendia-se, em todos os anos, que os alunos dessem opiniões, mas a categoria modalidade aparecia, como conteúdo a explicitar, na disciplina de português, no 12º ano. 
O  reconhecimento do papel das competências em  línguas no sucesso escolar e no esbatimento das assimetrias sociais tem levado a propostas de concepções transversais das línguas nas outras matérias escolares. Apesar dos novos documentos curriculares para o ensino básico e secundário apontarem  para o reconhecimento do papel das competências comunicativas (linguagens e textos, comunicação) no «perfil do aluno», é nos documentos do Conselho da Europa que as dimensões linguísticas transversais são equacionadas de forma integrada, como no Guide pour l’élaboration des curriculums et pour la formation des enseignants. Les dimensions linguistiques de toutes les matières scolaires.   Beacco, J.-C., et al. (2016).  Também neste referencial são delineadas pistas para a integração das literacias académicas na formação de professores. 
No caso dos cursos de formação de professores, como  quase todos os cursos  do ensino superior, os conteúdos de escrita académica estão praticamente ausentes de seminários de investigação. Pede-se aos estudantes que escrevam tese ou artigo sem que as características discursivas destes textos académicos tenha sido objeto de análise. 

Centrei-me, neste «bilhete»,  na categoria da modalidade, poderia centrar-me na estrutura de artigos científicos, na elaboração de resumos, na paráfrase de esquemas, na introdução de citações, explicitação de conectores lógicos ou de «performativos» discursivos que clarificam a operação cognitiva que o autor «realiza» no momento de escrita e que este  pede ao autor para  realizar também («vou definir, em seguida», «resumi», «exemplifiquei»… operações discursivas  que traduzem operações cognitivas.  Ao anunciar a estrutura de uma tese ou de um capítulo ou ao anunciar a operação cognitiva que vai realizar,  o autor leva o leitor a antecipar o sentido, facilitando o processo de compreensão. Também a questão da identificação das «vozes» que são convocadas nos textos, incluindo a escolha da voz do autor (na primeira pessoa do  singular ou no plural ou através de fórmulas de apagamento pessoal, de nominalizações, de emprego de construções passivas ou de ouras  formas de identificação dos sujeitos) constitui motivo de  dificuldade na compreensão e produção de discursos académicos, necessitando, muitas vezes, de  aprendizagem em situações formais. 
Se, na escrita, estes problemas se colocam, na situação de apresentação oral de trabalhos,  colocam-se de maneira mais evidente  problemas de natureza discursiva multimodal. 
Este assunto foi objeto de reflexão em artigos publicados. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Didática das línguas-culturas, supervisão e comunicação multimodal

Didática das línguas-culturas, supervisão e comunicação multimodal «Ver para crer» ou… ver para pensar, comunicar e agir
 Languages - cultures didactics supervision and multimodal communication. "Seeing to believe" or seeing to think, communicate and act


Acabou de ser publicado livro onde está integrado artigo (que retoma conferência proferida em Castelo Branco em Colóquio sobre «Supervisão e vida das escolas», no dia 8 de junho de 2018).  

Paixão, F, Regina Jorge, F., Silveira,P. (2019). «A escola de aprender: contributos para a sua construção». Castelo Branco: Instituto Politécnico de Castelo Branco.


 Resumo Retomando a expressão ou o provérbio «ver para crer», em subtítulo, procurarei mostrar como a investigação em didática das línguas-culturas sobre comunicação multimodal tem implicações em supervisão. Proponho uma caracterização da Didática das Línguas-Culturas, referindo o modo como esta disciplina é integradora de saberes de outras disciplinas, salientando implicações destes saberes integrados e contextualizados na formação de professores. Apresento uma definição de comunicação multimodal, apoiando-me em investigações que conduzi em contexto pedagógico e mediático. Distingo, finalmente, algumas implicações destas investigações no desenvolvimento da capacidade de «VER», competência-chave do «supervisor», recorrendo à minha experiência em programas de formação de professores com a utilização da vídeo-formação, como metodologia integrada em Didática.

 Palavras-chave: comunicação multimodal, didática das línguas-culturas, NBIC, vídeo-formação

Abstract Recovering the expression or the proverb "Seeing to Believe", presented as a subtitle, I will try to show how the research in languages and cultures didactics on multimodal communication has implications in supervision. I propose a characterisation of the Didactics of Languages-Cultures explaining how this area integrates knowledge from other disciplines, highlighting the implications of this integrated and contextualised knowledge in teachers’ training. I present a definition of multimodal communication,based on research conducted in pedagogical and media contexts. Finally I distinguish some of the implications of these investigations in the development of the capacity to «SEE», a key competence of the «supervisor», resorting to my experience in teacher training programs with the use of video-training as a methodology integrated in Didactics. Key words: multimodal communication, languages-cultures didactics, NBIC, video-training

sábado, 14 de setembro de 2019

A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»


A propósito de artigo de Daniel Bessa  no jornal «Expresso» de  hoje.

Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas... escreveu sobre professores, na sequência de Relatório da  OCDE. E eu sou Professora! Daniel Bessa também é Professor! 

Daniel Bessa está assustado com a «Escola Grisalha». Refere que a classe de professores está envelhecida (é verdade, não se podem forçar pessoas que já muito trabalharam a ficar na escola se não quiserem e  há professores novos não colocados), mas daí a dizer-se que «o envelhecimento se torna dramático. Falta motivação, falta energia. Falta criatividade. Falta inovação, tanto tecnológica como de métodos pedagógicos». Desculpe Daniel Bessa, no artigo «Escolas Grisalhas»,  mas este seu comentário é «dramático» e é um insulto para a  minha mãe que trabalhou até aos 70 anos e sempre foi inovadora, motivada, criativa; para mim (que saí  muito cedo «para dar lugar a novos» e lamento não ter tido tempo para «passar testemunho» de motivação, entusiamo e inovação;  para toda a classe de professores «grisalhos» que se encontram a trabalhar nas escolas e que tiveram verdadeira formação de professores. Que, possivelmente, só não são «motivadores, criativos, inovadores», porque a sociedade os força a utilizar manuais e a fazer fichas (até em formato eletrónico, a maior parte das vezes, do mais obsoleto possível, do ponto de vista pedagógico) para «preparar para exames do 12 º ano».   O entusiasmo com que dei a «última aula», a energia, a motivação, a inovação tanto tecnológica como pedagógica (a aula  dada na Universidade do Algarve  foi sobre virturealidade), foi a mesma com que utilizei o quadro de feltro ou o gravador de fita, na minha primeira aula do 1º ano do ciclo preparatório. Vejo a mesma atitude nos professores que foram meus estagiários e que estão nas escolas. Estão, talvez, fartos das escolas, das sucessivas mudanças (sem avaliação das mesmas), dos papéis que escrevem, das reuniões, nomeadamente das reuniões de pais... 
Estão fartos de não  terem liberdade, como eu tinha, nos  primeiros anos (depois de 1974),  de não poderem ir ao sótão das escolas buscar um manual de Português  usado (de Isabel Boléo), quando a  escola tinham escolhido um manual horrível,  de sair da minha disciplina para falar do mundo, de não terem liberdade de não cumprir o programa. Mas de levar crianças a  «sair do ninho para aprender», como dizia um dos meus mestres, Michel Serres.
Com tanta «flexibilidade», desculpem...  mas os professores perderam liberdade e, por isso, e por outras razões muitos estão cansados e indignados.
Não só os «grisalhos», interrogo-me sobre a sorte dos jovens professores que chegam às escolas e se deparam com a  organização da escola, como o medo de alunos, de crianças que nunca conheceram regras, de pais que não conhecem regras, de conselhos de turma verdadeiros tribunais com «juízes» que não conhecem os assuntos... Professores  preocupados com a consonância entre as suas correções de testes e as interpretações de pais e explicadores. Para todos só resta uma solução: fazer fichas e seguir critérios de correção das mesmas. A liberdade de professores está reduzida a isto! Caricaturo. Há escolas e professores que resistem, porque são «criativos, entusiastas, estão motivado e conhecem as inovações»!  
Não vou abordar estas outras razões. Situo-me no plano pedagógico, porque é aí que se situa Daniel Bessa. E eu tenho pena desse seu «contributo»  para a «desvalorização» de uma parte da classe dos professores.   


A educação nos programas dos partidos e a comunicação paradoxal

Paul Watzlawick investigador  em pragmática da comunicação da designada Escola de Palo Alto, caracterizava a comunicação paradoxal pela existência de num sujeito ou dois sujeitos comportamentos de double bind. Por exemplo, um  sujeito poderia dizer sim, mas o comportamento não verbal poderia contradizer a sua aprovação, ficando o seu interlocutor na situação de comunicação paradoxal. Comportamentos de double bind podem surgir quando dois progenitores dão ordens contraditórias a uma criança, ou os professores fazem o mesmo.

Só alguns exemplos de contradições perspetivadas em conjunto, com alguns comentários:

Todos os profissionais devem ser avaliados: nas escolas não.
Os professores devem ser valorizados: entrega-se a educação à sociedade civil, aos municípios, aos pais. Enche-se a escola de gente que não sabe, não quer saber, só quer que os filhos entrem em medicina, como acontece em muito boas escolas. Pais que dizem que as aulas de «8 professores de uma turma não são atrativas para os meninos, logo os professores têm culpa das faltas de atenção e indisciplina». Sociedade e pais que dizem quais os conteúdos que os alunos devem aprender! Desculpem, mas que diriam os senhores advogados, engenheiros, médicos se houvesse ingerências na sua atividade?
Os alunos devem ter manuais gratuitos novos. Mas...não há dinheiro, logo deve-se ensinar a poupar.
As propinas devem ser  baixas para todos, mas não há dinheiro e muitas bolsas  não dão para  livros, alojamento e comida para quem precisa. 
Os professores devem ser criativos, flexíveis, mas insiste-se nos manuais, fichas de atividades (papel e eletrónicos).
As neurociências mostram que as crianças foram expostas a  demasiado tempo aos ecrãs o que poderá ter efeitos a nível neurológico e motor (já têm dificuldade em segurar um lápis) e as neurociências também mostram que a cognição e a memória dependem também da mobilidade das mãos. È preciso escrever à mão para pensar.  Dar tabletes gratuitos para todos quando os computadores das escolas estão avariados? Equipem as escolas e não peçam aos alunos para fazerem trabalhos em casa que impliquem computadores!
Aposta nos manuais digitais... já viram os exercícios, sim não são atividades, dos materiais digitais?  Inovação tecnológica com conteúdos da reforma de 1907 (método direto, no ensino das línguas).
Poderia falar de «aulas invertidas», uma inovação pedagógica que vai chegar, mas...  já a adotei logo no início do Moodle e cheguei à mesma conclusão que investigações feitas em França e no Canadá têm mostrado: são boas para os bons alunos. Aliás, essa é uma das tendências apontadas por vários estudos: as inovações mal pensadas favorecem os  mais favorecidos. Sempre gostei de «maus alunos», de os ver a crescer com práticas antigas e inovações.


https://www.academia.edu/8769720/_SOS_Sinto-me_perdida_na_plataforma_._Mudar_pr%C3%A1ticas_no_Ensino_Superior_Ensino_Superior_em_Mudan%C3%A7a_Tens%C3%B5es_e_Possibilidades_._Braga_Universidade_do_Minho_251-258._ISBN-_978-972-8746-80-3
Já agora, apesar dos «cabelos grisalhos»... não me falta entusiasmo tecnológico. Tenho mais de 80 publicações sobre tecnologias. Sou, nomeadamente, autora  da brochura publicada no âmbito do Programa Nacional para o Ensino do Português do Ministério de Educação (com usos propostos para os Magalhães).
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Documentos/implicacoes_tic_pnep.pdf    

Termino com um conselho para os partidos: estudem antes de proporem! 




sexta-feira, 19 de julho de 2019

«Percursos de investigação em educação...»: 21 agregações



Para quem quiser ler a minha « lição de agregação » e mais 21 apresentadas pelos membros do centro de investigação a que pertenci aqui fica o link do livro « Percursos de Investigação em Educação no CIDTFF: um itinerário pelas lições de agregação ». Apesar de ser um texto datado ( 2000), dado que não escreveria, hoje, sobre as aprendizagens com a televisão, como abordei os discursos deste medium numa perspetiva multimodal, facilmente se podem declinar os mesmos princípios na análise dos discursos multimodais, nos media emergentes. Por exemplo, que se aprende e como se aprende com as redes sociais? Que fazemos e que fazem hoje as crianças e os jovens nos dispositivos tecnológicos e comunicacionais, hoje?Os estudos sobre a multimodalidade baseados, entre outros domínios, nas neurociências seriam desenvolvidos posteriormente. Mas já há definição embrionária nesta lição. Haveria necessidade de atualizar bibliografia, o que já aconteceu em versão publicada no Brasil, em revista  on line. Esta atualização é feita nos artigos que publiquei posteriormente e que poderão ser lidos neste blogue (a partir da pesquisa por «multimodalidade»). Ao reler, 20 anos depois, esta lição fiquei satisfeita: a perspetiva multimodal adotada na abordagem dos discursos da televisão ainda se está a desenvolver... em « outros espaços de aprendizagem », expressão que comecei a utilizar, nos anos 80 do século passado. Tanto tempo!

Esta colectânea de lições de agregação foi coordenada pela Professora Isabel Martins e significou um trabalho enorme, num tempo muito reduzido, para ser publicada no 25º  aniversário do CIDTFF. Apesar de haver agregações recentes, talvez pelo facto da minha ter sido uma das primeiras apresentadas por membros do centro, teria sido interessante acrescentar um parágrafo de contextualização e de atualização.  Também senti a mesma falta em relação a outras lições. Mas... já é um livro com quase 1000 páginas... Um enorme trabalho! Um livro pluridisciplinar e interdisciplinar que reflete a evolução e  os diferentes centros de interesse da Didática ao longo dos anos. Há, neste livro, 6 lições em línguas:

A LEITURA COMO MEIO DE DESENVOLVIMENTO LINGUÍSTICO: Implicações para uma didáctica da língua estrangeira........................ 15 Isabel Alarcão
A TELEVISÃO VISTA NA PERSPECTIVA DA DIDÁCTICA DAS LÍNGUAS E DAS CULTURAS .....................................................91 Clara Ferrão Tavares
DA COMPETÊNCIA METALINGUÍSTICA À CONSCIÊNCIA LINGUÍSTICA: conceitos e percursos em Didáctica das Línguas .................................421 Maria Helena Ançã
A INTERCOMPREENSÃO EM AÇÃO E EM CONSTRUÇÃO: dinâmicas na interação plurilingue ....................................................711 Maria Helena Araújo e Sá
A PRODUÇÃO DE TEXTOS NA ESCOLA: um Percurso para uma Didática (da Literacia) da Escrita....................795 Luísa Álvares Pereira
DO CONTACTO DE LÍNGUAS À EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE LINGUÍSTICA: que possibilidades em contexto escolar? .............................................907 Ana Isabel Andrade 


O facto de selecionar títulos  das lições de didática das línguas-culturas não impede que não se cruzem olhares com a didática das ciências, com a epistemologia, com outros temas de educação, dada a diversidade de temáticas abordadas.
Obrigada ao CIDTFF que me acolheu logo no início da sua história, aos colegas que me convidaram e tão bem me acolheram (apesar de vinda de outra instituição), durante perto de 20 anos. Obrigada à coordenadora do número, Professora e Amiga Isabel Martins, pelo convite para integrar este «encontro» de investigadores.
Tive pena de não ter estado na apresentação do livro, mas também esta sessão, animada pela coordenadora, Professora  Isabel Martins, e comentada Pela Professora Maria do Céu Roldão, está disponível on line, no fecho de sessão comemorativa dos 25 anos do CIDTFF.  Outros espaços de aprendizagem se abrem, de natureza multimodal e que implicam processos de literacia multimodal, como referia na «lição» sobre televisão.  

Ferrão Tavares, C. (2006). A escola e a televisão. in Recorte Revista de Linguagem, Cultura e Discurso. Ano 3, Número 5, Julho a Dezembro de 2006, pp. 1-31. Recorte - publicação da área de Letras da Universidade Vale do Rio Verde (UNINCOR), Brasil. http://periodicos.unincor.br/index.php/recorte/article/download/2097/1783

Nonverbal communication (space) in classroom 1

D idática das línguas-culturas, supervisão e comunicação multimodal «Ver para crer» ou… ver para pensar, comunicar e agir in Paixão, F, Regi...