quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Reformas educativas e políticas linguísticas

Vai realizar-se nos próximos dias 20 e 21 o Colóquio organizado pela APEF e APHELLE,

Reformas educativas e políticas linguísticas para o ensino das línguas estrangeiras: do século XIX ao século XXI 

Vou falar sobre  «Políticas de (Des)Educação em (e pelas) línguas-culturas – Dos referenciais europeus a práticas portuguesas»

Algumas afirmações:

As línguas são veículo de culturas
As línguas estão nas outras disciplinas
Todos os professores são professores de línguas-culturas
É com as línguas que pensamos
É pelas línguas-culturas que encontramos o outro
Das línguas- culturas  vemos os outros... e onde estamos nós?
O Mundo é plurilingue  e pluricultural
A Escola é plurilingue e pluricultural...

Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir.
.....

E, no entanto!   Tanto se tem feito e tanto se tem perdido!

Na linha do que costumo fazer, deixo algumas sugestões de leitura:
Os portugueses e as línguas - Eurobarómetro 
First European Survey on languages competences

LANGUES DANS L’EDUCATION, LANGUES POUR L’EDUCATION Plateforme de ressources et de références pour l’éducation plurilingue etinterculturelle






Agnotologia

Pois... é o estudo da construção da ignorância. Veja-se a crónica de Manuel Maria Carrilho hoje no jornal Diário de Notícias!  Fala  desta «recente disciplina criada por Robert N. Proctor, da Universidade de Stanford, para estudar a ignorância, entendida esta não como algo destinado a ser superado, mas  como algo de intencionalmente fabricado, produzido com a devotada colaboração de diversas formas de informação e de conhecimento».  Dá o exemplo de «conversa de papagaios amestrados em economês/financês».

Numa altura em que saímos bem no retrato sobre a literacia (vou comentar os resultados do Relatório que acabou de sair em outro momento), pois é...  há quem tenha problemas de iliteracia, numérica, quem desconheça como as famílias fazem contas, quem não saiba o número de alunos, quem não saiba ler a cara dos portugueses, ou não o queira fazer!  

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Ponta Delgada, Tomar, Portimão, Olhão...

Qual é a diferença entre estas cidades e outras?

Parecem países diferentes! Estive há duas semanas em Olhão e não podia ficar mais triste! O centro da cidade metia medo. Às 16 horas de um sábado, ninguém, cafés fechados, lojas fechadas, prédios lindos degradados...Ruas sujas!

Tomar, domingo 10 horas da manhã, para dar um exemplo concreto... copos de plástico movidos a vento, garrafas  nos canteiros da rua principal... Os prédios estão degradados, as lojas fechadas (há muitos meses), cartazes velhos colados dos vidros, lixo, caixotes cheios...

E , no entanto, gastou-se muito dinheiro. Até se construiu uma «fonte cibernética» numa rotunda, mas  só deve ter havido dinheiro para pagar a luz 2 ou 3 meses. Voltou a canteiro de flores. Está mais limpa!

Ponta Delgada, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo... Tudo recuperado! O que não está recuperado está em vias de recuperação. Tudo pintado, limpo, não há grafitis... os edifícios particulares e os públicos! Fez-se uma estrada boa para ligar as extremidades  da ilha, mas sem viadutos nem túneis  que escondam a paisagem (como na Madeira): Não há obras faraónicas, mas igrejas lindíssimas, escolas (espero que não sejam fechadas!), centros desportivos, piscinas adaptadas ao número de utilizadores. Nada a mais!

E a limpeza! Não há um cigarro no chão, um papel... durante as «noites de verão» ou a festa medieval há gente a varrer! E as pessoas não sujam!

Toda a gente a fazer piqueniques nos parques,  lindos...há lenha arrumadinha para fazer os churrascos! Usa-se, limpa-se... e não se deixa uma garrafa, nem um papel...

No Ilhéu de Vila  Franca só podem entrar 400 pessoas por dia! Está a lotação esgotada! Paciência, vá amanhã!

Estradas cuidadas, as flores! Os jardins! E se comparássemos com os de Portimão ou da Praia da Rocha! Por favor senhores autarcas ... vão fazer um estágio aos Açores. E já agora açorianos... alguma coisa foi estragada nos anos 70... mas têm feito um esforço ... continuem sem estragar. Já se viu o resultado dos centros comerciais! Mantenham as vossas cidades, os vossos parques e jardins  com vida, com encanto. Venham aprender ao continente o que não devem fazer. As pressões devem ser grandes, mas  têm o que só   existe em poucos lugares do Mundo: a beleza, a paz, a coerência, convergência entre os elementos naturais e artificias, as cores, os sons dos pássaros!


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Guide touristique des Azores... personnel



Pour les français qui ne connaissent que l’ anticyclone des Azores…  Des îles fantastiques … S. Miguel, Terceira, Pico, Faial  (ce sont les îles que je connais).

Je viens de visiter S. Miguel ( 4ème fois) . Ponta Delgada est probablement la ville la plus conservée (Angra  dans l’île Terceira  aussi) du Portugal, la plus propre, la plus homogène, la plus tranquille. Des églises dans tous les villages!  Du blanc et noir sur un fond vert avec des tonalités différentes! La crise elle existe bien sûr mais elle ne se voit pas! On travaille beucoup même le dimanvhe dans les champs! Tout est cultivé. Et le soir on s'amuse, des fêtes populaires, des bals classiques (Coliseu Micaelense), des bars... Le dernier bal a eu lieu le 28 juillet, domage!

De très bons restaurants : Alcides, o Gato Mia,  Yatch Club… avec des prix corrects. Des hotels modernes, classiques, traditionnels, toujours sympathiques... 






Et on sort de la ville on mange le pot au feu  «Cozido» à l’Hôtel Terra Nostra. Cuit à l'intérieur de la terre sans eau dans la casserole!


Un jardin surprenant «Terra Nostra», avec  des plantes exotiques et une piscine termale chaude (un peu jaune)  

Si vous allez en février ce sont les azalées,  après les camélias  et si vous allez entre juin et août les hortensias, pas seulement dans les jardins mais elles bordent les routes et… séparent  les propriétés privées, entre le maïs, les bananes, le blé ou les vaches… 


On peut s’imaginer dans les Alpes… mais la mer est toujours là. Des plages surprenantes avec du sable gris ou dans la cratère d’un volcan (Ilhéu de Vila Franca)…    





Il faut se laisser perdre et découvrir les églises, les maisons, les restaurants, Lagoa do Fogo, Lagoa das Sete Cidades, Lagoa, Ribeira Grande, Nordeste...





Des températures agréables, 26 degrés- 22 la nuit... La mer 22, 23 degrés... Qu'attendez-vous pour partir! Il y a très peu de touristes, très peu de Français! Et au mois d'août! Même quand il pleut il faut se dire «il y a toujours les 4 saisons dans la journée», ça passe très vite, il sufit de se déplacer quelques kilomètres! On n'a pas vu la pluie pendant les 4 jours.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Engenheiro Sócrates e Dr . Relvas

As comparações às vezes irritam-me!
O Senhor Engenheiro Sócrates que foi primeiro ministro, à data da sua nomeação, era  Engenheiro Técnico, um curso superior curto, feito no Instituto Politécnico de Coimbra, mas salvo erro com 4 anos. Cerca de 40 cadeiras. Este curso (e ele próprio)   foi reconhecido pela Ordem,  o que não acontece hoje a muitos cursos em Engenharia em funcionamento.

Teve a triste ideia de se matricular numa universidade para completar habilitações antes de Bolonha (depois... teria sido licenciado)  e foi a confusão que conhecemos... E não foi bonito!

Apesar de ser grande defensora da creditação da experiência profissional, como se pode comparar algo de incomparável?

Dr Relvas, aluno suficiente no secundário, faz tentativas de exames com resultados que se leram ontem no jornal «Público», faz  4 cadeiras,   apesar da  «longevidade» nos cargos. Não podemos falar da sua longevidade  dado que ainda é novo e ... nos cargos, não se pode falar de «longevidade», porque o termo só se aplica a pessoas, mas...   neste caso... nem sequer de longa duração...

Que competências adquiriu?

E isto numa Universidade com  bons professores, bons equipamentos, boas publicações, bons colóquios, rigor na apreciação de teses de mestrado (já estive em júris)... Como se poderá explicar isto? Como poderão os professores que conheço e que dão aulas nesta Universidade responder aos alunos?

E... as «novas oportunidades» eram más? Os exames de maiores de 23 anos também? Tenho pena dos bons alunos que tive e que beneficiaram destas medidas. Ficam envergonhados sem razão. Porque, no caso deles, tiveram a oportunidade que mereciam. Os maus ficaram pelo caminho...



Miguel Relvas ... «queirosiano» ou...

personagem de Eça! Não resisto... tenho de mostrar esta entrevista. Os professores  que teve no secundário ficaram espantados! Não se tinham dado conta de que o Dr Miguel Relvas era «queirosiano»!  Mas é queirosiano ... e muito «rigoroso... quando pega num dossier estuda-o a fundo», «vai até ao fim»!


Que tal ler «O Conde de Abranhos»? Já tinha feito esta proposta antes da constituição do Governo, mas não há tempo para ler...

Como  perguntava um professor, ontem, na televisão, como poderemos nós professores exigir rigor aos nossos alunos? O exemplo vem de cima como diz o senhor Ministro nesta entrevista!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Os portugueses e as línguas

Não é muito fácil aceitar os dados do Eurobarómetro. «Apenas 13% dos portugueses fala correctamente duas línguas estrangeiras, uma quebra de dez pontos percentuais, face à anterior avaliação, em 2006»! Portugal é  tradicionalmente um país plurilingue! As 2 línguas obrigatórias fazem parte da nossa estrutura curricular do Ensino Básico e digo bem BÁSICO desde o século XIX.   Depois   a segunda língua passou a facultativa, depois foi suprimida... No Secundário  havia uma  segunda língua obrigatória (Revisão Curricular, 1999-2001). Depois passou a opcional. ... Enfim  assistimos à morte da segunda língua  para  «diminuir o insucesso». «As línguas são elitistas», como me disseram há uns anos ... «E o melhor... é ficar pelo Inglês... sempre fica mais barato!» e «toda a gente fala inglês!», «Quando muito... faz-se uma concessão ao Castelhano, está aqui tão perto e reciclam-se professores!»

E, no entanto, não deveríamos ter seguido a Recommandation nº R (98) ?
Não subscrevemos o Livro Branco sobre a Educação e a Formação em 1995?
Pour une Europe de la Connaissance (COM 97) 563?
Politique linguistique pour une Europe multilangue et multiculturelle, 1998?
O QECR é o documento de referência, obrigatório para todos os países, não?
A Estratégia de Lisboa tinha metas para as 2 línguas, em que ponto estamos?
...
Como cidadã europeia sinto que os responsáveis políticos portugueses me envergonham  quando leio os resultados do Eurobarómetro. Como professora de línguas e de Francês sinto-me indignada!   Como mãe, tive sorte... o meu filho aprendeu Inglês, Francês e Alemão no sistema educativo! Quanto às outras... «inscrevam os filhos em centros particulares! O estado-social acabou!». Como cidadã portuguesa, que vergonha!

Jean Claude Béacco autor de documentos de poliítica linguística  do Conselho da Europa dizia recentemente que o plurilinguismo (pluriculturalismo)   sai mais barato que a guerra civil!

Por favor, Senhor Ministro da Educação de Portugal ouça o apelo dos que ficam envergonhados pela situação a que o país chegou e olhe que os professores têm poucas culpas. Há quem tenha muito mais! Se não nos quer ouvir, ouça a Comissária Europeia Androulla Vassiliou.

«Androulla Vassiliou, comissária europeia responsável pela Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude, alerta que o domínio de outras línguas é crucial pois “expande os horizontes e abre portas, aumenta a empregabilidade e, no caso das empresas, pode criar mais oportunidades no mercado único” Publico.

Nonverbal communication (space) in classroom 1

D idática das línguas-culturas, supervisão e comunicação multimodal «Ver para crer» ou… ver para pensar, comunicar e agir in Paixão, F, Regi...