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sexta-feira, 19 de julho de 2019

«Percursos de investigação em educação...»: 21 agregações



Para quem quiser ler a minha « lição de agregação » e mais 21 apresentadas pelos membros do centro de investigação a que pertenci aqui fica o link do livro « Percursos de Investigação em Educação no CIDTFF: um itinerário pelas lições de agregação ». Apesar de ser um texto datado ( 2000), dado que não escreveria, hoje, sobre as aprendizagens com a televisão, como abordei os discursos deste medium numa perspetiva multimodal, facilmente se podem declinar os mesmos princípios na análise dos discursos multimodais, nos media emergentes. Por exemplo, que se aprende e como se aprende com as redes sociais? Que fazemos e que fazem hoje as crianças e os jovens nos dispositivos tecnológicos e comunicacionais, hoje?Os estudos sobre a multimodalidade baseados, entre outros domínios, nas neurociências seriam desenvolvidos posteriormente. Mas já há definição embrionária nesta lição. Haveria necessidade de atualizar bibliografia, o que já aconteceu em versão publicada no Brasil, em revista  on line. Esta atualização é feita nos artigos que publiquei posteriormente e que poderão ser lidos neste blogue (a partir da pesquisa por «multimodalidade»). Ao reler, 20 anos depois, esta lição fiquei satisfeita: a perspetiva multimodal adotada na abordagem dos discursos da televisão ainda se está a desenvolver... em « outros espaços de aprendizagem », expressão que comecei a utilizar, nos anos 80 do século passado. Tanto tempo!

Esta colectânea de lições de agregação foi coordenada pela Professora Isabel Martins e significou um trabalho enorme, num tempo muito reduzido, para ser publicada no 25º  aniversário do CIDTFF. Apesar de haver agregações recentes, talvez pelo facto da minha ter sido uma das primeiras apresentadas por membros do centro, teria sido interessante acrescentar um parágrafo de contextualização e de atualização.  Também senti a mesma falta em relação a outras lições. Mas... já é um livro com quase 1000 páginas... Um enorme trabalho! Um livro pluridisciplinar e interdisciplinar que reflete a evolução e  os diferentes centros de interesse da Didática ao longo dos anos. Há, neste livro, 6 lições em línguas:

A LEITURA COMO MEIO DE DESENVOLVIMENTO LINGUÍSTICO: Implicações para uma didáctica da língua estrangeira........................ 15 Isabel Alarcão
A TELEVISÃO VISTA NA PERSPECTIVA DA DIDÁCTICA DAS LÍNGUAS E DAS CULTURAS .....................................................91 Clara Ferrão Tavares
DA COMPETÊNCIA METALINGUÍSTICA À CONSCIÊNCIA LINGUÍSTICA: conceitos e percursos em Didáctica das Línguas .................................421 Maria Helena Ançã
A INTERCOMPREENSÃO EM AÇÃO E EM CONSTRUÇÃO: dinâmicas na interação plurilingue ....................................................711 Maria Helena Araújo e Sá
A PRODUÇÃO DE TEXTOS NA ESCOLA: um Percurso para uma Didática (da Literacia) da Escrita....................795 Luísa Álvares Pereira
DO CONTACTO DE LÍNGUAS À EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE LINGUÍSTICA: que possibilidades em contexto escolar? .............................................907 Ana Isabel Andrade 


O facto de selecionar títulos  das lições de didática das línguas-culturas não impede que não se cruzem olhares com a didática das ciências, com a epistemologia, com outros temas de educação, dada a diversidade de temáticas abordadas.
Obrigada ao CIDTFF que me acolheu logo no início da sua história, aos colegas que me convidaram e tão bem me acolheram (apesar de vinda de outra instituição), durante perto de 20 anos. Obrigada à coordenadora do número, Professora e Amiga Isabel Martins, pelo convite para integrar este «encontro» de investigadores.
Tive pena de não ter estado na apresentação do livro, mas também esta sessão, animada pela coordenadora, Professora  Isabel Martins, e comentada Pela Professora Maria do Céu Roldão, está disponível on line, no fecho de sessão comemorativa dos 25 anos do CIDTFF.  Outros espaços de aprendizagem se abrem, de natureza multimodal e que implicam processos de literacia multimodal, como referia na «lição» sobre televisão.  

Ferrão Tavares, C. (2006). A escola e a televisão. in Recorte Revista de Linguagem, Cultura e Discurso. Ano 3, Número 5, Julho a Dezembro de 2006, pp. 1-31. Recorte - publicação da área de Letras da Universidade Vale do Rio Verde (UNINCOR), Brasil. http://periodicos.unincor.br/index.php/recorte/article/download/2097/1783

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Provas de Agregação de Helena Araújo e Sá

Há muitos, muitos anos, depois de um «Doctorat de 3e Cycle» em França, estava para ser contratada pelo então, creio, Departamento de Educação da Universidade de Aveiro.   Estava tudo decidido, já estava a caminho do novo doutoramento que me viria a dar equivalência  e ia ficar em Aveiro! Mas...já tinha estado em Paris quase três anos, longe da família, já tinha colocado a família sempre em segundo lugar.... e não aceitei. Foi talvez uma das decisões mais dolorosas da minha vida profissional (também não fiquei em Nancy!)

Entretanto houve um concurso e entrou a Helena (creio que, no mesmo, ou logo a seguir, entrou a Ana Isabel Andrade)!  Alguns anos depois, «estreei-me» a arguir  a minha primeira tese em Portugal (já o tinha feito em  França) e ...não sei se era eu ou a Helena a mais nervosa! Fiquei em outras instituições, colaborei com muitas, mas os laços com Aveiro informais e formais mantiveram-se. Sou investigadora do CIDTFF. E, nas provas de Agregação, foi a primeira vez que argui um relatório!

Temos seguido uns caminhos paralelos, outros que se cruzam e este foi para mim um momento único nesse percurso: participar  numas provas  que, como foi reconhecido publicamente, são motivo de orgulho para a Universidade de Aveiro e para o Ensino Superior.
Foram provas públicas com assistência de todo o país. Não é costume provas públicas serem comentadas em blogues, mas também não havia blogues. Comecei a comentar algumas provas de doutoramento e de mestrado, as muito boas ou excecionais (quando tenho tempo) , aqui, nesta «Universidade» para que outros possam aprender ... É  por esse motivo que se fala da inteligência coletiva quando se fala de blogues!  Mas há um risco que vou correr: não consigo, em pouco tempo e em pouco espaço, mostrar o brilhantismo (cf. critérios em artigo sobre estas provas)  da Helena nas Provas, mas mesmo assim, vou correr o risco! (Depois lerão os artigos de Helena Araújo e Sá !)

Sob a forma de blogue forçosamente rápida, aqui deixo algumas reflexões. Foram provas  em Didática das Línguas-Culturas,  disciplina que, de acordo com as definição  de Galisson, declinada de modo semelhante por Isabel Alarcão,  tem em conta a contextualização (o relatório não só contextualiza  a Unidade Curricular na história da Didática, como no meio instituinte, meio instituído, no tempo e no espaço (categorias do modelo de Galisson), nomeadamente no Centro de Investigação, na Universidade, no Mestrado, nos projetos Internacionais Galatea e Galapro...), passa pela observação (as várias investigações próprias e dos estudantes (categorias agente, sujeito e grupo)   tem em conta a observação-problematização e a problematização alimenta a ação e reciprocamente),  implica a  conceptualização (presente não só no rigor na documentação dos documentes entregues como na fundamentação da defesa- cf CV nomeadamente  número de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais (categorias objeto língua-cultura), a intervenção e a inovação (a intervenção nos projetos reflete-se no relançar das problemáticas em novos contextos, no formato de b-learning adotado, nos dispositivos da WEB 2.0 (categoria estratégias, meios) convocados nos projetos e analisados (não só as representações mas também as interações)...

Por deformação profissional, alimentada pelas leituras recentes em neurociências, centrei a observação da aula da Helena na intercompreensão em língua materna, ao mesmo tempo que acompanhava a problemática da intercompreensão em LE . A Helena pediu-me para partilhar com ela essa observação. Foi uma aula sobre «intercompreensão». Então como é que eu co-construí (tinha tido a versão escrita, muito bem escrita, como todos os outros documentos!) o sentido da aula?  Para além de outras dimensões, a Helena distinguiu duas dimensões na intercompreensão: a relacional e a cognitivo-estratégica.
E na relacional, incluiu os procedimentos multimodais (Cf. apresentação, não referiu oralmente).

Então vamos ver estas dimensões: De pé, com os apontamentos na mão direita e a mão esquerda livre, leu muito bem o texto (confesso que no princípio fiquei surpreendida pelo facto da Helena seguir o que parece ser a tradição da leitura quando comunica tão bem e... até nem parece ser uma pessoa convencional! Tratava-se de uma aula, hoje! ), as sequências eram pontuadas pelo ritmo, pela voz, voz tão suave nas transições... A mão esquerda ficava livre para o gesto «mise en geste» que precedia a «mise en pensée», como quando procurava, ou parecia procurar, e levar o interlocutor a antecipar palavras como «configurações», palavra declinada na  apresentação multimédia através da metáfora visual  que se ia construindo, também ela, antes da verbalização de «configurações».Um exemplo, entre muitos...

Recorreu, assim, ao que  alguns autores designavam há alguns anos como « comportamentos de convergência interativa» e que Cosnier designa como fenómenos d'«echoïsation» que têm um papel importante na empatia.

Mas que têm, também, um efeito cognitivo (ver dimensões da intercompreensão para a Helena). O gesto ajuda quem está a falar a encontrar a palavra certa (função de « mise en pensée »et de « mise en mots») e  nós antecipamos o que vamos ouvir através do gesto. Fenómeno de «neurones miroirs»(Rizolatti).

Mas a Helena ainda refere que foi de propósito, metáforas icónicas antes da verbalização, sobreposição/complementaridade  de informações no Power-Point, Power- Point multimodal,  pausas na leitura, olhares... dimensão estratégica na intercompreensão.

Foi uma pena a aula não ter sido gravada! Que exemplo para investigar estas dimensões na comunicação pedagógica e para serem analisadas na formação de professores!

Como interrogações ou provocações, não só para a Helena, mas todos nós na área:
Haverá necessidade de outras designações para a disciplina como Didática do Plurilinguismo ou da Intercompreensão quando a Didática das Línguas-Culturas apresenta as dimensões anteriores? A designação Didática das Línguas não é uma designação transitória   entre a DI, DFLE, Didática da Língua materna... e a Didática das Línguas -Culturas, onde cabem problemáticas de intercompreensão, plurilinguismo?

Não haverá necessidade, dado precisamente o contexto, de regressar a  formas mais instrumentais da DL-C centradas na aula de Francês, Inglês ou Espanhol na linha do livro Didáctica da Língua Estrangeira (ASA)? (Paralelamente a estudos sobre intercompreensão que, com a crescente disciplinarização do currículo, vão ter dificuldade de subsistir).

Quando começam em Aveiro (ou em outro lado) os estudos sobre intercompreensão com recurso a instrumentos de eye tracking? Os estudos sobre representações ajudam a compreender mas não explicam os aspetos relacionais e cognitivos, por exemplo.

De forma muito rápida, aqui deixo estas notas, como estímulo para os meus leitores-professores-comunicadores! As minhas desculpas à Helena por ter reduzido as suas provas a estas linhas! Mas como ela própria referiu (o relatório) «deu-lhe energia para trilhar, acompanhada, alguns caminhos» abertos: Aqui estou com vontade de a continuar a acompanhar e... para terminar o post como o comecei: que  poderá haver de melhor quando um professor não pode seguir um caminho ver como outro professor  o seguiu tão bem, com tanta energia, rigor e militância, abrindo tantos caminhos a tantos professores e alunos em Aveiro, em  Portugal e no estrangeiro.Parabéns Helena!

Provas de Agregação

Muitos colegas se interrogam sobre o que fazer nas Provas de Agregação. Nas áreas de Educação, Comunicação e Didática das Línguas-Culturas (as minhas áreas), sendo provas que revelam a maturidade científica e pedagógica do candidato, implicam a discussão de:  um currículo que revele um percurso de investigação, de docência, de intervenção, de gestão e de internacionalização;  um relatório de uma  unidade curricular contextualizado na vida da instituição, do curso, que revele as opções teóricas que sustentam a disciplina e as interações entre investigação e  ação,  a coerência entre os objetivos delineados e as competências visadas, os conteúdos,  as atividades e tarefas, a avaliação e a bibliografia;  uma lição que evidencie as qualidades de rigor científico, de qualidade pedagógica  e de comunicação que levam a que o público sinta vontade de aprender e possa  aprenda.  

Durante o almoço (os almoços são momentos de aprendizagem, mas são cada vez menos frequentes e mais rápidos...  não há ajudas de custo, não há dinheiro,  e não há tempo!)  uma Professora e amiga deu-me  a referência  de um artigo sobre estas provas.   

Paulo Ferreira da Cunha, Professor Catedrático de Direito da Faculdade,  de Direito da Universidade do Porto escreveu um artigo na Revista do SNESup nº 25, 2009, sobre  A Agregação: lei e interpretação que me parece poder ajudar candidatos e membros de júris. Começa, assim, o artigo: 

«O concurso de Agregação é uma prova(ção) muito séria. A tradicional Agregação, o arquétipo da Agregação, desconfia de quem não tenha os créditos de longas vigílias, longas esperas, e os pergaminhos de muitos anos de experiência. E a nova Agregação não poderá afastar-se disso, sob pena de, depois da descida geral do nível dos doutoramentos (felizmente não de todos) e a redução do Mestrado à antiga Licenciatura, se abater a última fronteira de qualidade e exigência académicas».

Nonverbal communication (space) in classroom 1

D idática das línguas-culturas, supervisão e comunicação multimodal «Ver para crer» ou… ver para pensar, comunicar e agir in Paixão, F, Regi...