segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Provas de Agregação de Helena Araújo e Sá

Há muitos, muitos anos, depois de um «Doctorat de 3e Cycle» em França, estava para ser contratada pelo então, creio, Departamento de Educação da Universidade de Aveiro.   Estava tudo decidido, já estava a caminho do novo doutoramento que me viria a dar equivalência  e ia ficar em Aveiro! Mas...já tinha estado em Paris quase três anos, longe da família, já tinha colocado a família sempre em segundo lugar.... e não aceitei. Foi talvez uma das decisões mais dolorosas da minha vida profissional (também não fiquei em Nancy!)

Entretanto houve um concurso e entrou a Helena (creio que, no mesmo, ou logo a seguir, entrou a Ana Isabel Andrade)!  Alguns anos depois, «estreei-me» a arguir  a minha primeira tese em Portugal (já o tinha feito em  França) e ...não sei se era eu ou a Helena a mais nervosa! Fiquei em outras instituições, colaborei com muitas, mas os laços com Aveiro informais e formais mantiveram-se. Sou investigadora do CIDTFF. E, nas provas de Agregação, foi a primeira vez que argui um relatório!

Temos seguido uns caminhos paralelos, outros que se cruzam e este foi para mim um momento único nesse percurso: participar  numas provas  que, como foi reconhecido publicamente, são motivo de orgulho para a Universidade de Aveiro e para o Ensino Superior.
Foram provas públicas com assistência de todo o país. Não é costume provas públicas serem comentadas em blogues, mas também não havia blogues. Comecei a comentar algumas provas de doutoramento e de mestrado, as muito boas ou excecionais (quando tenho tempo) , aqui, nesta «Universidade» para que outros possam aprender ... É  por esse motivo que se fala da inteligência coletiva quando se fala de blogues!  Mas há um risco que vou correr: não consigo, em pouco tempo e em pouco espaço, mostrar o brilhantismo (cf. critérios em artigo sobre estas provas)  da Helena nas Provas, mas mesmo assim, vou correr o risco! (Depois lerão os artigos de Helena Araújo e Sá !)

Sob a forma de blogue forçosamente rápida, aqui deixo algumas reflexões. Foram provas  em Didática das Línguas-Culturas,  disciplina que, de acordo com as definição  de Galisson, declinada de modo semelhante por Isabel Alarcão,  tem em conta a contextualização (o relatório não só contextualiza  a Unidade Curricular na história da Didática, como no meio instituinte, meio instituído, no tempo e no espaço (categorias do modelo de Galisson), nomeadamente no Centro de Investigação, na Universidade, no Mestrado, nos projetos Internacionais Galatea e Galapro...), passa pela observação (as várias investigações próprias e dos estudantes (categorias agente, sujeito e grupo)   tem em conta a observação-problematização e a problematização alimenta a ação e reciprocamente),  implica a  conceptualização (presente não só no rigor na documentação dos documentes entregues como na fundamentação da defesa- cf CV nomeadamente  número de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais (categorias objeto língua-cultura), a intervenção e a inovação (a intervenção nos projetos reflete-se no relançar das problemáticas em novos contextos, no formato de b-learning adotado, nos dispositivos da WEB 2.0 (categoria estratégias, meios) convocados nos projetos e analisados (não só as representações mas também as interações)...

Por deformação profissional, alimentada pelas leituras recentes em neurociências, centrei a observação da aula da Helena na intercompreensão em língua materna, ao mesmo tempo que acompanhava a problemática da intercompreensão em LE . A Helena pediu-me para partilhar com ela essa observação. Foi uma aula sobre «intercompreensão». Então como é que eu co-construí (tinha tido a versão escrita, muito bem escrita, como todos os outros documentos!) o sentido da aula?  Para além de outras dimensões, a Helena distinguiu duas dimensões na intercompreensão: a relacional e a cognitivo-estratégica.
E na relacional, incluiu os procedimentos multimodais (Cf. apresentação, não referiu oralmente).

Então vamos ver estas dimensões: De pé, com os apontamentos na mão direita e a mão esquerda livre, leu muito bem o texto (confesso que no princípio fiquei surpreendida pelo facto da Helena seguir o que parece ser a tradição da leitura quando comunica tão bem e... até nem parece ser uma pessoa convencional! Tratava-se de uma aula, hoje! ), as sequências eram pontuadas pelo ritmo, pela voz, voz tão suave nas transições... A mão esquerda ficava livre para o gesto «mise en geste» que precedia a «mise en pensée», como quando procurava, ou parecia procurar, e levar o interlocutor a antecipar palavras como «configurações», palavra declinada na  apresentação multimédia através da metáfora visual  que se ia construindo, também ela, antes da verbalização de «configurações».Um exemplo, entre muitos...

Recorreu, assim, ao que  alguns autores designavam há alguns anos como « comportamentos de convergência interativa» e que Cosnier designa como fenómenos d'«echoïsation» que têm um papel importante na empatia.

Mas que têm, também, um efeito cognitivo (ver dimensões da intercompreensão para a Helena). O gesto ajuda quem está a falar a encontrar a palavra certa (função de « mise en pensée »et de « mise en mots») e  nós antecipamos o que vamos ouvir através do gesto. Fenómeno de «neurones miroirs»(Rizolatti).

Mas a Helena ainda refere que foi de propósito, metáforas icónicas antes da verbalização, sobreposição/complementaridade  de informações no Power-Point, Power- Point multimodal,  pausas na leitura, olhares... dimensão estratégica na intercompreensão.

Foi uma pena a aula não ter sido gravada! Que exemplo para investigar estas dimensões na comunicação pedagógica e para serem analisadas na formação de professores!

Como interrogações ou provocações, não só para a Helena, mas todos nós na área:
Haverá necessidade de outras designações para a disciplina como Didática do Plurilinguismo ou da Intercompreensão quando a Didática das Línguas-Culturas apresenta as dimensões anteriores? A designação Didática das Línguas não é uma designação transitória   entre a DI, DFLE, Didática da Língua materna... e a Didática das Línguas -Culturas, onde cabem problemáticas de intercompreensão, plurilinguismo?

Não haverá necessidade, dado precisamente o contexto, de regressar a  formas mais instrumentais da DL-C centradas na aula de Francês, Inglês ou Espanhol na linha do livro Didáctica da Língua Estrangeira (ASA)? (Paralelamente a estudos sobre intercompreensão que, com a crescente disciplinarização do currículo, vão ter dificuldade de subsistir).

Quando começam em Aveiro (ou em outro lado) os estudos sobre intercompreensão com recurso a instrumentos de eye tracking? Os estudos sobre representações ajudam a compreender mas não explicam os aspetos relacionais e cognitivos, por exemplo.

De forma muito rápida, aqui deixo estas notas, como estímulo para os meus leitores-professores-comunicadores! As minhas desculpas à Helena por ter reduzido as suas provas a estas linhas! Mas como ela própria referiu (o relatório) «deu-lhe energia para trilhar, acompanhada, alguns caminhos» abertos: Aqui estou com vontade de a continuar a acompanhar e... para terminar o post como o comecei: que  poderá haver de melhor quando um professor não pode seguir um caminho ver como outro professor  o seguiu tão bem, com tanta energia, rigor e militância, abrindo tantos caminhos a tantos professores e alunos em Aveiro, em  Portugal e no estrangeiro.Parabéns Helena!

Provas de Agregação

Muitos colegas se interrogam sobre o que fazer nas Provas de Agregação. Nas áreas de Educação, Comunicação e Didática das Línguas-Culturas (as minhas áreas), sendo provas que revelam a maturidade científica e pedagógica do candidato, implicam a discussão de:  um currículo que revele um percurso de investigação, de docência, de intervenção, de gestão e de internacionalização;  um relatório de uma  unidade curricular contextualizado na vida da instituição, do curso, que revele as opções teóricas que sustentam a disciplina e as interações entre investigação e  ação,  a coerência entre os objetivos delineados e as competências visadas, os conteúdos,  as atividades e tarefas, a avaliação e a bibliografia;  uma lição que evidencie as qualidades de rigor científico, de qualidade pedagógica  e de comunicação que levam a que o público sinta vontade de aprender e possa  aprenda.  

Durante o almoço (os almoços são momentos de aprendizagem, mas são cada vez menos frequentes e mais rápidos...  não há ajudas de custo, não há dinheiro,  e não há tempo!)  uma Professora e amiga deu-me  a referência  de um artigo sobre estas provas.   

Paulo Ferreira da Cunha, Professor Catedrático de Direito da Faculdade,  de Direito da Universidade do Porto escreveu um artigo na Revista do SNESup nº 25, 2009, sobre  A Agregação: lei e interpretação que me parece poder ajudar candidatos e membros de júris. Começa, assim, o artigo: 

«O concurso de Agregação é uma prova(ção) muito séria. A tradicional Agregação, o arquétipo da Agregação, desconfia de quem não tenha os créditos de longas vigílias, longas esperas, e os pergaminhos de muitos anos de experiência. E a nova Agregação não poderá afastar-se disso, sob pena de, depois da descida geral do nível dos doutoramentos (felizmente não de todos) e a redução do Mestrado à antiga Licenciatura, se abater a última fronteira de qualidade e exigência académicas».

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ler palavras por minuto

Espanta-me a necessidade de quantificar o que não é quantificável! Pretender que todas as criancinhas no 1º ano leiam 55 palavras por minuto (ver recentes metas do ME) assusta-me. O meu filho até talvez tivesse sido capaz, como certamente os filhos,sobrinhos, netos de quem teve tal ideia. Mas há investigação sobre leitura em Portugal!  Inês Sim-Sim, Maria João Freitas, Leopoldina Viana, por exemplo, que estiveram envolvidas no PNEP (Programa com implicações nas aprendizagens do Português -  não, não foi só o Plano Nacional de Leitura!) Não quero dizer que os autores do documento não sejam investigadores, mas... já deram aulas ou  assistiram ao que se passa nas escolas, no 1º ciclo,  hoje ?   No jornal  Público, é apresentada uma investigação de Dulce Gonçalves que põe em evidência as diferenças entre crianças na velocidade de leitura.  Já viram a pressão sobre os pais... e sobre as crianças...e então os professores! Já pensaram em enviar cronómetros para as escolas! É evidente que todas as crianças têm de aprender a ler para compreender e depressa... a minha avó e a  minha  mãe ensinaram muitas! Mas felizmente não contaram as palavras que eu lia, nem as que  os outros meninos liam!  Metas são necessárias (até já estavam  bem feitas!), há descritores de desempenho que podem ajudar como referência, mas isto é «terrorismo dos números» (Expressão de Bachelard transposta para a leitura!)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Reformas educativas e políticas linguísticas

Vai realizar-se nos próximos dias 20 e 21 o Colóquio organizado pela APEF e APHELLE,

Reformas educativas e políticas linguísticas para o ensino das línguas estrangeiras: do século XIX ao século XXI 

Vou falar sobre  «Políticas de (Des)Educação em (e pelas) línguas-culturas – Dos referenciais europeus a práticas portuguesas»

Algumas afirmações:

As línguas são veículo de culturas
As línguas estão nas outras disciplinas
Todos os professores são professores de línguas-culturas
É com as línguas que pensamos
É pelas línguas-culturas que encontramos o outro
Das línguas- culturas  vemos os outros... e onde estamos nós?
O Mundo é plurilingue  e pluricultural
A Escola é plurilingue e pluricultural...

Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir.
.....

E, no entanto!   Tanto se tem feito e tanto se tem perdido!

Na linha do que costumo fazer, deixo algumas sugestões de leitura:
Os portugueses e as línguas - Eurobarómetro 
First European Survey on languages competences

LANGUES DANS L’EDUCATION, LANGUES POUR L’EDUCATION Plateforme de ressources et de références pour l’éducation plurilingue etinterculturelle






Agnotologia

Pois... é o estudo da construção da ignorância. Veja-se a crónica de Manuel Maria Carrilho hoje no jornal Diário de Notícias!  Fala  desta «recente disciplina criada por Robert N. Proctor, da Universidade de Stanford, para estudar a ignorância, entendida esta não como algo destinado a ser superado, mas  como algo de intencionalmente fabricado, produzido com a devotada colaboração de diversas formas de informação e de conhecimento».  Dá o exemplo de «conversa de papagaios amestrados em economês/financês».

Numa altura em que saímos bem no retrato sobre a literacia (vou comentar os resultados do Relatório que acabou de sair em outro momento), pois é...  há quem tenha problemas de iliteracia, numérica, quem desconheça como as famílias fazem contas, quem não saiba o número de alunos, quem não saiba ler a cara dos portugueses, ou não o queira fazer!  

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Ponta Delgada, Tomar, Portimão, Olhão...

Qual é a diferença entre estas cidades e outras?

Parecem países diferentes! Estive há duas semanas em Olhão e não podia ficar mais triste! O centro da cidade metia medo. Às 16 horas de um sábado, ninguém, cafés fechados, lojas fechadas, prédios lindos degradados...Ruas sujas!

Tomar, domingo 10 horas da manhã, para dar um exemplo concreto... copos de plástico movidos a vento, garrafas  nos canteiros da rua principal... Os prédios estão degradados, as lojas fechadas (há muitos meses), cartazes velhos colados dos vidros, lixo, caixotes cheios...

E , no entanto, gastou-se muito dinheiro. Até se construiu uma «fonte cibernética» numa rotunda, mas  só deve ter havido dinheiro para pagar a luz 2 ou 3 meses. Voltou a canteiro de flores. Está mais limpa!

Ponta Delgada, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo... Tudo recuperado! O que não está recuperado está em vias de recuperação. Tudo pintado, limpo, não há grafitis... os edifícios particulares e os públicos! Fez-se uma estrada boa para ligar as extremidades  da ilha, mas sem viadutos nem túneis  que escondam a paisagem (como na Madeira): Não há obras faraónicas, mas igrejas lindíssimas, escolas (espero que não sejam fechadas!), centros desportivos, piscinas adaptadas ao número de utilizadores. Nada a mais!

E a limpeza! Não há um cigarro no chão, um papel... durante as «noites de verão» ou a festa medieval há gente a varrer! E as pessoas não sujam!

Toda a gente a fazer piqueniques nos parques,  lindos...há lenha arrumadinha para fazer os churrascos! Usa-se, limpa-se... e não se deixa uma garrafa, nem um papel...

No Ilhéu de Vila  Franca só podem entrar 400 pessoas por dia! Está a lotação esgotada! Paciência, vá amanhã!

Estradas cuidadas, as flores! Os jardins! E se comparássemos com os de Portimão ou da Praia da Rocha! Por favor senhores autarcas ... vão fazer um estágio aos Açores. E já agora açorianos... alguma coisa foi estragada nos anos 70... mas têm feito um esforço ... continuem sem estragar. Já se viu o resultado dos centros comerciais! Mantenham as vossas cidades, os vossos parques e jardins  com vida, com encanto. Venham aprender ao continente o que não devem fazer. As pressões devem ser grandes, mas  têm o que só   existe em poucos lugares do Mundo: a beleza, a paz, a coerência, convergência entre os elementos naturais e artificias, as cores, os sons dos pássaros!


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Guide touristique des Azores... personnel



Pour les français qui ne connaissent que l’ anticyclone des Azores…  Des îles fantastiques … S. Miguel, Terceira, Pico, Faial  (ce sont les îles que je connais).

Je viens de visiter S. Miguel ( 4ème fois) . Ponta Delgada est probablement la ville la plus conservée (Angra  dans l’île Terceira  aussi) du Portugal, la plus propre, la plus homogène, la plus tranquille. Des églises dans tous les villages!  Du blanc et noir sur un fond vert avec des tonalités différentes! La crise elle existe bien sûr mais elle ne se voit pas! On travaille beucoup même le dimanvhe dans les champs! Tout est cultivé. Et le soir on s'amuse, des fêtes populaires, des bals classiques (Coliseu Micaelense), des bars... Le dernier bal a eu lieu le 28 juillet, domage!

De très bons restaurants : Alcides, o Gato Mia,  Yatch Club… avec des prix corrects. Des hotels modernes, classiques, traditionnels, toujours sympathiques... 






Et on sort de la ville on mange le pot au feu  «Cozido» à l’Hôtel Terra Nostra. Cuit à l'intérieur de la terre sans eau dans la casserole!


Un jardin surprenant «Terra Nostra», avec  des plantes exotiques et une piscine termale chaude (un peu jaune)  

Si vous allez en février ce sont les azalées,  après les camélias  et si vous allez entre juin et août les hortensias, pas seulement dans les jardins mais elles bordent les routes et… séparent  les propriétés privées, entre le maïs, les bananes, le blé ou les vaches… 


On peut s’imaginer dans les Alpes… mais la mer est toujours là. Des plages surprenantes avec du sable gris ou dans la cratère d’un volcan (Ilhéu de Vila Franca)…    





Il faut se laisser perdre et découvrir les églises, les maisons, les restaurants, Lagoa do Fogo, Lagoa das Sete Cidades, Lagoa, Ribeira Grande, Nordeste...





Des températures agréables, 26 degrés- 22 la nuit... La mer 22, 23 degrés... Qu'attendez-vous pour partir! Il y a très peu de touristes, très peu de Français! Et au mois d'août! Même quand il pleut il faut se dire «il y a toujours les 4 saisons dans la journée», ça passe très vite, il sufit de se déplacer quelques kilomètres! On n'a pas vu la pluie pendant les 4 jours.

auladeportuguêse(t)classedefrançais: E se fossemos a Paris ao Musée de Orsay... visita...

Produção de recursos educativos A DGE está a pedir informação sobre recursos educativos. auladeportuguêse(t)classedefrançais: E se fosse...