Passei o fim de semana na Madeira. Mas cada vez que vou {Madeira tenho mais dificuldade em encontrar as pequenas estradas que levam a sítios impressionantes. Reconheço que os túneis sao úteis para os locais, mas sinceramente... A vista da estrada de Porto Moniz desapareceu. As camionetas de turistas só fazem o circuito dos túneis... por isso cuidado. Aluguem carro ou táxi... mas mesmo com carro próprio, como as alternativas estao mal indicadas... de vez em quando...mais um túnel. O novo riquismo para além dos túneis (alguns dispensáveis) levou a dois elevadores noFunchal com poucos metros de distância, mas francamente o da Ponta do Sol que dá acesso a um pequeno quintal junto ao mar é um insulto a todos os contribuintes.
As marcas do temporal praticamente desapareceram do olhar do turista. Ou foi feita obra ou uma grua assinala o trabalho realizado (os particulares nao sei se nao se tèm motivo de queixa!).
Por que nao o aproveitamento da água, para beber e produçao de energia?
)
Blogue de professora de didáctica das línguas, de análise do discurso dos média, de comunicação, de mediaculturas... com «aulas virtureais»... e alguns desabafos.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
As crianças e a Internet
O estudo Eu Kids on line está a ser apresentado num Colóquio hoje. Vou ler o relatório para comentar depois.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Antes e depois do 25 de Abril... a memória é curta e a ignorância atrevida!
Filha e neta de professores sou privilegiada.
Mas, não me posso esquecer de,em menina, ser acordada por pessoas que batiam à minha porta, com outros meninos nos braços, para o meu pai os ir levar ao hospital, a Arganil - só havia dois automóveis, na aldeia. Desidratados , como agora se diz, com meningites, febres altas... No dia seguinte, tocavam os sinos e eu ficava encolhida e triste! Mais uns números para a mortalidade infantil!
Na escola, os meninos comiam sofregamente as sandes de queijo da Cáritas (que eu achava horrível), a marmelada e bebiam o leite (também da Cáritas). A minha mãe (a professora), a Sr. Dª. Arminda e o Sr. Lopes fundaram uma cantina. Mas a minha mãe geria a cantina. Vinham os cestos de couves lá de casa, as batatas, o azeite..., a minha mãe organizava festas escolares e cortejos de oferendas (e as pessoas davam o que podiam) e... assim passou a haver sopa na Cantina. Os meninos passaram a ter uma sopa com carne e feijões que devoravam. Pelo menos... comiam uma vez por dia!
Era assim o papel do Estado! E, no entanto, pagavam-se impostos.
Os meus colegas de escola, bons alunos, queriam estudar, mas não podiam ... e então a professora falava para o seminário e lá tentava encaminhar os meninos que queriam - nem todos saíam padres, mas continuavam os estudos. Com alguma conversa com o Director do Colégio de Arganil...lá conseguia encaminhar outros...
Alguns avançaram, mas foram muitos os que foram ficando pelos vários patamares.
Era assim a escolaridade «obrigatória» que o estado proporcionava!
Conheci a crise académica de 68. Vi carros com arame farpado, carros com gases...colegas presos!
Como cedo quis ir a França(no 2ºano da universidade) frequentar um curso de férias - com a ajuda dos pais e dinheiro obtido em explicações - passei meio dia na PIDE para obter um passaporte!
O meu marido entrou na Marinha, no dia a seguir ao nosso casamento. Foi mobilizado para a Guiné. Fui à Guiné visitar marido na guerra.
Era a guerra!
Só um pequeno testemunho para avivar memórias ou dar a conhecer memórias de outros tempos!
Mas, não me posso esquecer de,em menina, ser acordada por pessoas que batiam à minha porta, com outros meninos nos braços, para o meu pai os ir levar ao hospital, a Arganil - só havia dois automóveis, na aldeia. Desidratados , como agora se diz, com meningites, febres altas... No dia seguinte, tocavam os sinos e eu ficava encolhida e triste! Mais uns números para a mortalidade infantil!
Na escola, os meninos comiam sofregamente as sandes de queijo da Cáritas (que eu achava horrível), a marmelada e bebiam o leite (também da Cáritas). A minha mãe (a professora), a Sr. Dª. Arminda e o Sr. Lopes fundaram uma cantina. Mas a minha mãe geria a cantina. Vinham os cestos de couves lá de casa, as batatas, o azeite..., a minha mãe organizava festas escolares e cortejos de oferendas (e as pessoas davam o que podiam) e... assim passou a haver sopa na Cantina. Os meninos passaram a ter uma sopa com carne e feijões que devoravam. Pelo menos... comiam uma vez por dia!
Era assim o papel do Estado! E, no entanto, pagavam-se impostos.
Os meus colegas de escola, bons alunos, queriam estudar, mas não podiam ... e então a professora falava para o seminário e lá tentava encaminhar os meninos que queriam - nem todos saíam padres, mas continuavam os estudos. Com alguma conversa com o Director do Colégio de Arganil...lá conseguia encaminhar outros...
Alguns avançaram, mas foram muitos os que foram ficando pelos vários patamares.
Era assim a escolaridade «obrigatória» que o estado proporcionava!
Conheci a crise académica de 68. Vi carros com arame farpado, carros com gases...colegas presos!
Como cedo quis ir a França(no 2ºano da universidade) frequentar um curso de férias - com a ajuda dos pais e dinheiro obtido em explicações - passei meio dia na PIDE para obter um passaporte!
O meu marido entrou na Marinha, no dia a seguir ao nosso casamento. Foi mobilizado para a Guiné. Fui à Guiné visitar marido na guerra.
Era a guerra!
Só um pequeno testemunho para avivar memórias ou dar a conhecer memórias de outros tempos!
Estive hoje no MOMA! Implicações pedagógicas.
Sim graças ao Google Art Project estive a passear no Moma e a ver mais em pormenor alguns quadros de Gauguin. Acabei de ler «O paraíso na outra esquina» de Mario Vargas Llosa sobre o pintor e a avó do pintor. Gostei muito e desejei que houvesse versão em ebook (já estou a ficar convencida...). Assim, tinha um livro de pintura aberto ao mesmo tempo que lia!
Que maravilha das tecnologias! Cada dia em seu Museu! E que sorte para os nossos alunos que podem sair dos muros das escolas das suas (aldeias...até já não há muitas, mas é outra história...) e passear-se na Tate, em Versailles... E podem verbalizar emoções, comentar quadros, descrever telas, em várias línguas. Estão a verbalizar noções de qualificação, de espaço, de tempo, a utilizar adjectivos, advérbios de lugar, preposições.Podem dar instruções aos colegas para se deslocaram nas diferentes salas, empregando imperativos ou a expressão de condição (se carregares...). Sem que estas categorias sejam necessariamente explicitadas. Podem inventar a história ligada ao quadro. Podem pintar «à maneira de...» e verbalizar as acções, comentar os desenhos que fizeram, ditar o desenho ao colega (Picasso dictation). Podem encontrar diferenças entre o seu desenho e o vizinho (information gap).
Estas actividades podem ser encontradas em «Didáctica do Português no Ensino Básico» (Porto Editora). Publicidade gratuita da autora. Um exemplo dado neste livro, a partir do quarto de Van Gogh foi posto em prática numa escola integrada no PNEP
E tornam-se «mestiços de culturas (c. Michel Serres).
Que maravilha das tecnologias! Cada dia em seu Museu! E que sorte para os nossos alunos que podem sair dos muros das escolas das suas (aldeias...até já não há muitas, mas é outra história...) e passear-se na Tate, em Versailles... E podem verbalizar emoções, comentar quadros, descrever telas, em várias línguas. Estão a verbalizar noções de qualificação, de espaço, de tempo, a utilizar adjectivos, advérbios de lugar, preposições.Podem dar instruções aos colegas para se deslocaram nas diferentes salas, empregando imperativos ou a expressão de condição (se carregares...). Sem que estas categorias sejam necessariamente explicitadas. Podem inventar a história ligada ao quadro. Podem pintar «à maneira de...» e verbalizar as acções, comentar os desenhos que fizeram, ditar o desenho ao colega (Picasso dictation). Podem encontrar diferenças entre o seu desenho e o vizinho (information gap).
Estas actividades podem ser encontradas em «Didáctica do Português no Ensino Básico» (Porto Editora). Publicidade gratuita da autora. Um exemplo dado neste livro, a partir do quarto de Van Gogh foi posto em prática numa escola integrada no PNEP
E tornam-se «mestiços de culturas (c. Michel Serres).
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Escrever no papel e no teclado
Baseada nas minhas leituras sobre sugestopedia e depois sobre neurociências, sempre «achei» que a escrita à mão implicaria activações diferentes de zonas do cérebro, explicação bem naïve. Até tinha uma prática bem apreciada pelos meus alunos (adoravam!!!). Fazer um «auto-prontuário» com os erros dados nos testes corrigidos, escritos várias vezes (não as cem) de forma criativa, com a representação do sentido. E, assim, em aulas com alunos da Licenciatura em Artes Plásticas(davam imensos erros ortográficos) surgiram cartazes surpreendentes!
Numa brochura do Ministério da Educação sobre as implicações das TIC na aula de Português feita no âmbito do PNEP(ainda não publicada), insurgi-me contra os professores que declaravam que os meninos ficavam motivados porque não precisavam de escrever à mão, tinha os computadores (sic.)
Vem esta reflexão a propósito de um recente estudo sobre a utilização do teclado.Este estudo de Anne Mangen e Jean-Luc Velay disponível na Internet mostra entre outras coisas (vou ler melhor) que o movimento da mão ajuda o processo de memorização.
Anne Mangen and Jean-Luc Velay (2010). Digitizing Literacy: Reflections on the Haptics of Writing, Advances in Haptics, Mehrdad Hosseini Zadeh (Ed.), ISBN: 978-953-307-093-3, InTech, Available from: http://www.intechopen.com/articles/show/title/digitizing-literacy-reflections-on-the-haptics-of-writing
Numa brochura do Ministério da Educação sobre as implicações das TIC na aula de Português feita no âmbito do PNEP(ainda não publicada), insurgi-me contra os professores que declaravam que os meninos ficavam motivados porque não precisavam de escrever à mão, tinha os computadores (sic.)
Vem esta reflexão a propósito de um recente estudo sobre a utilização do teclado.Este estudo de Anne Mangen e Jean-Luc Velay disponível na Internet mostra entre outras coisas (vou ler melhor) que o movimento da mão ajuda o processo de memorização.
Anne Mangen and Jean-Luc Velay (2010). Digitizing Literacy: Reflections on the Haptics of Writing, Advances in Haptics, Mehrdad Hosseini Zadeh (Ed.), ISBN: 978-953-307-093-3, InTech, Available from: http://www.intechopen.com/articles/show/title/digitizing-literacy-reflections-on-the-haptics-of-writing
«E assim se fala português...»
Os neologismos , os empréstimos justificados ou não, os termos de que gostamos e outros…
No Caderno P2 do Público do dia 26 de Janeiro , João Bonifácio escreve ironicamente: « O novo português não precisa de se concentrar - precisa de se “focalizar”. Não tem de ser resistente -tem de ser” resiliente”. Não imprime um texto-“printa”: e não tem esperança-tem “ilusão”». E o autor, recorrendo às “vozes” de alguns linguistas, tece considerações sobre alguns vocábulos.
Fiquei a saber que Quique Flores tinha a «ilusão» de ser campeão e , assim, compreendi a razão da troca de esperança, por ilusão. Ilusão em Português emprega-se em frases com sentido contrário. Outros empréstimos do inglês são referidos como “focalizar”, “salvar”,”printar””deletar”… quando não havia razão para pedir palavras emprestadas uma vez que a nossa língua tem “concentrar”, “gravar”,” imprimir”, “apagar”… Refere ainda mudanças de sentido de “realizar” para aperceber-se de» (.«Só nesta peça realizei as razões para o emprego de «ilusão» com o sentido de esperança», por exemplo).
Também percebi nesta peça que o emprego por parte dos meus alunos de “onde” quando se deveria dizer “em que”, afinal , se está a estender a outros falantes. ( “onde” localiza no espaço e “em que” no tempo e espaço).
Outros termos haveria a acrescentar como “implementar”, “elencar” e outros que ficam sempre bonitos num discurso em educação ou comunicação.Mas há outros termos que me incomodam um bocadinho. Um deles, até está correcto, mas pelo excesso do uso e pelas conotações negativas que tem para mim … não gosto dele. É o termo “mais- valias”.
Por exemplo, a presidente do Instituto de Linguística , Maria Helena Mira Mateus, no Expresso desta semana , refere que «é um erro esquecer que o conhecimento e o uso do português constituem uma mais-valia no campo das interacções económicas».
Está correcto, mas , para mim as “mais- valias” são impostos e, apesar de pagar os meus impostos, não gosto de pagar mais-valias quando os meus pais, por exemplo, fizeram um esforço tão grande para adquirir um determinado bem.!.E depois... no eduquês, mediatês, politiquês…. tudo são mais-valia: as TIC, os quadros interactivos, a televisão, os Magalhães, …os exercícios… Também tudo é «muito gratificante»! Ainda bem, mas com tanto emprego deste termo, o gratificante torna-se banal e deixa de ser gratificante!
Já para não falar do emprego de termos sem o conhecimento do sentido. Já li num artigo publicado a partir de dissertação de mestrado, por exemplo, "os resultados auferidos" por "aferidos", por exemplo...
No Caderno P2 do Público do dia 26 de Janeiro , João Bonifácio escreve ironicamente: « O novo português não precisa de se concentrar - precisa de se “focalizar”. Não tem de ser resistente -tem de ser” resiliente”. Não imprime um texto-“printa”: e não tem esperança-tem “ilusão”». E o autor, recorrendo às “vozes” de alguns linguistas, tece considerações sobre alguns vocábulos.
Fiquei a saber que Quique Flores tinha a «ilusão» de ser campeão e , assim, compreendi a razão da troca de esperança, por ilusão. Ilusão em Português emprega-se em frases com sentido contrário. Outros empréstimos do inglês são referidos como “focalizar”, “salvar”,”printar””deletar”… quando não havia razão para pedir palavras emprestadas uma vez que a nossa língua tem “concentrar”, “gravar”,” imprimir”, “apagar”… Refere ainda mudanças de sentido de “realizar” para aperceber-se de» (.«Só nesta peça realizei as razões para o emprego de «ilusão» com o sentido de esperança», por exemplo).
Também percebi nesta peça que o emprego por parte dos meus alunos de “onde” quando se deveria dizer “em que”, afinal , se está a estender a outros falantes. ( “onde” localiza no espaço e “em que” no tempo e espaço).
Outros termos haveria a acrescentar como “implementar”, “elencar” e outros que ficam sempre bonitos num discurso em educação ou comunicação.Mas há outros termos que me incomodam um bocadinho. Um deles, até está correcto, mas pelo excesso do uso e pelas conotações negativas que tem para mim … não gosto dele. É o termo “mais- valias”.
Por exemplo, a presidente do Instituto de Linguística , Maria Helena Mira Mateus, no Expresso desta semana , refere que «é um erro esquecer que o conhecimento e o uso do português constituem uma mais-valia no campo das interacções económicas».
Está correcto, mas , para mim as “mais- valias” são impostos e, apesar de pagar os meus impostos, não gosto de pagar mais-valias quando os meus pais, por exemplo, fizeram um esforço tão grande para adquirir um determinado bem.!.E depois... no eduquês, mediatês, politiquês…. tudo são mais-valia: as TIC, os quadros interactivos, a televisão, os Magalhães, …os exercícios… Também tudo é «muito gratificante»! Ainda bem, mas com tanto emprego deste termo, o gratificante torna-se banal e deixa de ser gratificante!
Já para não falar do emprego de termos sem o conhecimento do sentido. Já li num artigo publicado a partir de dissertação de mestrado, por exemplo, "os resultados auferidos" por "aferidos", por exemplo...
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A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»
A propósito de artigo de Daniel Bessa no jornal «Expresso» de hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....