sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Des charmes (si) mystérieux des mots.




Un article de Nuno Crato (Jornal Expresso, le 30 décembre) m’a invité  à lire l’ouvrage de Nicholas Ostler «The Last Lingua Franca, English Until the Return of Babel».Je n’ai pas encore eu l’occasion de le lire, mais j’ai lu quelques commentaires sur sa vision prospective des langues.
Selon ce linguiste, la diversification des langues remplacera le monopole actuel de l’anglais. Je suis curieuse de savoir si le mot «intercomprehension» est utilisé par l’auteur ! L’explication, qui tient en compte l’histoire des langues, serait due, d’une part, à l’affirmation des identités nationales et, d’autre part, aux potentialités technologiques qui joueraient  le rôle  fonctionnel que l’anglais joue aujourd’hui.
J’ajouterais, de mon  modeste point de vue, que  cette diversification des langues ressort également du plaisir du voyage, d’évasion  qui caractérise notre société. Arrivant dans un pays étranger, nous avons généralement envie de reproduire les sons que nous entendons et de les répéter auprès des natifs. N’ayant pas la possibilité de voyager, le «charme mystérieux  des mots» (découvert dans mon cas  avec la lecture de Baudelaire  entre autres et en parlant français avec des touristes à Figueira da Foz) nous donne l’envie de dire ces mots.
Dans un ouvrage récemment publié, grand public, adapté au cinéma, «Mange , prie, aime» de Elizabeth Gilbert, la narratrice  quitte sa vie aux États-Unis  pour aller en Italie attirée  par des mots qu’elle résume dans le mot «attraversiamo». Et je cite  «Un mot qui n’a vraiment rien de spécial. Pourtant , pour une raison que je serais bien en peine d’expliquer, il me touche énormément… à mon oreille, c’est la combinaison parfaite des sonorités italiennes. L’attaque mélancolique du au roulement des consonnes, la caresse apaisante du s, et ce finale chantant, i-a-mo. J’adore ce mot p.
Le narrateur de «Le testament français», écrit en français par un écrivain russe  Andrei Makine s’est senti attiré pour le français grâce à une tante qui racontait son séjour en France. Il  a eu l’envie « inventer une langue inédite dont je ne connaissais que les deux premiers vocables : bartavelles et ortolans… », « cette langue qui dirait l’indicible ».

C'est probablement ce charme des langues et notamment du français qui m'a poussée à écrire en français (avec des fautes, certainement) aujourd'hui par exemple. 
Bonne année avec intercompréhension. 

(A Torre de Babel de Escher)



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Power Point... e comunicação interpessoal

No estágio pedagógico dos ensinos básico e secundário, a primeira coisa que um estagiário aprendia era a expor recorrendo ao quadro, sem virar as costas ao aluno. Depois, o estagiário passou a aprender que não se olha para a projecção quando se usa o retroprojector e que se aponta para a projecção no próprio aparelho, entre outros aspectos.

Seria normal que, numa apresentação multimédia, o professor(investigador, aluno) soubesse que, também neste caso, não pode deslocar-se perigosamente de esferográfica em riste em direcção à superfície de projecção, virando as costas ao público. Este - que sabe além do mais o preço dos materiais - fica distraidissimo, interrogando-se «será desta que sai risco!!!».

O estilo «Serafim Saudade» - personagem de Herman José em outros tempos- também não é melhor! De comando nas mãos, o orador desloca-se aterafadamente diante do público.

Tive, recentemente, ocasião de ver exemplos destes dois estilos em colóquios...

Aliás, movimentar-se na sala, mostrar dinamismo.... parecem ser representações frequentes do que o bom professor deve fazer, como também tenho lido.

Mais uma vez...  algumas leituras de estudos sobre a comunicação interpessoal justificam-se. E que dizem autores como Goodwin, Slama Cazacu, Argyle...?
Quem ouve precisa também de ver, porque parte da mensagem está no gesto que acompanha o enunciado linguístico. E quem fala tem necessidade de ver o olhar do público, as inclinações laterais da cabeça (que demonstram atenção), os sorrisos - ou não... para saber se se deve deslocar no espaço, procurar um sinónimo, ou mudar o tom de voz.
Não é por acaso que as igrejas, os tribunais as escolas tinham um espaço para o orador falar. O modelo panóptico da comunicação pode implicar reforço do poder, mas tem também uma justificação interaccional. Quando o orador expõe, dá instruções, argumenta... lê um texto em voz alta... tem necessidade de se colocar num espaço onde seja visto por todos. O dinamismo é colocado na voz, no olhar, nos gestos e não nas deslocações. As deslocações acompanham a função de animação ou de avaliação individual correspondendo a outros momentos da aula.


Se viajarmos no passado à procura de estudos sobre a maneira de expor e de argumentar, recorrendo às componentes verbais e não verbais da comunicação, podemos chegar a Roma. Para Quintiliano, até as pregas da túnica tinham uma função comunicativa.

As tecnologias mudam, mas os princípios comunicativos não mudam assim tanto!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

iPad, PSP... e Natal

Comunicação interpessoal no Natal  sobre diferentes temas e com iPad e PSP . Poderia ser este o título da narrativa do meu Natal . Os meus sobrinhos receberam uma PSP (não confundir com GNR- PlayStation portátil). E, assim, acabei por criar um Tupi - Fui eu que dei o nome e a minha sobrinha aceitou, que bom! E, assim, nasceu um mamífero, a partir de um ovo!!! que tinha de ser aquecido e que se deslocava na toalha de Natal, graças à realidade aumentada. Entretanto, o meu sobrinho procurava, no meu vestido, uns bichinhos (Não eram pulguinhas, eram virtuais), mas... sem sucesso já que o meu vestido não era bem púrpura- condição necessária para, graças à realidade aumentada, ver o que o meu vestido realmente não tinha.

No iPad do meu filho, descobri  novas maneiras de fazer índices e de ler índices- em mosaico-  na aplicação da CNN para iPad. Tentámos caracterizar os nossos processos de leitura.

Ainda houve em simultâneo mensagens no Facebook e Twitter.

Quatro gerações... se não discutirmos  os «Ídolos», na televisão, não  falarmos sobre os cozinhados de Natal e não nos deslocarmos nos diferentes dispositivos tecnológicos, corremos o risco de não saber reinventar o Natal e a intercompreensão geracional. Quando dei este nome a uma revista não pensava nela  enquanto valor do Natal e de todos os dias.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Treino a distância no futebol

Também  Mourinho  e os jogadores de futebol vão deixar de ter férias. Acabo de ver na televisão uma reportagem sobre treino a distância. Também aqui, não é na tecnologia que está a dificuldade. Está na dimensão «pedagógica» e comunicativa do treino.

Ensino a distância

Sou uma adepta do blearning  desde 2006. Os meus alunos, na altura, foram  também os «YOU» distinguidos  como personalidades do Ano da «Time». Este blogue é o último dispositivo comunicativo que utilizo. Por exemplo, os alunos do Mestrado em Didáctica das Línguas- Culturas lêem aqui o artigo anterior -  tese sobre a ansiedade -   fazem resumos, na plataforma  Ninehub, de  artigos que  constam da bibliografa e, na próxima aula presencial,  vão analisar a tese, por exemplo. 

Alguns colegas perguntam-me como faço- eu imigrante digital- para ser fiel utilizadora e entusiasta. Primeiro, utilizo uma plataforma de acesso livre: Ninehub. Utiliza o sistema Moodle, mas não precisa de instituição.
Que faço na plataforma? Disponibilizo artigos meus, textos não disponíveis no mercado, textos não publicados.  Proponho hiperligações para artigos e para vídeos com práticas pedagógicas. Quando considero que têm interesse que ultrapassa os utilizadores da plataforma, coloco-os aqui.
Trata.-se de tarefas rotineiras sem nenhuma dificuldade técnica. Nos fóruns proponho tarefas que são realizadas semanalmente. Nos chat semanais faz-se a discussão dos artigos lidos e resumidos nos fóruns (Nas disciplinas de licenciatura até tinha fóruns de correcção de erros ortográficos à maneira tradicional!!!). Os chat servem para relacionar rapidamente dados: diferentes autores, definição de conceitos, articulação entre leituras, dúvidas sobre trabalhos, apresentação de exemplos... Os glossários servem para  o que servem os glossários- propor definições e criar auto-glossários...

As grandes dificuldades são, assim, de natureza comunicativa e pedagógica. Como organizar uma sequência pedagógica articulando  os diferentes dispositivos, como gerir, como avaliar, como ser rápido no chat nas avaliações sem gerar ansiedade (cf Mark Daubney)?
Como estar sempre disponível?
Como responder aos alunos que estão às 2, 3 da manhã à espera de respostas?
As disciplinas on-line não conhecem férias.Em Agosto tenho sempre muitas visitas na plataforma. Ainda tenho «alunos» matriculados em 2006.  Alguns  transferiram-se para aqui.
Portanto, os principais problemas são de gestão pedagógica e comunicativa e gestão das nossas próprias vidas!

Tese sobre a ansiedade em professores de língua estrangeira

Fui arguir a tese de Doutoramento de Mark Daubney subordinada ao título «Language anxiety in English teachers during their teaching practice», na Universidade de Aveiro, orientada pela Prof. Doutora  Helena Araújo e Sá. Dado tratar-se de trabalho defendido em provas públicas, vou partilhar, com os  inscritos que seguem os cursos da Universidade de Pasárgada,  algumas breves considerações sobre teses. A tese de Mark Daubney é uma excelente tese. E o que é uma boa tese?


Primeiro argumento: a relevância temática. Muitos trabalhos correspondem ao interesse imediato do investigador e não se  justifica  o investimento feito. Não é o caso. A ansiedade faz parte da «dimensão escondida da aula» e esta  é talvez tão importante como a face visível dessa mesma aula. Como é que a ansiedade de manifesta? Será «facilitadora» ou «debilitadora»? Na aula? Na formação de professores?

Em segundo lugar, e de acordo com a definição de Didáctica das Línguas-Culturas de R. Galisson, uma tese em Didáctica parte de uma problemática gerada num contexto. Foi o caso. Obriga à observação, à conceptualização. Foi o caso, também. E tem implicações. Trata-se claramente de uma investigação implicada.

Depois, exige-se um quadro teórico rigoroso que sustente a investigação a realizar nas diferentes fases e que vai sendo alargado nessas diferentes fases. O autor apresenta um ensaio sobre a ansiedade, as emoções, a comunicação notável - passagem obrigatória para todos os estudantes que se interessem por emoções.

Exige-se coerência metodológica -  entre o quadro teórico e o estudo empírico - neste caso.
 E que o estudo empírico adopte uma metodologia  que permita respeitar a natureza da problemática. O autor adoptou uma metodologia etnometodológica com permanência do local, durante muito tempo, e com diferentes tipos de dados: entrevistas, observação de aulas, de conversas, planificações... Horas e horas de transcrições.  Observações em stimulated recall protocols... Um corpus heterogéneo. Difícil.


Exige-se rigor na análise. As categorias que emergem na observação - neste tipo de metodologia - cruzam-se com as categorias de autores. A voz do autor dialoga  com as vozes convocadas no enquadramento teórico. O autor faz «falar os dados», relaciona-os, analisa-os.


Coerência e coesão são exigências de todos os trabalhos escritos. Os performativos discursivos (que dizem as operações cognitivas que realizou o autor e que  levam a operações de antecipação por parte do  leitor) são claramente expressas (Vamos em seguida sintetizar... desenvolveremos em seguida...), aos quadros seguem-se paráfrases, quadros claros, sínteses intermédias...

O aspecto documental está no quadro teórico e reflecte-se na bibliografia que deve ter os «clássicos» e referências actuais.

Foram alguns dos aspectos que salientei na tese. Com mais tempo, haveria a possibilidade de convocar mais autores ouvidos na primeira parte no estudo... mas essa é a continuação deste trabalho com publicações em revistas, apresentações em colóquios para que a formação de professores, os professores, os alunos, a aula de língua estrangeira ou outra sejam beneficiários do estudo desenvolvido com tanto empenho e dedicação.
Um exemplo a seguir...

A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»

A propósito de artigo de Daniel Bessa  no jornal «Expresso» de  hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....