quinta-feira, 24 de julho de 2014

Multimodalidade - Aula multimodal sobre multimodalidade

Décès de Louis Porcher ! Merci Monsieur le Professeur !

Louis Porcher est décédé  le 13 juillet 2014. Il a été  une  figure majeure de la didactique, de l’enseignement et de la diffusion du français comme langue étrangère.  Je viens de l'apprendre à travers le FDLM!

Notre « champ » disciplinaire est plus pauvre. 


Probablement le dernier texte publié sans son blog (posté le 8 juin, 2014) m'a fai découvrir le sens et l'emploi de « Thunes ».  Beaucoup de découvertes  grâce à lui. Je cherchais « L' intéressant et le démonstratif », article publié dans les ELA 60, en 1985, quand je suis tombée sur cette triste nouvelle. J'ai beaucoup appris avec lui pendant les séminaires  de DEA, dirigé par Robbert Galisson, dans des colloques, dans des soutenances de thèse, pendant les soutenances de DEA et de   mes deux doctorats. Dans le doctorat de 3e Cycle, il était charmant et enthousiaste. Dans le doctorat nouveau régime, une discussion à trois (avec Galisson) sur la Didactique et « l'esprit de chapelle » m'a un peu (beaucoup)  bouleversée. La rupture entre deux maîtres  allait s'initier ou...  se poursuivre plutôt et se confirmer à ce moment- là. 

Inévitable?
Je l'ai rencontré après dans des Colloques ASDIFLE.  Il m'appréciait, moi j'avais énormément appris avec lui. Un moment bien précis :  Cluny , 1981 : une conversation à propos de ma méthode « Laisser faire, laisser parler »!

Merci Louis Porcher



      

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Videoformação , hoje! As empresas investem e a Escola?

Até que enfim que a formação de professores retoma as linhas da videoformação e do diagnóstico situacional! Investiu-se dinheiro em laboratórios de micro-ensino que foram abandonados dados os fundamentos beavioristas!  E parou-se no tempo! Houve alguns continuadores (onde eu me situo)! Nas empresas pagam-se fortunas (nem imaginam quanto custa uma sessão de PNL!) a «coachs» que utilizam as atividades que nós dominamos há muitos anos e que atualizámos com conhecimentos das neurociências!

TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO PRESENCIAL NA ERA VIRTUAL
13 de junho 2014 | 10h00 - 14h00 | sala 05.1.50
Departamento de Educação, Universidade de Aveiro

Destinatários:
Educadores e professores de todos os níveis de ensino e áreas disciplinares

Conteúdos:
Este workshop baseia-se na auto e videoscopia, como pontos de partida para a
consciencialização dos processos cognitivos, pedagógicos e atitudes assumidas
pelos docentes em contexto de sala de aula.

INSCRIÇÕES EM: http://www.ua.pt/cctic/

quarta-feira, 4 de junho de 2014

«Do "eduquês" ao "ignorantês"», por Maria do Céu Roldão



Um  texto de Maria do Céu Roldão que partilho, com muito gosto:


5 Dezembro 2013
Do “eduquês ao “ignorantês”….
Nas últimas duas décadas foi moda zurzir, com gáudio e impunidade, o conhecimento científico sobre educação – caricaturado na fórmula “eduquês”, amplamernte glosada nos media, como sendo a raíz de todos os males do sistema, a saber: facilitismo, desvalorização do saber científico, simplificação, ludicidade como panaceia, desconsideração do esforço do aluno, perda de autoridade…etc, etc. Como tenho sido uma das e dos muitos autores objeto deste ataque patético, planando ao sabor do populismo mais anacrónico, e tive até honras de citação (incorreta e descontextualizada, por sinal) num livro conhecido de um dos militantes anti-eduquês, tenho há muito vontade de dizer ou perguntar duas ou três coisas…não de argumentar a valia de um saber indispensável, porque para debater ideias é preciso que elas existam e se sustentem dos dois lados em confronto, o que não é o caso.
Na academia, onde a Educação é um território de conhecimento reconhecido há mais de um século, em contextos tão respeitáveis como Harvard, Chicago ou Oxford, podemos, e muitos o temos feito, argumentar nesse plano. Mas para os comentadores encartados e para os media, que lhes dão espaço e voz, nunca valeria a pena: o discurso científico “não interessa nada” como diria uma conhecida apresentadora de reality shows...E nem vende…. O que interessa é o sangue, o vilipêndio, as simplificações que dispensam as cabeças de pensar e alimentam os ódios insensatos, continuando a empurrar-nos para abismos de cegueira.
O saber sobre educação – pedagogia, ciências da educação no interior das ciências sociais, ou ciência da educação, dependendo das matrizes de análise e das tradições culturais e epistemológicas – é tão só o primeiro passo na indispensável rutura com o senso comum antigo que atribui a capacidade de ensinar a qualquer um que saiba algum assunto e tenha algum jeito, ou carisma, para comunicar. Como todos nos lembramos, até finais do séc. XIX, bastava pouco para ser professor, geralmente em tempo extra – alguma cultura ou saber, acrescido de uns pozinhos ideológicos a gosto do tempo: ser um crente confiável nos tempos mais antigos, uma pessoa respeitada no meio pelo seu saber e bom comportamento quando começa a sentir-se a premência da alfabetização (o farmacêutico, o pároco ou as mestras).
Rutura idêntica se passou, embora noutro ritmo e tempos, com os médicos – na pré-história da profissão médica, barbeiros, curandeiros e outros jeitosos na arte de curar, faziam esse papel como podiam e sabiam. É com o reconhecimento de um saber próprio e complexo, necessário para tratar e curar devidamente, que o joaosemanismo e o senso comum bem intencionado se esbatem em favor de uma atividade profissional fundada sobre rigoroso saber específico - raíz e legítimo fundamento do poder ganho por esta classe profissional nas sociedades modernas .
É com a criação da escola, instituição curricular destinada ao ensino público (mesmo quando financiada por privados), que nasce o reconhecimento da especificidade do conhecimento requerido para ensinar, e a existência de requisitos de formação para os professores. Mas como não se lida com a vida e a morte - embora se tenha o poder de abrir ou fechar o caminho para vidas mais dignas - o controlo social sobre o saber profissional do professor é mais ténue.
E aí estão os corifeus do ataque a dizerem trocistas que “quem sabe ensina” – e mais nada. Para quê floreados acerca do COMO ensinar, de COMO aprendem os alunos, de que ESTRATÉGIAS serão ou não eficazes?...Felizes com a simplificação, aí andam a opor conhecimento a competência, matérias a compreensão, memorização a raciocínio…Como se no mundo do conhecimento educativo não fossem justamente essas as questões que se estudam e se aprofundam. Mas eles não sabem. Nem acham preciso saber. Os próprios professores, custa-me dizê-lo, embarcam muitas vezes neste prós e contras primário do que deve ser o saber que nos distingue e nos valoriza - já não são os conteúdos? só processos? ou o oposto? ou ambos? competências? capacidades? então? ....ao sabor de legislação, mais que do SEU saber científico próprio
Ser professor consiste em ensinar porque se sabe ensinar. E para isso, é preciso saber o que se ensina (o conteúdo, sim sempre - quando é que alguém disse o contrário?) , e, bem mais complexo, saber como ensinar conforme aqueles a quem ensinamos .
Aí se situam o saber pedagógico, curricular, didático, distintivos desta ação, fundados nos saberes da psicologia, da sociologia e da organização do trabalho – pelo menos. Tudo isso constitui o corpo dos saberes educacionais indispensáveis a esta profissão, riquíssimos, difíceis e complexos. O que os que pouco sabem chamam de “eduquês”. Como se fosse uma farsa discursiva….
E assim o “ignorantês” que vem sustentando o ataque ao alegado “eduquês” parece preferir o louvor cego da “matéria” bem memorizada ( e que tal também compreendida? E como se faz isso? Talento inato? Ou aprende-se, é difícil, e requer MUITO saber..?). Não sei se já deram conta que estamos na era do saber síncrono e das ciências da cognição, de que aliás os professores ainda sabemos muito pouco... O ignorantês parece desprezar que se saiba essa tontaria de “como ensinar”; ensinem e pronto….back to the past – um passado bem antigo e marcado pela ausência de conhecimento… mas onde é fácil dizer que um - ou talvez dois - dos nossos professores era talentoso. Pois era, que bom… Talentos naturais sempre houve. Mas nem só de talento natural se faz um profissional…e muito menos uma profissão respeitada. Imaginem os médicos só na base dos talentos e da intuição..quem quereria ser tratado?...
E contudo, nesse passado da história da educação e dos professores, houve gente que pensou e visionou, para além do seu tempo, esta complexa função de ENSINAR que nos distingue. Que é seriamente estudada e investigada em centenas de universidades em todo o mundo. E que vozes desinformadas e fúteis do século XXI tratam como se fosse negligenciável. No século XVII – para quem o souber ler - escreveu Vieira, com preclara finura:
“O Mestre na Cadeira diz para todos; mas não ensina a todos. Diz para todos porque todos ouvem; mas não ensina a todos, porque uns aprendem e outros não. E qual é a razão desta diversidade se o Mestre é o mesmo e a doutrina a mesma? Porque para aprender não basta só ouvir por fora, é necessário entender por dentro. Se a luz de dentro é muita, aprende-se muito; se pouca, pouca; se nenhuma nada.”
António Vieira, Sermões


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Homenagem a um Professor

Texto que  deu origem a apresentação oral  na cerimónia de inauguração do busto de Homero Pimentel, em Arganil, há alguns anos e que torno público nas redes,  na comemoração do centenário do seu nascimento. 

Homero Pimentel: um professor com sucesso


Ao escrever este artigo hesitei no título… Podê-lo-ia ter intitulado: «Credo meninos credo! Tanta ignorância!» ou «Colégio de Arganil: uma escola privada democrática antes da democratização da escola pública» ou ainda: «De como um professor transforma alunos condenados ao insucesso em alunos de sucesso».

            São estes os tópicos que abordarei na minha singela homenagem ao Dr. Homero. Procurarei abordá-los não de uma maneira passadista, mas situando-os em relação a alguns temas que são objecto de discussão, quando, hoje, falamos de educação.

 Retomo a exclamação que todos os alunos do Dr. Homero ouviram e certamente não esqueceram: «Credo meninos credo! Tanta ignorância!». Também, agora, ouvimos referências à ignorância dos nossos alunos. Será então de procurar «modelos», procurar «boas práticas» que conseguiram vencer a «ignorância». Homero Pimentel era um professor «mestiço», no sentido que é dado a este termo pelo filósofo francês  Michel Serres: um «mestiço» de cultura humanística, artística e científica. Foi professor de quase tudo: Latim, Grego, História, Filosofia, Francês…Explicador (para todos e gratuitamente) de quase todas as disciplinas.  No Colégio de Arganil fazia-se o que hoje se poderia designar de «estudo acompanhado». Até apanhei reguadas porque tive negativa a Matemática! Mas ensinou-me a aprender Português e ensinou-me a APRENDER Matemática e todas as outras disciplinas. Com ele, desenvolvi «competências de aprendizagem». Com a vasta cultura que possuía, levava-nos a contextualizar conhecimentos, a relacionar, a descobrir «Os Lusíadas». Com que emoção lia o episódio de Inês de Castro ou com que vivacidade e humor explicava a «Ilha dos Amores»! Levou uma geração  de meninos que nunca teria saído das suas terras a Atenas, a  Creta, a Roma, a viajar nos países que ele próprio nunca teve a oportunidade de conhecer. Michel Serres refere que «aprender é viajar»: foi uma viagem que todos nós fizemos. Viagem, no tempo e no espaço dos conhecimentos, antes da «sociedade do conhecimento».
Viagens «à vila» nos dias em que éramos «corridos». «Fujam meninos fujam…» Era a maneira exagerada como manifestava a sua impotência para combater a nossa «ignorância». O carinho e o humor que se seguiam a estes momentos de forte emoção depressa nos faziam esquecer o episódio. Ou, talvez não… «ser corrido» significava «ser crescido» e implicava a partilha de emoções, a solidificação de laços de grupo, a disponibilidade para descobrir os outros. È evidente que estas práticas têm de ser situadas no contexto dos anos 50 e 60. Numa sociedade em que nós os pais consideramos que os nossos meninos têm sempre razão e em que os trabalhos de casa estão no banco dos réus não será de estranhar algumas reacções a este elogio? Mas como explicar a nossa vontade de participar nesta homenagem ao Dr. Homero?
O Colégio de Arganil foi uma escola privada democrática antes da democratização da escola pública. Nele conviveram muitos alunos, alguns marcados por um percurso de insucesso em liceus e outros colégios e muitos outros que pertenciam a  um meio económico, social e cultural que os teria condenado ao insucesso. E fomos muitos os que tivemos sucesso. Homero Pimentel constitui um exemplo a seguir pelo rigor do seu trabalho, pelo seu entusiasmo generoso nas relações humanas, pelo seu respeito pelos outros, pela sua sensibilidade, pela sua cultura humanística, pela sua extrema modéstia.

Com o Dr. Homero aprendemos  a conhecer, aprendemos a fazer, aprendemos a aprender e aprendemos a SER: «pilares  da aprendizagem» para a sociedade do conhecimento» apontados no relatório da  UNESCO da Comissão Internacional para a Educação no Século  XXI,  coordenada por Jacques Delors.
No que me diz respeito, tive a sorte de ter outros «modelos» de professor na família, mas, certamente, foi por sua causa que me tornei professora de Português e de Francês e muitos exemplos de «boas práticas» que apresento aos professores que tenho formado aprendi-os no Colégio Alves Mendes. Obrigada Dr. Homero.      



A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»

A propósito de artigo de Daniel Bessa  no jornal «Expresso» de  hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....