terça-feira, 5 de junho de 2012

O professor e a «mise-en- scène» dos saberes

Pensamentos desarrumados, em férias...

Ainda na viagem... a propósito da minha sugestão de leitura da «Viagem do Elefante» de Saramago, dizia-me uma jovem simpática e esperta (que  tinha andado de elefante, momentos antes)  que «de Saramago tinha lido «A relíquia» e não tinha gostado, por causa da pontuação». Lá tentei lembrar-lhe o conteúdo de «a Relíquia» de Eça de Queirós e o título da obra de Saramago que consta do programa do Ensino Secundário:  «Memorial do Convento». E interroguei-me sobre o ensino da literatura: como é que uma jovem esperta faria estas confusões?

E, a tomar banho na piscina, fui-me lembrando de «definições» de cultura «a cultura é o que fica quando nos esquecemos de tudo», «la culture c'est comme la confiture, moins on en a , moins on l'étale», «culture savante et culture partagée», «habitus»...

Entretanto... lembrei-me do verso «minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, as aves que aqui gorgeiam, não gorgeiam como lá»   (verso adequado ao contexto), depois ...  do professor Leodegário de Azevedo Filho. Tinha descoberto no Google, antes desta viagem, que já tinha morrido e (lembrei-me que não tinha participado, porque não tinha sabido, na sua homenagem). Leo, onde estiver, a  homenagem da Clarinha! (Ilka, Claudinha... lembram-se da nossa ida a Paris? Foi o professor (a mulher e a filha) que nos acompanhou a Paris, em viagem de Curso, e nos fez descobrir Paris)
Lembrei-me de Don Casmurro, de  Machado de Assis, da personagem Capitu... de João Cabral de Melo Netto, de Vinicius, de Manuel Bandeira... Da maneira  como lia e como nos apresentava os autores de que tanto gostava... A «empatia literária» que gerava.

E daqui... voei para a formação de professores... para a necessidade de os professores serem bons leitores, bons «metteurs- en- scène», bons «designers» (Kress et al (2001) Jewitt, 2008). Estou a falar de Leodegário de Azevedo e vejo-o  e ouço-o a ler! E é por isso   que estou a escrever na «Universidade de Pasárgada». Terão sido os meus neurónios espelho que integraram esta «cultura»? O olhar, os gestos, o tom de voz... estão ligados à verbalização, mas também à relação, à empatia... e ao pensamento e memória, de quem fala e de quem vê e ouve.  Foi a multimodalidade  de Leodegário de Azevedo Filho que sabia pôr em cena os saberes, partilhá-los... que me levou a construir  em longes terras estas reflexões? É verdade , as tecnologias ajudam, mas um professor não é um técnico.    Estou a estudar e a escrever um artigo sobre o assunto!  

Um novo «continente»: dos utilizadores de pacotes de viagem

Fala-se tanto nas habilitações das novas gerações que me dói escrever este comentário. Até porque sou otimista e, para além de confiar na Escola, confio nas outras escolas e até falo de «zonas de proximidade» entre a Escola   e outros espaços reais e virtuais. Com efeito, os cidadãos, hoje, têm possibilidade de ir muito mais longe nas suas aprendizagens...
E... até vão à Tailândia, ficam em hotéis em «duas ilhas: Banguecoque e Phuquet», «ficam felizes porque encontram , nesta última ilha, portugueses, pois em Banguecoque  só tinham encontrado marroquinos e alemões (sic, para o caso de dúvida)». Não conseguem comer nada, porque a comida não presta!

Na Tunísia, como balanço, depois de terem visitado  Cartago, referiam-se a algumas «pedras que não valiam nada!

Noutra situação, uma jovem dizia-me que tinha estado em Paris, «bem foi só de passagem porque ia para Cuba».
«Então esteve em Havana?»- perguntei eu.
«Não fui ao México».
E aí concluí eu:  a jovem tinha ido, possivelmente, à República Dominicana e tinha feito escala em Madrid, para a viagem sair mais barata, mas... já não ousei mais conversas!

Já referi neste blogue, que Cabo Verde não terá nada a ver com Portugal para muitos dos seus visitantes portugueses, como referia espantado um guia turístico.

Assim, parece-me que há um «continente» formado por Cuba, Jamaica, México, República Dominicana, Brasil, Cabo Verde, Tunísia, Tailândia... (não sei se as Canárias e as Baleares fazem parte deste «continente»). É um «continente» sem história, com contornos indefinidos, algures, com mar azul e calor...  

Há uns anos, no âmbito de projetos europeus, pedia a estudantes do ensino superior que desenhassem um mapa com os países da União Europeia (eram poucos, na altura). Vi algumas vezes a Suécia no Mediterrâneo, entre França e Itália, a Espanha a fazer fronteira com a Itália, o Reino Unido, unido a Espanha e até o Brasil na zona de Marrocos!

Pensava  que com o Google Eart ou  Google Maps as coisas melhorariam... Esta Escola virtual também não tem muito bons resultados. E as viagens «reais» também não ajudam! 

sábado, 2 de junho de 2012

Viagem à Tailândia


«Mas, na ponta da terra, Cingapura Verás, onde o caminho às naus se estreita; Daqui tornando a costa à Cinosura, Se encurva e pera a Aurora se endireita. Vês Pam, Patane, reinos, e a longura De Sião, que estes e outros mais sujeita; Olha o rio Menão, que se derrama Do grande lago que Chiamai se chama».

 Acompanhada por Camões cheguei ao Reino de Sião- que passou a Tailândia em 1939. Era o destino mais desejado! Quanto maiores são as expetativas, maiores são as desilusões. Banguecoque é uma cidade construída nas margens de um rio e de canais e que se tem afastado do rio graças ao «progresso»: viadutos, prédios altos, centros comerciais. Mas o Palácio e os templos permanecem e é esta a imagem que ficou e me encantou. Alguns exemplos: O grande Palácio e Wat Phra Kaeo, Wat Pho, Wat Traimit, Wat Arun e os Khlongs:

quinta-feira, 24 de maio de 2012

BANGKOK... contrastes


Uma cidade frenetica, com templos maravilhosos, um rio e muitos canais muito sujos, mas muito animados, muitos, muitos predios. Entre os varios alfabetos do teclado nao encontro acentos! Tenho de dizer... fiquei um bocadinho dececionada. Em vez de explorarem as condicoes do rio e ruas fizeram predios, centros comerciais, progesso... todas as marcas ocidentais! Agora estou em Phuket, nao Patong. Do lado contrario. O passeio a Phanga foi espetacular! Entre muitos rochedos lindissimos estava o do James Bond. Depois ponho fotos!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Também fui vossa «cantora» no espetáculo...


«Todos somos teus cantores» dedicado aos cantores-poetas Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso. O espetáculo comemorou 38 anos do SPGL. Como fui uma das fundadoras... também foi um pouco o meu aniversário. Nem sempre gostei do Sindicato, mas foi uma comemoração muito bonita. Bom gosto, algum revivalismo, mas não piegas. Mesmo se as vozes de Adriano e de Zeca estiveram sempre «em palimpsesto» nas vozes dos cantores presentes, a seleção e a organização foi muito bonita. Obrigada SPGL! Vejam os vídeos no sítio do Sindicato!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Eduardo Lourenço em Tomar


É sempre um prazer ouvir Eduardo Lourenço! A maneira simples como trata assuntos complexos, como, neste caso, a questão da emigração, é surpreendente. Só as pessoas que sabem muito conseguem ser tão claras! (Pelo contrário, repare-se na maneira complicada de explicar de alguns políticos!) Falou da «cortina de pedra» que constituíram os Pirenéus, na década de 60 do século passado - década de empobrecimento em Portugal que levou muitos portugueses a emigrarem. (Para os mais novos... nós já fomos todos muito pobres!). Falou de história, de sociedade, de cultura, como de costume. E incentivou-me a ler José Rodrigues Miguéis, nomeadamente «Uma aventura inquietante» (Romance), 1958. Confesso que só li «A escola do paraíso»! É este convite que deixo aos meus leitores!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

APEF- Colóquio Internacional Línguas Estrangeiras

Como se pode ler na apresentação deste Colóquio: «Reformas educativas e políticas linguísticas para o ensino das línguas estrangeiras: do século XIX ao século XXI Colóquio internacional APHELLE, APEF Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, 20-21 de setembro 2012 Num mundo cada vez mais dominado por questões de ordem económica, a tentação de reduzir gastos relacionados com a educação e a cultura dos cidadãos parece ser para alguns a solução para todos os problemas com os quais as sociedades atuais se confrontam. Por toda a parte se assiste a uma pretensa racionalização dos meios que mais não é que uma estratégia seguida por alguns para impor à maioria uma visão tecnicista e economicista da sociedade. Um mundo pós-babel onde todos falariam a mesma língua (economicamente dominante em determinado período) mas no qual ninguém se entenderia por ver negada a sua diversidade cultural e linguística. O colóquio que a APHELLE (Associação Portuguesa para a História do Ensino das Línguas e Literaturas Estrangeiras) e a APEF (Associação Portuguesa de Estudos Franceses) pretendem levar a cabo, em colaboração com a FLUL, será um momento de reflexão sobre o contributo histórico que a investigação em torno da aprendizagem das línguas no passado, nos diferentes níveis de ensino, pode trazer para o debate atual e polémico sobre as mudanças de perspetiva e de paradigma no campo do ensino das línguas estrangeiras. Convidamos, por isso, todos os especialistas e estudiosos da área da História da Educação e do Ensino das Línguas Estrangeiras, assim como da área da Didática das diferentes línguas, a enviar, até 15 de julho, uma proposta de comunicação (resumo de aproximadamente 300 palavras, acompanhado de um breve CV), mediante escolha a efetuar nos seguintes eixos temáticos: 1. Visões históricas do ensino das línguas estrangeiras do século XIX ao século XX: 2. 1.1. Reformas de ensino das línguas vivas (do ensino liceal ao ensino superior) 1.2. Lugar do ensino das línguas e suas representações educativas 1.3. Políticas educativas e sua implementação no ensino oficial e particular 1.4. Figuras tutelares do ensino das línguas e das literaturas estrangeiras 3. Perspetivas futuras de desenvolvimento nas escolas e nas universidades: 2.1. Que política(s) linguística(s) para o século XXI em Portugal e na Europa nos diferentes níveis de ensino? 2.2. Reformas de ensino atuais e suas implicações sobre o ensino das línguas (do 1º ciclo ao ensino superior) 2.3. Orientações europeias e aprendizagem de uma segunda língua estrangeira 2.4. Multilinguismo e ensino: exemplos de boas práticas As línguas de comunicação serão: português, inglês, francês e espanhol. O envio das propostas de colaboração deverá ser efetuado para o seguinte endereço eletrónico: aphelleapef2012@gmail.com ou para anaclaravsantos@gmail.com »

A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»

A propósito de artigo de Daniel Bessa  no jornal «Expresso» de  hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....