quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Realidade aumentada e virtu-realidade

Em 2010,  analisei com os meus  alunos de ECM o impacto da realidade aumentada na educação- não  teria podido ser antes. Agora, começam a ver-se efeitos, sobretudo na georeferenciação em cidades como Londres ou Paris.
Aqui está um exemplo no  ensino da leitura, não sei se é muito inovador pedagogicamente,  mas que os meninos se divertem  parece, pelo menos, enquanto é novidade!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Creta e Santorini... como é que a Grécia pode respeitar regras europeias...?

Estou a chegar de Creta... Férias magníficas! Com  deslocação a Santorini. Tirando a greve dos taxistas  que nos obrigou a transportar malas durante mais de meia hora até aos autocarros, não poderiam ter corrido melhor! Já era a 2ª vez em Creta.  Na zona de Agios Nicholaus, no Golfo de Mirabello. Um local paradisíaco, com pequenas praias com  mar transparente.  Há horas em que  plásticos invadem as praias: Há que fazer alguma coisa. Os responsáveis pelas praias municipais pescam os plásticos, mas é importante  reconverter barcos com essa tarefa. 
Não houve nenhum João Jardim  em Creta. Não há auto-estradas nem túneis... viadutos...  mesmo na que  se denomina «auto-estrada»,  encosta-se na via de segurança quando alguém faz sinal de ultrapassagem   e passa-se o traço contínuo para ultrapassar. ..Toda a gente faz isto de modo simpático. Aliás toda a gente faz tudo de modo simpático , satisfeito... os empregados de hotel, os empregados de restaurantes... não há meninas e meninos mal humorados ou contrariados...  pelo que, se interrogados sobre a crise... respondem com um sorriso. E tudo é barato para nós!

Cnossos ou  Festos...  colunas numa das praias desertas de Elounda!!!... ou  Gournia! 
Cidades... Agia Nicholaus e Chania... desta vez não deu para ir a Rethymno ou  Festos ou Agia Galinea. A presença  da influência de Veneza  em Creta  é visível talvez mais em Rethymno...mas a ilha é muito comprida e não há estradas. «Sigá, sigá» é o lema...lentamente, lentamente, com prazer!

Com tantas ilhas (2000), nem todas  habitadas, mas com ferries, voos, serviços...como é possível respeitar «pacotes»! Mas que é um prazer não cumprir um dever...

E depois Santorini...  cidades no cimo do monte, as igrejas ortodoxas, as casas, os burros... um café  gelado ou um sumo em frente à cratera submersa do vulcão... que beleza, mas  ao mesmo tempo  sentimento transitório da vida! 


       

  

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Google Effects on Memory

A capacidade de memorizar está alterar-se. Memorizamos mais facilmente a localização da informação do que esta, segundo estudo de Betsy Sparrow, publicado na Science. Memorizamos também mais facilmente a informação que achamos  que não está posteriormente disponível para consulta.
Isto faz-me pensar nos Power point que são dados ou não aos alunos. Parece que tenho razão em ter deixado de os disponibilizar. Primeiro os alunos tiram notas e depois...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Governo, os homens apressados e as «medidinhas»...

Bem queria confiar, mas pelo que tenho lido... um ministro a gabar-se de ter apresentado uma situação financeira do meu país em 180 segundos aos parceiros europeus! O formato Pechakucha é útil para apresentarmos comunicações em colóquios... mas... O que o Senhor Dr. Teixeira dos Santos demorou tanto tempo a explicar seria afinal assim tão simples?

E já agora a questão de um 1º Ministro que não quer residir na Residência Oficial. Será que este acto significa medo de assumir as responsabilidades? Não faço esta interpretação, até porque não sou psicanalista, mas faço outra baseada nos meus estudos que, por acaso,  levam muito tempo. O espaço  desempenha um papel simbólico  de poder que é bom que os governantes exerçam com competência. Um primeiro ministro deve respeitar esse lugar simbólico! Da mesma maneira que tem direitos pelo facto de desempenhar este cargo.  Prescindir de alguns pode ser útil para o país, mas, por exemplo, pelo que li... viajar em 2ª na TAP significa ocupar um lugar dos que eventualmente  seriam vendidos, quando, de todas as maneiras,  não pagaria em 1ª classe, lugar que possivelmente não seria vendido!

Quanto a Massamá, local que não conheço, mas já que adquiriu valor simbólico, será que não seria boa ideia o Senhor Ministro da Educação e o Senhor Ministro da Saúde fazerem  um pequeno - já não digo grande - de 2 ou 3 dias nos respectivos serviços nesta zona da periferia de Lisboa?

Sugestão de professora que conhece bem as escolas e até serviços de saúde!


A «bota não bate com a perdigota»... sublinho que o 1º Ministro parece utilizar menos expressões figurativas, nos últimos tempos. Anunciam-se medidas ridículas a embrulhar medidas tão dolorosas para tanta gente! Se, ao menos nós pudéssemos acreditar ... mas Senhores ministros, em termos comunicacionais, como os vossos assessores lhes devem dizer, estas medidas (polulistas num primeiro tempo) estão a «desqualificar» a comunicação dos assuntos sérios!   

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Festa dos tabuleiros... um encontro de culturas!



Festa pagã com a celebração da abundância, festa  inserida no culto católico ao Divino Espirito Santo ... momento de encontro de todos os tomarenses e familiares com cidadãos do Mundo... Marcada  por forte religiosidade... trabalho e  envolvimento, durante 4 anos,  de velhos e novos... este ano uma das ruas mais giras foi  decorada por gabinete de jovens designers moradores na rua!
Até pretexto para políticos, como o «Conde de Abranhos» local e outros aparecerem! Não havia necessidade! Seria preferível ficarem a estudar os dossiers!  Ou então serve de exemplo. Mostra como uma festa não se organiza de um dia para o outro! 

O ministro Conde de Abranhos

Tenho esperado para ver... Mas como não gosto do que estou a ver e  a ler sobre o novo Governo... Permitam-me que comece com a entrevista de Miguel Relvas (por exemplo, anteontem a passear-se em Tomar) ao jornal Templário  e que depois me centre no Ministro Conde de Abranhos.

Devo dizer que gostaria de não fazer estas associações, mas... por favor ...  Senhores Ministros ... já que a preparação  e experiência de alguns  parece não ser grande ... estudem dossiers! Fiquem em casa a estudar antes de falar! É um pedido sincero  e bem intencionado, recorrendo ao humor de Eça de Queirós.

Templário-  «Quais as expectativas em relação a este elenco governativo que acusam de ser tecnocrático?»


José Relvas -« As melhores possíveis. É um Governo dinâmico, de gente sã e muito bem preparada, que tem pela frente uma das mais difíceis tarefas de que há memória no Portugal moderno. É um Governo que vai devolver aos portugueses o futuro, não tenho dúvidas».

E passando  aos tempos de Eça de Queirós... conheçamos o Ministro Conde de Abranhos:
 
«Portugal sabe bem que o Ministério Nacional durou dois anos e o que foi a administração do Conde d'Abranhos nos negócios da Marinha e Ultramar.

Dois serviços que se completam e vivem um pelo outro – as Colónias e a Armada – constituem esse ministério, e, em ambos eles, Alípio Abranhos deixou os esplêndidos vestígios do seu génio administrativo. E notai que o Conde não era, como vulgarmente se diz, um homem do ofício. Até à idade de vinte e um anos – em que, nas. férias do ponto, fez uma visita à praia pitoresca de Buarcos – nunca tinha visto o mar. E esse formidável elemento, que cobre as quatro quintas partes do globo – mundo de trevas e de mistério, juncado de destroços, asfixiador, hostil ao homem – deu-lhe uma impressão que, segundo ele me disse, com aquele vigor pitoresco da sua frase, lhe fizera eriçar todos os cabelos do corpo.

Sempre detestou o mar, e se alguma vez passou a estação calmosa em Cascais, foi unicamente em respeito aos deveres sociais da sua posição no País, ou para comprazer com D. Virgínia, e depois com sua segunda mulher, a respeitável Condessa d'Abranhos. Tal era esta repugnância, que o Conde d'Abranhos nunca visitou a Inglaterra, porque, sendo esse

grande país dos Pitts e dos Chaucers infelizmente uma ilha, não lhe seria possível visitá-lo sem embarcar: e o horror do Conde aos navios era invencível.

Era mesmo um sacrifício grave, quando as suas altas funções o forçavam a visitar algum navio de guerra. De resto, a mesma paisagem marítima – essa infinidade de água azul – causava-lhe,como ele dizia, «um peso estúpido na cabeça», e é portanto mais para admirar que, com esta antipatia pelo mar e por tudo que dele vive ou nele trabalha, dirigisse as repartições da
Marinha com tão grande brilho.

Outra circunstância que torna mais admiráveis esses serviços, é o facto do Conde – tendo dado todo o seu tempo ao estudo das questões sociais – jamais se ter ocupado do conhecimento subalterno da geografia. Segundo ele dizia, nunca pudera reter todos esses nomes esquisitos e bárbaros de rios, cordilheiras, vulcões, cabos, istmos! Assim, por exemplo, nunca compreendeu, confessou-mo muitas vezes, esses cálculos estranhos degraus, latitudes e longitudes, nem dava grande crédito à ciência da navegação. E mais nos admiramos ainda dos serviços que prestou, quando sabemos que o seu conhecimento das nossas colónias não era detalhado. Disse-se, por exemplo, que só.depois de dezoito meses de ministro é que soube, por acaso, onde ficava Timor! Dezoito meses é um exagero pérfido de oposição mesquinha. Mas, aceitemos mesmo que só adquirisse essa insignificante informação depois de alguns meses de gerência dos negócios coloniais: – o queprova isso, senão que a sua vasta inteligência, toda voltada para os altos problemas políticos, não dava valor a essas pequenas ciências de exactidão local?

Uma ocasião, na Câmara, ele falava de Moçambique como se considerasse essa nossa possessão na costa ocidental da África. Alguns deputados mais miudamente instruídos dessesdetalhes, gritaram-lhe com furor.

– Moçambique é na costa oriental, Sr. Ministro da Marinha!

A réplica do Conde é genial:

– Que fique na costa ocidental ou na costa oriental, nada tira a que seja verdadeira a doutrina que estabeleço. Os regulamentos não mudam com as latitudes!

Esta réplica vem mais uma vez provar que o Conde se ocupava sobretudo de ideias gerais,dignas do seu grande espírito, e não se demorava nessa verificação microscópica de detalhes práticos, que preocupam os espíritos subalternos.

Não me compete, porém, nestas reminiscências íntimas do Conde d'Abranhos, fazer a história política da sua administração nos negócios da Marinha. Essa missão gloriosa pertence aos Herculanos e aos Rebelos do século XX.

Eu desejei somente, sem invadir o solo pomposo e difícil da História, deixar aqui consignado que, na minha opinião, de todos esses estadistas, esses poetas ardentes, esses moços de  largo sopro lírico, esses estimáveis cavalheiros que em Portugal, desde a outorga da Carta,têm dirigido os negócios da Marinha e Ultramar, nenhum, como Alípio Abranhos, compreendeu tão patrioticamente o espírito de que deve inspirar-se a nossa política colonial.»


As páginas do deputado Alípio Abranhos sobre educação ou reforma administrativa são uma delícia... Tudo é delicioso e há tantas semelhanças!






















REDINTER, multimodalité et eye tracking.

REDINTER

Intercompreensão é uma finalidade de toda a educação... todos procuramos compreender-nos  para podermos co-habitar (D. Wolton). É, assim , um valor, mas  que  pressupõe uma atitude ou atitudes de abertura, de disponibilidade, de prazer em estar com outros, certamente diferentes. (Foi isso que aconteceu, em Viseu, durante este fim de semana, na reunião internacional  organizada pela instituição coordenadora, a Universidade Católica)

Por isso, é reconhecida como uma «abordagem plural» no ensino das línguas. Abordagem que implica a adopção de estratégias de intercompreensão, recorrendo a recursos e dispositivos  numa pluralidade de línguas e linguagens e portanto multimodais. Entra na definição de Didáctica das Línguas -Culturas proposta por R. Galisson, já que parte da contextualização, implica  observação e conceptualização e tem implicações sociais.

A REDINTER tem federado estudos sobre  a própria definição, sobre práticas, sobre políticas de Intercompreensão. Veja-se a Revista REDINTER- Intercompreensão.

D'après moi,  modestement, ou pas modestement, la question de la multimodalité n'a pas suffisamment été mise en évidence dans la recherche sur l'Intercompréhension. Il me semble donc un domaine à approfondir. De même,  la recherche sur les processus de lecture à travers les possibilités ouvertes par les dispositifs de eye tracking.

Par exemple, comment avez-vous lu les deux extraits en portugais et en français.  Quels liens avez-vous suivi? Vos yeux se sont-ils  fixés sur quels mots, phrases...?

A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»

A propósito de artigo de Daniel Bessa  no jornal «Expresso» de  hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....