quinta-feira, 21 de abril de 2011

Todos os professores são professores de Português

Consideramos geralmente que os trabalhos do Conselho da Europa se destinam às línguas línguas estrangeira. Ora   La Platforme de ressources et de références pour une éducation plurilingue et interculturelle  tem materiais importantíssimos não só como para línguas estrangeiras, segundas, minoritárias, mas também para a língua materna enquanto disciplina escolar e língua materna nas outras disciplinas escolares. Chamo  a atenção para  os artigos sobre os discursos de  História  e Ciências experimentais de Jean Claude Beacco e  Helmut Vollmer respectivamente.

O quadro geral é traçado neste texto:

Langue et matières scolaires Dimensions linguistiques de la construction des connaissances dans les curriculums
Jean-Claude Beacco, Daniel Coste, Piet-Hein van de Ven et
Helmut Vollmer
Document préparé pour le Forum politique Le droit des apprenants à la qualité et l’équité en éducation
– Le rôle des compétences linguistiques et interculturelles
Genève, Suisse, 2-4 novembre 2010
Division des  Politiques linguistiques.

Neste documento, a questão das línguas é vista numa perspectiva geral de educação plurilingue e pluricultural, como se pode ler:

«on pose donc que la construction des connaissances dans les différentes matières dépend largement d’une meilleure maîtrise des discours scientifiques, artistiques et techniques produits dans la langue de scolarisation. Or, souvent, soit cette langue est réputée commune et supposée transparente, soit la spécificité des discours scientifiques est ramenée au seul lexique spécialisé. Nombre d’élèves – et tout
particulièrement une bonne part de ceux issus de milieux défavorisés - rencontrent des difficultés d’apprentissage qui tiennent non seulement au fait que leurs savoirs spontanés se trouvent en décalage avec les connaissances à acquérir, mais aussi à ce que leur répertoire discursif (les genres qu’ils connaissent et pratiquent) ne comporte pas - ou ne comporte que peu - de genres relevant des discours scientifiques (...)Valoriser et élargir les répertoires langagiers des apprenants et accroître leur maîtrise de nouveaux genres de discours est une des finalités de l’éducation plurilingue et interculturelle».
Como se pode ler no relatório do Gave já referido neste blogue, muitas dificuldades dos alunos do ensino secundário nas provas de Geologia ou de Matemática estão no domínio da língua materna.  Para não falar  de dificuldades de alunos do Ensino Superior!!!

É por isso que  me parece que estes textos são de leitura obrigatória para todos os professores do Secundário. E   talvez do Superior...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pergunta para os jornalistas fazerem a candidatos a deputados...

Todos os candidatos a deputado deveriam fazer uma prova de acesso à carreira ou ter «cv relevante».  Sugiro uma pergunta eliminatória:

Que lugar se deve atribuir ao  Conde da Abranhos? Secretaria de Estado, Direcção Geral? 


No artigo anterior cometi um erro. Digo que os «jotas» adquiriram competência comunicativa. Ora a competência comunicativa implica, para além das dimensões linguística, discursiva e sociocultural, a referencial.  O que falta, muitas vezes,  aos candidatos a cargos, daí o «discurso líquido»! Ou «pitoresco» com «cartolas de onde saem coelhos»,  «esqueletos nos armários». É certo que o Professor  Marcelo de Sousa também terminou a sua  intervenção com uma expressão figurativa inacabada que o espectador completou «quem se lixa é o mexilhão». Mas, primeiro, teve uma função pragmática, concluir uma perspectiva pessimista com algum humor e depois  o Senhor Professor tem «legitimidade» para jogar com as palavras porque tem competências referenciais, socioculturais...

Precisam-se bons economistas, engenheiros... e não jotas

Desabafo de professora e de cidadã!

Em 1975,  tive uma turma com  32 alunos, os melhores e os piores alunos da minha vida profissional: juventudes MRPP, PC, PS, PSD, CDS... e outros de cujas siglas já nem me lembro.    Os bons alunos tinham, uma cultura espantosa,  liam tudo o que era proposto, e mais...,  para poderem  fundamentar as respostas.  Os outros...  limitavam-se a copiá-los.  Os bons iam sempre às aulas... era um prazer!  Mas, tinha de eliminar as respostas com  que alguns, teimosamente, concluiam  os testes: «e viva a classe operária!»  e outros slogans do mesmo tipo. Depois,  fui tendo  «jotas» mais moderados, mas ... com um  grande problema: fazem obstáculo epistemológico. Estão tão cheios de certezas que não ouvem  e não percebem factos e saberes.  Falta-lhes, na maioria, capacidade de se distanciarem.  Não são capazes de distinguir o interessante do demonstrativo. Como não vão, muitas vezes  às aulas ... colam os conhecimentos à pressa na memória. E, como tal, os resultados não são brilhantes. Como, normalmente, até são dirigentes associativos- e devo reconhecer  a importãncia destes cargos no desenvolvimento de competências relacionais e comunicativas - têm direito a épocas especiais, em função dos diferentes regulamentos das instituições e vão fazendo exames...  repetem, repetem ... até que saem licenciados...

Ora tanto  quanto sei - o mundo dos professores é pequeno! - há por aí muitos maus alunos a  «candidatar-se» a lugares de ministros.  Que fizeram na vida? Foram alunos medíocres, poucos saberes adquiriram, não são especialistas de nada,  ocuparam lugares na política quando andavam de fraldas, também não tiveram tempo para aprofundar nada...

Por favor,  nesta altura os competentes têm obrigação de aceitar lugares!   Sigam o conselho do Senhor Cardeal Patrirca!



 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Logotipos Google

Os logotipos comemorativos da Google são geralmente espantosos, mas o vídeo  de hoje dedicado a Chaplin  é  uma maravilha... e depois há  as explorações pedagógicas...  É por isso, pela constante imprevisibilidade  dos materiais pedagógicos que tenho tanta pena de não estar a dar aulas, todos os dias. E ainda há professores que utilizam os mesmos materiais anos e anos! Não quer dizer que alguns documentos e, em algumas disciplinas, não sejam  «imortais» (como os filmes de Charlot), mas, em  mediaculturas, surgem todos os dias novos documentos, estabelecendo pontes entre  as culturas eruditas e as culturas populares, entre o passado e  o presente  (de acordo com a própria designação de mediaculturas). O que implica que o professor altere planificações em função da imprevisibilidade dessas culturas.

Didactique du français langue étrangère

Grao Ediciones vient de publier trois ouvrages coordonnées para Carmen Guillén. Je suis en train de les lire pour présenter un compte-rendu, mais je vous laisse avec les présentations de l'éditeur et une invitation à la lecture.
«Didáctica del francés
En aquest llibre s'aborden els continguts metodològics i tècnics relatius als actes professionals de programar, intervenir i avaluar. S'ofereix un itinerari formatiu en 8 capítols, les unitats didàctiques dels quals, activitats, materials i recursos es tracten des de la perspectiva d'una planificació estratègica coherent.

Carmen Guillén Díaz, Juan María Supiot Ripoll, Carmen Vera Pérez, M. Luisa Villanueva Alfonso, Guillaume Gravé-Rousseau, Jerome Béliard, Evelyne Bérard, Jean Michael Ducrot

Francés. Complementos de formación disciplinar
Elements que componen el currículum de la matèria Llengua estrangera, Francès. S'ofereix un itinerari formatiu de 8 capítols que s'han redactat en francès per afavorir el tractament dels termes i nocions d'especialitat i garantir la seva utilització efectiva com a factor de desenvolupament i inserció professional docent.

Carmen Guillén Díaz, Christian Jean Puren, Magdalena De Carlo, Jean Michael Ducrot, Beatriz Mangada Cañas

Francés. Investigación, innovación y buenas prácticas
Llibre que aborda els continguts relatius a investigació, observació, experimentació i innovació, i ofereix un itinerari formatiu que aborda la problemàtica del desenvolupament del currículum en la seva dimensió de gestió i aplicació pràctica. Compagina el rigor científic amb una presentació pràctica.

Carmen Guillén Díaz, Gemma Sanz Espinar, Juan María Supiot Ripoll, Félix Núñez París, Juan Ángel Canal Diez, Clara Ferrao Tavares, Faouzia Messaoudi»

terça-feira, 12 de abril de 2011

Catar livros

Novo site para crianças. Obrigatório para pais e profesores e para quem constrói sites para crianças

Empregabilidade, adaptabilidade e competência plurilingue

Os filhos dos meus amigos estão quase todos empregados. Uns em Portugal (por vezes em empresas internacionais), outros em Espanha, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Alemanha...

Quais as razões?
A primeira será a capacidade de adaptação. Habituados  a ver os pais sem horários, a andar de mala às costas, a ter de gerir orçamentos limitados, a comer sandes quando é preciso e quando há tempo para isso... adaptam-se facilmente a qualquer contexto.

Começaram, quase todos, a trabalhar quando começaram os cursos superiores. Com uma formação num sítio, outra noutro... foram  acumulando habilitações no CV que, no final do curso, implicaram diferenças em relação a outros candidatos.

E sobretudo, além de falarem português sem dizerem «hades»,  «houveram formações«, «fizestes», que «as suas ideias vão de encontro à empresa»... Saberem que  não podem tratar o superior hierárquico por você, que não podem passar a porta antes do chefe, que não podem ficar sentados quando o chefe está de pé... que devem vestir-se de acordo com o código vestimentar da empresa...

Têm competêcia plurilingue. Dominam o inglês  sem problemas, mas  falam outras línguas: francês, espanhol, alemão... e adquiriram cedo as capacidades para poder aprender outras línguas sem problemas (e fazer os exames correspondentes, em tempo limitado).

E outros alunos do ensino superior que conheço? Pedem traduções de  inglês,  de francês nem querem ouvir falar... «castelhano  dá muito trabalho» e «português do Brasil parece diferente»... E os professores até lhes fazem as vontades! É assim que contribuem para a empregabilidade?

Escola fácil, vida difícil, escola difícil vida fácil ... retomo Valadares Tavares.

A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»

A propósito de artigo de Daniel Bessa  no jornal «Expresso» de  hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....