Blogue de professora de didáctica das línguas, de análise do discurso dos média, de comunicação, de mediaculturas... com «aulas virtureais»... e alguns desabafos.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Efeitos da comunicação paradoxal
Discurso paradoxal gerou situações paradoxais de acordo com a Pragmática. E agora em quem vamos confiar?
Cinema francês
Dois filmes franceses: Potiche e Copacabana.
Duas histórias com exploração inteligente de estereótipos. Uma óptima maneira de nos divertirmos nestes tempos... E ainda... um Francês tão bonito, tão bem articulado.
Vale a pena.Exploração pedagógica.
Duas histórias com exploração inteligente de estereótipos. Uma óptima maneira de nos divertirmos nestes tempos... E ainda... um Francês tão bonito, tão bem articulado.
Vale a pena.Exploração pedagógica.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Discurso Político - O discurso «líquido» e popular
O discurso político era normalmente caracterizado como sendo «langue de bois», quer dizer um discurso com alguma complexidade, com alguma especificidade, tornando-se difícil para o público que considerava que quem era capaz de produzir este discurso sabia do que estava a falar (mesmo que nem sempre acrescentasse muito). Em Portugal, os discursos do antigo Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, foram algumas vezes analisados em termos de «langue de bois». Nem sempre os percebíamos mas sabíamos que eram credíveis.
Parece que o discurso político está a mudar. Na preparação deste post sobre o discurso do Dr. Passos Coelho, acabei por encontrar uma análise sobre a mudança do discurso «langue de bois» para «discurso líquido» no Brasil. Por isso, não é só aqui...
Então vejamos:
Segundo Lívia Falconi ,«O discurso político se caracteriza como um discurso “líquido”, denominação vinda da obra Modernidade Líquida de Zygmunt Baumam, de “fala breve e efêmera (...) discurso curto, descontínuo e ininterrupto” (Courtine,2006), do qual é difícil depreender algo, pois é fluído».
Analisemos então algumas marcas do discurso do Dr. Passos Coelho que tenho vindo a registar:
Marcas de pessoa- Emprego do eu «como (eu) estou convicto que vai haver..convicto de que da clarificação desta crise... «Eu acho...», «Eu penso»
Ou então «O PSD acha», no qual se inclui o eu do líder (cf artigos sobre o achativo).
Emprego de expressões avaliativas: «inevitabilidade», «brevemente», «governo forte», «o pior que...», «clima irrespirável»,«situação pantanosa», «governo mais forte do que este, mais autoridade e mais respeitador», «trapalhadas» (com repetição)...
Emprego de expressões figurativas e metáforas: «perder o comboio», «pingue-pongue», «passo em frente», «estar de calças na mão»!!! «descalçar a bota»...
Estas expressões que podem dar expressividade e clareza a um discurso político se usadas com parcimónia, usadas «a torto e a direito» - como é o caso no discurso de Passos Coelho- reforçam o lado «líquido» do discurso- ou «pastoso»- creio que foi o adjectivo usado pelo Dr. Pacheco Pereira. O emprego de «abrangente, consenso alargado», «solução forte» ... mostram a falta de solidez das propostas.
Quando a crise está à nossa frente como é que pode ser considerada «uma bota»?
Esta metáfora, então, permitam-me o uso do discurso «achativo», «é inaceitável» e choca os portugueses que sofrem o efeito da crise que infelizmente não é uma «bota». Até porque o referido político, ou os políticos que o rodeiam - também com discurso líquido- não nos estão a falar com acções. O Dr. Paulo Portas tem um discurso «langue-de-bois», mas avança - possivelmente até de mais- mostra solidez, estudo dos dossiers.O discurso do Senhor Primeiro Ministro ou o discurso do Senhor Ministro Teixeira dos Santos podem sofrer de «langue de bois», carregados com números e acções, verbos, ausência de termos genéricos. Podemos não gostar - e eu nem sempre gosto, nem das palavras nem das acções,nem do ar com que são apresentados ... mas eu acredito no esforço, no trabalho, no estudo e tenho esperança no resultado.
Onde está o «trabalho de casa» de Passos Coelho ou de Miguel Relvas?
O público não precisa de tanta proximidade, nem a deseja! Um discurso para ser claro não precisa de ser «pitoresco»!
Voltando ao emprego destas expressões com parcimónia. O antigo Presidente da República Dr. Mário Soares diz que o «Senhor Presidente da República não pode sacudir a água do capote». Expressão figurativa também, mas sem carga negativa. A expressão figurativa reforça o apelo «angustiado». Além disso, o Senhor Dr. Mário refere-se ao «Senhor Presidente da República» - e não «ao Presidente da República» como muitos políticos e jornalistas, que possivelmente já não sabem também que o emprego de «o Cavaco», ou «o Sócrates» «desqualifica» os políticos em cargos nacionais.
Podemos suprimir, antes de ou depois do desempenho dos cargos, o «Senhor», ou podemos, quando muito, utilizar o nome sem artigo. Se o Dr. Passos Coelho ou se Passos Coelho for a primeiro ministro escreverei, certamente, «o Senhor Primeiro Ministro».
Parece que o discurso político está a mudar. Na preparação deste post sobre o discurso do Dr. Passos Coelho, acabei por encontrar uma análise sobre a mudança do discurso «langue de bois» para «discurso líquido» no Brasil. Por isso, não é só aqui...
Então vejamos:
Segundo Lívia Falconi ,«O discurso político se caracteriza como um discurso “líquido”, denominação vinda da obra Modernidade Líquida de Zygmunt Baumam, de “fala breve e efêmera (...) discurso curto, descontínuo e ininterrupto” (Courtine,2006), do qual é difícil depreender algo, pois é fluído».
Analisemos então algumas marcas do discurso do Dr. Passos Coelho que tenho vindo a registar:
Marcas de pessoa- Emprego do eu «como (eu) estou convicto que vai haver..convicto de que da clarificação desta crise... «Eu acho...», «Eu penso»
Ou então «O PSD acha», no qual se inclui o eu do líder (cf artigos sobre o achativo).
Emprego de expressões avaliativas: «inevitabilidade», «brevemente», «governo forte», «o pior que...», «clima irrespirável»,«situação pantanosa», «governo mais forte do que este, mais autoridade e mais respeitador», «trapalhadas» (com repetição)...
Emprego de expressões figurativas e metáforas: «perder o comboio», «pingue-pongue», «passo em frente», «estar de calças na mão»!!! «descalçar a bota»...
Estas expressões que podem dar expressividade e clareza a um discurso político se usadas com parcimónia, usadas «a torto e a direito» - como é o caso no discurso de Passos Coelho- reforçam o lado «líquido» do discurso- ou «pastoso»- creio que foi o adjectivo usado pelo Dr. Pacheco Pereira. O emprego de «abrangente, consenso alargado», «solução forte» ... mostram a falta de solidez das propostas.
Quando a crise está à nossa frente como é que pode ser considerada «uma bota»?
Esta metáfora, então, permitam-me o uso do discurso «achativo», «é inaceitável» e choca os portugueses que sofrem o efeito da crise que infelizmente não é uma «bota». Até porque o referido político, ou os políticos que o rodeiam - também com discurso líquido- não nos estão a falar com acções. O Dr. Paulo Portas tem um discurso «langue-de-bois», mas avança - possivelmente até de mais- mostra solidez, estudo dos dossiers.O discurso do Senhor Primeiro Ministro ou o discurso do Senhor Ministro Teixeira dos Santos podem sofrer de «langue de bois», carregados com números e acções, verbos, ausência de termos genéricos. Podemos não gostar - e eu nem sempre gosto, nem das palavras nem das acções,nem do ar com que são apresentados ... mas eu acredito no esforço, no trabalho, no estudo e tenho esperança no resultado.
Onde está o «trabalho de casa» de Passos Coelho ou de Miguel Relvas?
O público não precisa de tanta proximidade, nem a deseja! Um discurso para ser claro não precisa de ser «pitoresco»!
Voltando ao emprego destas expressões com parcimónia. O antigo Presidente da República Dr. Mário Soares diz que o «Senhor Presidente da República não pode sacudir a água do capote». Expressão figurativa também, mas sem carga negativa. A expressão figurativa reforça o apelo «angustiado». Além disso, o Senhor Dr. Mário refere-se ao «Senhor Presidente da República» - e não «ao Presidente da República» como muitos políticos e jornalistas, que possivelmente já não sabem também que o emprego de «o Cavaco», ou «o Sócrates» «desqualifica» os políticos em cargos nacionais.
Podemos suprimir, antes de ou depois do desempenho dos cargos, o «Senhor», ou podemos, quando muito, utilizar o nome sem artigo. Se o Dr. Passos Coelho ou se Passos Coelho for a primeiro ministro escreverei, certamente, «o Senhor Primeiro Ministro».
quinta-feira, 17 de março de 2011
E como gosto de provocar, mais um autor a falar de Power Point
Título polémico de Edward Tufte - que não é professor- «PowerPoint Is Evil».
Artigo publicado na revista de referência das Tecnologias Wired.A aplicação para iPad é fabulosa!
Artigo publicado na revista de referência das Tecnologias Wired.A aplicação para iPad é fabulosa!
Universidade de Pasárgada já tem alunos que falam!
Finalmente começo a ter reacções aos meus artigos. Os meus ex-alunos estão a reagir no Facebook.
E que lerão os leitores do Japão, Malásia, Hungria, Canadá, Brasil, Estados Unidos... e de muitos mais países?
Não me querem dizer se gostam, não gostam, dizer preferências...
O blogue é muito solitário. Sei que há muita gente a ver - mesmo não sendo um blogue polémico e por isso sem a massa de leitores dos outros. É uma «Universidade», mesmo sendo de Pasárgada! Mas,às vezes apetece desistir.
Interacção precisa-se!
E que lerão os leitores do Japão, Malásia, Hungria, Canadá, Brasil, Estados Unidos... e de muitos mais países?
Não me querem dizer se gostam, não gostam, dizer preferências...
O blogue é muito solitário. Sei que há muita gente a ver - mesmo não sendo um blogue polémico e por isso sem a massa de leitores dos outros. É uma «Universidade», mesmo sendo de Pasárgada! Mas,às vezes apetece desistir.
Interacção precisa-se!
Prezi e .... pensamento «power point»
As questões cognitivas e comunicativas não ficam resolvidas com outros programas. Estão a acentuá-las. No Prezi, deixa de haver hierarquização da informação. Mesmo a excessiva linearização do power point, como molde do pensamento, constitui uma vantagem- até certo ponto - em termos de aprendizagem. Por outro lado, a policronia gerada pelos novos programas, pode levar a maior curiosidade no princípio - antes da banalização do dispositivo- mas implica menos tempo para a estruturação do conhecimento. Impressão de aprendizagem, mas superficialidade.
La pensée Power Point
C'est titre d'un ouvrage de Franck Frommer que je viens de découvrir.
Power point logiciel ou média? c'est l'un des sujets de la vidéo.
Moi j'ajouerai à la question, en pensant aux usages de la maternelle au supérieur, nouveau genre scolaire ou l'exposé revisité? (Et j'ai envie d'ajouter encore, aide fabuleux pour des conférenciers, professeurs, étudiants médiocres communicateurs et totalement dispensable pour les bons communicateurs qui n'ont pas besoin d'un logiciel banalisé (tout dépend bien évidemment du contenu et des qualités du conférencier pour s'en servir)? J'en ai déjà parlé et je donne quelques suggestions d'utilisation. Qu'on le veuille ou non on l'utilise.
Power point logiciel ou média? c'est l'un des sujets de la vidéo.
Moi j'ajouerai à la question, en pensant aux usages de la maternelle au supérieur, nouveau genre scolaire ou l'exposé revisité? (Et j'ai envie d'ajouter encore, aide fabuleux pour des conférenciers, professeurs, étudiants médiocres communicateurs et totalement dispensable pour les bons communicateurs qui n'ont pas besoin d'un logiciel banalisé (tout dépend bien évidemment du contenu et des qualités du conférencier pour s'en servir)? J'en ai déjà parlé et je donne quelques suggestions d'utilisation. Qu'on le veuille ou non on l'utilise.
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A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»
A propósito de artigo de Daniel Bessa no jornal «Expresso» de hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....