Blogue de professora de didáctica das línguas, de análise do discurso dos média, de comunicação, de mediaculturas... com «aulas virtureais»... e alguns desabafos.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Pintura... com gripe
Como não conseguia ler ... pintei «à maneira de...». Não sei de quem, mas lembro-me de ter visto algo parecido algures. E há, vagamente , o absinto... e uma mulher de brinco... também em palimpsesto.
Construção de sítios, power point, trabalhos e … palimpsestos verbais e icónicos
Um palimpsesto é um «papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi rasgado para dar lugar a outro» (Dicionário Houaiss). Robert Galisson utiliza este termo para mostrar como a cultura impregna a língua, já que, por detrás de um enunciado se encontram muitas vezes outros enunciados, como «un train peu en cacher un autre».
A redacção de slogans e de títulos de jornais está cheia de palimpsestos. Veja-se, por exemplo, o título de uma peça sobre a necessidade de reduzir nos gastos dos casamentos na Índia por causa de escassez de alimentos: «Casamentos debaixo de fogo». O leitor reconhece facilmente «debaixo» deste título o título do filme«Casamento debaixo de chuva» Quem viu o filme associa os gastos exagerados nos casamentos à miséria circundante
Um dos palimpsestos mais frequente prende-se com o retomar do título do filme «E tudo o vento levou» quando acontecem tragédias. O «levou» transforma-se em «arrastou, varreu…» Este processo contribui , evidentemente, para acrescentar dados culturais implícitos. Por exemplo, não foi só uma questão de estilo a utilização repetida deste palimpsesto. durante o temporal de Nova Orleães. A alusão ao Sul dos Estados Unidos e à morte de muitos negros poderia ter sido lida «em palimpsesto».
O título do livro de Kundera «A insustentável leveza do ser» é frequentemente declinado em diferentes contextos.
Um dos palimpsestos mais interessantes para reforçar a questão da perda de identidade nas operações plásticas foi publicado há uns anos no jornal Público..Por esse motivo, resolvi mostrá-lo aqui. Nenhum dos meus alunos conseguiu, na altura, identificar «Les amants» de Magritte em palimpsesto,. no entanto foram vários, não todos, a relacionar o imaginário das histórias infantis na ilustração da peça «A moda dos programas de cirurgia plástica chega a Portugal».
Como tenho referido as mediaculturas caracterizam-se pela «mestiçagem» de culturas. A cultura erudita é mediatizada ou é introduzida em palimpsesto. Colocar uma imagem num texto não é um processo simples de justaposição. O conceito da imagem tem de reforçar (entrar em contradição) com o conceito do texto. Construir um site, um dossiê de imprensa, um power point implica identificar primeiro conceitos, para depois ajustar as metáforas icónicas às linguísticas.
A redacção de slogans e de títulos de jornais está cheia de palimpsestos. Veja-se, por exemplo, o título de uma peça sobre a necessidade de reduzir nos gastos dos casamentos na Índia por causa de escassez de alimentos: «Casamentos debaixo de fogo». O leitor reconhece facilmente «debaixo» deste título o título do filme«Casamento debaixo de chuva» Quem viu o filme associa os gastos exagerados nos casamentos à miséria circundante
Um dos palimpsestos mais frequente prende-se com o retomar do título do filme «E tudo o vento levou» quando acontecem tragédias. O «levou» transforma-se em «arrastou, varreu…» Este processo contribui , evidentemente, para acrescentar dados culturais implícitos. Por exemplo, não foi só uma questão de estilo a utilização repetida deste palimpsesto. durante o temporal de Nova Orleães. A alusão ao Sul dos Estados Unidos e à morte de muitos negros poderia ter sido lida «em palimpsesto».
O título do livro de Kundera «A insustentável leveza do ser» é frequentemente declinado em diferentes contextos.
Um dos palimpsestos mais interessantes para reforçar a questão da perda de identidade nas operações plásticas foi publicado há uns anos no jornal Público..Por esse motivo, resolvi mostrá-lo aqui. Nenhum dos meus alunos conseguiu, na altura, identificar «Les amants» de Magritte em palimpsesto,. no entanto foram vários, não todos, a relacionar o imaginário das histórias infantis na ilustração da peça «A moda dos programas de cirurgia plástica chega a Portugal».
Como tenho referido as mediaculturas caracterizam-se pela «mestiçagem» de culturas. A cultura erudita é mediatizada ou é introduzida em palimpsesto. Colocar uma imagem num texto não é um processo simples de justaposição. O conceito da imagem tem de reforçar (entrar em contradição) com o conceito do texto. Construir um site, um dossiê de imprensa, um power point implica identificar primeiro conceitos, para depois ajustar as metáforas icónicas às linguísticas.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Museus... no telemóvel
O Director do Museu Nacional de História Americana, numa entrevista ao Público de hoje, refere a importância do telemóvel enquanto meio de acesso à informação, mas sublinha
« O importante aqui (nos museus) é conseguir manter a atenção das pessoas - nós queremos que elas estejam a olhar para cima, e não para baixo. Num mundo cada vez mais virtual (...) há algo de mágico no acto de olhar para um objecto real, autêntico: É nisso que reside o fascínio da experiência de visitar um museu. A tecnologia potencia essa experiência, mas jamais a substitui».
As visitas virtuais do Google ART dão-nos a possibilidade de viajar nos museus, mas falta-nos a emoção do ver de perto o objecto, da deslocação face ao objecto, acrescento eu. Aprendemos muito nas visitas virtuais, mas para sentir...
« O importante aqui (nos museus) é conseguir manter a atenção das pessoas - nós queremos que elas estejam a olhar para cima, e não para baixo. Num mundo cada vez mais virtual (...) há algo de mágico no acto de olhar para um objecto real, autêntico: É nisso que reside o fascínio da experiência de visitar um museu. A tecnologia potencia essa experiência, mas jamais a substitui».
As visitas virtuais do Google ART dão-nos a possibilidade de viajar nos museus, mas falta-nos a emoção do ver de perto o objecto, da deslocação face ao objecto, acrescento eu. Aprendemos muito nas visitas virtuais, mas para sentir...
Conteúdos e ser autor de conteúdos...
Sou autora de conteúdos, não tenho 15 minutos de fama, mas tenho 15 seguidores. Produzo sem controlo de ninguém, distribuo gratuitamente. Serei lida? Sou lida por alguns em todo o Mundo. Escrevo páginas ou melhor «rascunhos partilhados». Algumas modifico-as, outras não... Há tanto ruído! Vêm estes comentários a propósito de artigo provocador sobre os conteúdos e os «curations», artigo feito por um «curator».
Não desempenharão as redes sociais este papel de mediação? Será que percebi bem? Não tenho a certeza.
E os "grandes" conteúdos não se imporão por eles próprios?
Não desempenharão as redes sociais este papel de mediação? Será que percebi bem? Não tenho a certeza.
E os "grandes" conteúdos não se imporão por eles próprios?
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
O Discurso do Rei... comunicação interpessoal
O Discurso do Rei leva-me a tecer algumas considerações sobre comunicação interpessoal.
Na minha tese sobre comunicação não verbal, citava D.Abercrombie : «Nous parlons avec nos organes vocaux, mais c'est avec tout le corps que nous conversons ». Este poderia ser o resumo do filme.Centrado sobre o «discurso» mais do que sobre uma época, opção que não agradou a todos os críticos, mostra a relação entre a dimensão para-vocal e quinésica e a importância das emoções na comunicação interpessoal. O terapeuta, sem títulos, mas com experiência, adopta para além de recurso a técnicas- a pedido do rei para o desenvolvimento dos gestos articulatórios- leva este a verbalizar as suas emoções recorrendo à provocação verbal, à música, ao gesto, adoptando comportamentos de designados de «em espelho oposto».
Planos lindíssimos dos dois actores...
Deixo as críticas mais centradas sobre o filme aos críticos, até porque hoje não consigo escrever. Uma gripe impede-me de «conversar». Não me apetece escrever mais...
Faço como me parece que aconteceu a Woody Allen (com as devidas distâncias) em «Vai conhecer o homem dos seus sonhos». Será que se fartou do filme antes de o acabar, mas assim como assim... «vão gostar na mesma»- dirá Woody Allen?
Na minha tese sobre comunicação não verbal, citava D.Abercrombie : «Nous parlons avec nos organes vocaux, mais c'est avec tout le corps que nous conversons ». Este poderia ser o resumo do filme.Centrado sobre o «discurso» mais do que sobre uma época, opção que não agradou a todos os críticos, mostra a relação entre a dimensão para-vocal e quinésica e a importância das emoções na comunicação interpessoal. O terapeuta, sem títulos, mas com experiência, adopta para além de recurso a técnicas- a pedido do rei para o desenvolvimento dos gestos articulatórios- leva este a verbalizar as suas emoções recorrendo à provocação verbal, à música, ao gesto, adoptando comportamentos de designados de «em espelho oposto».
Planos lindíssimos dos dois actores...
Deixo as críticas mais centradas sobre o filme aos críticos, até porque hoje não consigo escrever. Uma gripe impede-me de «conversar». Não me apetece escrever mais...
Faço como me parece que aconteceu a Woody Allen (com as devidas distâncias) em «Vai conhecer o homem dos seus sonhos». Será que se fartou do filme antes de o acabar, mas assim como assim... «vão gostar na mesma»- dirá Woody Allen?
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Image in Science and Art
Colóquio internacional a decorrer na Gulbenkian até amanhã (entrada livre). Gostei da intervenção de Ernst Pöppel. Só assisti aos trabalhos, ontem. Que pena tão pouca gente!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Antecipar o futuro... movimento da sociedade civil
Movimento Milénio «é uma rede de pensamento, uma dinâmica colectiva para forjar um futuro melhor para Portugal». É assim que o jornal Expresso apresenta a sua iniciativa (juntamente com um banco). Quem tem ideias?
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A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»
A propósito de artigo de Daniel Bessa no jornal «Expresso» de hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....


