E não sou eu que digo. É Jeff Bridges que participa em « Tron: o legado». Aliás o actor foi «digitalizado» para o filme. Trata-se de um filme sobre as tecnologias que não irei ver. Também não consegui ver «Matrix até ao fim - Eu confesso!
Bridges declara que «os filmes estão a caminhar numa direcção surreal. Em pouco tempo os realizadores poderão misturar um pouco de Bridges com um pouco de Marlon Brando e De Niro, e teremos filmes sem a presença física do actor» (Expresso 26 de Janeiro). E eu que gosto tanto de actores e de cinema!
Mas poderia dizer mais: Não gosto de caixas do supermercado, sem funcionárias, de portagens sem «portageiros», de hospitais, como o da CUF, sem as funcionárias que atendiam substituídas por senhas (nos outros já era assim), de escolas sem funcionárias, de contas on line, de apresentar os meus impostos na Internet... Porque estamos a extinguir postos de trabalho. Porque estamos a extinguir o relacionamento e depois falamos da sociedade do relacionamento! Enfim gosto de gente, de pessoas, de sorrisos... E gosto de dar trabalho a todos os que precisam de trabalhar e alguns só têm a sua presença e a sua simpatia para dar! E já era muito, numa sociedade mais solidária! Há tantos movimentos de protecção a x causas e ninguém se lembra que estamos a criar uma sociedade que não é para todos e não o é certamente para os mais velhos!
Blogue de professora de didáctica das línguas, de análise do discurso dos média, de comunicação, de mediaculturas... com «aulas virtureais»... e alguns desabafos.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Sociedade da informação, sociedade do conhecimento e sociedade do relacionamento
Reflexão a partir do Expresso, artigo de Hugo de Melo e Gomes, «Redes sociais, smartphones, Wikileaks - o ano que findou deixou para trás a Sociedade do Conhecimento».
Andámos durante anos entusiasmados com a sociedade da informação. As tecnologias disponibilizavam a todos os cidadão a informação pelo que seriam um meio de combater as desigualdades sociais. Depois começámos a chegar à conclusão que era preciso dar um passo e que as tecnologias precisavam de ser «tratadas». Sem o esforço do utilizador para construir o conhecimento não se ia muito longe! Entretanto a WEB 2.0 transformou o cidadão de consumidor em produtor do conhecimento. Mas mais uma vez uma possibilidade ... só alguns deram este passo. Outros aproveitaram os meios para o conhecimento «estratégico» que faz «trepar» nas profissões (a aparência do conhecimento ou a mise-en-scène do mesmo. Conhecimento rápido, superficial, interessante...
Mas outro passo foi dado. As redes tornaram possível o relacionamento entre as pessoas. Facebook, Twitter, redes mais especializadas entraram nos nossos espaços conviviais. Entraram nos nossos portáteis, nos nossos tablets... passámos para a mobilidade, para a imposição do relacionamento... muitos conhecidos, mas onde estão os amigos?
Não me parece que se possa abandonar a Sociedade do Conhecimento.
De que conhecimento precisamos para nos adaptarmos à sociedade? Para crescer? Para inovar, como tanto se diz?
E esta partilha rápida... com inúmeras vantagens, por isso aqui estou e em redes mais «populares»? Como irá ser gerida a rede de amigos? E os empregadores que vão fazer com as nossas redes? E os políticos?
Andámos durante anos entusiasmados com a sociedade da informação. As tecnologias disponibilizavam a todos os cidadão a informação pelo que seriam um meio de combater as desigualdades sociais. Depois começámos a chegar à conclusão que era preciso dar um passo e que as tecnologias precisavam de ser «tratadas». Sem o esforço do utilizador para construir o conhecimento não se ia muito longe! Entretanto a WEB 2.0 transformou o cidadão de consumidor em produtor do conhecimento. Mas mais uma vez uma possibilidade ... só alguns deram este passo. Outros aproveitaram os meios para o conhecimento «estratégico» que faz «trepar» nas profissões (a aparência do conhecimento ou a mise-en-scène do mesmo. Conhecimento rápido, superficial, interessante...
Mas outro passo foi dado. As redes tornaram possível o relacionamento entre as pessoas. Facebook, Twitter, redes mais especializadas entraram nos nossos espaços conviviais. Entraram nos nossos portáteis, nos nossos tablets... passámos para a mobilidade, para a imposição do relacionamento... muitos conhecidos, mas onde estão os amigos?
Não me parece que se possa abandonar a Sociedade do Conhecimento.
De que conhecimento precisamos para nos adaptarmos à sociedade? Para crescer? Para inovar, como tanto se diz?
E esta partilha rápida... com inúmeras vantagens, por isso aqui estou e em redes mais «populares»? Como irá ser gerida a rede de amigos? E os empregadores que vão fazer com as nossas redes? E os políticos?
Família, escola e empresas
Entre a Família e a Escola há cada vez mais desentendimentos.
Primeiro caso: Numa escola em meio muito desfavorecido... uma professora pega na manga de casaco de um aluno que se passeava pelo meio dos outros a beliscar e morder os colegas e obriga-.o a sentar-se. O aluno responde: «Vou dizer à minha mãe que me bateu (Será bateste?)». No dia seguinte, a mãe vai falar com a Directora de Turma que chama a Professora. «Bateu no meu filho:» «Não não bati, obriguei-o a sentar-se, diz lá o que fiz?» Responde o menino: «bateste-me». Responde a professora: «Vamos à turma!» Responde o menino: «Menti». A mãe chora e sai acompanhada do menino e nem pede desculpa à professora.
Segundo caso: Escola de cidade que «prepara» meninos «dotados» para entrar em Medicina. Chega o pai junto da Directora de Turma e declara: «O meu filho teve nota fraca (16 ou 17) porque a professora pediu um resumo em Português e não é do programa!».
Ser mãe ou pai não é fácil, sobretudo se criarem pequenos «ditadores» dentro de casa (cf Crónicas de Daniel Sampaio). Ser professor com alguns alunos é complicado...e se tiver que lidar com pais destes... muito pior.
E aqui remeto para a peça « Empresas ajudam a melhorar notas» do Expresso de hoje. Um grupo de empresários decidiu investir na Educação para melhorar resultados: Projecto EPIS. Parece estar a conseguir sucesso junto de muitos alunos. Recorrendo a professores-mediadores, os empresários estarão a conseguir o que as outras instituições não conseguem?
Outro exemplo... uma empresa está a recrutar operadores fabris, mas, antes de entrarem ao serviço, os candidatos vão ter de frequentar um curso com Física... Português, Inglês... «Não sabem compreender um esquema... um artigo ... explicar uma ideia...redigir um relatório », «Não sabem nada de Inglês...» e não podem desempenhar uma função tecnológica sem adquirir as competências básicas». Pergunta-se: «Mas qual o grau de escolaridade? «12ºAno e Licenciatura- alguns já de Bolonha».
A Escola Pública (e não fala da outra) está a gerar uma população altamente qualificada, mas está também a dar diplomas a candidatos a desempregados. Até porque cada vez mais haverá menos empregos para todos (cf próximo artigo).
Primeiro caso: Numa escola em meio muito desfavorecido... uma professora pega na manga de casaco de um aluno que se passeava pelo meio dos outros a beliscar e morder os colegas e obriga-.o a sentar-se. O aluno responde: «Vou dizer à minha mãe que me bateu (Será bateste?)». No dia seguinte, a mãe vai falar com a Directora de Turma que chama a Professora. «Bateu no meu filho:» «Não não bati, obriguei-o a sentar-se, diz lá o que fiz?» Responde o menino: «bateste-me». Responde a professora: «Vamos à turma!» Responde o menino: «Menti». A mãe chora e sai acompanhada do menino e nem pede desculpa à professora.
Segundo caso: Escola de cidade que «prepara» meninos «dotados» para entrar em Medicina. Chega o pai junto da Directora de Turma e declara: «O meu filho teve nota fraca (16 ou 17) porque a professora pediu um resumo em Português e não é do programa!».
Ser mãe ou pai não é fácil, sobretudo se criarem pequenos «ditadores» dentro de casa (cf Crónicas de Daniel Sampaio). Ser professor com alguns alunos é complicado...e se tiver que lidar com pais destes... muito pior.
E aqui remeto para a peça « Empresas ajudam a melhorar notas» do Expresso de hoje. Um grupo de empresários decidiu investir na Educação para melhorar resultados: Projecto EPIS. Parece estar a conseguir sucesso junto de muitos alunos. Recorrendo a professores-mediadores, os empresários estarão a conseguir o que as outras instituições não conseguem?
Outro exemplo... uma empresa está a recrutar operadores fabris, mas, antes de entrarem ao serviço, os candidatos vão ter de frequentar um curso com Física... Português, Inglês... «Não sabem compreender um esquema... um artigo ... explicar uma ideia...redigir um relatório », «Não sabem nada de Inglês...» e não podem desempenhar uma função tecnológica sem adquirir as competências básicas». Pergunta-se: «Mas qual o grau de escolaridade? «12ºAno e Licenciatura- alguns já de Bolonha».
A Escola Pública (e não fala da outra) está a gerar uma população altamente qualificada, mas está também a dar diplomas a candidatos a desempregados. Até porque cada vez mais haverá menos empregos para todos (cf próximo artigo).
«Tecnologia precisa-se» para a área da saúde ... e literacia
É um subtítulo do Expresso de hoje (peça intitulada «Controle remoto para tratar o corpo»). A propósito da possibilidades futura (muito próxima) de instalar um mediador cardíaco wireless, tatuagens de alerta para medir a tensão arterial, fita de cabeça para detecção de apneia, adesivos check-up, aplicações de iPhone, Android , BlackBerry para medir níveis de açúcar... é feito um apelo à população portuguesa para a necessidade de desenvolver níveis de literacia da população, já que estes dispositivos vão permitir:_ «a substituição da informação massificada por personalizada e e da verticalização dos serviços pela horizontalização» , segundo Constantino Sakellarides, Director da Escola Nacional de Saúde Pública_ e formação de profissionais de saúde que dominem tecnologias biométricas a distância.
Ora é neste campo em que me parece que, por exemplo, o Ensino Politécnico poderia intervir. Na proposta que fiz , há alguns anos de uma Escola nova de Tecnologias da Saúde, avancei com a sugestão de formar técnicos «mestiços» que dominassem a Física, por exemplo; (exigida para a criação e manipulação de software que é rara, dado os Cursos de Física não terem «clientes»), as Tecnologias, a Saúde e as Humanidades - para comunicarem a distância (valências das diferentes escolas dos IPS).
Olhando para os planos de estudo de muitas Escolas, continuo a interrogar-me sobre os cursos que têm sido criados para responder a esta necessidade de intervenção na saúde pública.
A nova maneira de fazer Medicina passa certamente por estas vias. Não é só de técnicos que se precisa (sobretudo de técnicos de comunicação, design, multimédia, marketing... muitos deles no desemprego). Precisamos de técnicos nesta área que saibam construir dispositivos e «ler» os relatórios dos dispositivos que teremos instalados no nosso corpo...e comunicar com os doentes. E estes, enquanto cidadãos, terão de dispor de alguma literacia para se desembaraçarem sozinhos em casa. Esta é outra questão!
Ora é neste campo em que me parece que, por exemplo, o Ensino Politécnico poderia intervir. Na proposta que fiz , há alguns anos de uma Escola nova de Tecnologias da Saúde, avancei com a sugestão de formar técnicos «mestiços» que dominassem a Física, por exemplo; (exigida para a criação e manipulação de software que é rara, dado os Cursos de Física não terem «clientes»), as Tecnologias, a Saúde e as Humanidades - para comunicarem a distância (valências das diferentes escolas dos IPS).
Olhando para os planos de estudo de muitas Escolas, continuo a interrogar-me sobre os cursos que têm sido criados para responder a esta necessidade de intervenção na saúde pública.
A nova maneira de fazer Medicina passa certamente por estas vias. Não é só de técnicos que se precisa (sobretudo de técnicos de comunicação, design, multimédia, marketing... muitos deles no desemprego). Precisamos de técnicos nesta área que saibam construir dispositivos e «ler» os relatórios dos dispositivos que teremos instalados no nosso corpo...e comunicar com os doentes. E estes, enquanto cidadãos, terão de dispor de alguma literacia para se desembaraçarem sozinhos em casa. Esta é outra questão!
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Encontrei ontem uma professora feliz!
O que é difícil nos dias que correm! Colocada numa zona difícil de Lisboa, com meninos difíceis, pais ainda mais problemáticos... «Agarrou» os meninos e está a «agarrar» os pais. Mas não vai pela solução mais directa: o facilitismo! Está a ensinar a ler e escrever. Fez planos de recuperação para muitos alunos. Sabe os conteúdos e aprofunda-os para ensinar. Tem imensos alunos, numa zona daquelas!!! Está numa escola com bom ambiente.
Foi minha aluna. Numa das primeiras aulas indignou-se com uma generalização apressada da minha parte. Tinha toda a razão e pedi-lhe desculpa.Uma vontade enorme de ser professora, uma capacidade impressionante de contornar situações difíceis da vida. O ensino superior tirou-lhe parte da confiança que tinha nela. Não gostei de ver o que lhe estava a acontecer, no final do curso. Mas está com o nariz outra vez arrebitado! Com brilho nos olhos, quando fala dos meninos. E fala com uma segurança dos assuntos profissionais, dos conteúdos (até diz que tem muitas dúvidas!).
Foi avaliada na nossa conversa e eu fui avaliada. Ensinei alguma coisa a esta aluna que ela aprendeu (cf artigo sobre Erick Hanushek ). E esta aluna está a ser uma boa professora. Está a ensinar meninos que muitos professores se recusariam a ensinar. E com entusiasmo! Força Senhora Professora!
Foi minha aluna. Numa das primeiras aulas indignou-se com uma generalização apressada da minha parte. Tinha toda a razão e pedi-lhe desculpa.Uma vontade enorme de ser professora, uma capacidade impressionante de contornar situações difíceis da vida. O ensino superior tirou-lhe parte da confiança que tinha nela. Não gostei de ver o que lhe estava a acontecer, no final do curso. Mas está com o nariz outra vez arrebitado! Com brilho nos olhos, quando fala dos meninos. E fala com uma segurança dos assuntos profissionais, dos conteúdos (até diz que tem muitas dúvidas!).
Foi avaliada na nossa conversa e eu fui avaliada. Ensinei alguma coisa a esta aluna que ela aprendeu (cf artigo sobre Erick Hanushek ). E esta aluna está a ser uma boa professora. Está a ensinar meninos que muitos professores se recusariam a ensinar. E com entusiasmo! Força Senhora Professora!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Marraquexe
Fim de semana em Marraquexe. Instalada num Riad (casa com pátio com jardim e fonte), espécie de hotel de charme situado na Medina- melhor dizendo... num beco da Medina (cf imagem). É assim mesmo. Os riads são os melhores sítios para ficar para quem gosta de ficar no interior da diversidade cultural. Um pátio, uma pequena piscina, um tanquinho, melhor dizendo, 6 ou 7 quartos, todos diferentes, muito giros- escolhe-se o quarto quando se faz a reserva- apoio constante do dono e pessoal, com design local ou mistura com moderno, um chá de menta... Anda-se sem qualquer tipo de problema Toda a gente é simpática. Durante duas noites. Se se for mais tempo, é melhor escolher-se um hotel fora da Medina, na cidade nova, «Hivernage», com jardim. A Palmeraie fica bastante longe... bons hotéis para para quem faz golf!Não é por acaso que a Praça Jemaa El Fna é património oral, porque é efectivamente a esse nível que a cidade é mais interessante, vozes, sons, sabores, cores... Tem alguns palácios e monumentos, mas vêem-se em relativamente pouco tempo. Depois ... o programa consiste em passear, discutir preços, olhar para coisas e gentes, sentir os cheiros... perder-se ... e visitar um hammam. O meu filho ofereceu-me, como prenda de anos, um SPA, no «bains de Marrakech». Sítio muito bonito com a mesma disposição dos riads que, por sua vez, têm a mesma disposição dos palácios. Como sofro de claustrofobia, apesar de fazer sauna, gostei mais das massagens que pouco têm a ver com as habituais dos nossos hotéis.
A 1 hora e 20 minutos de Lisboa, um programa óptimo para quem gosta da interculturalidade. Gostei muito. Obrigada à família pela óptima estadia e convite a outras famílias.
Francés, Investigación, innovación y buenas prácticas
Cet ouvrage coordonné par Carmen Guillén, Professeur de l'Université de Valladolid et didacticienne reconnue des langues étrangères, vient d' être publié par le Ministère de l' Education d'Espagne et les Éditions GRAO. Je ne parle pas de mon chapitre - ou je parle aussi - mais je suggère vivement la lecture des différents chapitres, indispensables aux enseignants de tous les niveaux d'enseignement. «Llibre que aborda els continguts relatius a la investigació, observació, experimentació i innovació, i ofereix un itinerari formatiu en 8 capítols, dels quals es redacten en francès (com a llengua de treball) els que es consideren relacionats amb un saber i un saber d'acció docent per abordar la problemàtica del desenvolupament del currículum en la seva dimensió de gestió i aplicació pràctica. A més a més, compagina el rigor científic dels continguts amb una presentació pràctica dels mateixos, que pot ser útil tant per al professor en formació inicial (Màster de Secundària) com per al docent en exercici que vulgui potenciar el seu desenvolupament professional».
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A propósito de «Escola Grisalha» de Daniel Bessa, no jornal «Expresso»
A propósito de artigo de Daniel Bessa no jornal «Expresso» de hoje. Leio sempre os artigos de Daniel Bessa que muito aprecio, mas.....
